20 de março de 2015

Sexta Envenenada: Ligeiramente Casados


 Já nem sei dizer se sou feliz ou não
Já nem sei pra quem eu dou meu coração
Preciso acreditar
Que gosto de alguém
E essa tristeza
Vai ter que acabar e custe o que custar
Às vezes sinto até vontade de chorar
Eu quero ter alguém
Que possa compreender
Minha desilusão
Até pensar
Que nunca mais
Vou ter alguém pra mim
Eu já pensei assim
Até sofri demais
Será, meu Deus, enfim
Que eu não tenho paz
Roberto Carlos

Olá, Envenenados!

Saudades?
Eu sim!
Tenho andado com uma intensa febre de nostalgia de um tempo que não vivi.
Por um lado, a vida das pessoas no século XIX não era nada fácil, sobretudo para as do sexo feminino. Por outro lado, as pessoas, em sua maioria tinham valores que hoje estão muito longe até mesmo das classificações dos dicionários – honra, compromisso, lealdade, entre tantos outros que fica até difícil enumerar.
Talvez sejam estas as principais razões que fizeram com que eu me rendesse de vez ao gênero dos Romances de Época, graças este blog e à Editora Arqueiro que, tão sabiamente, investe em romances inesquecíveis.
Outro dia mesmo comentei com a Mathilde que a Sexta Envenenada está mais para mais para Época Envenenada que para outra coisa.
Mas, juro, não é proposital, apesar de eu amar todos os livros dessa série, mas eu acabei adotando-os, todos, e me apaixonando por suas autoras.
O livro de hoje, por exemplo, é o primeiro da série Os Bedwyns, da Mary Balogh, que também entrou para o time da Arqueiro, engrandecendo os RE.
Ligeiramente Casados traz a história de Aidan Bedwyn e Eve Morris, dois personagens esplêndidos, por falta de um adjetivo melhor, e que, como a série, fazem sua estreia nesta coluna como os absintos do dia!
“À beira da morte, o capitão Percival Morris fez um último pedido a seu oficial superior: que ele levasse a notícia de seu falecimento a sua irmã e que a protegesse – ‘Custe o que custar!’.
Quando o honrado coronel lorde Aidan Bedwyn chega ao Solar Ringwood para cumprir sua promessa, encontra uma propriedade próspera, administrada por Eve, uma jovem generosa e independente que não quer a proteção de homem nenhum.
Porém Aidan descobre que, por causa da morte prematura do irmão, Eve perderá sua fortuna e será despejada, junto com todas as pessoas que dependem dela... a menos que cumpra uma condição deixada no testamento do pai: casar-se antes do primeiro aniversário da morte dele – o que acontecerá em quatro dias.
Fiel à sua promessa, o lorde propõe um casamento de conveniência para que a jovem mantenha sua herança. Após a cerimônia, ela poderá voltar para sua vida no campo e ele, para sua carreira militar.
Só que o duque de Bewcastle, irmão mais velho do coronel, descobre que Aidan se casou e exige que a nova Bedwyn seja devidamente apresentada à rainha. Então os poucos dias em que ficariam juntos se transformam em semanas, até que eles começam a imaginar como seria não estarem apenas ligeiramente casados...”
Já pela sinopse me apaixonei pela trama. E o livro inteiro não deixou a desejar.
Todos sabemos que, por mais interessante que a leitura esteja, sempre existem aqueles momentos mais mornos e menos cativantes, mas Ligeiramente Casados garantiu uma leitura tão constante e plena que era difícil até para deixar suas páginas para ir dormir.
Como eu disse, há duzentos anos muitas pessoas eram extremamente fieis às suas promessas; palavra e honra eram tão vitais quanto o ar e a água e o lorde coronel Aidan Bedwyn assumiu um compromisso com seu capitão, até porque se sentia em dívida com ele, pois em uma batalha anterior Morris salvara sua vida. Assim, sem fazer ideia do que encontraria, foi até Ringwood para levar a notícia do falecimento do capitão à sua irmã.
Aidan é o segundo filho de um duque e, como tal, já tem seu destino traçado pelas convenções da época: ao filho mais velho caberia o título e as propriedades, enquanto que o segundo filho deveria seguir uma carreira militar. Não vou entrar no mérito dos outros quatro irmãos, isso virá com os demais livros que, graças ao compromisso da Arqueiro, não levam quase dois anos para serem publicados. Não dá nem para torcer o nariz por se tratar de uma série.
Por conta de toda sua história, desde o falecimento do pai e do distanciamento, a que foi submetido, de seu amado irmão mais velho, Aidan segue uma promissora carreira militar, tornando-se um herói após a rendição de Napoleão Bonaparte. Mas também transforma-se em um homem de poucas palavras e que raramente sorri, mas que coloca suas responsabilidades e hombridade acima de tudo.
E é com esta postura que ele encontra Eve Morris.
“Ele estava de pé perto da lareira apagada, mas de frente para a porta. Parecia ocupar metade do cômodo. O homem devia ter mais de 2 metros de altura, usava uniforme completo do regimento: o casaco escarlate e os detalhes em dourado imaculados, a calça muito branca, as botas da cavalaria – que lhe chegavam aos joelhos – brilhando, muito bem engraxadas. Ao lado do corpo, cintilava a espada guardada na bainha. Era imponente, forte, firme, com um ar ameaçador. Tinha uma expressão implacável nas feições marcadas, acentuada pelas sobrancelhas e cabelos escuros. Era um rosto severo, com olhos duros, quase negros, um nariz grande e aquilino e lábios finos de aparência cruel.”
