23 de agosto de 2013

Sexta Envenenada: Tesouro e Sedução

“Amanhã!
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã!
Redobrada a força
Prá cima que não cessa
Há de vingar
Amanhã!
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar
Amanhã!
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar!
Há de imperar!
Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é prá vicejar
Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Prá se trilhar
Amanhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã!
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno!
Será pleno!”

Guilherme Arantes
Olá, Envenenados!

Já contei para vocês como comecei a ser leitora assídua de livros de romance, desses que são comentados por aqui?
Acho que sim.
Tenho certeza de que já contei para vocês que torcia o nariz para escritores que não estavam entre os clássicos indicados nas escolas e faculdades. Embora nunca tenha me considerado nerd, sempre lia os romancistas brasileiros, até mesmo por costume acadêmico e também – claro – por paixão. Então, lia Machado, Fernando Sabino, Graciliano, Clarice, Veríssimo, Jorge Amado e tantos outros autores fantásticos.
Mas, por necessidade de me desfocar dos problemas diários e por falta de novos títulos aqui em casa, acabei lendo um livro que rolava há meses na minha prateleira, presente de uma amiga.
Como disse na primeira Sexta Envenenada, eu olhava para a capa e sequer tinha tesão para saber do que se tratava, pois tinha certeza de que era um “romance mulherzinha”. Mas, dadas circunstâncias, não tive outra opção: encarei aquele livro de capa vermelha, com um nome doce e um casal se beijando.
E não larguei mais de Linda Howard. Consumi Beije-me Enquanto Durmo em dois dias e o reli em um. Foi o bastante para sair à procura de outros títulos da autora e conhecer outras tantas. Mas é claro, tenho minhas preferências e acho que também as deixo bem claras aqui.
Através daquele primeiro livro conheci tantos outros maravilhosos, e outros nem tanto, autoras fabulosas, outras dentro da média. Eu levava os livros a toda parte. Minha cabeleireira sempre me perguntava sobre o que eu tanto lia, minha manicure vive me dando bronca. Enfim, paixão é paixão.
E esta paixão nos consome tanto ao ponto de não sossegarmos até adquirirmos aquele livro tão aguardado. Foi o caso de Tesouro e Sedução, da J.R. Ward, que comprei há alguns dias e não via a hora de conferir.
Felizmente deu para conhecer a história a tempo de escrever a coluna de hoje. Então, preparem-se porque os absintos da vez são Nick Farrell e Carter Wessex.
Mas antes, um pouco da minha impressão sobre a autora. Estava acostumada com os textos da Ward sobre a Irmandade da Adaga Negra, uma das minhas paixões literárias. Então, a expectativa sobre este foi muito grande.
Tesouro e Sedução é seu segundo livro, assinando como Jessica Bird, e traz uma carta ao leitor, onde ela expõe sua queda por regiões montanhosas, por arqueologia e por homens dominadores.
É uma carta muito simpática, na qual ela mostra suas expectativas e opiniões e, por incrível que pareça, temos muito em comum, até mesmo a preferência por textos que tenham mais que simplesmente a história de um único casal, que tenham mais histórias a serem contadas e também que sejam histórias e personagens críveis. Sério, mesmo tendo criado o fantástico mundo da IAN, ela mostra a necessidade de escrever sobre algo que esteja mais próximo do leitor. Aqui ela apresenta os personagens e se mostra muito próxima de seus próprios leitores.
Por isso, Dona Ward, minha admiração por ti só aumentou.
Sobre Nick Farrell, o que se pode dizer é que, como a maioria dos seus personagens masculinos, ele é poderoso e dominador... sem ponto final.
Como a própria autora descreve: “é um homem poderoso em todos os sentidos, embora, diferentemente dos vampiros da Irmandade da Adaga Negra, ele não vista roupas de couro tampouco carregue armas ou facas (também não usa tatuagens). Ele é o tipo de investidor agressivo e, acredite em mim, ele pode ser tão brutal quando os lutadores de MMA quando está em uma sala de reunião.
[...] O paradigma de sua vida é totalmente diferente da Irmandade, mas, assim como eles, ele é um exemplo de força que, no entanto, nunca abriu seu coração para ninguém – até cruzar com seu par perfeito.”
Alejandro Corzo
Ele vive em função de seu trabalho é o responsável pela criação de seu sobrinho Cort de dezesseis anos, desde que seus pais morreram em um acidente.
Carter Wessex, apesar do nome, é uma arqueóloga (CDF), que, também como diz Ward, nasceu da Indiana Jones que há dentro dela.
Carter fica incumbida de tentar a aprovação de Nick para explorar suas terras nas Adirondacks, em busca artefatos ligados à história da Revolução Americana.
Por ser conhecido como um misantropo, inicialmente Carter recusa-se a procurar Nick para que permita que ela e sua equipe escavem parte de suas terras em busca de vestígios da história americana. Mas, quando sua amiga menciona que encontraram ossos no local, instantaneamente ela passa a desejar o trabalho. Mas como abordar um homem famoso por sua ojeriza a arqueólogos? E mais, o que esperar de um homem que era uma fera nas finanças e conhecido por suas conquistas e falta de interesse em relações mais sérias? Enfim, seria uma tarefa árdua.
“− E então, o que você quer? – ele indagou.
− Sou arqueóloga e eu...
− Não. – ele desviou o olhar dela e começou a mexer nos papéis que estavam sobre a escrivaninha, como se ela estivesse saído do escritório.
Carter enfureceu-se.
