6 de março de 2015

Sexta Envenenada: Paixão ao Entardecer

Capitão Christopher Phelan

1º Batalhão da Brigada de Rifles

Cabo Mapan

Crimeia

Junho de 1855

Caríssimo Christopher,

Não posso mais escrever para você.
Não sou quem acha que sou.
Não tinha a intenção de enviar cartas de amor, mas foi isso que elas se
tornaram. No caminho até você, as palavras se transformaram nas batidas
do meu coração gravadas em papel.
Volte, por favor, volte para casa e descubra quem sou.

(sem assinatura)
Olá, Envenenados!

Estamos de volta com mais uma Sexta Envenenada nesse mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher.
Hoje trago para compartilhar com vocês o derradeiro livro da série Os Hathaways, Paixão ao Entardecer, da diva Lisa Kleypas, dos Romances de Época da Editora Arqueiro.
Se ficamos com depressão pós leitura quando encerramos um livro, o que dizer quando encerramos uma série? Multiplique por vezes infinitas quando cada um dos livros dessa série é espetacular.
Em Paixão ao Entardecer, finalmente conhecemos a história de Beatrix Hathaway, a irmã caçula de Leo, Amelia, Win e Poppy, e cunhada de Cam, Marripen, Catherine e Harry.
Sempre me perguntei como seria a história da mais excêntrica dos Hathaways.
Há séries em que alguns livros são mais marcantes que outros, há algumas em que há uma enorme expectativa sobre tal personagem e, às vezes, seu livro não atinge essas expectativas.
No caso de Os Hathaways todos os livros são surpreendentes. Lisa consegue fazer uma conexão maravilhosa entre todas as histórias, não permitindo que os personagens se percam, ainda que se tornem coadjuvantes.
Talvez por ser bem novinha quando a série começou, cheia de manias e muito “estranha”, do ponto de vista da sociedade da época, era difícil imaginar Beatrix vivendo ou sentindo uma paixão intensa.
Mas era de se esperar, talvez por seu caráter forte e sua intensa capacidade de cuidar dos necessitados em tantos sentidos, que ela, quando chegasse o momento de descobrir o amor, também o vivesse como se fosse a última coisa a fazer na vida.
“Mesmo sendo uma família nada tradicional, quase todos os irmãos Hathaways se casaram, até mesmo Leo, que era o mais avesso a essa ideia. Mas para a caçula Beatrix, parece não haver mais esperança. Dona de um espírito livre, apaixonada por animais e pela natureza, Beatrix se sente muito mais à vontade ao ar livre do que em salões de baile. E, embora já tenha frequentado as temporadas londrinas e até feito algum sucesso entre os rapazes, nunca foi seriamente corteja, tampouco se encantou por nenhum deles. Mas tudo isso pode mudar quando ela se oferece para ajudar uma amiga. A superficial Prudence recebe uma carta de seu pretendente, o capitão Christopher Phelan, que está na frente de batalha...”
Para Christopher Phelan, segundo filho na linha de sucessão, o mais importante era aproveitar a vida e poder expor sua aparência exuberante em Londres, onde obviamente fazia muito sucesso entre as damas; beber, dançar, jogar, comprar roupas elegantes e experimentar tórridos e escandalosos casos amorosos.
Arrogante, ele jamais imaginaria que sua vida mudaria radicalmente, principalmente depois de comprar sua patente de oficial do Exército. O que era esperado do segundo filho e a combinação perfeita com seu modo de encarar a vida, levou-o à guerra, ao distanciamento da família, dos amigos, enfim, de tudo o que amava, incluindo a mulher que ele acreditava ser perfeita para ele.
“Tudo começou com uma carta.
Para ser mais exato, com a menção a um cão.
– E o cachorro? – perguntou Beatrix Hathaway. – De quem é?
A amiga dela, Prudence, beldade suprema do condado de Hampshire, ergueu os olhos da carta que recebera de seu pretendente, o capitão Christopher Phelan.
Embora não fosse apropriado que um cavalheiro se correspondesse com uma moça solteira, eles haviam conseguido organizar a troca de cartas usando a cunhada de Phelan como intermediária.
Prudence fez uma careta zombeteira para a amiga.
– Sinceramente, Bea, você parece muito mais preocupada com um cachorro do que jamais esteve em relação ao capitão Phelan.
– O capitão Phelan não precisa da minha preocupação – disse Beatrix num tom prático. – Ele já conta com a atenção de todas as senhoritas casadouras de Hampshire. Além do mais, foi ele quem escolheu ir para a guerra, e estou certa de que está se divertindo por aí em seu uniforme elegante.
