18 de setembro de 2015

Sexta Envenenada: Uma Noite para se Entregar

O amor já estava escrito
Já estava prometido
Sabia seria assim
Você viria pra mim
Eu sei um dia serei
O seu amor pra sempre
Por seu amor existo
Por ele eu não desisto
Estrelas podem cair
Castelos podem ruir
E quando você chegar
Sei que te amarei pra sempre
Te vejo em sonhos
E somente eu sei o quanto eui te esperei
Vem me tirar dessa prisão de somente de ter
De somente te ver
Se eu sonhar outra vez
Eu sei que o amor existe
Que o amor jamais desiste
Que vence mil temporais
Que enfrentaria outros mais
O amor vai nos encontrar
Vai nos libertar pra sempre
Te vejo em sonho
E somente eu sei o quanto eu te esperei
Vem me tirar dessa prisão de somente te ter
De somente te ter
Se eu sonhar outra vez.
Verônica Sabino
Olá, Envenenados!

Fenomenal adj. 2g. 1 que tem a natureza ou a qualidade de um fenômeno 2 fig. excepcional, admirável.
Fenômeno s.m. 1 qualquer fato observável na natureza 2 p. ext. Fato de interesse científico 3 acontecimento raro e surpreendente 4 p. ext. indivíduo de qualidade rara.
Indizível adj. 2g. 1 que não pode ou não deve ser expresso em palavras 2 que foge ao comum; extraordinário.
Procurando algumas poucas palavras, que simbolizassem minha reação a alguns acontecimentos em minha vida nas últimas semanas, só pude pensar nestes três verbetes. E, depois que me explicar, acredito que vocês concordarão que todos os significados cabem aos fatos.
No dia 4 de setembro vivi uma emoção indizível, na qual só pude acreditar porque não costumo andar enquanto durmo, e porque outras pessoas estavam presentes e registraram o momento.
Depois de meses, apenas falando sobre seus livros publicados aqui no Brasil pela Editora Arqueiro, tive a honra e a felicidade de conhecer pessoalmente a nossa querida escritora Julia Quinn.
Ainda hoje me emociono ao pensar que tive a oportunidade de vê-la de perto, abraçá-la – na verdade foi ela quem abraçou porque eu mesma fiquei em estado de total inércia (patética), ouvi-la e passar umas boas duas horas em sua presença.
Há alguns anos, minha irmã me presenteou com um ingresso para o primeiro show do Paul McCartney do Rio de Janeiro. Conhecedora da minha paixão pelos Beatles e pelo cantor, ela realizou um sonho e o que me disse jamais saiu do meu coração: “Às vezes é mais fácil realizar o sonho de quem amamos, apenas porque o amamos.”
Essa é a mesma sensação que tenho hoje, tantos anos depois, e por isso preciso agradecer à Editora Arqueiro, a Natália Alexandre, a Elimar Souza e a Mathilde Tonionni pelo amor que demonstraram por mim. Vocês mais que realizaram um sonho.
Indizível também foi a minha alegria ao conhecer a minha querida amiga Patrícia Rodrigues e rever outras pessoas também muito queridas. Simplesmente não pode ser traduzido em palavras.
Como se isso fosse pouco, ter conhecimento dos números alcançados pela Bienal Internacional deste ano e que se encerrou no último fim de semana, também é algo difícil de se explicar. Infelizmente, só pude comparecer no dia 12, mas tive uma ideia do fenômeno literário que, assustadoramente, vem ganhando espaço em nosso país, apesar da situação desfavorável que enfrentamos em termos sociais, econômicos e políticos.
Se por um lado este fenômeno parece incrível, nós que somos fãs talvez encontremos explicação para esse crescimento. Eu, pelo menos tenho algumas teorias.
Uma delas, por exemplo, é o crescimento do interesse de algumas editoras em trazer vários gêneros literários e autores que vêm ganhando, cada vez mais, espaço e admiração entre os leitores brasileiros.
Os romances de época estão entre os livros que estão nos deixando inebriados, cada vez que acessamos uma rede social, um blog literário ou as páginas das editoras.
Felizmente para nós, fãs do gênero, estão chegando mais títulos e mais autoras.
Desta vez a Editora Gutenberg nos presenteou com a escrita “indizível” e “fenomenal” de Tessa Dare.
Mais uma autora maravilhosa que entra no meu rol de queridinhas! Para entender melhor, vocês precisam conhecer a história e os personagens deliciosos da Série Spindle Cove, que começa com Uma Noite para se Entregar.
Uma Noite para se Entregar começa contando a história de Susanna Finch e Victor Bramwell, dois protagonistas pra lá de porretas, que estremeceram as bases da pacata Spindle Cove, bem como o meu coração e outras partes do corpo. Por muitos motivos, esses dois são os absintos de hoje.
“Spindle Cove é o destino de certos tipos de jovens mulheres: bem- nascidas, delicadas, tímidas, que não se adaptaram ao casamento ou que se desencantaram com ele, ou então as que se encantaram demais com o homem errado.
