25 de setembro de 2015

Sexta Envenenada: Uma Semana para se Entregar

Tudo que se quer
Olha nos meus olhos,
Esquece o que passou...
Aqui neste momento.
Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta
Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo
Teu rio e tua estrada 
Vem comigo meu amado amigo
Nessa noite clara de verão
Seja sempre o meu melhor presente
Seja tudo sempre, como é
É tudo que se quer
Leve como o vento
Quente como o sol
Em paz na claridade
Sem medo e sem saudade
Livre como um sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmonia
Eu sou o teu homem
Sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo seja aonde for
E onde estiver, estou
Vem comigo meu amado
Amigo
Sou teu barco, neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza
Eu sei, eu vou
E onde estiver estou.
Emilio Santiago e Verônica Sabino


Olá, Envenenados!

O esperar de uma série de livros?
Muitas vezes, queremos muito ler um determinado livro, mas desanimamos quando sabemos que ele faz parte de uma série. Então, não faltam motivos para evitar a leitura. Pelo menos, nesses anos escrevendo sobre algumas séries, vi algumas pessoas dizendo que não o leria porque a editora demora muito tempo para publicar o próximo, ou porque o preço é alto, ou porque isso, ou porque aquilo.
Enfim, em muitos casos eu concordo.
Porém, quando se trata dos romances de época que têm sido lançados há alguns anos, não temos do que reclamar. Além de terem seus lançamentos em prazos mais curtos, os valores são bem convidativos, e nós agradecemos. Outro ponto extremamente positivo é o fato de termos várias autoras e vários títulos de séries distintas sendo publicados. Então, é só correr para o abraço!
Na semana passada eu trouxe uma nova descoberta – ao menos para mim, que foi o trabalho da autora Tessa Dare, que me impressionou sobremaneira.
Comecei a acompanhar a Série Spindle Cove, cujo primeiro volume, Uma Noite para se Entregar, conta a história de Susanna Finch e Victor Bramwell. O livro, como eu disse na época, é fenomenal, a história indizível.
Para o primeiro de uma série, Uma Noite para se Entregar foi realmente perfeito. E a gente até espera que o seguinte seja tão bom... melhor... acho difícil alguém esperar que um segundo livro seja melhor.
Mas, minha gente querida, Uma Semana para se Entregar, lançado há pouco pela Gutenber, conseguiu essa façanha, tanto que estou preparando meu coraçãozinho para o próximo volume.
Eu já estava atraída por Colin Sandhurst, o lorde Payne, por ser um cara divertido, debochado, urbano até o osso – não que eu seja urbana de coração, mas para alguém extremamente urbano, a vida no campo pode ser sofrível, o que dá um tempero a mais na receita da história.
Colin é o primo libertino de Bramwell.
Por ser um devasso inconsequente, Colin tem sua fortuna administrada pelo metódico primo até seu aniversário ou até que se case.
O fato é que este romance surpreendeu não apenas pela escrita incrível de Tessa Dare, mas pelas circunstâncias totalmente inusitadas pelas quais os protagonistas passam.
“O que pode acontecer quando um canalha decide acompanhar uma mulher inteligente em uma viagem?
A bela e inteligente geóloga Minerva Highwood, uma das solteiras convictas de Spindle Cove, precisa ir à Escócia para apresentar uma grande descoberta em um importante simpósio. Mas para que isso aconteça, ela precisará encontrar alguém que a leve.
Colin Sandhurst Payne, o Lorde Payne, um libertino de primeira, quer estar em qualquer lugar – menos em Spindle Cove. Minerva decide, então, que ele é a pessoa ideal para embarcar com ela em sua aventura. Mas como uma mulher solteira poderia viajar acompanhada por um homem sem reputação?
Esses parceiros improváveis têm uma semana para convencer suas famílias de que estão apaixonados, forjar uma fuga, correr de bandidos armados, sobreviver aos seus piores pesadelos e viajar 400 milhas sem se matar. Tudo isso dividindo uma pequena carruagem de dia e compartilhando uma cama menor ainda à noite. Mas durante essa conturbada convivência, Colin revela um caráter muito mais profundo que seu exterior jovial, e Minerva prova que a concha em que vive esconde uma bela e brilhante alma.
Talvez uma semana seja tempo suficiente para encontrarem um mundo de problemas. Ou, quem sabe, um amor eterno.
Eu estava acostumada a histórias em que um dos dois tem uma situação financeira louvável e acaba auxiliando o outro de alguma maneira, mas aqui, ambos estão contando os tostões para conseguir superar suas dificuldades.
Isso, entre outras coisas, os colocará em situações muito complicadas, durante as quais eles vão se revelando um para o outro e para nós.
Minerva Highwood é o patinho feio das três irmãs, sempre metida em seus livros, e suas pesquisas, ela não está tão preocupada em encontrar o amor, por achar que esse está perdido para ela. Mas se convence de que sua irmã mais velha merece algo melhor do que o devasso Lorde Payne, alvo da cobiça de sua mãe.
Acostumada a ser menosprezada pela mãe, Minerva acredita que sua felicidade depende apenas dela e de seus estudos. E isso a torna o par mais improvável para Colin, que nunca acerta seu nome – Margarida, Marissa, Mathilda, Melinda... enfim, uma lista interminável de nomes iniciados com a letra M, menos Minerva.
Certa de que a solução para os seus problemas e de sua irmã e tirá-lo de Spindle Cove, ela decide que eles devem fugir, para que possa chegar à Escócia e apresentar suas descobertas num simpósio de geologia.
Mas Colin não acha que esta seria a melhor das soluções e resiste até o último momento, quando percebe que não tem outra alternativa, a não ser acompanhar a moça e tentar protege-la enquanto tenta demovê-la dessa decisão.
Mesmo antes de começarem esta aventura, ele a avisa sobre suas condições para que fugissem para a Escócia:
“’Não, não, não. Eu lhe disse na outra noite, um visconde não viaja em uma carruagem do correio. E este visconde em particular não viaja em carruagem pública.’
‘Espere um pouco.’ A vela tremeu. ‘Como você achou que viajaríamos para Edimburgo, se não em uma carruagem pública?’
‘De qualquer forma, nós não iremos viajar para Edimburgo. Mas... se fôssemos, teríamos que achar outro meio de transporte.’
‘Como o quê? Tapete mágico?’
‘Algo como um cabriolé particular, com cocheiros contratados. Você viajaria dentro dele, e eu iria fora, a cavalo.’
‘Isso custaria uma fortuna.’
‘Quando se trata de viajar, tenho minhas condições.’ Ele deu de ombros. ‘Eu não viajo de carruagem fechada, e não viajo à noite.’
‘Também não viaja à noite? Mas as carruagens mais rápidas viajam à noite. A viagem demoraria o dobro do tempo.
‘Então, que bom que nós não vamos, não é mesmo?
Ela ergueu a vela e o encarou.
‘Você só esta arrumando desculpas. Você quer romper nosso acordo...
‘Que acordo? Nós nunca fizemos qualquer acordo.
... ‘Então eu tenho algumas regras simples. Não viajo à noite. Não viajo em carruagens fechadas. Ah, e não durmo sozinho.” Uma careta contorceu sua boca. ‘Essa última não é tanto uma regra, mas um fato.’”
Pode parecer que ele é fresco, pedante, ou que simplesmente quer arrumar desculpas para que não façam essa viagem, mas ele realmente tem motivos para todas essas regras. Motivos fortes que poucas pessoas conhecem, mas que com tempo, ele acaba relevando para Minerva.
Esses dois são criaturas ímpares, que implicam o tempo todo um com o outro, que escondem, desde o início um desejo de conhecer melhor o outro, um desejo de estar mais próximo do outro.
Se existem personagens cujas aventuras, diálogos e sensualidade eu gostaria de vivenciar, estes personagens são Colin e Minerva.

