27 de maio de 2016

Sexta Envenenada: Era uma vez no outono

 “O braço de Marcus se apertou ao redor do corpo de Lilian
e sua mão livre procurou compulsivamente os quadris dela,
 exercendo uma pressão suave, mas constante,
 para trazê-la mais para perto.
Ah, sim.
 Ela era da altura perfeita,
seria preciso apenas um mínimo ajuste
 para deixar seus corpos na posição certa.
 Ele se encheu de uma excitação que
acendeu um fogo sensual em suas veias.
Marcus a desejava de mil maneiras...”

Olá, Envenenados!

Estamos de volta, com mais uma sexta tão aguardada, depois de um longo período de ausência!
Obviamente, não deixamos nossos queridos amigos livros de lado, claro que não! Mas, às vezes, fica difícil dispor de tempo para escrever sobre eles. E, vamos combinar: este primeiro semestre do ano, não tem facilitado em nada a vida de muitos – incluam-me nessa.
Felizmente, para me levar um pouco para longe dessa sensação de impotência que o país têm sentido, meus companheiros livros sempre surgem como salvadores.
Hoje trago para apresentar a vocês o casal de absintos mais improvável, desde que comecei a me fascinar pelos romances de época. Trata-se de Lillian Bowman e Marcus Marsden, Lorde Westcliff.
Improvável sim, impossível nunca. Não nas mãos mágicas de Lady Lisa Kleypas que, para variar, deu vida a uma história incrível, permeada por bailes, valsas, intrigas, sedução e muito humor. Essa história deliciosa é o segundo volume da série As Quatro Estações do Amor que está sendo publicada pela maga Editora Arqueiro.
“A jovem e obstinada Lillian Bowman sai dos Estados Unidos em busca de um marido na aristocracia londrina. Contudo, nenhum homem parece capaz de fazê-la perder a cabeça. Exceto, talvez, Marcus Marsden, o arrogante lorde Westcliff, que ela despreza mais do que a qualquer outra pessoa.
Marcus é o típico britânico reservado e controlado. Mas algo na audaciosa Lillian faz com que ele saia de si. Os dois simplesmente não conseguem parar de brigar.
Então, numa tarde de outono, um encontro inesperado faz Lillian perceber que, sob a fachada de austeridade, há um homem apaixonado com que sempre sonhou. Mas será que o conde vai desafiar as convenções sociais a ponto de propor casamento a uma moça tão inapropriada?”
Tive a oportunidade de conhecer Lillian e Marcus (finalmente, nomes mais comuns que podemos pronunciar sem medo de pagar mico com as amigas leitoras) em Segredos de Uma Noite de Verão, o primeiro livro da série que conta a história de Annabelle Peyton e Simon Hunt.
Nesse primeiro volume Lillian e sua irmã Daisy se unem a outras duas jovens, Annabelle e Eve, com o objetivo de conquistar aristocratas para cada uma. Isso porque estão cansadas de ficarem sentadas, apenas observando, dança após dança, a vida dos outros acontecer enquanto as suas ficam estagnadas. Assim elas criam o grupo Folhas Secas que começa a arquitetar como conquistar maridos, a começar pela mais velha, Annabelle.
O mais curioso disso tudo é que seus planos nesse sentido não são lá tão eficientes, mas o fato de serem tão peculiares é que começa a chamar a atenção de alguns cavalheiros.
Annabelle e Simon têm sua história deliciosamente contada no primeiro volume. E Lillian consegue chamar a atenção do conde de Westcliff, amigo e sócio de Simon, só que de maneira muito negativa.
Toda vez que se encontram, inevitavelmente, discutem, provocam-se, pois ela é tudo o que ele mais rejeita, e ele é tudo o que ela mais detesta.
Só que não.
Filha de um rico industrial de Nova Iorque, Lillian viaja para Londres com os pais e a irmã mais nova para por em prática os planos de Mercedes, sua mãe, de encontrar um marido na aristocracia britânica.
Havia cada vez mais pessoas como os Bowmans em Nova York – novos-ricos que não conseguiam se misturar com os nova-iorquinos conservadores ou a nata da sociedade. Essas famílias tinham feito fortuna em indústrias como a manufatureira ou a mineradora, e ainda assim não conseguiam ser aceitas nos círculos a que tanto aspiravam. A solidão e o constrangimento de serem rejeitados pela sociedade nova-iorquina aumentaram as ambições de Mercedes como nada mais teria feito.”