− Desculpe?
− A resposta é não.
− Mas eu ainda não lhe pedi nada.
− A palavra chave é “ainda”. Deixar que você fale, antes de fazer o pedido, é apenas uma perda do nosso precioso tempo – sua voz foi curta e fria.
Carter ficou chocada e permaneceu em silêncio. Por um momento, a única coisa que ela poderia fazer era observar os olhos daquele homem enquanto ele analisava todos aqueles documentos.
− Sabe, você não precisa ser tão grosseiro, como também poderia olhar em meus olhos enquanto fala comigo.
Ele arqueou arrogantemente uma das sobrancelhas, embora não tenha olhado para cima.
− Sempre soube que senhoritas boas-maneiras aparecem com uma pá. Achei que era para lançar baboseiras, não para cavar a propriedade das pessoas.
− E é difícil acreditar que alguém que mora em um lugar como este tenha as mesmas habilidades sociais de uma vaca.
Ele pregou os olhos cinzentos nela. Carter percebeu que o ar de especulação havia retornado.
− Bem – ele colocou os papéis em cima da mesa e recostou-se sobre a cadeira. – Está melhor assim? E irei mais longe ainda: vou lembrar-me de dizer ‘por favor’ quando pedir para você sair.
À medida que aqueles olhos a penetravam (?), Carter estava disposta a apostar que aquele homem era mais do que o simples par romântico de uma loira aguada.
− E então? Pode sair, ‘por favor’? – ele disse de forma direta.
− Você não pode simplesmente me expulsar antes de me dar uma chance...
− Não posso? Tenho um documento no cofre no qual diz que esta é minha propriedade e não acredito que haja alguma cláusula nele que obrigue a tolerância de invasores hilários.
...
− Quantos anos você tem?
− Vinte e oito.
− Eu diria dezoito. – Farrell olhou para as roupas dela – Você poderia ser uma babá. Ou mesmo poderia precisar de uma.
− É difícil parecer madura vestindo short jeans rasgado e uma camiseta – ela respondeu, indignada.
− Foi você que escolheu essa roupa para vestir, não eu.”
Nick é assim: lindo, rico, poderosíssimo, dominador, mas grosso feito pneu de trator.
Adriana Lima
Obviamente a troca de “patadas” não ficou somente nisso; ela consegue ser insistente e ele arrogante até o cólon fazer bico. E com um não bem redondo ecoando nas têmporas Carter sai revoltadíssima.
Acontece que Carter é filha de um dos empresários poderosos que pode ser aliado de Nick em um de seus mais recentes e importantes empreendimentos e, ao se dar conta do sobrenome da atraente e desafiadora arqueóloga, ele sai em busca de informações a seu respeito e descobre que ela se mantem afastada de seu pai, por motivos que ele também resolve descobrir. O lema “Vale tudo no amor e na guerra” se enquadra em seu perfil de empresário.
Além da forte atração que sente por Carter ele resolve que poderá obter vantagens reaproximando pai e filha. Assim, volta atrás em sua decisão e permite que ela e sua equipe realizem a escavação.
Farpas a parte, ambos viverão momentos muito intensos e suas personalidades extremamente fortes e independentes nos garantem movimentação o tempo todo. Não há espaço para monotonia, mesmo quando estão longe um do outro.
Obviamente acostumado a ser desejado por todas as mulheres, Nick fica ainda mais intrigado por essa mulher que, ainda que demonstre retribuir a atração que sente, está constantemente fugindo dele.
Já Carter, precisa despir-se de suas desconfianças para poder entregar-se às suas emoções.
“Devagar, ela colocou as mãos sobre as próprias costas e desamarrou as cordas da parte superior do biquíni, deixando-o cair sobre o chão. Carter notou que um tremor percorreu o corpo dele, deixando-o atormentado. Quando ela pôs a mão sobre seu tórax, ele gemeu.
Dessa vez, quando ela a beijou, não houve o menor sinal de suavidade. O desespero os levou apressadamente até a cabine onde ele a jogou sobre um dos beliches e a cobriu com o peso do seu corpo. Enquanto ele tirava a calcinha do biquíni dela e sua própria sunga, as mãos de Carter corriam pelas largas costas dele, acariciando as curvas dos músculos e sentindo a maciez da sua pele.”
Eu não diria que esta é uma relação de gato e rato, mas de gato e gata. Ambos são fortes, ambos são dominadores ao seu modo e, se há vulnerabilidade, ela está nos dois.
Entre realizar seu trabalho e lidar com um rival para lá de mau caráter, Carter terá de lidar com a paixão juvenil que desperta no sobrinho de Nick, com os ciúmes descabidos deste e com emoções muito fortes que ela evita desde que sua mãe morreu.
Uma coisa que estranhei nessa história é a ausência de camisinha nas relações. Aqui Ward ainda não tinha criado a Irmandade da Adaga Negra, série em que os vampiros mais deliciosos do mundo transam sem o uso de preservativos, uma vez que não contraem nem transmitem DSTs. Lógico que, como uma pessoa esclarecida, isso não me influencia, mas acho que muitas pessoas interpretariam isso como algo normal, mas não é. Este romance foi publicado aqui pela Universo dos Livros há poucos meses, mas seu original é de 2003, assim os cuidados preventivos contra a AIDS já estavam a todo vapor.
Tudo bem, podem dizer que isso é apenas um romance, que é ficção e coisa e tal, mas como meio de comunicação acho que os livros devem trazer essa conscientização. Fica o recado: USEM CAMISINHA!
Fora isso, Nick e Carter são ótimos, a história é muito gostosa e a diversão é garantida, bem como as emoções fortes.
Eu, ainda mais encantada com a Ward, sentindo desejos de escrever meus próprios romances graças à sua carta, fico por aqui, me preparando para minha próxima aventura literária.
Fiquem bem e carpe diem.

