29 de julho de 2016

Sexta Envenenada: Pecados no Inverno

 “Você não facilitava a aproximação de ninguém
- disse após um momento. –
A vaidade de um homem é mais frágil do que poderia pensar.
 É fácil para nós confundir timidez com frieza e silêncio com indiferença.
Sabe, devia ter se esforçado um pouco.
Um breve encontro entre nós e um sorriso seu seriam
 suficientes para eu saltar sobre você e devorá-la.”
Lorde Sebastian St. VIncent

Olá, Envenenados!

Como vão todos vocês, às vésperas de um Evento que promete???
Eu, sinceramente, tento até medo das promessas dessas Olimpíadas. Justo eu, que sempre fui apaixonada por jogos olímpicos desde o colégio. Até me arrisca em campeonatos estudantis no handebol, corria bem, o ponto de carregar o Fogo Simbólico, passava noites acordada assistindo às partidas de basquete e vôlei, masculino e feminino, nos jogos olímpicos de Los Angeles, me emocionei com o Ursinho Micha, mascote em Moscou, ficava sem ar ao ver o talento da Nadia Comaneci que, com 14 anos deslumbrou o mundo alcançando nota 10 em todas as provas da ginástica olímpica, garantindo o ouro merecido. Eu que curtia tudo isso, me assombro com o descaso e até desprezo que sinto por esse evento, não por ele em si, mas pela cidade, pelos governantes e pela situação que passamos e ainda nos consideramos dignos de sediar um evento desses.
Enfim, agora é torcer, não pelos atletas, mas para que não passemos ainda mais vergonha do que temos passado, que tudo corra bem, sem violência e que depois que acabem, nós, brasileiros, finalmente possamos arrumar a casa. Pois parece que nos esquecemos da crise em que vivemos.
Mas vamos lá, falar do que realmente nos interessa, dos campeões dos nossos corações, aqueles que são nossos companheiros, melhores amigos e amantes eternos: livros, para os queremos?!