Entre uma encenação e outra, eles vão trilhando seu caminho em direção à Escócia e, o melhor de tudo, continuam a se provocar e durante esse tempo começam a se descobrir. Nunca marquei tantas passagens inesquecíveis em um livro, como em Uma Semana para se Entregar.
Uma leitura atraente, divertida, ao mesmo tempo em que contesta a situação da mulher no século XIX, e muito, muito erótica.
Sério. Em quase todo o livro, desejei ardentemente que alguém falasse comigo como Colin, me olhasse e me tocasse como ele fez com Minerva.
Ao mesmo tempo, a gente se encanta com ela, por sua maneira prática e científica de ver as coisas, além da inexperiência e da curiosidade que sente por ele. Tudo isso sem frescuras, sem se mostrar indefesa; a típica mocinha em perigo.
“’Não preste atenção em mim, querida. Meu saco está doendo, e meu orgulho ferido. Estou azedo e me sentindo muito mal esta noite. Se você sabe o que é bom para você, é melhor me ignorar e procurar dormir.’
‘Por que seu saco está doendo?’ Ela sentou na cama. ‘Está machucado? Foi o bandido?’
Com um gemido, ele cobriu os olhos com o braço.
‘Minha querida garota, você pode ser uma geóloga brilhante, mas sua compreensão de biologia é realmente terrível.’
Ela olhou para a frente da calça dele. Estava impressionantemente armada.
‘Durma, M.’
‘Não, acho que não vou dormir. Não ainda.’ Com determinação, ela se pôs a desabotoar a abertura da calça. Minerva conseguiu abrir completamente um lado antes que ele conseguisse se erguer com os cotovelos.
‘O que você está fazendo?’
‘Satisfazendo minha curiosidade.’ Ela enfiou a mão por baixo do tecido e eles estremeceu. Uma onde de poder correu pelo corpo dela. O vinho que tinha bebido na sala de jogos estava fazendo efeito, derretendo suas inibições. Ela queria saber, ver tocar – aquela parte mais honesta, mas real dele. Isso não mente.’’
Não tenho palavras para expressar minhas impressões sobre este livro, não apenas pelas partes sensuais como essa que transcrevi, e olha que há muito mais e mais fortes que esta, claro. Mas vale dizer que, há tempos não releio um livro, principalmente logo após ter terminado a primeira leitura.
Há alguns dias compartilhei uma figura no Facebook, pois me identifico com o que vinha escrito nela: “No fundo, bem no fundo, quase achando petróleo, eu sou romântica.” É a mais pura verdade, mas a romântica escondida num poço de petróleo aparece imediatamente quando uma história fala de personagens cheios de defeitos, tantos que não conseguem enxergar o melhor que existe neles. Personagens que têm seus fantasmas e que não se consideram dignos do outro ou de qualquer parcela de felicidade que possa existir para eles neste mundo.
E, o mais incrível nisso tudo, a gente lê, se identifica, fica na torcida, com o coração na mão, mas não sente pena deles, pois, apesar de tudo, são inteligentes, divertidos e fortes.
Abençoada Gutenberg, não tarde a publicar o próximo volume desta série e parabéns pela edição e por trazer esse trabalho gostoso da Tessa Dare.
Vou ficando por aqui, voltando a minha releitura de Uma Semana para se Entregar e desejando a todos uma Sexta maravilhosa e um fim de semana de paz, saúde e muito amor.

