17 de junho de 2016

Sexta Envenenada: Entre a Culpa e o Desejo

 “Eu, por outro lado, era o perfeito segundo filho.
Eu adorava tudo o que não prestava e detestava responsabilidades.
Eu era ótimo em gastar o dinheiro do meu pai e minha própria mesada,
 e tinha muito jeito para contar cartas.
Eu podia transformar dez libras em mil,
e aproveitava qualquer oportunidade para fazer isso.
Eu tinha pouco tempo para os amigos e menos ainda para a família.
 (...) Nunca me ocorreu que eu poderia,
um dia, lamentar essa falta de tempo.”
Olá, Envenenados!

Estamos aqui mais uma vez, numa sexta que, para mim, é maravilhosa, fresquinha, com aquele friozinho que promete muitas sensações.
Tanto para que vai curtir a noite depois do trabalho com os amigos, com seu amorzinho, ou com a família, ou para aqueles que aproveitam para ficar em casa assistindo algo ou curtindo um livro... essa sexta promete. Eu amo outono, eu amo inverno!
E amo tudo o que listei acima.
Durante esses anos em que escrevo para o As Envenenadas pela Maçã tive oportunidades de conhecer pessoas maravilhosas, tanto na vida real, na vida além blog, quanto nos nossos adorados livros. Estou conhecendo autores que fazem mágica, personagens que infelizmente são só personagens e histórias inesquecíveis.
Há pouco tempo conheci a escrita de Sarah MacLean, de quem já tinha ouvido falar nos encontros literários e lido em outros blogs e grupos de leitura no Facebook. Sempre tive curiosidade, mas não me arriscava a ler, mantendo-me no meu lugar-seguro-de-autores-conhecidos.
Até que a Editora Gutenberg resolver publicar romances de época também e Sarah MacLean estava entre as autoras. Assim, criei coragem e comprei Entre o Amor e a Vingança.
Já escrevi sobre ele aqui, numa Sexta Envenenada anterior.