A novidade de hoje é a minha mais nova paixão: a história de Lorde Sebastian St. Vincent e Evangeline Jenner. Os absintos da vez fazem nossos corações saltarem no terceiro livro da série As Quatro Estações do Amor, da minha amada Lisa Kleypas, Pecados no Inverno, lançado recentemente pela Editora Arqueiro.
Preciso confessar: sou especialmente vidrada nessa série, mas este terceiro livro é incomparável. Para mim, é o mais intenso, mais querido de todos.
“Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança de seu pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro. Tudo o que deseja é estar ao lado do pai em seus últimos dias. 
Porém isso só será possível se ela puder escapar da casa dos tios que a criaram. E, para isso, sua única alternativa é casar-se – e rápido. Assim, ela foge no meio da noite para a casa do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento em troca de poder cuidar do pai. 
Para um aristocrata que precisa de dinheiro, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica e solteira quando se tem a reputação de Sebastian – trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. 
Mas há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais em sua sedução... ou entregar seu coração pela primeira vez na vida.
Esta sinopse não chega nem perto da real situação.
Para quem acompanha a série, sabe bem quem é St. Vincent e do que ele é capaz. Ele é o canalha mais desejado por todas as mulheres e garanto, a gente se apaixona por ele desde o livro anterior, Era uma vez no Outono.
Basta uma breve conversa com alguns amigos sobre o desfecho que teve seu último caso com uma dama casada, para termos noção de como ele não ama nada além de si mesmo, nem leva nada nem ninguém a sério.
“Simon Hunt olhou para o visconde com tranquila curiosidade.
― Acho interessante – disse me voz baixa – você se referir ao caso como indiscrição dela e não sua.
― Foi – disse St. Vincent, enfático. A luz do lampião brincou sobre os ângulos marcados do rosto dele. – Eu fui discreto, ela não. – Ele balançou a cabeça com um suspiro de exaustão. – Nunca deveria tê-la deixado me seduzir.
― Ela o seduziu? – perguntou Marcus, cético.
― Juro por tudo o que mais sagrado... – St. Vincent se interrompeu. – Espere. Como nada me é sagrado, deixe-me refazer a frase. Você deve acreditar em mim quando eu digo que foi ela quem incentivou isso. Dava indiretas o tempo todo, começou a aparecer nos lugares onde eu estava e enviou mensagens me implorando para visitá-la quando quisesse, garantindo que vivia separada do marido. Eu nem a queria. Soube mesmo antes de tocá-la que seria entediante. Mas cheguei ao ponto em que não ficava bem continuar a rejeitá-la, então fui à casa dela e ela me recebeu nua no hall de entrada. O que eu deveria fazer?
― Ir embora? – sugeriu Gideon Shaw.
― Eu deveria ter ido mesmo – admitiu St. Vincent taciturno. – Mas nunca consegui rejeitar uma mulher que quer sexo. E já fazia muito tempo que eu não me deitava com ninguém, pelo menos uma semana,  fui...”
Desnecessário dizer que essa declaração foi o bastante para gerar ainda mais polêmica. Aliás, em Era uma vez no Outono, St. Vincent tem uma participação bem marcante e muito decisiva na vida dele, de Marcus e Lillian (protagonistas deste livro) e de Evie, a mais improvável das moças a chamar sua atenção.
Mas o que o torna um eleito a absinto dessa coluna?
É justamente essa sua maneira de agir o tempo todo, que se revela mais como uma forma de defesa do que agressividade e a responsável por entendermos isso é justamente a jovem mais doce e “invisível” do quarteto das Flores Secas.
Evangeline vive com os tios maternos desde que sua mãe morrera durante o parto e seu pai, ex-lutador e dono de um dos cassinos mais frequentados de Londres, decide que um antro de jogatina e devassidão não é um lugar adequado para sua amada filha.
Desde então, Evie foi criada pelos tios e pouco via o pai. Suas visitas foram ficando cada vez mais espaçadas conforme ela vai crescendo e, quando torna-se uma jovem pronta para ser apresentada à sociedade seus tios a proíbem de visitar o pai. Para piorar a situação, Ivo Jenner fica doente e, como na época não havia um tratamento e cura para a tuberculose, logo perecerá.
Sabendo dessa situação toda, os tios de Evie praticamente a aprisionam e planejam casá-la com seu filho, pois é de seu conhecimento a grande fortuna que a moça herdará do pai.
E, num misto de desespero, indignação e coragem, mais uma vez Evie foge, com a resolução de que esta será a última.
Seu plano e encontrar alguém tão desesperado quanto ela que a aceite como esposa. Sabemos da situação da mulher no século XIX, quando ela não tinha poder sobre a própria vida, principalmente uma jovem solteira. Evie sabe que se tentar se refugiar com uma das amigas não vai resolver seus problemas, uma vez que seus tios a levariam de volta. Sua única opção é casar-se.
Depois do feito desastroso de St. Vincent no livro dois da série, Evie sabe que ele, apesar de ir contra tudo o que ela idealizava em um marido, é a peça que falta para que seu plano dê certo.
E assim começa essa história ímpar que saiu da cabeça e do coração de Lisa Kleypas. Um mocinho com ares de vilão, que prefere que o vejam assim, e uma heroína gaga, ruiva e sardenta, com ares de frágil e amedrontada, que vai provar que coragem não precisa ser demonstrada apenas com grandes gestos.
Evie vai até a casa do visconde e faz sua proposta. Ele percebe o erro enorme que cometeu ao mirar na herdeira errada, mas nunca é tarde para corrigir erros e ambos partem imediatamente para Gretna Green, na Escócia – lugar para onde vão os que não querem esperar pelos trâmites necessários para um casamento na Inglaterra.

Gente, andei pesquisando sobre o lugar, e é incrível mesmo, reparem nessas imagens!
Uma das imagens que mais lembra a história de Pecados no Inverno