Fiquem bem e Carpe Diem!

18 de setembro de 2015

Sexta Envenenada: Uma Noite para se Entregar

O amor já estava escrito
Já estava prometido
Sabia seria assim
Você viria pra mim
Eu sei um dia serei
O seu amor pra sempre
Por seu amor existo
Por ele eu não desisto
Estrelas podem cair
Castelos podem ruir
E quando você chegar
Sei que te amarei pra sempre
Te vejo em sonhos
E somente eu sei o quanto eui te esperei
Vem me tirar dessa prisão de somente de ter
De somente te ver
Se eu sonhar outra vez
Eu sei que o amor existe
Que o amor jamais desiste
Que vence mil temporais
Que enfrentaria outros mais
O amor vai nos encontrar
Vai nos libertar pra sempre
Te vejo em sonho
E somente eu sei o quanto eu te esperei
Vem me tirar dessa prisão de somente te ter
De somente te ter
Se eu sonhar outra vez.
Verônica Sabino
Olá, Envenenados!

Fenomenal adj. 2g. 1 que tem a natureza ou a qualidade de um fenômeno 2 fig. excepcional, admirável.
Fenômeno s.m. 1 qualquer fato observável na natureza 2 p. ext. Fato de interesse científico 3 acontecimento raro e surpreendente 4 p. ext. indivíduo de qualidade rara.
Indizível adj. 2g. 1 que não pode ou não deve ser expresso em palavras 2 que foge ao comum; extraordinário.
Procurando algumas poucas palavras, que simbolizassem minha reação a alguns acontecimentos em minha vida nas últimas semanas, só pude pensar nestes três verbetes. E, depois que me explicar, acredito que vocês concordarão que todos os significados cabem aos fatos.
No dia 4 de setembro vivi uma emoção indizível, na qual só pude acreditar porque não costumo andar enquanto durmo, e porque outras pessoas estavam presentes e registraram o momento.
Depois de meses, apenas falando sobre seus livros publicados aqui no Brasil pela Editora Arqueiro, tive a honra e a felicidade de conhecer pessoalmente a nossa querida escritora Julia Quinn.
Ainda hoje me emociono ao pensar que tive a oportunidade de vê-la de perto, abraçá-la – na verdade foi ela quem abraçou porque eu mesma fiquei em estado de total inércia (patética), ouvi-la e passar umas boas duas horas em sua presença.
Há alguns anos, minha irmã me presenteou com um ingresso para o primeiro show do Paul McCartney do Rio de Janeiro. Conhecedora da minha paixão pelos Beatles e pelo cantor, ela realizou um sonho e o que me disse jamais saiu do meu coração: “Às vezes é mais fácil realizar o sonho de quem amamos, apenas porque o amamos.”
Essa é a mesma sensação que tenho hoje, tantos anos depois, e por isso preciso agradecer à Editora Arqueiro, a Natália Alexandre, a Elimar Souza e a Mathilde Tonionni pelo amor que demonstraram por mim. Vocês mais que realizaram um sonho.
Indizível também foi a minha alegria ao conhecer a minha querida amiga Patrícia Rodrigues e rever outras pessoas também muito queridas. Simplesmente não pode ser traduzido em palavras.
Como se isso fosse pouco, ter conhecimento dos números alcançados pela Bienal Internacional deste ano e que se encerrou no último fim de semana, também é algo difícil de se explicar. Infelizmente, só pude comparecer no dia 12, mas tive uma ideia do fenômeno literário que, assustadoramente, vem ganhando espaço em nosso país, apesar da situação desfavorável que enfrentamos em termos sociais, econômicos e políticos.
Se por um lado este fenômeno parece incrível, nós que somos fãs talvez encontremos explicação para esse crescimento. Eu, pelo menos tenho algumas teorias.
Uma delas, por exemplo, é o crescimento do interesse de algumas editoras em trazer vários gêneros literários e autores que vêm ganhando, cada vez mais, espaço e admiração entre os leitores brasileiros.
Os romances de época estão entre os livros que estão nos deixando inebriados, cada vez que acessamos uma rede social, um blog literário ou as páginas das editoras.
Felizmente para nós, fãs do gênero, estão chegando mais títulos e mais autoras.
Desta vez a Editora Gutenberg nos presenteou com a escrita “indizível” e “fenomenal” de Tessa Dare.
Mais uma autora maravilhosa que entra no meu rol de queridinhas! Para entender melhor, vocês precisam conhecer a história e os personagens deliciosos da Série Spindle Cove, que começa com Uma Noite para se Entregar.
Uma Noite para se Entregar começa contando a história de Susanna Finch e Victor Bramwell, dois protagonistas pra lá de porretas, que estremeceram as bases da pacata Spindle Cove, bem como o meu coração e outras partes do corpo. Por muitos motivos, esses dois são os absintos de hoje.
“Spindle Cove é o destino de certos tipos de jovens mulheres: bem- nascidas, delicadas, tímidas, que não se adaptaram ao casamento ou que se desencantaram com ele, ou então as que se encantaram demais com o homem errado.