Lilian é oposto do que uma mulher deve ser, de acordo com os rigorosos padrões conservadores da aristocracia inglesa, está muito longe do ideal para ser a esposa de homens como Marcus Marsden, por exemplo.
Ele foi criado dentro de um padrão que não esperava nada dele, além da perfeição. Seu pai, o falecido conde de Westclif usou todos os seus recursos, inclusive os punhos, para fazer de seu único filho o herdeiro perfeito.
Torna-se um homem respeitado por todo reino, tanto por sua posição dentro da nobreza como por sua mente aberta para o progresso, para a tecnologia. Mas essa mente aberta não é a mesma quando diz respeito às convenções.
No primeiro volume, lorde Westclif dá a impressão de ser insuportavelmente conservado, chato, exigente e esnobe. Tanto que se opõe veementemente contra a escolha de seu amigo Simon para sua noiva. Não aceita de forma alguma comportamentos inadequados e parece mais que disposto a demonstrar isso, sobretudo à americana Lillian Bowman e suas companheiras, não importando que ela seja filha de seu propenso sócio.
Para Lillian, não existe ser mais abominável e irritante que esse lorde emproado – o homem não tem senso de humor, não relaxa nunca!
Mas terão que conviver durante um mês na propriedade rural de Westclif. Sua família e vários outros convidados ficarão hospedados ali para jantares, festas, jogos e outros entretenimentos.
Marcus pretendia se lançar efetivamente em uma negociação com Thomas Bowman para a expansão de sua saboaria e o estabelecimento de um centro de produção em Liverpool ou em Bristol. A isenção de impostos sobre o sabão na Inglaterra nos próximos anos era quase certa, se é que Marcus podia confiar em seus aliados liberais no Parlamento. Quando isso acontecesse, o sabão se tornaria muito mais acessível às pessoas comuns, o que seria bom para a saúde pública e também para a conta bancária de Marcus, se Bowman estivesse disposto a aceitá-lo como sócio.
Contudo, não havia como negar que uma visita de Thomas Bowman significava aturar a presença das filhas dele. Lillian e Daisy eram a personificação da condenável tendência das herdeiras americanas a ir para a Inglaterra a fim de caçar maridos. A aristocracia estava sendo assediada por senhoritas ambiciosas que falavam sem parar sobre si mesmas com seus sotaques horríveis e buscavam publicidade constante nos jornais. Mulheres sem graça, espalhafatosas e arrogantes que tentavam comprar um aristocrata com o dinheiro dos pais... e frequentemente conseguiam.
Marcus havia conhecido as irmãs Bowmans em sua última visita a Stony Cross Park, e não encontrara muitos motivos para elogiá-las. A mais velha, Lillian, tornara-se um alvo particular de sua aversão quando ela e as amigas – as autodenominadas Flores Secas (como se isso fosse motivo de orgulho!) – traçaram um plano para fazer um aristocrata se casar. Marcus nunca havia se esquecido do momento em que o plano fora revelado.
– Meu Deus, não há nada que a senhorita não se preste a fazer? – perguntara a Lillian.
E ela respondera audaciosamente:
– Se há, ainda não descobri.
A extraordinária insolência de Lillian a tornava diferente de todas as mulheres que Marcus já conhecera. Isso e o rounders que elas tinham  jogado em roupas íntimas o convenceram de que Lillian Bowman era um demônio. E quando ele fazia um julgamento sobre alguém, raramente mudava de opinião.”
Então, a gente acredita esses dois farão de tudo para não cruzarem seus caminhos. Mas, por mais que Marcus tente, ele não consegue evitar se aproximar, demais, de Lillian. Há algo na moça que o atrai e o deixa desconsertado, desestabilizado. E estes momentos renderão muita excitação, meus caros leitores. Nestes momentos todas nós, românticas ou céticas, vamos desejar um Marcus para chamar de nosso.
