28 de agosto de 2016

Resenha: The Travis Family (1 e 2)

Olá, Envenenados!

Como estão, queridos amigos?
Ultimamente tempos viajado muito no tempo, geralmente para o século XIX, para nos emocionarmos com histórias de tantos heróis e heroínas criados por excelências na arte de escrever.
Mas hoje o nosso convite é para conhecerem algumas histórias contemporâneas que também têm o poder de nos encantar.
Vamos viajar desta vez para o Texas.
Segundo a Wikipedia, “O Texas é um dos 50 estamos norte-americanos, localizado ao Sul dos Estados Unidos. [...]
O Texas é o segundo maior estado dos Estados Unidos e o maior entre os estados contíguos continentais. Com seus 695 621,06 km    , é maior do que os territórios da Alemanha e da Polônia juntas O Texas também é o segundo estado mais populoso do país; com aproximadamente 25 milhões de habitantes e com uma população crescendo rapidamente devido à imigração, possui mais habitantes do que qualquer outro estado norte-americano com exceção da Califórnia.
Geograficamente, o Texas é um estado de contrastes. Enquanto as partes norte e leste estão cobertas por vários rios, lagos e florestas e possuem um clima propício à agricultura, as partes sul e oeste possuem um clima mais árido, desértico em várias regiões. Foi nestas áreas escassamente povoadas que os Cowboys surgiram, com o intuito de cuidar do gado da região, bem como defendê-lo de ataques indígenas. Os cowboys tornaram-se rapidamente um símbolo do estado e até hoje existem em várias áreas rurais.
O Texas foi explorado e colonizado inicialmente pelos espanhóis. Passou ao controle mexicano quando o México tornou-se independente da Espanha, em 1821. A crescente migração de norte-americanos para o Texas fez com que movimentos pró-secessão do México crescessem. Em 1836, uma rebelião em Álamo foi extinta pelos mexicanos, que mataram todos os norte-americanos participantes desta rebelião, com exceção de algumas mulheres, crianças e escravos. Os mortos em Álamo tornaram-se heróis no Texas e nos Estados Unidos. Ainda no mesmo ano, o Texas tornou-se independente do México, tornando-se uma república. Nove anos depois, tornou-se um estado norte-americano, sendo admitido como o vigésimo oitavo estado da União em 29 de dezembro de 1845.
Atualmente, a economia do Texas possui um importante papel na economia norte-americana. Inicialmente, um estado agropecuário, desde o início do século XX sua economia diversificou-se e atualmente, são as indústrias petrolífera e aeroespacial, bem como o setor financeiro, que possuem maior importância na economia do Texas”
É no Texas que duas histórias incríveis acontecem. Ambas são as duas primeiras da série The Travis Family, nascidas da criatividade de Lady Lisa Kleypas. Isso mesmo: umas das divas dos romances de época mais marcantes dos últimos anos a frequentar esse espaço. Trata-se dos romances A Prometida e A Redenção, publicados pela editora Gutneberg.

Em A Prometida – estreia de Lisa como autora de romances contemporâneos –  conhecemos Liberty Jones, uma guria que precisou amadurecer precocemente para garantir sua sobrevivência e de sua irmãzinha.
Aos quatro anos de idade, ela tem a vida totalmente transformada após a morte de seu pai numa plataforma de exploração de petróleo. Depois disso sua vida só foi incertezas, uma vez que sua mãe não encontrou ninguém que substituísse o falecido marido. Ou como ela relata, “talvez seja mais exato dizer que ela encontrou um monte de homens para substitui-lo, mas nenhum ficou por muito tempo.”
Quando tinha 13 anos, sua mãe encontra um homem com que decidiu ficar por algum tempo, assim os três vão viver em Wellcome, uma cidade no leste do Texas.
Já viram aqueles filmes em que as pessoas vivem em estacionamentos de trailers? Pois é. É num desses que Liberty vai viver com sua mãe e o namorado dela. E é onde ela conhece Hardy Cates.
Hardy é um jovem lindo, corajoso e será onde Liberty encontrará consolo: no amor e amizade que nutre por ele. Mas, ao contrário do que ela e nós leitores esperamos, as coisas talvez não aconteçam entre os dois.
Apesar da atração irresistível que pulsa entre os dois, tudo o que Hardy não
precisa é de alguém para atrapalhar seus planos de sucesso, e ele a abandona no momento mais difícil de sua vida: quando a mãe de Liberty morre tragicamente em um acidente, deixando um bebê para ela criar.”
Liberty vai enfrentar um mundo de dificuldades até encontrar seu lugar ao Sol, nunca abrindo mão de Carrington. E tudo fica ainda mais confuso quando ela conhece Gage Travis.
Posso garantir: nunca fiquei tão confusa quanto aos meus anseios sobre o destino de um personagem de livro. Liberty é uma das mocinhas mais queridas que já conheci. É daquelas que sofre de tudo um pouco, mas não desistem, nem perdem a doçura e a fé em si mesmas.
Só que Gage é o filho mais velho de um magnata que, por razões que só lendo o livro para entender, resolve proteger Liberty e sua irmã. E Gage não aceitará isso muito bem e fará de tudo para afastá-la de sua família. Difícil vai ser mantê-la longe de seu coração.
Já em A Redenção, conhecemos a história de Haven Travis, ou melhor dizendo as histórias da irmã caçula de Gage.
Lisa Kleypas soube magistralmente como contar sobre abuso e violência, sobre os traumas consequentes desse abuso, tanto moral quanto físico, sobre descobertas e crescimento pessoal, sobre redenção.
Tendo nascido e sido criada em uma família texana, cujos homens estão acostumados a todas as decisões, não abandonando o instinto dominador e protetor, Haven tenta se impor, busca autonomia. Seu relacionamento com os pais nunca foi tranquilo, desde a mãe que desejava uma perfeita dama da sociedade, ao pai que apoiava as escolhas da esposa, não levando em conta as opiniões e necessidades da filha.
“Herdeira caçula de um verdadeiro império, Haven é uma mulher obstinada que vive de acordo com os próprios princípios e não tem medo de bater de frente com o pai, Churchill Travis, um dos homens mais ricos e respeitados do Texas. Mas, ao cortar relações com ele para se casar com um jovem que sua família desaprova, Haven vê sua vida se transformar num verdadeiro inferno… e não tem para quem pedir ajuda.
Dois anos depois, Haven volta para casa, com a alma abatida e o coração fechado, determinada a reconstruir sua vida sozinha. Mas Hardy Cates e seus irresistíveis olhos azuis cruzam seu caminho, e ele é a última pessoa que ela precisa encontrar.
Hardy é o mais novo magnata da indústria petroleira de Houston, um homem de sangue quente que aprendeu desde muito cedo a não confiar em ninguém e que nunca mediu esforços para chegar aonde quer: ao topo! Em sua jornada alimentada pela ambição desmedida, ele conquista poder e inimigos, incluindo os membros da poderosa família Travis. O que ele não esperava era sentir suas defesas serem abaladas pela herdeira da família…
Duas pessoas que aprenderam da pior maneira que o amor pode ser o inimigo mais cruel. Será que vão conseguir deixar todos os traumas para trás diante de uma nova chance?
“Quando se é sistematicamente agredida, sua capacidade crítica vai sendo solapada até o ponto em que é quase impossível tomar decisões.”
Nessa trama teremos mais uma vez a participação do delicioso Hardy Cates, muito mais intenso e mais poderoso do que nunca.
Quatro personagens apaixonantes em histórias que nos prendem do início ao fim e que sempre deixam um gostinho de dúvida sobre seus desfechos!
E o melhor de tudo é saber que The Travis Family está só no começo.
Eu vou ficando por aqui, esperando ter conseguido passar um milésimo da emoção que esses dois livros incríveis me fizeram sentir, sobretudo o segundo. Por isso, não percam a oportunidade de conhecer A Protegida e A Redenção.