Susanna Finch, a linda e extremamente inteligente filha única do Conselheiro Real, Sir Lewis Finch, é a anfitriã da vila. Ela lidera as jovens que lá vivem, defendendo-as com unhas e dentes, pois tem o compromisso de transformá-las em grandes mulheres, descobrindo e desenvolvendo seus talentos.
O lugar é bastante pacato, até o dia em que chega o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell. O forte homem viu sua vida despedaçar-se quando uma bala de chumbo atravessou seu joelho enquanto defendia a Inglaterra na guerra contra Napoleão. Como sabe que Sir Lewis Finch é o único que pode devolver seu comando, vai pedir sua ajuda. Porém, em vez disso, ganha um título não solicitado de lorde, um castelo que não queria, e a missão de reunir um grupo de homens da região, equipá-los, armá-los e treiná-los para estabelecer uma milícia respeitável.
Susanna não quer aquele homem invadindo sua tranquila vida, mas Bramwell não está disposto a desistir de conseguir o que deseja. Então os dois se preparam para se enfrentar e iniciar uma intensa batalha! O que ambos não imaginam é que a mesma força que os repele pode se transformar em uma atração incontrolável.
Incontrolável tornou-se a ânsia de ler esta série inteira, depois que fui nocauteada pelo tesão de Bramwell e Susanna.
Nesta obra, entramos no clima do século XIX, justo no período em que a Inglaterra travava sangrentas batalhas contra Napoleão Bonaparte.
Bramwell esteve presente em algumas dessas batalhas e, em uma delas, teve seu destino drasticamente mudado graças ao tiro que quase inutilizou sua perna.
Como tem por objetivo voltar ao seu comando, ele precisa da intervenção de Sir Lewis Finch, que imporá algumas condições para ajudá-lo.
E aí começa o problema...
Bramwell chega a Spindle Cove, uma vila doce e feminina, acompanhado de seu primo Colin Sandhurst, Lorde Payne e do Cabo Thorne – três bombas de testosterona que, literalmente, farão ruir os alicerces do local, bem como os corações das habitantes e das leitoras.
Tessa conseguiu reunir elementos fundamentais para transformar essa obra em algo memorável, prazeroso e vários sentidos, inteligente e divertido.
Além disso, criou personagens muito queridos, pelos quais a gente sofre e torce e com os quais conseguimos rir e sonhar.
Esse trio já chega causando estragos. O início da história já é hilário:
“Sussex, Inglaterra – Verão de 1813
Bram encarou um par de olhos escuros e arregalados. Olhos que refletiam uma surpreendente centelha de inteligência. Aquela poderia ser a fêmea rara com quem um homem conseguia argumentar.
‘Agora, atenção’, disse ele. ‘Nós podemos fazer isso da forma mais fácil ou podemos dificultar tudo.’
Bufando suavemente, ela virou a cabeça. Era como se ele tivesse deixado de existir.
Bram apoiou seu peso na perna boa, sentindo o golpe em seu orgulho. Ele era um tenente-coronel do Exército Britânico e, com mais de um metro e oitenta de altura, diziam que compunha uma figura impressionante. Normalmente, bastava um olhar enviesado de sua parte, para suprimir qualquer tentativa de desobediência. Não estava acostumado a ser ignorado.
‘Escute bem o que vou dizer.’ Ele deu um puxão forte na orelha dela e engrossou a voz para que ficasse mais ameaçador. ‘Se sabe o que é melhor para você, vai fazer o que estou dizendo.’
Embora ela não pronunciasse nenhuma palavra, sua resposta era clara: que tal você admirar meu grande traseiro lanoso?
Maldita ovelha.
‘Ah, o interior da Inglaterra. Tão encantador. Tão... perfumado.’ Colin aproximou-se, despido de seu refinado casaco londrino, afundado até a cintura em um rio de lã. Enxugando com um lenço o brilho da transpiração de sua têmpora, perguntou: ‘Imagino que isso significa que não possamos simplesmente voltar?”
Já nessa primeira página temos uma ideia da personalidade dos dois primos: um rígido, metódico, focado e durão, o outro refinado, malandro, devasso.
Eles estavam a caminho da propriedade de Sir Finch quando um rebanho inteiro de ovelhas cruzou e estacionou em seu caminho.
Cá entre nós, alguém imaginaria que Bram estivesse falando com uma ovelha? Eu não, e riu muito, imaginando a situação.
Pois bem, os dois e Thorne estão tentando tirar os animais de seu caminho, quando Colin tem a brilhante ideia de detonar um pouco de pólvora, só para movimentar um pouco as coisas.
“’Tranquilidade é alma de nossa comunidade.’
A menos de quinhentos metros de distância, Susanna Finch estava sentada na sala decorada com cortinas de renda da Queen’s Ruby, uma pensão para moças de fino trato. Com ela, conversavam as possíveis novas moradoras do local, a Sra. Highwood e suas três filhas.”
Susanna administra o lugar com muita competência e tranquilidade. Todos, mulheres e homens locais, a respeitam e recorrem a ela sempre que necessitam.