Como eu disse na época, a surpresa me derrubou e me pôs como uma viciada em seus livros e personagens.
Aquele era primeiro livro da série O Clube dos Canalhas e conta a história do marquês de Bourne e Penélope Marbury.
Hoje trago a história de Philippa Marbury (irmã de Penélope) e Jasper Arlesey, o conde Harlow, ou Sr. Cross.
“Lady Philippa Marbury não é como as jovens de sua época. A brilhante filha do marquês de Needham e Dolby se preocupa mais com seus livros e experimentos do que com vestidos e bailes. Para ela, um laboratório é muito mais atraente que uma proposta de casamento, e é por isso que, ao ser prometida a um noivo com quem não tem nada em comum, Pippa tem apenas duas semanas para empreender seu último experimento: descobrir todos os prazeres e todas as delícias da vida antes de passar o resto de seus dias ao lado de alguém que ela mal conhece.
Como boa cientista que é, Pippa investiga a vida do homem que parece ser a cobaia ideal para realizar suas experiências: Sr. Cross, o atraente sócio do cassino mais famoso e cobiçado de Londres, um libertino cuja má-fama foi cuidadosamente construída sobre o vício e a devassidão. Um canalha perfeito para explorar suas fantasias e satisfazer sua curiosidade sem manchar sua reputação de moça de família.
Mas o que Pippa não sabe é que, por baixo das aparências, Cross esconde segredos obscuros e que, ao receber a proposta da garota, ele está diante de uma oferta que pode destruir tudo aquilo que durante anos ele se esforçou para proteger.
Terrivelmente tentado a se envolver nessa aventura que promete o mais puro prazer sem qualquer outra emoção, tudo o que Cross deseja é dar a Pippa exatamente o que ela quer, mas ele sabe que ninguém sai ileso do caminho da satisfação e, assim, Cross terá de usar cada miligrama de sua força de vontade para não perder o controle e resistir à tentação de entregar à jovem muito mais do que ela ousa imaginar.”
Phillippa é uma jovem muito diferente das moças de seu tempo e sociedade.
Sendo filha de aristocratas, espera-se que ela siga o caminho das três irmãs mais velhas e case-se também com um aristocrata. E é o que ela planeja fazer ao se comprometer com o simplório conde de Castleton.
Tida como esquisita desde sempre, Pippa é uma estudiosa de anatomia, botânica e outras ciências, sempre prezando a lógica e a honestidade, ela vê no casamento com Castleton uma maneira de seguir as regras, como esperam dela, e continuar seus estudos, uma vez que o jovem conde garantiu que ela teria espaço e tempo para isso.
Tudo ia bem, até que a poucos dias do casamento ela toma conhecimento dos votos matrimoniais que deverá fazer para seu futuro marido: “[...] o casamento não deve ser realizado de maneira irrefletida ou superficial, mas com toda a reverência e de acordo com os propósitos de Deus. [...] Também não deve ser realizado para satisfazer os apetites carnais dos homens, como bestas selvagens que não possuem entendimento.”
Assim, ela decide que precisa se preparar para fazer seus votos com toda honestidade que possa ser capaz. Mas para isso ela vai precisar da ajuda de alguém e, como não vê como recorrer à mãe, às irmãs, sobretudo Penélope – que é apaixonada pelo marido, e amor é algo que Pippa não entende – e muito menos ao noivo, ela resolve recorrer ao libertino mais próximo e mais misterioso de Londres.
Cross é um dos sócios do Anjo Caído, o cassino mais famoso e que também pertence ao seu cunhado, o marquês de Bourne.
Como todos os sócios do Anjo, Cross tem seus próprios demônios.
“Ser o segundo filho tem suas vantagens.
De fato, se existe uma verdade na sociedade, é esta: devasso, malandro ou canalha, um herdeiro precisa tomar jeito. Ele pode fazer muita bagunça, realizar diversas peripécias sexuais e escandalizar a sociedade com as aventuras de sua juventude, mas seus futuro está gravado na pedra pelo melhor dos escultures: ele sempre acabará acorrentado ao seu título, à sua terra e à sua propriedade – um prisioneiro da nobreza ao lado de seus pares na Câmara de Londres.
Príncipe Harry - segundo filho, ruivo, nobre e lindo
 - a encarnação de Cross!
Não, a liberdade não era para herdeiros, mas para os outros filhos. E Jasper Arlesey, segundo filho do Conde Harlow, sabia disso. Ele também sabia, com a perspicácia de um criminoso que escapou por pouco da forca, que – apesar de não ter direito ao título, propriedade e fortuna – era o homem mais sortudo da Terra por ter nascido dezessete meses depois de Owen Elwood Arthur Arlesey, o primogênito, Visconde Baine e herdeiro do condado. [...] Era Baine quem precisava atender às expectativa de todos à sua volta – pais... nobres... criados... todos.”
E por ser exatamente o que todos esperavam. Baine acompanhou a irmã caça em sua primeira visita ao clube mais concorrido de Londres. Uma vez que Jasper não cumpriu a promessa que vez a Lavínia de leva-la, o irmão mais velho acabou assumindo o compromisso.
O que veio em consequência disso, foi a mudança radical na vida de todos, sobretudo de Jasper, que acabou herdando o título de Conde de Harlow.
Consumido pela culpa, Jasper, agora Cross, continuou sua vida de jogatina, lendo cartas tão perfeitamente que faturava horrores, até o dono do cassino que frequentava descobrir e quase mata-lo. Depois disso, ele entrou na sociedade do Anjo Caído.
Mas agora ele tem outro desafio: se livrar daquela lady esquisita que apareceu em seu quarto, com a proposta mais absurda que já teve em toda sua vida! Ele deveria arruiná-la.
Era isso!
Pippa foi procurar Cross em seu cassino para pedir que lhe ajudasse a compreender os segredos sobre alguns departamentos do matrimônio.
 “― Você se opõe ao amor?
― Não me oponho, mas sou cética. Tornei minha prática não acreditar em coisas que não consigo ver.
Ela o surpreendeu.
― Você não é uma mulher comum.
― Já estabelecemos isso. É por esse motivo que você está aqui, lembra-se?
― É mesmo. – ele cruzou os braços longos à frente do peito e acrescentou:
― Você deseja provocar seu marido – marido que não espera amar.
― Exatamente [...] Se isso ajuda, também não acho que ele espera me amar.
― Um belo casamento inglês.
[...]
― Acho que sim, não é mesmo? Certamente é parecido com os casamentos que conheço.
[...]
― Você duvida que Bourne goste profundamente de sua irmã.
― Não. Mas esse é o único. Talvez Olívia e Tottenham também. Mas minhas outras irmãs casaram pelo mesmo motivo pelo qual vou me casar.
― E qual é?
[...]
― É o que esperam que façamos. [...] Eu suponho que isso não faça sentido para você, já que não é um aristocrata.
― O que ser um aristocrata tem a ver com isso?
― Talvez você não saiba, mas aristocratas têm que viver sob muitas regras. Casamentos têm a ver com riqueza, título, propriedades e posição. Não podemos simplesmente nos casar com quem quisermos. Bem, as mulheres pelo menos não podem. Os cavalheiros aguentam um pouco de escândalo, mas muitos deles simplesmente desistem e permitem serem arrastados para casamentos sem amor, sem sentimento. Por que acha que isso acontece?
― Não gostaria de tentar adivinhar.
― É impressionante o poder que os homens têm e como o usam mal. Você não acha?
― E se você tivesse o mesmo poder?
[...]
― Eu teria ido para a universidade. Teria ingressado na Sociedade de Horticultura Real. Ou talvez na Sociedade Astronômica Real – e aí eu saberia a diferença entre a Estrela Polar e a Veja.”
E pensar que a situação da mulher não mudou muito, sob alguns aspectos.
A princípio, a história parece simples, descomplicada: uma jovem procura um homem experiente para orientá-la sobre algumas minúcias da sedução, da tentação.
Só que ele é um devasso, lida com prostitutas, jogos, entre outras coisas e ela é uma jovem lady às vésperas de se tornar uma condessa. Para completar o cenário, estão em um dos cassinos mais prósperos e bem frequentados da Inglaterra, onde muitos nobres (homens e mulheres) fazem suas apostas e podem descobri-los a qualquer momento.
Além disso, ambos precisam lidar com emoções que teimam em surgir e com fatores externos que ameaçam a integridade de tudo o que mais prezam.
Mais uma vez Sarah MacLean nos brinda com seu talento e criação. Dando-nos personagens cativantes, revolucionários, atormentados e que descobrem uma nobreza interior, ela nos faz desejar, cada vez mais, que o mundo fosse diferente e perceber que dificilmente um título de livro é tão apropriado!
Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

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