Fiquem bem e Carpe Diem!

29 de julho de 2016

Sexta Envenenada: Pecados no Inverno

 “Você não facilitava a aproximação de ninguém
- disse após um momento. –
A vaidade de um homem é mais frágil do que poderia pensar.
 É fácil para nós confundir timidez com frieza e silêncio com indiferença.
Sabe, devia ter se esforçado um pouco.
Um breve encontro entre nós e um sorriso seu seriam
 suficientes para eu saltar sobre você e devorá-la.”
Lorde Sebastian St. VIncent

Olá, Envenenados!

Como vão todos vocês, às vésperas de um Evento que promete???
Eu, sinceramente, tento até medo das promessas dessas Olimpíadas. Justo eu, que sempre fui apaixonada por jogos olímpicos desde o colégio. Até me arrisca em campeonatos estudantis no handebol, corria bem, o ponto de carregar o Fogo Simbólico, passava noites acordada assistindo às partidas de basquete e vôlei, masculino e feminino, nos jogos olímpicos de Los Angeles, me emocionei com o Ursinho Micha, mascote em Moscou, ficava sem ar ao ver o talento da Nadia Comaneci que, com 14 anos deslumbrou o mundo alcançando nota 10 em todas as provas da ginástica olímpica, garantindo o ouro merecido. Eu que curtia tudo isso, me assombro com o descaso e até desprezo que sinto por esse evento, não por ele em si, mas pela cidade, pelos governantes e pela situação que passamos e ainda nos consideramos dignos de sediar um evento desses.
Enfim, agora é torcer, não pelos atletas, mas para que não passemos ainda mais vergonha do que temos passado, que tudo corra bem, sem violência e que depois que acabem, nós, brasileiros, finalmente possamos arrumar a casa. Pois parece que nos esquecemos da crise em que vivemos.
Mas vamos lá, falar do que realmente nos interessa, dos campeões dos nossos corações, aqueles que são nossos companheiros, melhores amigos e amantes eternos: livros, para os queremos?!