Seu maior objetivo e ajudar moças que, como ela, fogem às regras rígidas estabelecidas para as mulheres daquele tempo. Susanna fará de tudo para manter a paz em Spindle Cove.
“E Susanna precisava das Highwood, por razões que não conseguia explicar. Ela não tinha como voltar no tempo e desfazer as desgraças de sua própria juventude, mas podia ajudar a poupar outras jovens do mesmo tormento, e isso era o melhor a fazer por si mesma.
‘Confie em mim, Sra Hihgwood’, disse ela, pegando a mão da mulher. ‘Spindle Cove é o lugar perfeito para as férias de verão das suas filhas. Prometo-lhe que aqui elas ficarão saudáveis, felizes e perfeitamente seguras.”
O que ela jamais esperaria, claro, é que uma explosão de testosterona estivesse prestes a estremecer seus objetivos, seu corpo e sua alma.
“Bum!!!
...
Aliviada, ela inspirou profundamente o ar acre, impregnado de pólvora. Com o fardo do receio removido, sua curiosidade veio à tona. Intrigada, ela desceu o barranco  florido até chegar ao caminho estreito e esburacado. À distância, os homens pararam de se mover. Eles a havia notado.
Protegendo os olhos com a mão, ela olhou fixamente para os homens, tentando identificá-los. Um deles vestia um casaco de oficial, outro não usava casaco algum. Quando ela se aproximou, o homem sem casaco começou a acenar  com vigor. Gritos foram conduzidos pela brisa até ela. Franzindo o cenho, Susanna se aproximou, na esperança de ouvir melhor as palavras.
‘Espere! Senhorita, não...!”
Blam!
Uma força invisível arrancou-a do chão e a jogou de lado, arremessando-a completamente para fora da estrada. Ela enfiou o ombro na grama alta, derrubada por algum tipo de animal descontrolado.
Um animal vestindo um casaco vermelho.”
Vendo a iminência de uma tragédia, Bramwell correu para salvar a jovem de ser atingida pela explosão que deveria apenas espantar as ovelhas. E ambos rolaram pelo gramado. Quer encontro mais explosivo que este? Só pra começar?
”Depois que a poeira baixou, ela afastou o cabelo da testa dele, buscando em seu olhar sinais de desorientação ou dor. Contudo, seus olhos estavam alertas e vivos, mas aquele assustador tom verde... forte e ricamente matizado de jade.
‘Você está bem?’, perguntou ela.
‘Estou.’ A voz dele era rouca e grave. ‘E você?’
Ela concordou, esperando que ele a liberasse após sua confirmação. Quando ele não mostrou intenção de se mover, ela ficou intrigada. Ou ele estava gravemente ferido, ou era muito impertinente.
‘Senhor, ahn, o senhor é muito pesado.’ Com certeza ele entenderia aquela sugestão.
‘Você é macia’, respondeu ele (safadinho)
Bom Deus. Quem era aquele homem? De onde vinha? E por que continuava em cima dela?
‘Você está com um pequeno ferimento.’ Com dedos trêmulos, ela tocou um ponto vermelho na têmpora dele, perto do cabelo. ‘Aqui.’ Apertou a mão contra a garganta dele, para sentir seu pulso. Ela logo o encontrou batendo forte e regularmente contra as pontas enluvadas de seus dedos.
‘Ah... isso é gostoso.”
O rosto dela ficou quente.
‘Você está com visão dupla?
‘Talvez... vejo dois lábio, dois olhos, duas bochechas coradas... milhares de sardas.’
Ela o encarou.
‘Não se preocupe, senhorita. Não é nada.” O olhar dele ficou sombrio devido a alguma intenção misteriosa. ‘Nada que um beijinho não cure.’
E antes mesmo que ela pudesse recuperar o fôlego, ele pressionou seus lábios contra os dela.”
Oh! Que ousadia, hein!
Este é o tipo de coisa com a qual ficaríamos indignadas (talvez) na vida real, mas que em nosso fantástico mundo literário podemos conviver perfeitamente. Eu acho.
Neste caso a atração os pulveriza e nos aquece.
Tessa Dare é tão boa nos detalhes físicos e nas descrições das sensações, que parece que somos nós a sermos beijadas por Bram... aiai
Só que o drama de ambos está apenas começando, pois ele descobrirá que ela é a filha do homem a quem veio pedir auxílio e ela descobre que ele não está apenas de passagem e que, por intermédio de seu pai, terá que organizar uma milícia para defender Spindle Cove.
David Gandy
O choque de interesses, as personalidades muito diferentes e a teimosia serão temperos adicionais para este romance delicioso.
Acrescente-se isso personagens secundários muito especiais, que nos farão desejar loucamente seus próprios livros.
Este seria o tipo de livro que ficaria lindamente bem numa tela de cinema, claro se os roteiristas respeitassem o original. Com paisagens de tirar o fôlego, personagens igualmente maravilhosos, diálogos ora intensos, ora extremamente hilários, fora as cenas eróticas que são pra lá de quentes, Uma Noite para se Entregar é arrebatador, surpreendente, indizível.
Vou ficando por aqui, impressionada e agradecida por ter sido apresentada à escrita de Tessa Dare.