Este é um desses personagens que dona Lisa Kleypas criou e que escondem uma sensualidade intensa, um caráter magnífico e que são resilientes.  Apesar de sua criação rigorosa e sem afeto por parte dos pais, Marcus consegue transformar-se em um homem que, se fosse real, poderia ser ainda mais perfeito.
Apesar da série ser centrada nas aventuras das quatro moças para encontrar seu par perfeito, Era uma Vez no Outono é dedicado, em grande parte, a nos revelar Marcus como  o homem que tem um mundo em suas mãos, é fiel aos padrões em que foi criado, é leal aos seus amigos, perspicaz nos negócios, cuidadoso e respeitoso com seus empregados, preocupado e zeloso com sua família. É a personificação do cara perfeito... claro, ele tem um ou outro defeito, mas quem pode se queixar???
Quando sua irmã caçula o pressiona para explicar sua aversão à jovem americana, vejam o que acontece:
“Desembuche, Marcus – ordenou ela. – Ou o farei sofrer de modos inenarráveis.
Ele ergueu uma das sobrancelhas, zombeteiro.
– Como os Bowmans já chegaram, essa ameaça é redundante.
– Então vou tentar adivinhar. Você pegou a Srta. Bowman com alguém? Ela estava deixando um cavalheiro beijá-la... ou pior?
Marcus respondeu com um meio sorriso sarcástico.
– Dificilmente. Só de olhar para ela, qualquer homem em seu juízo perfeito gritaria e sairia correndo na direção oposta.
Começando a achar que seu irmão estava sendo duro demais com Lillian Bowman, Livia franziu a testa.
– Ela é uma garota muito bonita, Marcus.
– Uma fachada bonita não é o suficiente para compensar as falhas de caráter dela.
– Que são...?
Marcus emitiu um leve som de mofa, como se os defeitos da Srta. Bowman fossem óbvios demais para requerer enumeração.
– Ela é manipuladora.
– Você também é, querido.
Ele ignorou o comentário.
– Ela é dominadora.
– Como você.
– Ela é arrogante.
– Você também – disse Livia, alegre.
Marcus a olhou de cara feia.
– Achei que estivéssemos discutindo os defeitos da Srta. Bowman, não os meus.
– Vocês parecem ter muito em comum...
E, com isso, a gente vai desvendando a personalidade deste que é um dos personagens mais fortes que já conheci. Felizmente, ele é tão marcante, que tem participação em todos os livros da série.
Sei que eu teria vários arranca-rabos com lorde Westclif, assim como Lillian, mas adoraria tê-lo em minha vida. E a necessidade que ele começa a ter de estar perto daquela de quem ele mais reprova tantas coisas, é a mola propulsora desse romance.
Lillian, por sua vez, continua indo contra tudo o que é norma, vai contra as ordens de sua mãe, contra os padrões britânicos e, sobretudo, contra seu anfitrião. Mas ela começa ficar incomodada com o comportamento atípico do conde. E acredita que exista apenas uma explicação. O perfume afrodisíaco que ela manda confeccionar. Claro, como Lorde Westclif poderia se sentir atraído por ela, se não fosse pela influência do perfume?
Mas... por que o perfume só tem efeito sobre ele, e por que quando as amigas o usam não conseguem atrair ninguém?
Enfim, Marcus e Lillian protagonizam um dos mais tórridos romances de época que já li, e terão que enfrentar seus medos, seus princípios, suas personalidades combativas e sobretudo, terão que responder às suas próprias perguntas sobre a inadequação de seu relacionamento. Afinal, a linhagem Westclif precisa de um herdeiro, e Marcus estaria disposto a abrir mão da tradição por conta de uma paixão enlouquecedora por uma mulher que não é nada do que ele quer, mas tudo o que precisa?
Intenso, bem-humorado, sensual, inteligente... com personagens encantadores e outros odiosos, com cenas pra lá que quentes, emocionantes, e muita adrenalina num cenário maravilhoso. Esta é a receita de Lisa Kleypas para fazer com que não queríamos mais sair das mágicas páginas de suas histórias.
Não dá mais para falar sobre essa obra, sem revelar muito, pois ela é contagiante, sedutora, hipnotizante até o último ponto final.
Fico por aqui, prometendo voltar na próxima semana, com mais uma história maravilhosa sobre personagens incríveis.

Até a próxima, meus queridos, fiquem bem e “Carpe Diem quam minimum crédula póstero.”

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