A novidade de hoje é a minha mais nova paixão: a história de Lorde Sebastian St. Vincent e Evangeline Jenner. Os absintos da vez fazem nossos corações saltarem no terceiro livro da série As Quatro Estações do Amor, da minha amada Lisa Kleypas, Pecados no Inverno, lançado recentemente pela Editora Arqueiro.
Preciso confessar: sou especialmente vidrada nessa série, mas este terceiro livro é incomparável. Para mim, é o mais intenso, mais querido de todos.
“Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança de seu pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro. Tudo o que deseja é estar ao lado do pai em seus últimos dias. 
Porém isso só será possível se ela puder escapar da casa dos tios que a criaram. E, para isso, sua única alternativa é casar-se – e rápido. Assim, ela foge no meio da noite para a casa do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento em troca de poder cuidar do pai. 
Para um aristocrata que precisa de dinheiro, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica e solteira quando se tem a reputação de Sebastian – trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. 
Mas há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais em sua sedução... ou entregar seu coração pela primeira vez na vida.
Esta sinopse não chega nem perto da real situação.
Para quem acompanha a série, sabe bem quem é St. Vincent e do que ele é capaz. Ele é o canalha mais desejado por todas as mulheres e garanto, a gente se apaixona por ele desde o livro anterior, Era uma vez no Outono.
Basta uma breve conversa com alguns amigos sobre o desfecho que teve seu último caso com uma dama casada, para termos noção de como ele não ama nada além de si mesmo, nem leva nada nem ninguém a sério.
“Simon Hunt olhou para o visconde com tranquila curiosidade.
― Acho interessante – disse me voz baixa – você se referir ao caso como indiscrição dela e não sua.
― Foi – disse St. Vincent, enfático. A luz do lampião brincou sobre os ângulos marcados do rosto dele. – Eu fui discreto, ela não. – Ele balançou a cabeça com um suspiro de exaustão. – Nunca deveria tê-la deixado me seduzir.
― Ela o seduziu? – perguntou Marcus, cético.
― Juro por tudo o que mais sagrado... – St. Vincent se interrompeu. – Espere. Como nada me é sagrado, deixe-me refazer a frase. Você deve acreditar em mim quando eu digo que foi ela quem incentivou isso. Dava indiretas o tempo todo, começou a aparecer nos lugares onde eu estava e enviou mensagens me implorando para visitá-la quando quisesse, garantindo que vivia separada do marido. Eu nem a queria. Soube mesmo antes de tocá-la que seria entediante. Mas cheguei ao ponto em que não ficava bem continuar a rejeitá-la, então fui à casa dela e ela me recebeu nua no hall de entrada. O que eu deveria fazer?
― Ir embora? – sugeriu Gideon Shaw.
― Eu deveria ter ido mesmo – admitiu St. Vincent taciturno. – Mas nunca consegui rejeitar uma mulher que quer sexo. E já fazia muito tempo que eu não me deitava com ninguém, pelo menos uma semana,  fui...”
Desnecessário dizer que essa declaração foi o bastante para gerar ainda mais polêmica. Aliás, em Era uma vez no Outono, St. Vincent tem uma participação bem marcante e muito decisiva na vida dele, de Marcus e Lillian (protagonistas deste livro) e de Evie, a mais improvável das moças a chamar sua atenção.
Mas o que o torna um eleito a absinto dessa coluna?
É justamente essa sua maneira de agir o tempo todo, que se revela mais como uma forma de defesa do que agressividade e a responsável por entendermos isso é justamente a jovem mais doce e “invisível” do quarteto das Flores Secas.
Evangeline vive com os tios maternos desde que sua mãe morrera durante o parto e seu pai, ex-lutador e dono de um dos cassinos mais frequentados de Londres, decide que um antro de jogatina e devassidão não é um lugar adequado para sua amada filha.
Desde então, Evie foi criada pelos tios e pouco via o pai. Suas visitas foram ficando cada vez mais espaçadas conforme ela vai crescendo e, quando torna-se uma jovem pronta para ser apresentada à sociedade seus tios a proíbem de visitar o pai. Para piorar a situação, Ivo Jenner fica doente e, como na época não havia um tratamento e cura para a tuberculose, logo perecerá.
Sabendo dessa situação toda, os tios de Evie praticamente a aprisionam e planejam casá-la com seu filho, pois é de seu conhecimento a grande fortuna que a moça herdará do pai.
E, num misto de desespero, indignação e coragem, mais uma vez Evie foge, com a resolução de que esta será a última.
Seu plano e encontrar alguém tão desesperado quanto ela que a aceite como esposa. Sabemos da situação da mulher no século XIX, quando ela não tinha poder sobre a própria vida, principalmente uma jovem solteira. Evie sabe que se tentar se refugiar com uma das amigas não vai resolver seus problemas, uma vez que seus tios a levariam de volta. Sua única opção é casar-se.
Depois do feito desastroso de St. Vincent no livro dois da série, Evie sabe que ele, apesar de ir contra tudo o que ela idealizava em um marido, é a peça que falta para que seu plano dê certo.
E assim começa essa história ímpar que saiu da cabeça e do coração de Lisa Kleypas. Um mocinho com ares de vilão, que prefere que o vejam assim, e uma heroína gaga, ruiva e sardenta, com ares de frágil e amedrontada, que vai provar que coragem não precisa ser demonstrada apenas com grandes gestos.
Evie vai até a casa do visconde e faz sua proposta. Ele percebe o erro enorme que cometeu ao mirar na herdeira errada, mas nunca é tarde para corrigir erros e ambos partem imediatamente para Gretna Green, na Escócia – lugar para onde vão os que não querem esperar pelos trâmites necessários para um casamento na Inglaterra.

Gente, andei pesquisando sobre o lugar, e é incrível mesmo, reparem nessas imagens!
Uma das imagens que mais lembra a história de Pecados no Inverno