13 comentários:

  1. Eu ainda não sou fã do gênero como vc, leio uma coisa aqui outra ali. Minha praia é a fantasia, em especial a alta-fantasia e o sobrenatural =]

    Mas a vida é feita de fases e nunca sabemos o dia de amanhã =P A tia Nora Roberts já me pegou de jeito, e os dela eu quero ler tds sejam sobre o que for.

    miquilis: Bruna Costenaro

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  2. Eu me identifiquei um pouco com você. Também gosto muito dos clássicos e grandes autores brasileiros e quando lia no Colégio, além de obrigação, também era um prazer. Mas também gosto de diversificar e minha fase "mulherzinha" veio com Danielle Steel. Nossa! Li tanta coisa dela ... mas depois fui mesclando mais e hoje estou na fase sobrenatural. Bem, de J.R. Ward só conheço IAN mesmo, mas gostei muito das indicações da sexta envenenada de hoje.

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  3. Que delícia foi ler esta coluna. Realmente sempre tem um livro que você deseja tanto que não se aguenta. Você não sossega até realmente tê-lo. Comigo já aconteceu várias vezes. E os livros dessa autora são um deles. Amo ler seus livros e não posso ficar sem lê-los. São bons demais.

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  4. Também li vários clássicos na época da escola e estou mal acostumada agora, faz tempo que não leio livros assim me rendi a livros de mulherzinha.Da J.R.Ward só li IAN e nem terminei a série toda ainda, mas gostei muito desse livro e vou procurar pra ler , nossa cada dia tem mais alguma coisa maravilhosa pra leitura.