Fiquem bem e Carpe Diem! 

4 de setembro de 2015

Sexta Envenenada: O Conde Enfeitiçado

"Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
 A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
 Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas
, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
 O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
 Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
 para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém,
preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
 Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance."
Fernando Pessoa

Olá, Envenenados!

Em clima de Bienal do Livro aqui na cidade do Rio de Janeiro, o que não faltam são lançamentos. Felizmente, para nós, amantes de livros.
A edição desse ano promete, pois o evento “gigantenorme”, além de contar com a participação de grandes editoras teremos também, segundo o site do evento, um recorde no número de autores convidados, tanto nacionais como estrangeiros.
Nós, apaixonados por livros, estamos em festa, mais especialmente os fãs dos romances de época, pois teremos a honra de conhecer Julia Quinn, frequentadora assídua desse espaço.
Na verdade, a autora americana já está no Brasil há alguns dias visitando algumas cidades, levando seu carisma, competência e sensibilidade para deixar os leitores brasileiros ainda mais encantados e ávidos por mais e mais obras suas.
Ela e a Editora Arqueiro estarão promovendo o lançamento do sexto livro da série Os Bridgertons, O Conde Enfeitiçado, e a autora marcará presença na XVII Bienal Internacional do Livro no dia 05 de setembro. AMANHÃAÃÃÃÃ!!!
Em o Conde Enfeitiçado finalmente conhecemos a história de Francesca Bridgerton e Michael Stirling. A obra retoma a linha dos primeiros livros da série e consegue ir além.
Obviamente, o livro é rico em pontos muito distintos dos demais, mas a intensidade e sensualidade remonta fielmente, senão mais, aos enredos anteriores.
Francesca e Michael não são os absintos de hoje por mero compromisso com os demais personagens da série, para dar-lhes sequência.
Não.
Estão aqui hoje porque são personagens riquíssimos, com personalidade e caráter extremamente bem construídos e fortes.
Vamos descobrindo, com o passar da leitura, que sua história é contemporânea às de Colin e Eloise Bridgerton, protagonistas de Os Segredos de Colin Bridgerton e Para Sir Phillip, com Amor, respectivamente.
“Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton.
Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele.
Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite.
Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.
No sexto livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn mostra, em sua já consagrada escrita cheia de delicadezas, que a vida sempre nos reserva um final feliz. Basta que estejamos atentos para enxergá-lo.”
Tudo começa quando Michael conhece Francesca no jantar de comemoração do casamento dela com seu amado primo, o Conde de Kilmartin. A partir desse dia sua vida jamais será a mesma.
Conhecido por sua vida de devassidão, Michael ainda não havia sido apresentado à paixão verdadeira, daquelas que temos que nos policiar para não nos trairmos com alguma atitude extrema. E, para piorar seu dilema, seu desejo é direcionado justamente a única mulher que jamais poderá possuir.
Durante o tempo em que Francesca e John viveram um casamento muito feliz, Michael teve a oportunidade de participar dessa felicidade -  convivia com o casal; não por ser um masoquista, mas porque John era mais que um primo, era um irmão acima de tudo, e Francesca tornou-se uma grande amiga – que ironia. Formavam um trio perfeito.
Por seu lado, Francesca estava vivendo a felicidade que desejava. Conforme a leitura avança, vamos entendendo que Francesa é uma Bridgerton atípica. Como ela mesma diz, não que não ame sua família, ela só era diferente. E teve em John, e com John, a oportunidade de ser ela mesma.
E, de quebra, ganhou um grande amigo em Michael. Desconhecendo o tormento que causava no novo primo, ela se aproxima dele, faz com que ele conte alguns detalhes sobre suas conquistas, o atrai, cada vez mais, para perto de sua vida, sem imaginar quanto sofrimento Michael estava sentindo.