E quem quiser saber mais, é só acessar Gretna Green.
Este é o casal mais adorável e improvável de todos os livros que li até agora.
Impressionantemente, desde saem numa cansativa viagem ininterrupta, de mais de dois dias para se casarem, St. Vincent começa a cuidar, a proteger Evie e, consequentemente a perceber coisas que jamais se permitiu ver, uma vez que sempre a evitava nos Eventos sociais aos quais iam.
“St. Vincent sorriu enquanto ela afastava rapidamente seu pé com meia e ele estendia a mão para o outro. Permitindo-lhe retirar seu outro sapato, Evie se esforçou a relaxar, embora o roçar dos dedos dele em seu tornozelo lhe causasse uma estranha onde de calor.
― A senhorita pode afrouxar os cordões de seu espartilho. Isso tornará sua viagem mais agradável.
― Eu não es-estou usando es-espartilho – disse Evie sem olhar para ele.
― Não está??? Meu Deus! – o olhar de St. Vincent deslizou sobre ela em uma avaliação de especialista. – Que corpo bem proporcionado a senhorita tem!
― Eu nã-não gostei desse tom.
― Perdoe-me... Força do hábito. Sempre trato as damas como meretrizes e as meretrizes como damas.
St. Vincent é o personagem mais desbocado e sensual que já esteve em um romance. Obviamente existem outros libertinos, em quase todos os romances há. Mas ele é definitivamente o rei da libertinagem.
Em Pecados no Inverno vamos quase que na contramão de todas as histórias de romance de época: o mocinho e a mocinha se bicam, sentem uma forte atração, têm relação sexual, precisam se casar e se dão conta de que se amam. Quase sempre é assim. Mas aqui nossos heróis precisam se casar, mas será mesmo um casamento de conveniência, estão decididos a isso... só que não!
A primeira vez deles é alucinante, mais ainda porque promete ser a única, mas eu perdi meu fôlego incontáveis vezes (cá entre nós, li esse livro 3 vezes), foi algo mágico, pirotécnico, incendiário – o próprio St. Vincent ficou atordoado com o que sentiu. E eu, com esse coração vagabundo, estou arriada por St. Vincent e por Evie também, por ser uma guria incrível, revelando uma força que muitos desconheciam sem perder a etiqueta e a doçura!
Não posso mais, infelizmente, falar tudo o que querida sobre esse livro extraordinário, mas garanto para vocês, é uma leitura inesquecível e envolvente. Uma história que não se limita à conquista amorosa e sexual, mas ao autoconhecimento, às descobertas que surpreenderam não apenas o leitor, mas também aos protagonistas. E, como não poderia me arrebatar mais, Lisa Kleypas nos apresenta outro personagem magnifico, que conheci em outra série.
Cam Rohan, meu cigano adorável, surge aqui como um jovem pupilo de Ivo Jenner e vai se consolidando como homem responsável e de confiança de Evie e St. Vincent, tanto que ganha sua própria história em Desejo à Meia-noite, da série Os Hathaways.
Quanto aos mocinhos da vez, não é spoiler dizer que se apaixonam sim, que não conseguiram viver um sem o outro sim!
“― Eu a quero mais do que já quis qualquer coisa neste mundo – falou Sebastian. – Diga-me o que posso fazer para tê-la.
― Nã-não há nada que você possa fazer. Eu ia querer que fosse fi -fi el a mim, e você nunca poderia ser.
―O que quer de mim? Que me desculpe por ser homem?
Perplexa com a pergunta, Evie olhou para ele. Sempre havia sido muito fácil para Sebastian conquistar mulheres. Ela ansiou por descobrir se o marido poderia passar a valorizá-la de outros modos além do físico.
― Se você se abstiver de mulheres durante seis meses... dormiremos juntos.
― Isso é impossível. Sou Sebastian, lorde St. Vincent. Não posso ser casto. Todos sabem disso.
Ele era tão arrogante e estava tão indignado que Evie teve de morder o lábio para não rir.
― Com certeza não lhe faria mal tentar.
― Ah, sim, faria!
― Três meses. Se for bem-sucedido, irei para a cama com você quantas vezes quiser.
Um longo momento de silêncio se passou.
― Onde está sua aliança? – perguntou Sebastian subitamente.
― Eu a tirei.
― Por que fez isso?
Ela procurou desajeitadamente em seu bolso.
― Está aqui. Eu a colocarei de volta se você quiser...
― Entregue-a para mim. Aceitarei sua aposta e a vencerei. Daqui a três meses porei isto de volta em seu dedo, a levarei para a cama e farei coisas com você que são proibidas no mundo civilizado.”
Não duvidem, fique extremamente sem ação ao ler uma passagem muito picante (dentro do metrô), como eu disse ele é muito desbocado, libidinoso e excitante. Esse canalha eu levaria para casa!
Como é característico das séries de Lisa Kleypas, os personagens dos livros anteriores também têm participação garantida e efetiva nesse terceiro e maravilhoso volume.
Sabe aquele livro que nos deixa com ressaca, com depressão por chegar ao fim? Pecados no Inverno é uma desses. Por isso o reli e o relerei sempre, perpetuando o amor que sinto por todos os personagens, pela história, pela autora!

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

24 de julho de 2016

Aniversário Envenenado: 6 anos de Paixão!

 “O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
 mas na intensidade com que acontecem.
 Por isso, existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
Olá, Envenenados!
“O hábito de comemorar o dia do nascimento surgiu na Roma antiga. Antes disso, já se faziam oferendas, como o bolo, mas não havia uma festividade propriamente dita. A origem estava ligada à ideia de que, na data de aniversário, anjos malignos vinham roubar o espírito do aniversariante e era preciso tomar medidas para prevenir isso. Por ser ligada a superstições, a tradição foi inicialmente considerada pagã pela Igreja Católica e só foi adotada no século 5, quando a instituição passou a celebrar o nascimento de Jesus. Mesmo assim, a prática de comemorar aniversários só se tornou comum no Ocidente no século 19, quando, na Alemanha, foi organizado um festival comemorativo coletivo.

