12 de fevereiro de 2015

Papo Envenenado: Contra x A favor


Sobre eterna polêmica do aborto...
Aos 15 anos eu tinha uma opinião e, por incrível que pareça, ela não mudou muito.
Eu estava no primeiro ano do curso Normal, o que equivale ao Ensino Médio atualmente, nos idos de 1980, e uma amiga, mais velha e muito mais experiente que eu (ela já tinha tentado concluir o curso várias vezes), me confidenciou que estava grávida do namorado (não lembro direito se ela já tinha 18 anos). Ela estava muito angustiada e não fazia ideia do que fazer. Alguns dias depois, ela chegou para mim, na sala de aula, e disse que resolvera fazer o aborto.
Acontece que ela me contou isso na frente de outra colega, que ficou indignada e falou horrores da situação, coisa normal na juventude: somos donos da razão, tudo e todos estão errados, nada de errado acontece conosco e temos a falsa impressão de imortalidade.
O que eu disse?
“Quem sou eu para julgar? Não vivo a situação dela e só o que posso fazer é não criticar, estar ao seu lado, nem que seja só pelo ombro para confortá-la. Quem sabe ou saberá melhor que ela mesma as consequências dos próprios atos?”
Nem eu acredito que tinha essa maturidade com essa idade.
Minha opinião hoje?
Não sou contra nem a favor, muito pelo contrário. Cada um deve analisar sua própria vida e, com base nas conclusões, tomar suas próprias decisões.
O que falta???
 Educação, sempre... Quando uma mulher madura se vê nesse tipo de situação, acredito que seja algo desesperador: ter que tomar uma decisão assim. E os motivos são inúmeros... mas o direito de escolha deve ser de quem? Meu? Dos vizinhos? Dos familiares? De um juiz? De radicais religiosos?
É muito fácil dizer: existem meios para prevenção... caraca, claro que existem, mas, e daí? O que dizer em casos de estupro, em casos em que uma criança é molestada?
Não sei, acho muito radical tanto ser contra quanto a favor de qualquer coisa, principalmente neste caso, quando muitas são as opiniões, os dogmas...
Mas e quando se trata de menores de idade???? Essa garotada não pensa nas consequências e muitos não sofrem as consequências de seus atos. Sou de um tempo, que não é tanto assim, em que éramos obrigados por uma instituição chamada família, a assumirmos as consequências de nossas atitudes. Se a guria engravidava, parava de estudar para cuidar do filho. Hoje, a maioria já não dá a mínima para os estudos mesmo... cuidar de filhos????
Num país extremamente hipócrita como o nosso, fica complicado até dar opinião.
O Estado proíbe o aborto, mas estimula a reprodução de uma população carente de tudo, ainda mais quando financia a pobreza: é bolsa-isso, bolsa-aquilo. Cuidar da educação e da saúde que é o mais necessário ele não cuida.
E a mídia serve de alcoviteira, com seus BBBs em que o sexo é banalizado o tempo todo. Quando diz para nossos jovens que eles devem ser magros, bonitos, populares e sensuais e iniciar sua vida sexual o mais cedo possível. Basta assistir à programação atual das redes de TV, ouvir certos estilos musicais que só falam de sexo – quanto mais baixaria, melhor.
Depois disso vão para as redes sociais para lançar campanhas contra o uso de drogas, contra o aborto, colocam mensagens de amizade, harmonia, e todo esse blá-blá-blá pra lá de demagógico.
Quem sabe se a campanha mais eficaz não seria a educação dessa gente toda. Mas como sempre, bem característico do povo desse país, só se pensa nisso depois. Como com a situação atual da água... há anos existem previsões sobre isso, mas o que foi feito para evitá-la?
Mas não quero fugir do assunto.
Sou mesmo a favor da vida. Mas de uma vida digna, na qual as pessoas possam ter seus filhos e ter condições de criá-los, educá-los, protegê-los. Sou a favor desta vida, em que possamos suprir as necessidades sem esmolas federais, a guisa de benefício, que só servem para “mascarar” a real situação da população.
Conheço pessoas que passaram pelo trauma de um aborto. Não as julguei na época e nem o faço agora. Conheço seus motivos e presenciei seu conflito, sua dor. E tenho certeza de que,  para elas, esta, por si só, já é uma pena dura e perpétua para suportar – a culpa.
Outra questão relacionada a isso é a dificuldade que muitas mulheres têm para realizar uma laqueadura de trompas. Não somos donas do nosso próprio corpo, não se você não puder pagar. Os legisladores e os sancionadores é que determinam se temos o direito de optar por ter ou não filhos.
Vale aqui a leitura de uma entrevista que o Dr. Dráuzio Varela fez com a Dra. Tânia di Giacomo do Lago – médica sanitarista, sobre o tema e que está disponível em seu site. Visite o link de Laqueadura.
Enfim, tudo o que puder ser feito para dificultar obviamente será aplicado.
Acredito que quando resolverem rever nossa atual legislação, sem a babaquice hipócrita de proteção à vida, muitas conquistas serão alcançadas.
E entendam: quando falo de babaquice hipócrita de proteção à vida, não estou levantando bandeira a favor do aborto. O que estou dizendo é que eles fingem que se importam com quem ainda não nasceu, mas ignoram quem já está aí, precisando de escolas, de hospitais, de bons professores, de segurança, enfim, das mínimas condições para uma VIDA digna.

2 comentários:

  1. Oi Tânia
    Assunto polêmico. De certa forma, penso como você e acredito que a culpa que a pessoa carregará já é o bastante, mas por outro lado acredito que todos tenham direito a vida. A meu ver, aborto chega a ser pior do que dar um tiro em alguém. Quando você aponta uma arma pra alguém, essa pessoa tem a chance de fugir ou de pelo menos implorar pela vida. E o pobre bebê? Têm chance? Nenhuma! Sei que hoje é complicado pensar em vida digna, porém penso que somos capazes de lutar, basta termos essa oportunidade. Todos somos capazes intelectualmente de melhorar nossa própria vida e a de outras pessoas.
    Conheço pessoas que já abortaram, todas menores de idade que engravidaram porque "não curte camisinha". Na boa? Tem muito mais do que camisinha. Tirando casos de estupro, hoje em dia só engravida quem quer. Eu estou grávida de 34 semanas. Era uma gravidez a muito desejada por mim, apenas não planejada para agora, mas eu também não estava mais me prevenindo porque no fundo eu não queria planejar nada, queria tentar o meu milagre, mesmo que não estivesse realmente tentando hehe.
    Concluindo então, acho que sou meio como você, nem contra nem a favor. Cada um é cada um. Eu não apoio, mas também não crucificarei ninguém que cometer tal ato.
    Beijos

    Vidas em Preto e Branco 

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    Respostas
    1. Lary, querida!
      Que delícia de comentário, e que felicidade de notícia! Parabéns pelo seu milagre! Toda vida deve ser comemorada.
      É realmente muito polêmico, foi difícil até resolver se o publicava ou não. Mas tenho visto muitas manifestações de tantas pessoas que "conheço" e que na verdade não são tão sinceras assim... que precisei me manifestar.
      É preciso um pouco de coragem para se falar honestamente sobre isso.
      Saúde, paz e muita alegria pra você, seu milagre e sua família!
      Beijo

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