E quem quiser saber mais, é só acessar Gretna Green.
Este é o casal mais adorável e improvável de todos os livros que li até agora.
Impressionantemente, desde saem numa cansativa viagem ininterrupta, de mais de dois dias para se casarem, St. Vincent começa a cuidar, a proteger Evie e, consequentemente a perceber coisas que jamais se permitiu ver, uma vez que sempre a evitava nos Eventos sociais aos quais iam.
“St. Vincent sorriu enquanto ela afastava rapidamente seu pé com meia e ele estendia a mão para o outro. Permitindo-lhe retirar seu outro sapato, Evie se esforçou a relaxar, embora o roçar dos dedos dele em seu tornozelo lhe causasse uma estranha onde de calor.
― A senhorita pode afrouxar os cordões de seu espartilho. Isso tornará sua viagem mais agradável.
― Eu não es-estou usando es-espartilho – disse Evie sem olhar para ele.
― Não está??? Meu Deus! – o olhar de St. Vincent deslizou sobre ela em uma avaliação de especialista. – Que corpo bem proporcionado a senhorita tem!
― Eu nã-não gostei desse tom.
― Perdoe-me... Força do hábito. Sempre trato as damas como meretrizes e as meretrizes como damas.
St. Vincent é o personagem mais desbocado e sensual que já esteve em um romance. Obviamente existem outros libertinos, em quase todos os romances há. Mas ele é definitivamente o rei da libertinagem.
Em Pecados no Inverno vamos quase que na contramão de todas as histórias de romance de época: o mocinho e a mocinha se bicam, sentem uma forte atração, têm relação sexual, precisam se casar e se dão conta de que se amam. Quase sempre é assim. Mas aqui nossos heróis precisam se casar, mas será mesmo um casamento de conveniência, estão decididos a isso... só que não!
A primeira vez deles é alucinante, mais ainda porque promete ser a única, mas eu perdi meu fôlego incontáveis vezes (cá entre nós, li esse livro 3 vezes), foi algo mágico, pirotécnico, incendiário – o próprio St. Vincent ficou atordoado com o que sentiu. E eu, com esse coração vagabundo, estou arriada por St. Vincent e por Evie também, por ser uma guria incrível, revelando uma força que muitos desconheciam sem perder a etiqueta e a doçura!
Não posso mais, infelizmente, falar tudo o que querida sobre esse livro extraordinário, mas garanto para vocês, é uma leitura inesquecível e envolvente. Uma história que não se limita à conquista amorosa e sexual, mas ao autoconhecimento, às descobertas que surpreenderam não apenas o leitor, mas também aos protagonistas. E, como não poderia me arrebatar mais, Lisa Kleypas nos apresenta outro personagem magnifico, que conheci em outra série.
Cam Rohan, meu cigano adorável, surge aqui como um jovem pupilo de Ivo Jenner e vai se consolidando como homem responsável e de confiança de Evie e St. Vincent, tanto que ganha sua própria história em Desejo à Meia-noite, da série Os Hathaways.
Quanto aos mocinhos da vez, não é spoiler dizer que se apaixonam sim, que não conseguiram viver um sem o outro sim!
“― Eu a quero mais do que já quis qualquer coisa neste mundo – falou Sebastian. – Diga-me o que posso fazer para tê-la.
― Nã-não há nada que você possa fazer. Eu ia querer que fosse fi -fi el a mim, e você nunca poderia ser.
―O que quer de mim? Que me desculpe por ser homem?
Perplexa com a pergunta, Evie olhou para ele. Sempre havia sido muito fácil para Sebastian conquistar mulheres. Ela ansiou por descobrir se o marido poderia passar a valorizá-la de outros modos além do físico.
― Se você se abstiver de mulheres durante seis meses... dormiremos juntos.
― Isso é impossível. Sou Sebastian, lorde St. Vincent. Não posso ser casto. Todos sabem disso.
Ele era tão arrogante e estava tão indignado que Evie teve de morder o lábio para não rir.
― Com certeza não lhe faria mal tentar.
― Ah, sim, faria!
― Três meses. Se for bem-sucedido, irei para a cama com você quantas vezes quiser.
Um longo momento de silêncio se passou.
― Onde está sua aliança? – perguntou Sebastian subitamente.
― Eu a tirei.
― Por que fez isso?
Ela procurou desajeitadamente em seu bolso.
― Está aqui. Eu a colocarei de volta se você quiser...
― Entregue-a para mim. Aceitarei sua aposta e a vencerei. Daqui a três meses porei isto de volta em seu dedo, a levarei para a cama e farei coisas com você que são proibidas no mundo civilizado.”
Não duvidem, fique extremamente sem ação ao ler uma passagem muito picante (dentro do metrô), como eu disse ele é muito desbocado, libidinoso e excitante. Esse canalha eu levaria para casa!
Como é característico das séries de Lisa Kleypas, os personagens dos livros anteriores também têm participação garantida e efetiva nesse terceiro e maravilhoso volume.
Sabe aquele livro que nos deixa com ressaca, com depressão por chegar ao fim? Pecados no Inverno é uma desses. Por isso o reli e o relerei sempre, perpetuando o amor que sinto por todos os personagens, pela história, pela autora!