Já postamos por aqui outra ideia sobre a origem dos aniversários, segundo o site da revista Mundo Estranho. Nessa postagem eles, inclusive, colocam algumas curiosidades a respeito desse evento que é a comemoração de aniversários.
Há seis anos, faça chuva, faça Sol, com ou sem parceria, com ou sem comentários, com ou sem ovadas, com ou sem “com quem será” e outras formas típicas de se comemorar aniversário, este blog está no ar!
Há seis anos, com as várias postagens, com os vários colaboradores que passaram por aqui, com as dificuldades que podemos passar, seja no âmbito pessoal, profissional e, até mesmo, apesar das crises pelas quais nosso país passa, estamos aqui, mantendo-nos inteiros e esperançosos de que dias melhores virão.
Hoje é dia de comemorar, seja como for, mas de preferência lendo um bom livro, o aniversário de espaço!
Este é um momento em que devemos sim olhar para trás e lembramos de tudo pelo que passamos, das batalhas que travamos, umas vencidas, outras perdidas. Mas, sobretudo, este é um momento que devemos agradecer por tudo e por todos.
Devemos agradecer aos nossos seguidores que, mesmo passando por um momento em que demoramos muito mais que o normal entre uma postagem e outra, nunca nos abandonaram; às editoras parceiras que, também apesar disso, continuam acreditando no amor que sentimos pelos nossos livros e na força que alcançamos através dos nossos seguidores; aos amigos colaboradores que driblam os contratempos e encontram tempo para continuar traduzindo em postagens as inspirações que adquirem dessa maravilha que é o mundo literário.
Agradecemos, muito, mas muito mesmo, aos escritores que nos dão a razão de existirmos, que, com suas obras, alimentam nossas mentes e almas e nos transportam para um mundo mais bonito, ou fantasioso, ou mágico, ou de conflitos, ou de erotismo, ou de romantismo, dependendo do gênero literário.
Sejam heróis ou heroínas de romances contemporâneos, de época, de ação, policial, ou mesmo de fatos reais, eles nos envolvem em suas histórias, nos tornam pessoas melhores, mais sensíveis e desejosas de um mundo melhor.
Difícil fazer uma postagem que não repita o que falamos sobre esse tópico anteriormente, difícil não ser redundante nos sentimentos e nas palavras quando o amor que sentimos não recuou sequer um milímetro. Pelo contrário, a cada ano, a cada publicação, nossos corações se inundam com o desejo de mais e mais livros, beirando à obsessão... qual de nós, apaixonados por livros, não se sente frustrado quando aquele livro tão desejado leva mais tempo que o previsto para, enfim, ser publicado, qual de nós não sente uma ansiedade ao passar pela vitrine de uma livraria? Então, meus amigos, essa é sim um tarefa difícil – a de escrever sobre o aniversário do As Envenenadas pela Maçã. Basta conferir as postagens dos aniversários anteriores que, provavelmente, encontrarão similaridades.
Mas somos autênticos, somos nós mesmos, de corpo, alma e teclado sob os dedos. Não nos apoiamos nas palavras de outrem como fez, há poucos dias, uma candidata a primeira dama dum certo país de primeiro mundo, ao tomar para si as palavras de outra.
O que vai aqui é de todo coração, é de toda a alma, e pudéramos nós, possuirmos a capacidade de criar novas palavras e colocarmos nelas toda a força do que sentimos: do amor que sentimos, da frustração por não termos mais tempo para dedicarmos a esse espaço tão querido, da felicidade que é sentir o cheiro de livro novo, da euforia de compartilhar nossas impressões sobre nossos queridos livros.
Mas, como não possuímos esse dom, fica aqui nosso agradecimento mais sincero, nosso desejo mais intenso por sua companhia e parceria.
Feliz Aniversário, Envenenados!
Que, do crepúsculo ao amanhecer,
Tenhamos sempre um olhar de amor,
Que continuemos a seduzir e sermos seduzidos
À meia-noite e a qualquer hora do dia,
Sem nos prendermos a quaisquer regras de sedução.
Que amemos sempre à primeira vista,
Com ou sem métrica.
Que todos os tons permeiem nosso trabalho,
Com ou sem teoremas.
Que, entre o agora e o nunca,
Continuemos juntos, como uma irmandade,
Vivendo e escrevendo sobre romances,
históricos ou não.
Tania Lima

22 de julho de 2016

Sexta Envenenada: Sedução da Seda

"Mas a morena misteriosa…
Todos os homens no teatro notavam a presença dela.
Nenhum deles prestava atenção na ópera.
O público francês, diferentemente do inglês
ou do italiano, assistia às apresentações no mais respeitoso silêncio.
Mas os amigos de Clevedon sussurravam sem parar, querendo saber quem era
“aquela magnífica criatura” sentada ao lado da atriz Sylvie Fontenay.
Ele olhou de relance para madame St. Pierre e, em seguida, olhou para
a morena, do outro lado do teatro. Pouco tempo depois, enquanto os amigos
continuavam a fazer especulações e perguntas,
o duque de Clevedon levantou-se e saiu."
Sedução da Seda


Olá, Envenenados!