Bem como Francesa é diferente dos demais Bridgertons, O Conde Enfeitiçado tem uma essência bastante diferente dos demais livros da série.
Julia Quinn aborda, magistralmente, alguns aspectos do período em que a história acontece que raramente são citados em romances de época – pelo menos não os atuais.
Geralmente, quando um dos protagonistas é viúvo a história já começa com ele nesta situação. Dificilmente conhecemos mais do cônjuge que faleceu. Tudo bem que em Para Sir Phillip, com Amor, isso também acontece, mas o marido de Francesca nos conquista também e, por isso mesmo, lamentamos seu falecimento tão repentino.
Mas sem isso, a história não aconteceria.
Quando John morre, Michael se vê em uma condição ainda mais difícil. Entendamos: John não deixa filhos herdeiros do título de conde e das propriedades, assim Michael herda tudo, exceto a única coisa que ele mais queria: o coração de Francesca.
Da noite para o dia ele passa de primo pobre ao novo e poderoso Conde de Kilmartin.
Tomado pela dor do luto e pela culpa de ter desejado algo de seu primo, ele se afasta cada vez mais de Francesca, que fica confusa com essa atitude. Ela deseja que Micheael esteja perto, que a console, que compartilhe a mesma dor, pois ele era o único que estava tão próximo dela e de John, o único que os conhecia como eles realmente eram.
Assim, ele deixa a Inglaterra e Francesca e busca asilo (para seu coração e sua mente) na Índia.
Durante o tempo que fica lá, ele se corresponde com seus entes queridos, mas apenas um não responde suas cartas. Francesca, num ato de revolta, recusa-se a corresponder-se com ele.
Enfim, o tempo passa. E quando Michael resolve que é o momento de voltar à Inglaterra e assumir de fato seu papel como conde, ele não faz ideia de que Francesca também decide que é hora de abandonar o luto e ter filhos.
Só que para isso, diferentemente dos dias atuais, a mulher deveria estar devidamente casada. Assim, Francesca também retorna à Inglaterra para participar da temporada, não como espectadora, mas sim como candidata à noiva.
Durante o tempo de seu luto, ela assumiu o comando das propriedades e finanças do condado de Kilmartin com muita competência, mas o desejo de ser mãe nunca a abandonou, sobretudo quando estava com seus amados sobrinhos.
Neste livro somos agraciados com uma participação bem diferenciada de Violet Bridgerton, a matriarca que estávamos acostumados a ver muito empenhada em casar os filhos e filhas, dá lugar à mãe parceira e à mulher que também guarda segredos e saudosismo.
Apesar de ser tão diferente dos demais irmãos, Francesca descobre ser a que mais em comum tem com a mãe, ambas viúvas ainda muito jovens, elas compartilham muitas coisas, que nem sequer fazia ideia.
Até que ela pergunta para Violet:
“– Mãe? – começou ela, antes mesmo de se dar conta de que tinha uma pergunta a fazer.
Violet se virou para ela com um sorriso.
– Sim, minha querida?
– Por que você nunca se casou de novo?
Violet entreabriu os lábios e, para surpresa de Francesca, os olhos da mãe brilharam.
– Sabe que esta é primeira vez que um de vocês me faz essa pergunta?
– Não é possível – retrucou Francesca. – Tem certeza?
Violet assentiu.
– Nenhum dos meus filhos jamais me perguntou isso. Eu teria me lembrado.
– Sim, é claro que teria – apressou-se Francesca em dizer.
Mas tudo aquilo era tão... estranho... E impensado, na verdade. Por que será que ninguém nunca tinha feito aquela pergunta a Violet? Do ponto de vista de Francesca, era a mais urgente de todas as perguntas imagináveis. E, mesmo que nenhum de seus irmãos tivesse levantado a questão apenas por curiosidade, será que não se davam conta de quão importante era para Violet?
Será que não desejavam conhecer a mãe? Conhecê-la de verdade?
...
– De qualquer forma – prosseguiu Violet de modo brusco, claramente ansiosa por seguir adiante -, depois da morte dele eu fiquei tão... aturdida. Tive a sensação de estar andando em meio a uma névoa. Não sei muito bem como agi naquele primeiro ano. Ou mesmo nos anos seguintes. Não tinha como pensar em casamento.”
Não sei os demais leitores, mas eu me senti muito grata por essa oportunidade que a Julia deu a Violet de se colocar, pois amamos seus filhos e os cônjuges deles, e, apesar de em alguns livros ela ter alguma participação, neste tivemos a chance de conhecer um pouco mais sobre essa mulher incrível.
