29 de julho de 2016

Sexta Envenenada: Pecados no Inverno

 “Você não facilitava a aproximação de ninguém
- disse após um momento. –
A vaidade de um homem é mais frágil do que poderia pensar.
 É fácil para nós confundir timidez com frieza e silêncio com indiferença.
Sabe, devia ter se esforçado um pouco.
Um breve encontro entre nós e um sorriso seu seriam
 suficientes para eu saltar sobre você e devorá-la.”
Lorde Sebastian St. VIncent

Olá, Envenenados!

Como vão todos vocês, às vésperas de um Evento que promete???
Eu, sinceramente, tento até medo das promessas dessas Olimpíadas. Justo eu, que sempre fui apaixonada por jogos olímpicos desde o colégio. Até me arrisca em campeonatos estudantis no handebol, corria bem, o ponto de carregar o Fogo Simbólico, passava noites acordada assistindo às partidas de basquete e vôlei, masculino e feminino, nos jogos olímpicos de Los Angeles, me emocionei com o Ursinho Micha, mascote em Moscou, ficava sem ar ao ver o talento da Nadia Comaneci que, com 14 anos deslumbrou o mundo alcançando nota 10 em todas as provas da ginástica olímpica, garantindo o ouro merecido. Eu que curtia tudo isso, me assombro com o descaso e até desprezo que sinto por esse evento, não por ele em si, mas pela cidade, pelos governantes e pela situação que passamos e ainda nos consideramos dignos de sediar um evento desses.
Enfim, agora é torcer, não pelos atletas, mas para que não passemos ainda mais vergonha do que temos passado, que tudo corra bem, sem violência e que depois que acabem, nós, brasileiros, finalmente possamos arrumar a casa. Pois parece que nos esquecemos da crise em que vivemos.
Mas vamos lá, falar do que realmente nos interessa, dos campeões dos nossos corações, aqueles que são nossos companheiros, melhores amigos e amantes eternos: livros, para os queremos?!