Muito frio por aí?
Aqui está uma delícia, pelo menos no que diz respeito ao tempo atmosférico e, pelo menos para mim, pois sou apaixonada pelo inverno. Prendam-me por ser uma brasileira atípica, mas eu simplesmente não sou tolerante ao calor de quarenta, que esquenta tanto o asfalto que meus calinhos se desfazem.
Em tempos de absurdos políticos, fantasiosas olimpíadas, terrorismo e violência viscerais, ainda encontramos refúgio em nossa grande paixão que é a leitura, felizmente.
Benditos escritores que, com seu talento, criam histórias e personagens cativantes que nos levam para um mundo alternativo e prazeroso. Claro que a leitura não nos aliena do que acontece ao nosso redor, mas traz um bálsamo durante a tempestade.
Um dos bálsamos mais recentes que a Editora Arqueiro nos proporcionou é a nova série de Romances de Época As Modistas, da diva Loretta Chase.
Nesta série a autora nos apresenta às irmãs Noirot, Marcelline, Sophia e Leonie, contando suas aventuras em um volume para cada uma e, em um quarto volume poderemos saber que destino terá uma personagem muito querida que conhecemos no primeiro livro.
Em Sedução da Seda, que, além de uma capa maravilhosa, apresenta um pouco mais sobre a moda e alguns costumes franceses e a sua grande influência pelo mundo, a protagonista é Marcelline Noirot  ao lado de Gervaise Angier, o sétimo duque de Clevedon.
“Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.
Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.
O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.”
A surpresa de Sedução da Seda é o fato de nossa heroína ser, de fato e não apenas em fantasia, uma mulher independente.
Ela é a mais velha e a responsável por sua família, composta pelas duas irmãs e sua filha de 6 anos. Então, não se trata de uma protagonista inexperiente sexualmente, nem indefesa, nem emocionalmente subjugada pelo desejo de casar-se para tornar-se respeitável.
Nos planos de Marcelline, pelo menos no mais recente, o único casamento que interessa é o de Lady Clara e o Duque de Clevedon. Ela precisa fazer com que seu ateliê seja o mais importante de Londres e, para tanto deve conquista a futura condessa, pois, conquistando-a, as demais damas da aristocracia londrina seguiriam seus passos.
Obstinada, Marcelline não poupará esforços para conquistar seu objetivo, e parte para Paris, onde Clevedon tem passados os últimos anos entre festas, cassinos, teatros e, obviamente, entre algumas pernas femininas.
“Sabiam que Gervaise Angier, o sétimo duque de Clevedon, estivera sob a guarda do marquês de Warford, o pai do conde de Longmore. Estavam cientes de que Longmore e Clevedon eram grandes amigos e que Clevedon e lady Clara Fairfax, a mais velha entre as três irmãs de Longmore, estavam prometidos um para o outro.
Clevedon era apaixonado por ela desde a infância e jamais demonstrara nenhuma inclinação para fazer a corte a quem quer que fosse, embora por certo mantivesse vários relacionamentos de outra natureza, em especial durante os três anos que passara no exterior.
Apesar de o casal jamais ter noivado oficialmente, o fato era considerado mera formalidade. Todos sabiam que o duque se casaria com ela tão logo retornasse com Longmore de sua tradicional viagem pela Europa. Toda a sociedade ficou chocada quando, cerca de um ano antes, Longmore voltou e Clevedon continuou levando uma vida de devassidão.”
Outra surpresa é essa devoção de Gervaise a Lady Clara, algo que normalmente não vemos nos romances mais recentes.
Mas a magia da atração e da sedução não é algo que podemos controlar, e essa história nos reserva muitos momentos sensuais, mas também momentos tensos, ternos e divertidos.
Dona Loretta prova também que a criação de um romance de época não conta apenas com a criatividade do autor, mas também com um trabalho de pesquisa e dedicação aos detalhes. Em alguns capítulos temos uma nota de uma publicação do século XIX e XX  que explicita a seriedade com que este trabalho foi realizado.
Obviamente, o tempero maior de Sedução da Seda está nas batalhas verbais dos protagonistas e o crescente desejo que sentem um pelo outro, incrementado pela rejeição à ideia de estarem apaixonados.
“– O senhor não tem noção do que é preciso para competir com as lojas já estabelecidas, Vossa Graça. Não pode imaginar o que precisamos enfrentar – apontou Marcelline.
– Por causa de roupas? A senhora não acha um absurdo chegar a esse ponto se as mulheres inglesas não ligam para estilo? Por que não dar a elas o que desejam?
– Porque eu posso deixá-las mais belas do que desejam. Posso deixá-las inesquecíveis. Não há nada neste mundo que seja realmente importante em sua vida, importante o suficiente para que deseje conquistá-lo, apesar dos obstáculos? Que pergunta tola! Se o senhor tivesse um propósito na vida, estaria se entregando a ele, em vez de desperdiçar seus dias em Paris.
O duque de Clevedon sentiu vergonha e raiva. Ela o havia atingido. Reagindo de maneira instintiva, disse:
– De fato, tudo isso é um esporte para mim. Tanto que vou propor uma aposta. Mais uma rodada de cartas, madame. Vinte e um. Se eu perder, eu a levarei ao baile da comtesse de Chirac.
Os olhos dela brilharam.
– Uma aposta impetuosa após a outra. Eu me pergunto o que o senhor pensa que irá provar.
– Nada a provar. Quero apenas que a senhora perca. E, quando perder, a senhora admitirá sua derrota com um beijo.”
A princípio, as estratégias de Marcelline nos dão uma impressão de que ela não deseja nada além do sucesso de seu estabelecimento e a segurança financeira de sua família, mas vamos conhecendo melhor seus pensamentos e frustrações, e descobrimos uma mulher forte, mas sensível que, acima de tudo, deseja a felicidade daqueles que mais ama. Vamos descobrindo isso ao mesmo tempo que Lorde Clevedon e, em suas descobertas nosso herói também vai conquistando nosso coração.
Entre as idas e vindas de nossos amados personagens, uma história de força e perseverança é construída, e nossas modistas têm de lidar com todas as possibilidades, inclusive traição, o que rende ainda mais emoção para nossos corações, nos restando apenas o desejo ardente de ter logo em mãos o próximo volume da série!
Parabéns Loretta Chase e obrigada, Editora Arqueiro, por nos seduzir cada vez mais, a cada livro, a cada capítulo, a cada página!