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  5. Eu sempre me interesso pelas coisas que vc fala aqui, mas acho que eu não consigo sair da minha 'zona de conforto' dos livros de fantasia/sobrenatural haha
    Confesso que faz relativamente pouco tempo que comecei a comprar meus livros pra guardá-los e tal. Antes só lia emprestados ou da biblioteca, então não tinha muita opção e continuei sempre nessa mesma linha de gêneros e tal.
    Acredito que quando eu ficar um pouco mais velha talvez mude ou me aventure um pouco mais! hehe

    E concordo com vc com o que vc disse no final sobre o 'aviso' da camisinha e tudo mais!

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  6. Oiii,
    No tempo do colégio eu li alguns clássicos, mas te confesso que foi mais por obrigação. Tem um que marcou muito e nunca esqueci. Foi A Moreninha, acho que este foi o primeiro que li e não sei pq, nunca mais esqueci, adorei a história.
    Hoje eu gosto de um bom romance, seja ele de qualquer tipo, até os de banca, que amo demais.
    Nunca li nada de Ward, até tenho o primeiro da IAN, mas eu tenho tantos para ler que este sempre vai ficando, tenho medo de começar e gostar tanto e ter que comprar os próximos livros que são uma fortuna (todos da Universo dos Livros).
    Adorei a tua resenha e este certamente entrará para minha lista de leituras.
    Beijos.
    Katielle

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  7. Oiii Tania!!!!!
    Eita que eu amo essa música de Guilherme Arantes, aliás, essa e várias outras.
    Também adoro a Linda, que por sinal, foi você quem me apresentou, rsrsrs, desde aquele dia e do clã dos Mackenzie nunca mais deixei de ler seus livros e adorar cada um deles.
    Assim como você sou apaixonada pela IAN (principalmente o Z, rsrsr), e não conhecia essa fase anterior da Ward, mais um pra minha longa e crescente lista de livros.
    Mais uma vez adorei o post querida, perfeito, faz com que a gente já entre na atmosfera do romance.
    Beijosssss!!!!!!

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  8. Eu sempre lia os clássicos na escola sem reclamar,rsrs! Enquanto minhas amigas achavam um saco ler José Alencar, Machado de Assis, eu adorava, nunca tive problemas e eu tb não era uma nerd viu! Mas tb sempre gostei de romances de "mulherzinha" e tinha meus romances de banca, bem escondidinhos porque algumas pessoas achavam eles "proibidos" pra alguém de 13, 14 anos!
    Adorei esse livro da J.R.Ward, Nick e Carter é um casal delicioso! Já pensou, os autores de romances deviam colocar lembretes no inicio do livro, "Essa é uma obra de ficção, mas sua vida não é, portanto usem camisinha" seria uma boa mesmo né! :P
    Amei o Sexta Envenenada dessa semana! :)

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  9. Eu adoro ler, cai na rede é peixe. Eu tive a chance de ler os primeiros romances de banca: Sabrina, Júlia e Bianca quando do lançamento. foi um tempo delicioso.E aprecio todos os tipos de leitura, com um pouco de reserva para terror, poesia.
    O livro é bem o meu estilo, e mais um para minha lista junto com os IAN.

    soniacarmo
    retalhosnomundo.blogspot.com.br

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  10. Não gosto muito de livros com sexo explicito. Acho que sou antiquada... kkkkkkkkkk... Gosto de Romances Históricos pois são apimentados porém sutis.
    Realmente, a autora deveria ter mais critério quanto ao uso do preservativo, sabemos que algumas pessoas são influenciáveis...

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  11. Eu meio que desisti de J. R. Ward, apesar de já ter sido viciada e fissurada na Irmandade, mas acho que ela se perdeu com a Irmandade depois do livro de Rhev... quem sabe me interesso por esse, já que dos sobrenaturais estou farta...
    Adorei o post!
    Beijos

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  12. Tambem sou fã do gênero e não conhecia esse livro da J.R. Ward. Gostei da história e da mocinha ter personalidade forte. Muito boa a observação da camisinha. Espero ler em breve.

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  13. Deve ter alguma coisa errada comigo... Eu não fui seduzida por essa autora. :(
    Talvez, porque tenha lido apenas os livros sobrenaturais (alguns). Quem sabe em um romance?
    Bjs

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