Susanna Finch, a linda e extremamente inteligente filha única do Conselheiro Real, Sir Lewis Finch, é a anfitriã da vila. Ela lidera as jovens que lá vivem, defendendo-as com unhas e dentes, pois tem o compromisso de transformá-las em grandes mulheres, descobrindo e desenvolvendo seus talentos.
O lugar é bastante pacato, até o dia em que chega o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell. O forte homem viu sua vida despedaçar-se quando uma bala de chumbo atravessou seu joelho enquanto defendia a Inglaterra na guerra contra Napoleão. Como sabe que Sir Lewis Finch é o único que pode devolver seu comando, vai pedir sua ajuda. Porém, em vez disso, ganha um título não solicitado de lorde, um castelo que não queria, e a missão de reunir um grupo de homens da região, equipá-los, armá-los e treiná-los para estabelecer uma milícia respeitável.
Susanna não quer aquele homem invadindo sua tranquila vida, mas Bramwell não está disposto a desistir de conseguir o que deseja. Então os dois se preparam para se enfrentar e iniciar uma intensa batalha! O que ambos não imaginam é que a mesma força que os repele pode se transformar em uma atração incontrolável.
Incontrolável tornou-se a ânsia de ler esta série inteira, depois que fui nocauteada pelo tesão de Bramwell e Susanna.
Nesta obra, entramos no clima do século XIX, justo no período em que a Inglaterra travava sangrentas batalhas contra Napoleão Bonaparte.
Bramwell esteve presente em algumas dessas batalhas e, em uma delas, teve seu destino drasticamente mudado graças ao tiro que quase inutilizou sua perna.
Como tem por objetivo voltar ao seu comando, ele precisa da intervenção de Sir Lewis Finch, que imporá algumas condições para ajudá-lo.
E aí começa o problema...
Bramwell chega a Spindle Cove, uma vila doce e feminina, acompanhado de seu primo Colin Sandhurst, Lorde Payne e do Cabo Thorne – três bombas de testosterona que, literalmente, farão ruir os alicerces do local, bem como os corações das habitantes e das leitoras.
Tessa conseguiu reunir elementos fundamentais para transformar essa obra em algo memorável, prazeroso e vários sentidos, inteligente e divertido.
Além disso, criou personagens muito queridos, pelos quais a gente sofre e torce e com os quais conseguimos rir e sonhar.
Esse trio já chega causando estragos. O início da história já é hilário:
“Sussex, Inglaterra – Verão de 1813
Bram encarou um par de olhos escuros e arregalados. Olhos que refletiam uma surpreendente centelha de inteligência. Aquela poderia ser a fêmea rara com quem um homem conseguia argumentar.
‘Agora, atenção’, disse ele. ‘Nós podemos fazer isso da forma mais fácil ou podemos dificultar tudo.’
Bufando suavemente, ela virou a cabeça. Era como se ele tivesse deixado de existir.
Bram apoiou seu peso na perna boa, sentindo o golpe em seu orgulho. Ele era um tenente-coronel do Exército Britânico e, com mais de um metro e oitenta de altura, diziam que compunha uma figura impressionante. Normalmente, bastava um olhar enviesado de sua parte, para suprimir qualquer tentativa de desobediência. Não estava acostumado a ser ignorado.
‘Escute bem o que vou dizer.’ Ele deu um puxão forte na orelha dela e engrossou a voz para que ficasse mais ameaçador. ‘Se sabe o que é melhor para você, vai fazer o que estou dizendo.’
Embora ela não pronunciasse nenhuma palavra, sua resposta era clara: que tal você admirar meu grande traseiro lanoso?
Maldita ovelha.
‘Ah, o interior da Inglaterra. Tão encantador. Tão... perfumado.’ Colin aproximou-se, despido de seu refinado casaco londrino, afundado até a cintura em um rio de lã. Enxugando com um lenço o brilho da transpiração de sua têmpora, perguntou: ‘Imagino que isso significa que não possamos simplesmente voltar?”
Já nessa primeira página temos uma ideia da personalidade dos dois primos: um rígido, metódico, focado e durão, o outro refinado, malandro, devasso.
Eles estavam a caminho da propriedade de Sir Finch quando um rebanho inteiro de ovelhas cruzou e estacionou em seu caminho.
Cá entre nós, alguém imaginaria que Bram estivesse falando com uma ovelha? Eu não, e riu muito, imaginando a situação.
Pois bem, os dois e Thorne estão tentando tirar os animais de seu caminho, quando Colin tem a brilhante ideia de detonar um pouco de pólvora, só para movimentar um pouco as coisas.
“’Tranquilidade é alma de nossa comunidade.’
A menos de quinhentos metros de distância, Susanna Finch estava sentada na sala decorada com cortinas de renda da Queen’s Ruby, uma pensão para moças de fino trato. Com ela, conversavam as possíveis novas moradoras do local, a Sra. Highwood e suas três filhas.”
Susanna administra o lugar com muita competência e tranquilidade. Todos, mulheres e homens locais, a respeitam e recorrem a ela sempre que necessitam.