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

17 de junho de 2016

Sexta Envenenada: Entre a Culpa e o Desejo

 “Eu, por outro lado, era o perfeito segundo filho.
Eu adorava tudo o que não prestava e detestava responsabilidades.
Eu era ótimo em gastar o dinheiro do meu pai e minha própria mesada,
 e tinha muito jeito para contar cartas.
Eu podia transformar dez libras em mil,
e aproveitava qualquer oportunidade para fazer isso.
Eu tinha pouco tempo para os amigos e menos ainda para a família.
 (...) Nunca me ocorreu que eu poderia,
um dia, lamentar essa falta de tempo.”
Olá, Envenenados!

Estamos aqui mais uma vez, numa sexta que, para mim, é maravilhosa, fresquinha, com aquele friozinho que promete muitas sensações.
Tanto para que vai curtir a noite depois do trabalho com os amigos, com seu amorzinho, ou com a família, ou para aqueles que aproveitam para ficar em casa assistindo algo ou curtindo um livro... essa sexta promete. Eu amo outono, eu amo inverno!
E amo tudo o que listei acima.
Durante esses anos em que escrevo para o As Envenenadas pela Maçã tive oportunidades de conhecer pessoas maravilhosas, tanto na vida real, na vida além blog, quanto nos nossos adorados livros. Estou conhecendo autores que fazem mágica, personagens que infelizmente são só personagens e histórias inesquecíveis.
Há pouco tempo conheci a escrita de Sarah MacLean, de quem já tinha ouvido falar nos encontros literários e lido em outros blogs e grupos de leitura no Facebook. Sempre tive curiosidade, mas não me arriscava a ler, mantendo-me no meu lugar-seguro-de-autores-conhecidos.
Até que a Editora Gutenberg resolver publicar romances de época também e Sarah MacLean estava entre as autoras. Assim, criei coragem e comprei Entre o Amor e a Vingança.
Já escrevi sobre ele aqui, numa Sexta Envenenada anterior.