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

24 de julho de 2016

Aniversário Envenenado: 6 anos de Paixão!

 “O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
 mas na intensidade com que acontecem.
 Por isso, existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
Olá, Envenenados!
“O hábito de comemorar o dia do nascimento surgiu na Roma antiga. Antes disso, já se faziam oferendas, como o bolo, mas não havia uma festividade propriamente dita. A origem estava ligada à ideia de que, na data de aniversário, anjos malignos vinham roubar o espírito do aniversariante e era preciso tomar medidas para prevenir isso. Por ser ligada a superstições, a tradição foi inicialmente considerada pagã pela Igreja Católica e só foi adotada no século 5, quando a instituição passou a celebrar o nascimento de Jesus. Mesmo assim, a prática de comemorar aniversários só se tornou comum no Ocidente no século 19, quando, na Alemanha, foi organizado um festival comemorativo coletivo.

Já postamos por aqui outra ideia sobre a origem dos aniversários, segundo o site da revista Mundo Estranho. Nessa postagem eles, inclusive, colocam algumas curiosidades a respeito desse evento que é a comemoração de aniversários.
Há seis anos, faça chuva, faça Sol, com ou sem parceria, com ou sem comentários, com ou sem ovadas, com ou sem “com quem será” e outras formas típicas de se comemorar aniversário, este blog está no ar!
Há seis anos, com as várias postagens, com os vários colaboradores que passaram por aqui, com as dificuldades que podemos passar, seja no âmbito pessoal, profissional e, até mesmo, apesar das crises pelas quais nosso país passa, estamos aqui, mantendo-nos inteiros e esperançosos de que dias melhores virão.
Hoje é dia de comemorar, seja como for, mas de preferência lendo um bom livro, o aniversário de espaço!
Este é um momento em que devemos sim olhar para trás e lembramos de tudo pelo que passamos, das batalhas que travamos, umas vencidas, outras perdidas. Mas, sobretudo, este é um momento que devemos agradecer por tudo e por todos.
Devemos agradecer aos nossos seguidores que, mesmo passando por um momento em que demoramos muito mais que o normal entre uma postagem e outra, nunca nos abandonaram; às editoras parceiras que, também apesar disso, continuam acreditando no amor que sentimos pelos nossos livros e na força que alcançamos através dos nossos seguidores; aos amigos colaboradores que driblam os contratempos e encontram tempo para continuar traduzindo em postagens as inspirações que adquirem dessa maravilha que é o mundo literário.
Agradecemos, muito, mas muito mesmo, aos escritores que nos dão a razão de existirmos, que, com suas obras, alimentam nossas mentes e almas e nos transportam para um mundo mais bonito, ou fantasioso, ou mágico, ou de conflitos, ou de erotismo, ou de romantismo, dependendo do gênero literário.
Sejam heróis ou heroínas de romances contemporâneos, de época, de ação, policial, ou mesmo de fatos reais, eles nos envolvem em suas histórias, nos tornam pessoas melhores, mais sensíveis e desejosas de um mundo melhor.
Difícil fazer uma postagem que não repita o que falamos sobre esse tópico anteriormente, difícil não ser redundante nos sentimentos e nas palavras quando o amor que sentimos não recuou sequer um milímetro. Pelo contrário, a cada ano, a cada publicação, nossos corações se inundam com o desejo de mais e mais livros, beirando à obsessão... qual de nós, apaixonados por livros, não se sente frustrado quando aquele livro tão desejado leva mais tempo que o previsto para, enfim, ser publicado, qual de nós não sente uma ansiedade ao passar pela vitrine de uma livraria? Então, meus amigos, essa é sim um tarefa difícil – a de escrever sobre o aniversário do As Envenenadas pela Maçã. Basta conferir as postagens dos aniversários anteriores que, provavelmente, encontrarão similaridades.
Mas somos autênticos, somos nós mesmos, de corpo, alma e teclado sob os dedos. Não nos apoiamos nas palavras de outrem como fez, há poucos dias, uma candidata a primeira dama dum certo país de primeiro mundo, ao tomar para si as palavras de outra.
O que vai aqui é de todo coração, é de toda a alma, e pudéramos nós, possuirmos a capacidade de criar novas palavras e colocarmos nelas toda a força do que sentimos: do amor que sentimos, da frustração por não termos mais tempo para dedicarmos a esse espaço tão querido, da felicidade que é sentir o cheiro de livro novo, da euforia de compartilhar nossas impressões sobre nossos queridos livros.
Mas, como não possuímos esse dom, fica aqui nosso agradecimento mais sincero, nosso desejo mais intenso por sua companhia e parceria.
Feliz Aniversário, Envenenados!
Que, do crepúsculo ao amanhecer,
Tenhamos sempre um olhar de amor,
Que continuemos a seduzir e sermos seduzidos
À meia-noite e a qualquer hora do dia,
Sem nos prendermos a quaisquer regras de sedução.
Que amemos sempre à primeira vista,
Com ou sem métrica.
Que todos os tons permeiem nosso trabalho,
Com ou sem teoremas.
Que, entre o agora e o nunca,
Continuemos juntos, como uma irmandade,
Vivendo e escrevendo sobre romances,
históricos ou não.
Tania Lima