A novidade de hoje é a minha mais nova paixão: a história de Lorde Sebastian St. Vincent e Evangeline Jenner. Os absintos da vez fazem nossos corações saltarem no terceiro livro da série As Quatro Estações do Amor, da minha amada Lisa Kleypas, Pecados no Inverno, lançado recentemente pela Editora Arqueiro.
Preciso confessar: sou especialmente vidrada nessa série, mas este terceiro livro é incomparável. Para mim, é o mais intenso, mais querido de todos.
“Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança de seu pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro. Tudo o que deseja é estar ao lado do pai em seus últimos dias. 
Porém isso só será possível se ela puder escapar da casa dos tios que a criaram. E, para isso, sua única alternativa é casar-se – e rápido. Assim, ela foge no meio da noite para a casa do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento em troca de poder cuidar do pai. 
Para um aristocrata que precisa de dinheiro, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica e solteira quando se tem a reputação de Sebastian – trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. 
Mas há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais em sua sedução... ou entregar seu coração pela primeira vez na vida.
Esta sinopse não chega nem perto da real situação.
Para quem acompanha a série, sabe bem quem é St. Vincent e do que ele é capaz. Ele é o canalha mais desejado por todas as mulheres e garanto, a gente se apaixona por ele desde o livro anterior, Era uma vez no Outono.
Basta uma breve conversa com alguns amigos sobre o desfecho que teve seu último caso com uma dama casada, para termos noção de como ele não ama nada além de si mesmo, nem leva nada nem ninguém a sério.
“Simon Hunt olhou para o visconde com tranquila curiosidade.
― Acho interessante – disse me voz baixa – você se referir ao caso como indiscrição dela e não sua.
― Foi – disse St. Vincent, enfático. A luz do lampião brincou sobre os ângulos marcados do rosto dele. – Eu fui discreto, ela não. – Ele balançou a cabeça com um suspiro de exaustão. – Nunca deveria tê-la deixado me seduzir.
― Ela o seduziu? – perguntou Marcus, cético.
― Juro por tudo o que mais sagrado... – St. Vincent se interrompeu. – Espere. Como nada me é sagrado, deixe-me refazer a frase. Você deve acreditar em mim quando eu digo que foi ela quem incentivou isso. Dava indiretas o tempo todo, começou a aparecer nos lugares onde eu estava e enviou mensagens me implorando para visitá-la quando quisesse, garantindo que vivia separada do marido. Eu nem a queria. Soube mesmo antes de tocá-la que seria entediante. Mas cheguei ao ponto em que não ficava bem continuar a rejeitá-la, então fui à casa dela e ela me recebeu nua no hall de entrada. O que eu deveria fazer?
― Ir embora? – sugeriu Gideon Shaw.
― Eu deveria ter ido mesmo – admitiu St. Vincent taciturno. – Mas nunca consegui rejeitar uma mulher que quer sexo. E já fazia muito tempo que eu não me deitava com ninguém, pelo menos uma semana,  fui...”
Desnecessário dizer que essa declaração foi o bastante para gerar ainda mais polêmica. Aliás, em Era uma vez no Outono, St. Vincent tem uma participação bem marcante e muito decisiva na vida dele, de Marcus e Lillian (protagonistas deste livro) e de Evie, a mais improvável das moças a chamar sua atenção.
Mas o que o torna um eleito a absinto dessa coluna?
É justamente essa sua maneira de agir o tempo todo, que se revela mais como uma forma de defesa do que agressividade e a responsável por entendermos isso é justamente a jovem mais doce e “invisível” do quarteto das Flores Secas.
Evangeline vive com os tios maternos desde que sua mãe morrera durante o parto e seu pai, ex-lutador e dono de um dos cassinos mais frequentados de Londres, decide que um antro de jogatina e devassidão não é um lugar adequado para sua amada filha.
Desde então, Evie foi criada pelos tios e pouco via o pai. Suas visitas foram ficando cada vez mais espaçadas conforme ela vai crescendo e, quando torna-se uma jovem pronta para ser apresentada à sociedade seus tios a proíbem de visitar o pai. Para piorar a situação, Ivo Jenner fica doente e, como na época não havia um tratamento e cura para a tuberculose, logo perecerá.
Sabendo dessa situação toda, os tios de Evie praticamente a aprisionam e planejam casá-la com seu filho, pois é de seu conhecimento a grande fortuna que a moça herdará do pai.
E, num misto de desespero, indignação e coragem, mais uma vez Evie foge, com a resolução de que esta será a última.
Seu plano e encontrar alguém tão desesperado quanto ela que a aceite como esposa. Sabemos da situação da mulher no século XIX, quando ela não tinha poder sobre a própria vida, principalmente uma jovem solteira. Evie sabe que se tentar se refugiar com uma das amigas não vai resolver seus problemas, uma vez que seus tios a levariam de volta. Sua única opção é casar-se.
Depois do feito desastroso de St. Vincent no livro dois da série, Evie sabe que ele, apesar de ir contra tudo o que ela idealizava em um marido, é a peça que falta para que seu plano dê certo.
E assim começa essa história ímpar que saiu da cabeça e do coração de Lisa Kleypas. Um mocinho com ares de vilão, que prefere que o vejam assim, e uma heroína gaga, ruiva e sardenta, com ares de frágil e amedrontada, que vai provar que coragem não precisa ser demonstrada apenas com grandes gestos.
Evie vai até a casa do visconde e faz sua proposta. Ele percebe o erro enorme que cometeu ao mirar na herdeira errada, mas nunca é tarde para corrigir erros e ambos partem imediatamente para Gretna Green, na Escócia – lugar para onde vão os que não querem esperar pelos trâmites necessários para um casamento na Inglaterra.

Gente, andei pesquisando sobre o lugar, e é incrível mesmo, reparem nessas imagens!
Uma das imagens que mais lembra a história de Pecados no Inverno