Como eu disse na época, a surpresa me derrubou e me pôs como uma viciada em seus livros e personagens.
Aquele era primeiro livro da série O Clube dos Canalhas e conta a história do marquês de Bourne e Penélope Marbury.
Hoje trago a história de Philippa Marbury (irmã de Penélope) e Jasper Arlesey, o conde Harlow, ou Sr. Cross.
“Lady Philippa Marbury não é como as jovens de sua época. A brilhante filha do marquês de Needham e Dolby se preocupa mais com seus livros e experimentos do que com vestidos e bailes. Para ela, um laboratório é muito mais atraente que uma proposta de casamento, e é por isso que, ao ser prometida a um noivo com quem não tem nada em comum, Pippa tem apenas duas semanas para empreender seu último experimento: descobrir todos os prazeres e todas as delícias da vida antes de passar o resto de seus dias ao lado de alguém que ela mal conhece.
Como boa cientista que é, Pippa investiga a vida do homem que parece ser a cobaia ideal para realizar suas experiências: Sr. Cross, o atraente sócio do cassino mais famoso e cobiçado de Londres, um libertino cuja má-fama foi cuidadosamente construída sobre o vício e a devassidão. Um canalha perfeito para explorar suas fantasias e satisfazer sua curiosidade sem manchar sua reputação de moça de família.
Mas o que Pippa não sabe é que, por baixo das aparências, Cross esconde segredos obscuros e que, ao receber a proposta da garota, ele está diante de uma oferta que pode destruir tudo aquilo que durante anos ele se esforçou para proteger.
Terrivelmente tentado a se envolver nessa aventura que promete o mais puro prazer sem qualquer outra emoção, tudo o que Cross deseja é dar a Pippa exatamente o que ela quer, mas ele sabe que ninguém sai ileso do caminho da satisfação e, assim, Cross terá de usar cada miligrama de sua força de vontade para não perder o controle e resistir à tentação de entregar à jovem muito mais do que ela ousa imaginar.”
Phillippa é uma jovem muito diferente das moças de seu tempo e sociedade.
Sendo filha de aristocratas, espera-se que ela siga o caminho das três irmãs mais velhas e case-se também com um aristocrata. E é o que ela planeja fazer ao se comprometer com o simplório conde de Castleton.
Tida como esquisita desde sempre, Pippa é uma estudiosa de anatomia, botânica e outras ciências, sempre prezando a lógica e a honestidade, ela vê no casamento com Castleton uma maneira de seguir as regras, como esperam dela, e continuar seus estudos, uma vez que o jovem conde garantiu que ela teria espaço e tempo para isso.
Tudo ia bem, até que a poucos dias do casamento ela toma conhecimento dos votos matrimoniais que deverá fazer para seu futuro marido: “[...] o casamento não deve ser realizado de maneira irrefletida ou superficial, mas com toda a reverência e de acordo com os propósitos de Deus. [...] Também não deve ser realizado para satisfazer os apetites carnais dos homens, como bestas selvagens que não possuem entendimento.”
Assim, ela decide que precisa se preparar para fazer seus votos com toda honestidade que possa ser capaz. Mas para isso ela vai precisar da ajuda de alguém e, como não vê como recorrer à mãe, às irmãs, sobretudo Penélope – que é apaixonada pelo marido, e amor é algo que Pippa não entende – e muito menos ao noivo, ela resolve recorrer ao libertino mais próximo e mais misterioso de Londres.
Cross é um dos sócios do Anjo Caído, o cassino mais famoso e que também pertence ao seu cunhado, o marquês de Bourne.
Como todos os sócios do Anjo, Cross tem seus próprios demônios.
“Ser o segundo filho tem suas vantagens.
De fato, se existe uma verdade na sociedade, é esta: devasso, malandro ou canalha, um herdeiro precisa tomar jeito. Ele pode fazer muita bagunça, realizar diversas peripécias sexuais e escandalizar a sociedade com as aventuras de sua juventude, mas seus futuro está gravado na pedra pelo melhor dos escultures: ele sempre acabará acorrentado ao seu título, à sua terra e à sua propriedade – um prisioneiro da nobreza ao lado de seus pares na Câmara de Londres.
Príncipe Harry - segundo filho, ruivo, nobre e lindo
 - a encarnação de Cross!
Não, a liberdade não era para herdeiros, mas para os outros filhos. E Jasper Arlesey, segundo filho do Conde Harlow, sabia disso. Ele também sabia, com a perspicácia de um criminoso que escapou por pouco da forca, que – apesar de não ter direito ao título, propriedade e fortuna – era o homem mais sortudo da Terra por ter nascido dezessete meses depois de Owen Elwood Arthur Arlesey, o primogênito, Visconde Baine e herdeiro do condado. [...] Era Baine quem precisava atender às expectativa de todos à sua volta – pais... nobres... criados... todos.”
E por ser exatamente o que todos esperavam. Baine acompanhou a irmã caça em sua primeira visita ao clube mais concorrido de Londres. Uma vez que Jasper não cumpriu a promessa que vez a Lavínia de leva-la, o irmão mais velho acabou assumindo o compromisso.
O que veio em consequência disso, foi a mudança radical na vida de todos, sobretudo de Jasper, que acabou herdando o título de Conde de Harlow.
Consumido pela culpa, Jasper, agora Cross, continuou sua vida de jogatina, lendo cartas tão perfeitamente que faturava horrores, até o dono do cassino que frequentava descobrir e quase mata-lo. Depois disso, ele entrou na sociedade do Anjo Caído.
Mas agora ele tem outro desafio: se livrar daquela lady esquisita que apareceu em seu quarto, com a proposta mais absurda que já teve em toda sua vida! Ele deveria arruiná-la.
Era isso!
Pippa foi procurar Cross em seu cassino para pedir que lhe ajudasse a compreender os segredos sobre alguns departamentos do matrimônio.
 “― Você se opõe ao amor?
― Não me oponho, mas sou cética. Tornei minha prática não acreditar em coisas que não consigo ver.
Ela o surpreendeu.
― Você não é uma mulher comum.
― Já estabelecemos isso. É por esse motivo que você está aqui, lembra-se?
― É mesmo. – ele cruzou os braços longos à frente do peito e acrescentou:
― Você deseja provocar seu marido – marido que não espera amar.
― Exatamente [...] Se isso ajuda, também não acho que ele espera me amar.
― Um belo casamento inglês.
[...]
― Acho que sim, não é mesmo? Certamente é parecido com os casamentos que conheço.
[...]
― Você duvida que Bourne goste profundamente de sua irmã.
― Não. Mas esse é o único. Talvez Olívia e Tottenham também. Mas minhas outras irmãs casaram pelo mesmo motivo pelo qual vou me casar.
― E qual é?
[...]
― É o que esperam que façamos. [...] Eu suponho que isso não faça sentido para você, já que não é um aristocrata.
― O que ser um aristocrata tem a ver com isso?
― Talvez você não saiba, mas aristocratas têm que viver sob muitas regras. Casamentos têm a ver com riqueza, título, propriedades e posição. Não podemos simplesmente nos casar com quem quisermos. Bem, as mulheres pelo menos não podem. Os cavalheiros aguentam um pouco de escândalo, mas muitos deles simplesmente desistem e permitem serem arrastados para casamentos sem amor, sem sentimento. Por que acha que isso acontece?
― Não gostaria de tentar adivinhar.
― É impressionante o poder que os homens têm e como o usam mal. Você não acha?
― E se você tivesse o mesmo poder?
[...]
― Eu teria ido para a universidade. Teria ingressado na Sociedade de Horticultura Real. Ou talvez na Sociedade Astronômica Real – e aí eu saberia a diferença entre a Estrela Polar e a Veja.”
E pensar que a situação da mulher não mudou muito, sob alguns aspectos.
A princípio, a história parece simples, descomplicada: uma jovem procura um homem experiente para orientá-la sobre algumas minúcias da sedução, da tentação.
Só que ele é um devasso, lida com prostitutas, jogos, entre outras coisas e ela é uma jovem lady às vésperas de se tornar uma condessa. Para completar o cenário, estão em um dos cassinos mais prósperos e bem frequentados da Inglaterra, onde muitos nobres (homens e mulheres) fazem suas apostas e podem descobri-los a qualquer momento.
Além disso, ambos precisam lidar com emoções que teimam em surgir e com fatores externos que ameaçam a integridade de tudo o que mais prezam.
Mais uma vez Sarah MacLean nos brinda com seu talento e criação. Dando-nos personagens cativantes, revolucionários, atormentados e que descobrem uma nobreza interior, ela nos faz desejar, cada vez mais, que o mundo fosse diferente e perceber que dificilmente um título de livro é tão apropriado!
Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

Ou receba as atualizações no seu email:

Delivered by FeedBurner

Posts Recentes

Últimos Comentários

As envenenadas pela maçã Ѽ by TwilightGirls RJ Ѽ - Copyright © 2012 - Todos os Direitos Reservados