Esse homem honrado, sisudo e belamente narigudo (adoro!) encontra Eve Morris, uma mulher acostumada a tomar as rédeas de sua vida e de todos que a cercam.
Ela administra com competência a propriedade que “herdou” do pai e se dedica à cuidar de criaturas que a sociedade da época abandonou.
Eve acreditava que sua vida seguia um ritmo tranquilo, pelo menos até encontrar aquele homem enorme em sua sala de visitas. Ele era portador de notícias difíceis, que viriam a mudar não só a sua vida, mas também a de todos os que dela dependiam.
Por conta do testamento de seu pai, que fez de tudo para que ela se casasse com algum nobre da localidade, a propriedade ficaria aos seus cuidados durante um ano, passando para o irmão, ao fim do prazo e, a não ser que ela se casasse antes desse período terminar, se Percy viesse a falecer, tudo seria passado para o parente mais próximo, o primo de Eve.
Infelizmente era assim que as coisas funcionavam para as mulheres. Nem mesmo um segundo plano lhes era oferecido.
E bem diante dela toda sua vida está desmoronando, desde a trágica notícia da morte do amado irmão. Sua única esperança, para manter a propriedade e as pessoas que lá viviam e trabalhavam, era o casamento. Mas seu grande amor há tempos não mandava notícias. O que fazer?
“– As últimas palavras, os últimos pensamentos do capitão Morris foram
para a senhorita – disse ele, inclinando a cabeça. – Ele me implorou que lhe desse a notícia eu mesmo.
– Foi extremamente gentil de sua parte honrar um pedido desses – disse Eve, dando-se conta de como era estranho que o oficial superior de Percy fosse pessoalmente até a casa deles, saindo do sul da França, para informar a morte do subordinado.
– Devo a minha vida ao capitão Morris – explicou o coronel. – Ele me salvou em um ato de extraordinária coragem, colocando a si mesmo sob considerável risco, dois anos atrás, na Batalha de Salamanca.
– Percy disse mais alguma coisa?
– Ele pediu que a senhorita não usasse preto por ele – falou o coronel. – Acho que acrescentou ainda que a senhorita já passou muito tempo de luto.
Ele abaixou os olhos para o vestido cinza que Eve usava e que ela tão ansiosamente esperava trocar, ainda naquela semana, por algo mais colorido, mais de acordo com a estação. Mas isso já não importava.
O irmão se fora. Para sempre.
Eve sentia-se engolfada pela dor, cegada e ensurdecida por ela, derrotada pela insuportável agonia da perda.
– Madame? – O coronel deu outro pequeno passo para a frente e estendeu a mão como se fosse segurá-la pelo braço.
Ela se esquivou.
– Mais alguma coisa?
– Ele me pediu para protegê-la – disse Bedwyn.
– Para me proteger?
Eve ergueu os olhos para o rosto dele de novo. Parecia esculpido em granito, pensou. Sem calor, sem expressão, sem sentimento. Se havia uma pessoa por trás daquela fachada militar dura, Eve não percebera nenhum sinal dela. Embora talvez estivesse sendo injusta. O coronel se aproximara como se quisesse ajudá-la e lhe estendera a mão num gesto protetor. E ele fora até ali, vindo do sul da França, para pagar a dívida que tinha com Percy.”
Resumo da ópera: Aidan propõe casamento a Eve, que relutantemente aceita, pois se perder a propriedade, o que será dos filhos de seu coração, de sua tia e de todas as pessoas que ela abrigou em sua propriedade – verdadeiros párias que ninguém mais quer por perto – já que seu primo deixa bem claro que quer que todos desapareçam, inclusive ela, um dia antes de ele assumir tudo.
Aidan e Eve concordam em se casar para que ela mantenha tudo o que possui, e só. Cada um segue seu caminho. Ele consegue assim manter a promessa feita: protegê-la, custasse o que custasse.
Mas... quando se casam em Londres com uma licença especial, Aidan a convida para conhecer a cidade antes de voltar para Ringwood. No saguão do hotel onde está hospedada eles são abordados por um importante oficial superior de Aidan que, por reflexo, a apresenta como esposa.
O deveria ser segredo deles e das pessoas de Ringwood, acaba se tornando público, e é aqui que a história começa a pegar fogo.
As coisas saem do controle de ambos, tão acostumados à rotina, ao controle de tudo ao seu redor. Mas eles não contavam com o fator duque de Bewcastle, irmão mais velho de Aidan, que  exige que sua cunhada seja assumida e apresentada à sociedade londrina.
Bafão????
Não chega nem perto, meus amigos!
Aqui assistimos à inevitável relação de dois completos desconhecidos que se unem por motivos extremamente nobres, mas que acabam caindo na teia da sociedade londrina e forçados a conviver mais tempo do que haviam planejado.
E, mesmo tendo em mente que deverão separar-se em breve, algo maior começa a crescer entre eles. Algo que a princípio não percebem nem compreendem, mas que vai evoluindo e transformando-se em uma necessidade incontrolável de estarem juntos.
– Não sou sua esposa. Não de qualquer forma que realmente importe.
– Talvez, madame – disse o coronel –, esse tenha sido o nosso erro.