22 de julho de 2016

Sexta Envenenada: Sedução da Seda

"Mas a morena misteriosa…
Todos os homens no teatro notavam a presença dela.
Nenhum deles prestava atenção na ópera.
O público francês, diferentemente do inglês
ou do italiano, assistia às apresentações no mais respeitoso silêncio.
Mas os amigos de Clevedon sussurravam sem parar, querendo saber quem era
“aquela magnífica criatura” sentada ao lado da atriz Sylvie Fontenay.
Ele olhou de relance para madame St. Pierre e, em seguida, olhou para
a morena, do outro lado do teatro. Pouco tempo depois, enquanto os amigos
continuavam a fazer especulações e perguntas,
o duque de Clevedon levantou-se e saiu."
Sedução da Seda


Olá, Envenenados!

Muito frio por aí?
Aqui está uma delícia, pelo menos no que diz respeito ao tempo atmosférico e, pelo menos para mim, pois sou apaixonada pelo inverno. Prendam-me por ser uma brasileira atípica, mas eu simplesmente não sou tolerante ao calor de quarenta, que esquenta tanto o asfalto que meus calinhos se desfazem.
Em tempos de absurdos políticos, fantasiosas olimpíadas, terrorismo e violência viscerais, ainda encontramos refúgio em nossa grande paixão que é a leitura, felizmente.
Benditos escritores que, com seu talento, criam histórias e personagens cativantes que nos levam para um mundo alternativo e prazeroso. Claro que a leitura não nos aliena do que acontece ao nosso redor, mas traz um bálsamo durante a tempestade.
Um dos bálsamos mais recentes que a Editora Arqueiro nos proporcionou é a nova série de Romances de Época As Modistas, da diva Loretta Chase.
Nesta série a autora nos apresenta às irmãs Noirot, Marcelline, Sophia e Leonie, contando suas aventuras em um volume para cada uma e, em um quarto volume poderemos saber que destino terá uma personagem muito querida que conhecemos no primeiro livro.
Em Sedução da Seda, que, além de uma capa maravilhosa, apresenta um pouco mais sobre a moda e alguns costumes franceses e a sua grande influência pelo mundo, a protagonista é Marcelline Noirot  ao lado de Gervaise Angier, o sétimo duque de Clevedon.
“Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.
Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.
O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.”
A surpresa de Sedução da Seda é o fato de nossa heroína ser, de fato e não apenas em fantasia, uma mulher independente.
Ela é a mais velha e a responsável por sua família, composta pelas duas irmãs e sua filha de 6 anos. Então, não se trata de uma protagonista inexperiente sexualmente, nem indefesa, nem emocionalmente subjugada pelo desejo de casar-se para tornar-se respeitável.
Nos planos de Marcelline, pelo menos no mais recente, o único casamento que interessa é o de Lady Clara e o Duque de Clevedon. Ela precisa fazer com que seu ateliê seja o mais importante de Londres e, para tanto deve conquista a futura condessa, pois, conquistando-a, as demais damas da aristocracia londrina seguiriam seus passos.
Obstinada, Marcelline não poupará esforços para conquistar seu objetivo, e parte para Paris, onde Clevedon tem passados os últimos anos entre festas, cassinos, teatros e, obviamente, entre algumas pernas femininas.
“Sabiam que Gervaise Angier, o sétimo duque de Clevedon, estivera sob a guarda do marquês de Warford, o pai do conde de Longmore. Estavam cientes de que Longmore e Clevedon eram grandes amigos e que Clevedon e lady Clara Fairfax, a mais velha entre as três irmãs de Longmore, estavam prometidos um para o outro.