– Não tem nada de elegante – foi o comentário irritado de Prudence.(...)
– Leia você mesma.
– Mas Pru... – protestou Beatrix, quando as folhas pequenas e elegantes da carta foram enfiadas em suas mãos. – O capitão Phelan pode ter escrito algo pessoal.
– Que sorte a minha se isso fosse verdade! A carta é absolutamente deprimente. Não fala de nada além de batalhas e más notícias.
Embora Christopher Phelan fosse o último homem que Beatrix tivesse a intenção de defender, ela não conseguiu evitar o comentário:
– Ele está lutando na Crimeia, Pru. Creio que não haja muitas coisas agradáveis sobre as quais escrever em tempos de guerra.
...
– Tudo bem. Se você tem certeza de que não se importa de eu ver a carta do capitão Phelan, vou ler apenas a parte sobre o cachorro.
– Vai dormir muito antes de chegar ao cachorro – comentou Prudence, enfiando um grampo na trança com habilidade.
...
Cara Prudence,
Estou sentado nesta barraca empoeirada, tentando pensar em algo eloquente para escrever. Mas encontro-me num beco sem saída. Você merece lindas palavras, mas tudo o que me resta são estas: penso em você constantemente. Imagino esta carta em suas mãos e o aroma do perfume em seu pulso. Quero silêncio e ar puro, e uma cama com um travesseiro branco e macio...
... Dois dias atrás, em nossa marcha pela costa, em direção a Sebastopol, enfrentamos os russos no rio Alma. Disseram-me que foi uma vitória do nosso lado. Não me pareceu. Perdemos pelo menos dois terços dos oficiais do regimento e um quarto dos que não eram oficiais. Ontem, cavamos sepulturas. Fizeram a última contagem dos mortos e atualizaram a lista de baixas. São 360 britânicos mortos até agora... e o número continua a aumentar, à medida que mais soldados sucumbem aos ferimentos.
Guerra da Crimeia
Um dos que caíram, o capitão Brighton, trouxe um terrier de pelo duro, chamado Albert, que com certeza é o cão mais malcriado que já existiu. Depois que Brighton foi enterrado, o animal se sentou ao lado da sepultura e ganiu horas a fio, tentando morder qualquer um que se aproximasse. Cometi o erro de oferecer a ele um pedaço de biscoito e agora a criatura ignorante me segue por toda parte. Neste momento o cachorro está sentado na minha barraca, me encarando com olhos ensandecidos. Raramente para de ganir e, sempre que chego perto, tenta cravar os dentes no meu braço. Tenho vontade de dar um tiro nele, mas estou cansado de matar.
Famílias estão de luto pelas vidas que tirei. Filhos, irmãos, pais. Já consegui um lugar no inferno pelas coisas que fiz, e a guerra mal começou. Estou mudando, e não é para melhor. O homem que conheceu sefoi para sempre e temo que você não vá gostar nem um pouco daquele que ficou em seu lugar.
O cheiro da morte, Pru... está por toda parte.
O campo de batalha está cheio de corpos mutilados, de roupas, de solados de botas. Imagine uma explosão capaz de arrancar as solas dos seus sapatos. Dizem que, depois de uma batalha, as flores silvestres são mais abundantes na estação seguinte – o solo está tão revolvido e arrebentado que as novas sementes têm mais espaço para criar raízes. Quero me lamentar e sofrer, mas não há espaço para isso. Nem tempo. Tenho que deixar meus sentimentos de lado, em um canto qualquer.
Ainda há um lugar tranquilo no mundo? Por favor, escreva para mim. Conte-me um pouco sobre os seus bordados ou fale de sua música favorita. Está chovendo em Stony Cross? As folhas já começaram a mudar de cor?
Seu,
Christopher Phelan
Quando Beatrix terminou de ler, se deu conta de uma sensação peculiar, uma compaixão surpreendente comprimindo seu coração.”
Algo também mudara: a percepção que tinha do arrogante capitão a quem passara evitar, depois do comentário que este fez a um amigo sobre ela: “Aquela garota Hathaway é uma criatura estranha.” Quando o amigo protestou, dizendo considera-la encantadora e que tinha conhecimento suficiente para conversar sobre cavalos melhor que qualquer outra mulher, Phelon teria respondido: “Com certeza. Ela é mais adequada aos estábulos do que aos salões.”
Não era o mesmo homem.
Depois desta carta, ela não consegue mais deixar de pensar e se compadecer do pode cachorro, dos homens que estão em conflito corpo a corpo e, inegavelmente do Capitão Phelan... principalmente do Capitão Phelan.