– Erro?
– Concordar com um casamento apenas no nome – retrucou ele. – Deveríamos ao menos ter feito do nosso um casamento de verdade, mesmo que seguíssemos separados o resto de nossas vidas. Então não haveria esse tipo de discussão absurda. No dia do nosso casamento, talvez devêssemos ter chegado à sua conclusão natural.
Eve o encarava com o rosto em chamas. Mas durante os preciosos segundos que deveria ter usado para encontrar palavras para expressar sua indignação, acabou se permitindo apenas sentir os efeitos físicos das palavras dele... certa perda de ar, um enrijecimento dos seios, um latejar entre as coxas e mais para dentro de seu corpo, além de uma fraqueza nas pernas.
– Teria sido errado – falou ela por fim.
– Errado? Somos um homem e uma mulher – disse ele com severidade – e nos casamos há algumas semanas. Homens e mulheres, principalmente quando casados, costumam ir para a cama juntos.
Eve passou a língua pelos lábios. O quarto parecia abafado.
O coronel deixou escapar um som de impaciência e atravessou o quarto na direção da esposa. Ele pousou as mãos grandes no rosto de Eve. Ela fechou os olhos e a boca do marido encontrou a dela.”
Mas, para aumentar o drama, nenhum dos dois faz ideia do que o outro sente... e isso, galerinha, rende um dos romances mais intensos que eu já li na minha vida.
Quero mais de Mary Balogh, quero mais dos Bedwyns, pois intensidade, descoberta do amor, desabrochar de uma grande paixão, ações politicamente corretas, retidão e justiça nunca fizeram um casamento tão perfeito quanto nessa estreia de uma série.
Eve é plena, perfeita, uma amiga que eu adoraria ter por perto. Aidan é complicado, mas sincero, dedicado e capaz de sacrifícios até mesmo por quem mal conhece, sensual e exala testosterona na medida certa, é o cara que eu queria para mim (mais um personagem para o meu harém literário).
Apaixonante, estonteante, Ligeiramente maravilhoso!
Deixo vocês, esperando que curtam a postagem de hoje e que sua curiosidade tenha sido atiçada para conhecer mais sobre essa história fascinante!
Fiquem bem e Carpe Diem!

4 comentários:

  1. Tânia, também amei o livro... tô numa fase viciada em romances de época...rs. Bjs!

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    Respostas
    1. Eu também, Hellen!
      E o segundo também é incrível!
      Beijo

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  2. Que lindo seu blog, adorei o Layout.
    A resenha ficou super completa e perfeita, mas eu ainda não li Ligeiramente casados esta na minha lista de leituras prioritárias e pretendo lê-lo logo pois adoro romances Históricos. Pela sua e por outras resenhas que eu ja li parece ser um livro maravilhoso, estou ansiosa para constatar.
    Bjs Já estou Seguindo o blog,

    http://leiturasdamary.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Mary, que bom vê-la por aqui!
      Não tenha dúvidas, este é um livro incrível mesmo!
      Beijo

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