Clevedon era apaixonado por ela desde a infância e jamais demonstrara nenhuma inclinação para fazer a corte a quem quer que fosse, embora por certo mantivesse vários relacionamentos de outra natureza, em especial durante os três anos que passara no exterior.
Apesar de o casal jamais ter noivado oficialmente, o fato era considerado mera formalidade. Todos sabiam que o duque se casaria com ela tão logo retornasse com Longmore de sua tradicional viagem pela Europa. Toda a sociedade ficou chocada quando, cerca de um ano antes, Longmore voltou e Clevedon continuou levando uma vida de devassidão.”
Outra surpresa é essa devoção de Gervaise a Lady Clara, algo que normalmente não vemos nos romances mais recentes.
Mas a magia da atração e da sedução não é algo que podemos controlar, e essa história nos reserva muitos momentos sensuais, mas também momentos tensos, ternos e divertidos.
Dona Loretta prova também que a criação de um romance de época não conta apenas com a criatividade do autor, mas também com um trabalho de pesquisa e dedicação aos detalhes. Em alguns capítulos temos uma nota de uma publicação do século XIX e XX  que explicita a seriedade com que este trabalho foi realizado.
Obviamente, o tempero maior de Sedução da Seda está nas batalhas verbais dos protagonistas e o crescente desejo que sentem um pelo outro, incrementado pela rejeição à ideia de estarem apaixonados.
“– O senhor não tem noção do que é preciso para competir com as lojas já estabelecidas, Vossa Graça. Não pode imaginar o que precisamos enfrentar – apontou Marcelline.
– Por causa de roupas? A senhora não acha um absurdo chegar a esse ponto se as mulheres inglesas não ligam para estilo? Por que não dar a elas o que desejam?
– Porque eu posso deixá-las mais belas do que desejam. Posso deixá-las inesquecíveis. Não há nada neste mundo que seja realmente importante em sua vida, importante o suficiente para que deseje conquistá-lo, apesar dos obstáculos? Que pergunta tola! Se o senhor tivesse um propósito na vida, estaria se entregando a ele, em vez de desperdiçar seus dias em Paris.
O duque de Clevedon sentiu vergonha e raiva. Ela o havia atingido. Reagindo de maneira instintiva, disse:
– De fato, tudo isso é um esporte para mim. Tanto que vou propor uma aposta. Mais uma rodada de cartas, madame. Vinte e um. Se eu perder, eu a levarei ao baile da comtesse de Chirac.
Os olhos dela brilharam.
– Uma aposta impetuosa após a outra. Eu me pergunto o que o senhor pensa que irá provar.
– Nada a provar. Quero apenas que a senhora perca. E, quando perder, a senhora admitirá sua derrota com um beijo.”
A princípio, as estratégias de Marcelline nos dão uma impressão de que ela não deseja nada além do sucesso de seu estabelecimento e a segurança financeira de sua família, mas vamos conhecendo melhor seus pensamentos e frustrações, e descobrimos uma mulher forte, mas sensível que, acima de tudo, deseja a felicidade daqueles que mais ama. Vamos descobrindo isso ao mesmo tempo que Lorde Clevedon e, em suas descobertas nosso herói também vai conquistando nosso coração.
Entre as idas e vindas de nossos amados personagens, uma história de força e perseverança é construída, e nossas modistas têm de lidar com todas as possibilidades, inclusive traição, o que rende ainda mais emoção para nossos corações, nos restando apenas o desejo ardente de ter logo em mãos o próximo volume da série!
Parabéns Loretta Chase e obrigada, Editora Arqueiro, por nos seduzir cada vez mais, a cada livro, a cada capítulo, a cada página!

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

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