Quando a superficial Prudence se nega terminantemente a responder a carta, Beatrix não consegue aceitar. Ele precisa de resposta, precisa de algo que lhe dê consolo. Assim, ambas concordam que Beatrix escreverá a carta, usando o nome de Prudence.
Mas o que seria apenas uma resposta, transforma-se em uma troca correspondência frequente entre ambos durante os vários meses que se seguiram.
Bea o ensinou a lidar com o cachorro, o ajudou a suportar os horrores da guerra que tão profundamente transformam os homens que se enfrentam dia após dia.
E o inevitável acontece: durante seus relatos, ambos se apaixonam.
Acha mesmo que tem um lugar no inferno?... Não acredito em inferno, ao menos não na vida após a morte. Acho que o inferno é criado pelo homem, aqui mesmo na Terra.
Você disse que o cavalheiro que conheci não é mais o mesmo. Como eu gostaria de lhe oferecer mais conforto do que apenas lhe dizer que, não importa quão mudado esteja, você será bem-vindo ao retornar. Faça o que for preciso. Se isto lhe ajudar a enfrentar o que tem pela frente, coloque suas emoções de lado por enquanto e tranque a porta. Talvez, um dia, possamos abrir juntos essa porta para as suas emoções.”
Mas ela não era a pessoa para quem ele acreditava estar enviando suas notícias e emoções, aquilo era uma farsa, da qual ela não sabia como escapar, mas precisava.
E quando, por fim, a guerra acaba, o Capitão Christopher pode retornar à Inglaterra. Finalmente poderia encontrar a pessoa que fez com que ele resistisse, que lhe deu razões para sobreviver. Enfim, poderia encontrar Prudence e entender sua última carta, na qual ela dizia que não lhe escreveria mais e que não era quem ele pensava.
É desse tipo de história que gosto, com muitas peças para serem encaixadas, em que os personagens evoluem diante dos nossos olhos. Eles vão amadurecendo e ganhando uma força que não estava ali, nos seduzindo a cada parágrafo.
Apesar da arrogância inicial, Christopher vai mostrar que é capaz de amar intensamente, de grandes atitudes e renúncias. Mas ainda existirão os fantasmas de guerra que os desafiarão e viver plenamente seu amor, que poderão separá-los definitivamente.
Lisa Kleypas fecha com caneta de ouro esta série que me faz ser uma repetitiva sem-vergonha: é maravilhosa, sedutora, intensa, divertida, emocionante, excitante, arrebatadora.
Mesmo encerrando Os Hathaways ela não nos priva das gracinhas de Cam, Kev e Leo, graças aos deuses da literatura. Nos brinda com um romance puro e conturbado ao mesmo tempo, graças à espontaneidade de Beatrix e à experiência do Capitão Phelan.
Ler Paixão ao Entardecer é pagar mico, se estivermos lendo em público, pois nos faz rir “sozinhos”, nos excita, enfim, nos causa as várias emoções que os personagens grandiosos, de uma história incrível de uma autora DIVA, são capazes de nos provocar.
Por isso, mais uma vez, quero agradecer à autora Lisa Kleypas e à editora Arqueiro por tornarem possível a leitura de um livro, de uma série tão bem escrita e editada. E, repito, todos os livros da série, são magníficos, inesquecíveis! Também é a série cujas capas são tão deslumbrantes quanto suas histórias, simplesmente lindas.
Fico por aqui, desejando a todos uma sexta maravilhosa e que a Arqueiro continue nos trazendo essas autoras maravilhosas para o nosso deleite!
Fiquem bem e Carpe Diem!

4 comentários:

  1. a arqueiro sempre arrasa, seus romances históricos são tops demais! quero ver se compro mais alguns em breve
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Tem razão, Thaila!
      A Arqueiro arrasa na escolha das autoras, livros e capas!
      Obrigada pela presença!
      Beijo

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  2. Ahhh Tânia .... é a minha próxima leitura .. estou protelando a despedida amo demais essa família e estou aqui chorando com sua resenha e pensando em todas as histórias da Lisa que lemos até agora.... Muito amorrrr !!!!!! Obrigada .. Bjks

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    Respostas
    1. Eu é que te agradeço, Nandinha, por nos prestigiar com sua presença!
      Esta é uma série inesquecível mesmo, para termos sempre a mão, pois personagens como estes não dá para encontrar sempre por aí!
      Lisa é DIVA mesmo!
      Adorei te ver por aqui!
      Obrigada, querida!

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