Outros personagens dos demais livros têm participação aqui, mas, assim como Violet, Colin Bridgerton (o queridinho da série), volta a dar uma palhinha de suas facetas. Mas Colin consegue ter uma influência ainda mais incisiva na história.
“Colin tomou outro gole, claramente saboreando a bebida.
– Ahhh – gemeu, pousando o copo sobre a mesa. – Quase tão bom quanto uma mulher.
Michael voltou a grunhir, levando o copo aos lábios.
Então, Colin disse:
– Você deveria simplesmente se casar com ela, sabe?
Michel quase engasgou.
– O que disse?
– Case-se com ela – repetiu Colin, dando de ombros. – Isso me parece bem simples.
Provavelmente era muito querer supor que Colin estivesse falando de qualquer uma que não fosse Francesca, mas Michael fez uma tentativa desesperada ainda assim, com o tom de voz mais frio que conseguiu.
– De quem está falando?
Colin ergueu as sobrancelhas.
– Precisamos mesmo fazer este jogo?
– Não posso me casar com Francesca – declarou Michael atabalhoadamente.
– Por que não?
– Porque... – ele se interrompeu. Havia cem razões pelas quais não podia se casar com ela, mas não podia dizer nenhuma em voz alta. Assim, limitou-se a responder: - Porque ela foi casada com meu primo.
– Da última vez que verifiquei, isso não era ilegal.
Não, mas era imoral. Ele desejara e amara Francesca por tanto tempo... Mesmo enquanto John era vivo. Enganara o primo da forma mais vil possível; não podia aumentar a traição roubando-lhe a mulher.”
Seu dilema interior se intensifica, principalmente ao ver a grande quantidade de pretendentes que surge para Francesca, mas aquela conversa com Colin muda algo em sua maneira de ver e sentir as coisas.
Até aqui, Francesca tem Michael como um primo, quase irmão, e jamais poderia pensar nele de maneira diferente, apesar de algo estranho ter acontecido desde seu retorno.
Preparem-se para uma história de muita sedução, e de cenas extremamente quentes, talvez as mais quentes das histórias dos Bridgertons, pois, diferentemente dos demais, Micheal é o único que, desde o início, está terrivelmente e perdidamente apaixonado. Então, terá que usar todo o seu conhecimento para convencer Francesca de que casarem-se é a coisa mais certa.
Obviamente o desejo é mútuo, mas eles terão que lidar com o fantasma de seus princípios e honra.
“Com as mãos tremendo, abriu as calças com um puxão, finalmente expondo o membro.
– Michael? – sussurrou ela.
Ela estava com os olhos fechados, mas quando ele se afastou dela, ela os abriu. Fitou-o e arregalou os olhos. Não havia como se equivocar em relação ao que estava prestes a acontecer.
– Eu preciso de você – disse ele, com a voz rouca. E quando ela nada fez além de olhá-lo fixamente, ele repetiu: - Preciso de você agora.
Mas não sobre a mesa. Nem mesmo ele era tão talentoso, então a tomou nos braços, estremecendo de ansiedade quando ela o enlaçou com as pernas e a deitou sobre o suntuoso tapete. Não era uma cama, mas não havia a menor condição de ele conseguir chegar até uma cama e, para dizer a verdade, não achava que nenhum dos dois se importaria. Ergueu a saia do vestido dela mais uma vez até a cintura e se deitou sobre ela.
E a penetrou...”
Penetrou o corpo dela e a nossa mente. Literalmente, um livro tarja preta no quesito erotismo, assim, tomem cuidado ao lerem em público, pois é inevitável reagir às cenas que Michael e Francesca protagonizam.
Outra surpresa que Julia Quinn nos faz é quando aborda a malária, um dos males daquela época, para quem viajava para países tropicais.
Como ela mesma diz em sua nota, no final do livro, “Sujeitei os personagens de O conde enfeitiçado a uma parcela não muito justa de infortúnios médicos.”
Ela explica como pesquisou sobre os males que afligiram alguns personagens e revela que parte do lucro deste livro será doada à pesquisa pelo desenvolvimento de medicamentos contra a malária.
Agora, eu pergunto, tem como ela nos fazer amá-la ainda mais??
Quando digo que um livro é surpreendente fico pensando que não haverá outro que me cause tamanha impressão. Mas então, vem Dona Julia Quinn e me nocauteia com sua maestria.
Vou ficando por aqui, desejando a todos uma sexta incrível e um final de semana maravilhoso! A gente se encontra na Bienal!
Fiquem bem e Carpe Diem!


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