22 de julho de 2016

Sexta Envenenada: Sedução da Seda

"Mas a morena misteriosa…
Todos os homens no teatro notavam a presença dela.
Nenhum deles prestava atenção na ópera.
O público francês, diferentemente do inglês
ou do italiano, assistia às apresentações no mais respeitoso silêncio.
Mas os amigos de Clevedon sussurravam sem parar, querendo saber quem era
“aquela magnífica criatura” sentada ao lado da atriz Sylvie Fontenay.
Ele olhou de relance para madame St. Pierre e, em seguida, olhou para
a morena, do outro lado do teatro. Pouco tempo depois, enquanto os amigos
continuavam a fazer especulações e perguntas,
o duque de Clevedon levantou-se e saiu."
Sedução da Seda


Olá, Envenenados!

Muito frio por aí?
Aqui está uma delícia, pelo menos no que diz respeito ao tempo atmosférico e, pelo menos para mim, pois sou apaixonada pelo inverno. Prendam-me por ser uma brasileira atípica, mas eu simplesmente não sou tolerante ao calor de quarenta, que esquenta tanto o asfalto que meus calinhos se desfazem.
Em tempos de absurdos políticos, fantasiosas olimpíadas, terrorismo e violência viscerais, ainda encontramos refúgio em nossa grande paixão que é a leitura, felizmente.
Benditos escritores que, com seu talento, criam histórias e personagens cativantes que nos levam para um mundo alternativo e prazeroso. Claro que a leitura não nos aliena do que acontece ao nosso redor, mas traz um bálsamo durante a tempestade.
Um dos bálsamos mais recentes que a Editora Arqueiro nos proporcionou é a nova série de Romances de Época As Modistas, da diva Loretta Chase.
Nesta série a autora nos apresenta às irmãs Noirot, Marcelline, Sophia e Leonie, contando suas aventuras em um volume para cada uma e, em um quarto volume poderemos saber que destino terá uma personagem muito querida que conhecemos no primeiro livro.
Em Sedução da Seda, que, além de uma capa maravilhosa, apresenta um pouco mais sobre a moda e alguns costumes franceses e a sua grande influência pelo mundo, a protagonista é Marcelline Noirot  ao lado de Gervaise Angier, o sétimo duque de Clevedon.
“Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.
Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.
O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.”
A surpresa de Sedução da Seda é o fato de nossa heroína ser, de fato e não apenas em fantasia, uma mulher independente.
Ela é a mais velha e a responsável por sua família, composta pelas duas irmãs e sua filha de 6 anos. Então, não se trata de uma protagonista inexperiente sexualmente, nem indefesa, nem emocionalmente subjugada pelo desejo de casar-se para tornar-se respeitável.
Nos planos de Marcelline, pelo menos no mais recente, o único casamento que interessa é o de Lady Clara e o Duque de Clevedon. Ela precisa fazer com que seu ateliê seja o mais importante de Londres e, para tanto deve conquista a futura condessa, pois, conquistando-a, as demais damas da aristocracia londrina seguiriam seus passos.
Obstinada, Marcelline não poupará esforços para conquistar seu objetivo, e parte para Paris, onde Clevedon tem passados os últimos anos entre festas, cassinos, teatros e, obviamente, entre algumas pernas femininas.
“Sabiam que Gervaise Angier, o sétimo duque de Clevedon, estivera sob a guarda do marquês de Warford, o pai do conde de Longmore. Estavam cientes de que Longmore e Clevedon eram grandes amigos e que Clevedon e lady Clara Fairfax, a mais velha entre as três irmãs de Longmore, estavam prometidos um para o outro.
Clevedon era apaixonado por ela desde a infância e jamais demonstrara nenhuma inclinação para fazer a corte a quem quer que fosse, embora por certo mantivesse vários relacionamentos de outra natureza, em especial durante os três anos que passara no exterior.
Apesar de o casal jamais ter noivado oficialmente, o fato era considerado mera formalidade. Todos sabiam que o duque se casaria com ela tão logo retornasse com Longmore de sua tradicional viagem pela Europa. Toda a sociedade ficou chocada quando, cerca de um ano antes, Longmore voltou e Clevedon continuou levando uma vida de devassidão.”
Outra surpresa é essa devoção de Gervaise a Lady Clara, algo que normalmente não vemos nos romances mais recentes.
Mas a magia da atração e da sedução não é algo que podemos controlar, e essa história nos reserva muitos momentos sensuais, mas também momentos tensos, ternos e divertidos.
Dona Loretta prova também que a criação de um romance de época não conta apenas com a criatividade do autor, mas também com um trabalho de pesquisa e dedicação aos detalhes. Em alguns capítulos temos uma nota de uma publicação do século XIX e XX  que explicita a seriedade com que este trabalho foi realizado.
Obviamente, o tempero maior de Sedução da Seda está nas batalhas verbais dos protagonistas e o crescente desejo que sentem um pelo outro, incrementado pela rejeição à ideia de estarem apaixonados.
“– O senhor não tem noção do que é preciso para competir com as lojas já estabelecidas, Vossa Graça. Não pode imaginar o que precisamos enfrentar – apontou Marcelline.
– Por causa de roupas? A senhora não acha um absurdo chegar a esse ponto se as mulheres inglesas não ligam para estilo? Por que não dar a elas o que desejam?
– Porque eu posso deixá-las mais belas do que desejam. Posso deixá-las inesquecíveis. Não há nada neste mundo que seja realmente importante em sua vida, importante o suficiente para que deseje conquistá-lo, apesar dos obstáculos? Que pergunta tola! Se o senhor tivesse um propósito na vida, estaria se entregando a ele, em vez de desperdiçar seus dias em Paris.
O duque de Clevedon sentiu vergonha e raiva. Ela o havia atingido. Reagindo de maneira instintiva, disse:
– De fato, tudo isso é um esporte para mim. Tanto que vou propor uma aposta. Mais uma rodada de cartas, madame. Vinte e um. Se eu perder, eu a levarei ao baile da comtesse de Chirac.
Os olhos dela brilharam.
– Uma aposta impetuosa após a outra. Eu me pergunto o que o senhor pensa que irá provar.
– Nada a provar. Quero apenas que a senhora perca. E, quando perder, a senhora admitirá sua derrota com um beijo.”
A princípio, as estratégias de Marcelline nos dão uma impressão de que ela não deseja nada além do sucesso de seu estabelecimento e a segurança financeira de sua família, mas vamos conhecendo melhor seus pensamentos e frustrações, e descobrimos uma mulher forte, mas sensível que, acima de tudo, deseja a felicidade daqueles que mais ama. Vamos descobrindo isso ao mesmo tempo que Lorde Clevedon e, em suas descobertas nosso herói também vai conquistando nosso coração.
Entre as idas e vindas de nossos amados personagens, uma história de força e perseverança é construída, e nossas modistas têm de lidar com todas as possibilidades, inclusive traição, o que rende ainda mais emoção para nossos corações, nos restando apenas o desejo ardente de ter logo em mãos o próximo volume da série!
Parabéns Loretta Chase e obrigada, Editora Arqueiro, por nos seduzir cada vez mais, a cada livro, a cada capítulo, a cada página!

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

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