Seu maior objetivo e ajudar moças que, como ela, fogem às regras rígidas estabelecidas para as mulheres daquele tempo. Susanna fará de tudo para manter a paz em Spindle Cove.
“E Susanna precisava das Highwood, por razões que não conseguia explicar. Ela não tinha como voltar no tempo e desfazer as desgraças de sua própria juventude, mas podia ajudar a poupar outras jovens do mesmo tormento, e isso era o melhor a fazer por si mesma.
‘Confie em mim, Sra Hihgwood’, disse ela, pegando a mão da mulher. ‘Spindle Cove é o lugar perfeito para as férias de verão das suas filhas. Prometo-lhe que aqui elas ficarão saudáveis, felizes e perfeitamente seguras.”
O que ela jamais esperaria, claro, é que uma explosão de testosterona estivesse prestes a estremecer seus objetivos, seu corpo e sua alma.
“Bum!!!
...
Aliviada, ela inspirou profundamente o ar acre, impregnado de pólvora. Com o fardo do receio removido, sua curiosidade veio à tona. Intrigada, ela desceu o barranco  florido até chegar ao caminho estreito e esburacado. À distância, os homens pararam de se mover. Eles a havia notado.
Protegendo os olhos com a mão, ela olhou fixamente para os homens, tentando identificá-los. Um deles vestia um casaco de oficial, outro não usava casaco algum. Quando ela se aproximou, o homem sem casaco começou a acenar  com vigor. Gritos foram conduzidos pela brisa até ela. Franzindo o cenho, Susanna se aproximou, na esperança de ouvir melhor as palavras.
‘Espere! Senhorita, não...!”
Blam!
Uma força invisível arrancou-a do chão e a jogou de lado, arremessando-a completamente para fora da estrada. Ela enfiou o ombro na grama alta, derrubada por algum tipo de animal descontrolado.
Um animal vestindo um casaco vermelho.”
Vendo a iminência de uma tragédia, Bramwell correu para salvar a jovem de ser atingida pela explosão que deveria apenas espantar as ovelhas. E ambos rolaram pelo gramado. Quer encontro mais explosivo que este? Só pra começar?
”Depois que a poeira baixou, ela afastou o cabelo da testa dele, buscando em seu olhar sinais de desorientação ou dor. Contudo, seus olhos estavam alertas e vivos, mas aquele assustador tom verde... forte e ricamente matizado de jade.
‘Você está bem?’, perguntou ela.
‘Estou.’ A voz dele era rouca e grave. ‘E você?’
Ela concordou, esperando que ele a liberasse após sua confirmação. Quando ele não mostrou intenção de se mover, ela ficou intrigada. Ou ele estava gravemente ferido, ou era muito impertinente.
‘Senhor, ahn, o senhor é muito pesado.’ Com certeza ele entenderia aquela sugestão.
‘Você é macia’, respondeu ele (safadinho)
Bom Deus. Quem era aquele homem? De onde vinha? E por que continuava em cima dela?
‘Você está com um pequeno ferimento.’ Com dedos trêmulos, ela tocou um ponto vermelho na têmpora dele, perto do cabelo. ‘Aqui.’ Apertou a mão contra a garganta dele, para sentir seu pulso. Ela logo o encontrou batendo forte e regularmente contra as pontas enluvadas de seus dedos.
‘Ah... isso é gostoso.”
O rosto dela ficou quente.
‘Você está com visão dupla?
‘Talvez... vejo dois lábio, dois olhos, duas bochechas coradas... milhares de sardas.’
Ela o encarou.
‘Não se preocupe, senhorita. Não é nada.” O olhar dele ficou sombrio devido a alguma intenção misteriosa. ‘Nada que um beijinho não cure.’
E antes mesmo que ela pudesse recuperar o fôlego, ele pressionou seus lábios contra os dela.”
Oh! Que ousadia, hein!
Este é o tipo de coisa com a qual ficaríamos indignadas (talvez) na vida real, mas que em nosso fantástico mundo literário podemos conviver perfeitamente. Eu acho.
Neste caso a atração os pulveriza e nos aquece.
Tessa Dare é tão boa nos detalhes físicos e nas descrições das sensações, que parece que somos nós a sermos beijadas por Bram... aiai
Só que o drama de ambos está apenas começando, pois ele descobrirá que ela é a filha do homem a quem veio pedir auxílio e ela descobre que ele não está apenas de passagem e que, por intermédio de seu pai, terá que organizar uma milícia para defender Spindle Cove.
David Gandy
O choque de interesses, as personalidades muito diferentes e a teimosia serão temperos adicionais para este romance delicioso.
Acrescente-se isso personagens secundários muito especiais, que nos farão desejar loucamente seus próprios livros.
Este seria o tipo de livro que ficaria lindamente bem numa tela de cinema, claro se os roteiristas respeitassem o original. Com paisagens de tirar o fôlego, personagens igualmente maravilhosos, diálogos ora intensos, ora extremamente hilários, fora as cenas eróticas que são pra lá de quentes, Uma Noite para se Entregar é arrebatador, surpreendente, indizível.
Vou ficando por aqui, impressionada e agradecida por ter sido apresentada à escrita de Tessa Dare.

Fiquem bem e Carpe Diem! 

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