E quem quiser saber mais, é só acessar Gretna Green.
Este é o casal mais adorável e improvável de todos os livros que li até agora.
Impressionantemente, desde saem numa cansativa viagem ininterrupta, de mais de dois dias para se casarem, St. Vincent começa a cuidar, a proteger Evie e, consequentemente a perceber coisas que jamais se permitiu ver, uma vez que sempre a evitava nos Eventos sociais aos quais iam.
“St. Vincent sorriu enquanto ela afastava rapidamente seu pé com meia e ele estendia a mão para o outro. Permitindo-lhe retirar seu outro sapato, Evie se esforçou a relaxar, embora o roçar dos dedos dele em seu tornozelo lhe causasse uma estranha onde de calor.
― A senhorita pode afrouxar os cordões de seu espartilho. Isso tornará sua viagem mais agradável.
― Eu não es-estou usando es-espartilho – disse Evie sem olhar para ele.
― Não está??? Meu Deus! – o olhar de St. Vincent deslizou sobre ela em uma avaliação de especialista. – Que corpo bem proporcionado a senhorita tem!
― Eu nã-não gostei desse tom.
― Perdoe-me... Força do hábito. Sempre trato as damas como meretrizes e as meretrizes como damas.
St. Vincent é o personagem mais desbocado e sensual que já esteve em um romance. Obviamente existem outros libertinos, em quase todos os romances há. Mas ele é definitivamente o rei da libertinagem.
Em Pecados no Inverno vamos quase que na contramão de todas as histórias de romance de época: o mocinho e a mocinha se bicam, sentem uma forte atração, têm relação sexual, precisam se casar e se dão conta de que se amam. Quase sempre é assim. Mas aqui nossos heróis precisam se casar, mas será mesmo um casamento de conveniência, estão decididos a isso... só que não!
A primeira vez deles é alucinante, mais ainda porque promete ser a única, mas eu perdi meu fôlego incontáveis vezes (cá entre nós, li esse livro 3 vezes), foi algo mágico, pirotécnico, incendiário – o próprio St. Vincent ficou atordoado com o que sentiu. E eu, com esse coração vagabundo, estou arriada por St. Vincent e por Evie também, por ser uma guria incrível, revelando uma força que muitos desconheciam sem perder a etiqueta e a doçura!
Não posso mais, infelizmente, falar tudo o que querida sobre esse livro extraordinário, mas garanto para vocês, é uma leitura inesquecível e envolvente. Uma história que não se limita à conquista amorosa e sexual, mas ao autoconhecimento, às descobertas que surpreenderam não apenas o leitor, mas também aos protagonistas. E, como não poderia me arrebatar mais, Lisa Kleypas nos apresenta outro personagem magnifico, que conheci em outra série.
Cam Rohan, meu cigano adorável, surge aqui como um jovem pupilo de Ivo Jenner e vai se consolidando como homem responsável e de confiança de Evie e St. Vincent, tanto que ganha sua própria história em Desejo à Meia-noite, da série Os Hathaways.
Quanto aos mocinhos da vez, não é spoiler dizer que se apaixonam sim, que não conseguiram viver um sem o outro sim!
“― Eu a quero mais do que já quis qualquer coisa neste mundo – falou Sebastian. – Diga-me o que posso fazer para tê-la.
― Nã-não há nada que você possa fazer. Eu ia querer que fosse fi -fi el a mim, e você nunca poderia ser.
―O que quer de mim? Que me desculpe por ser homem?
Perplexa com a pergunta, Evie olhou para ele. Sempre havia sido muito fácil para Sebastian conquistar mulheres. Ela ansiou por descobrir se o marido poderia passar a valorizá-la de outros modos além do físico.
― Se você se abstiver de mulheres durante seis meses... dormiremos juntos.
― Isso é impossível. Sou Sebastian, lorde St. Vincent. Não posso ser casto. Todos sabem disso.
Ele era tão arrogante e estava tão indignado que Evie teve de morder o lábio para não rir.
― Com certeza não lhe faria mal tentar.
― Ah, sim, faria!
― Três meses. Se for bem-sucedido, irei para a cama com você quantas vezes quiser.
Um longo momento de silêncio se passou.
― Onde está sua aliança? – perguntou Sebastian subitamente.
― Eu a tirei.
― Por que fez isso?
Ela procurou desajeitadamente em seu bolso.
― Está aqui. Eu a colocarei de volta se você quiser...
― Entregue-a para mim. Aceitarei sua aposta e a vencerei. Daqui a três meses porei isto de volta em seu dedo, a levarei para a cama e farei coisas com você que são proibidas no mundo civilizado.”
Não duvidem, fique extremamente sem ação ao ler uma passagem muito picante (dentro do metrô), como eu disse ele é muito desbocado, libidinoso e excitante. Esse canalha eu levaria para casa!
Como é característico das séries de Lisa Kleypas, os personagens dos livros anteriores também têm participação garantida e efetiva nesse terceiro e maravilhoso volume.
Sabe aquele livro que nos deixa com ressaca, com depressão por chegar ao fim? Pecados no Inverno é uma desses. Por isso o reli e o relerei sempre, perpetuando o amor que sinto por todos os personagens, pela história, pela autora!

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

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