14 de novembro de 2014

Sexta Envenenada: Um Amor de Cinema

Now I've had the time of my life
No, I've never felt like this before
Yes I swear it's the truth
And I owe it all to you
'Cause I've had the time of my life
And I owe it all to you
I've been waiting for so long
Now I've finally found someone
To stand by me
We saw the writing on the wall
As we felt this magical fantasy
Now with passion in our eyes
There's no way we could diguise it secretly
So we take each others hand
'Cause we seem to understand the urgency
Just remember
...

Olá, Envenenados!

Como sinto falta de poder estar aqui mais vezes. Juro que venho tentando voltar mais vezes; entre uma avaliação e outra, um evento e outro, busco maneiras de por a leitura em dia para poder compartilhar seus efeitos em mim.
O último título que tive a sorte de conferir foi Um Amor de Cinema, lançado pela Verus, da Victoria Van Tiem.
“Neste irresistível romance, Kenzi Shaw, uma designer fanática por filmes, é lançada nas águas turbulentas do amor — ao estilo de Hollywood — quando seu lindo ex-namorado lhe propõe uma série de desafios relacionados a comédias românticas para reconquistar seu coração.

Que garota não gostaria de vivenciar a cena das compras de Uma linda mulher? É o desafio número dois da lista. Ou tentar fazer os passos de dança de Dirty dancing? É o número cinco. Uma lista, dez momentos românticos de filmes e várias aventuras depois, Kenzi se pergunta: ela deve se casar com o homem que sua família adora ou arriscar tudo por um amor de cinema?”
Victoria conseguiu criar uma história bastante envolvente; ao mesmo tempo real e fantástica.
Esta é uma excelente pedida para os românticos de plantão, pois trata amor, conflitos familiares e profissionais, bem como as traições a que somos sujeitos, de vez em quando, salpicados por citações de alguns dos melhores filmes de comédia romântica da atualidade. Sem contar que é uma obras bastante contemporânea, pois usa e abusa da famosa rede social Facebook.
Kensington Shaw é aquela típica americana prestes a completar 30 anos, que apesar de ter um distúrbio nas glândulas lacrimais, conseguiu conquistar minha admiração. E apesar de termos muitos, muitos pontos divergentes, me identifiquei com ela em muitos momentos.
Ela sonha em se casar e ter filhos, constituir uma família – nunca fiz esses planos -, bem como ser um orgulho para as pessoas que ama – já sofri horrores por isso.
Desde sempre, Kenzi, como quase todos a chamam, nunca se sentiu boa o suficiente para sua família. Nunca teve seu grande momento e, não é que ela goste de se fazer de vítima, não. Na verdade, outras pessoas já notaram como sua mãe, por exemplo, nunca parece entusiasmada com nada que se refira a ela.
“Quando eu tinha nove anos, demiti minha mãe. Simplesmente escrevi ‘Você está demitida’, em letras vermelhas e brilhantes. Também desenhei uma margarida sorridente e um sapo.
Tudo bem, a flor estava demitindo o sapo, e as palavras foram escritas em um balão de quadrinhos sobre a cabeça dela. Mas, olhando com atenção, você veria o colar favorito de mamãe no pescoço do sapo.
Aquela foi minha estreia na sátira.
Infelizmente, não chamou a atenção de minha mãe. Ela jogou o desenho na gaveta da cozinha, com todos os outros: o pinguim que copiei de uma foto, o gato a que dediquei dias para conseguir fazer direito, até a borboleta com a anotação, na caligrafia da minha professora de arte: ‘Maravilhoso, que talento!’
Hoje, porém, não tenho de me preocupar com a atenção de minha mãe. O anel de diamante em minha mão praticamente garante isso. Bradley é um partidão. Loiro, forte e refinado, e quer se casar comigo. Serei a sra. Kensington Connors. Tremo por dentro só de pensar nisso.
Então, por que estou tão nervosa? Bradley me surpreende admirando o anel, sorri para mim de um jeito reconfortante e segura minha mão quando abre a porta da frente. Ele sabe como fico ansiosa perto de minha família e como estou animada para finalmente mostrar a eles o anel e começar a planejar o casamento.
Vamos para a cozinha, onde minha mãe e Ren estão cozinhando. O aroma de coisas muito doces invade de maneira intensa meu olfato. Tento ignorar o sentimento incômodo e familiar. Em vez de uma mulher de vinte e nove anos, sou outra vez uma menina de treze, desesperada pela aprovação delas.”
Há pessoas, e conheço muitas, que não fazem ideia do que é precisar ser aceito, quase que 100% de sua vida, principalmente por aqueles de deveriam, pela ordem natural das coisas, nos aceitar e amar incondicionalmente, respeitando nossos limites e ajudando a melhorar nossas falhas.
Muitas vezes, é nos amigos que encontramos esse conforto, e por isso mesmo, sofremos ainda mais de “ostracismo” familiar.
Quando mais maduros conseguimos entender, às vezes, e superar, nem sempre, esta exclusão, afinal parentesco não vem acompanhado por um contrato de amor eterno.
Mas as consequências disso são muito dolorosas, sobretudo se você é adolescente e tem irmãos, que têm um tratamento diferencia.
Enfim, é assim que nossa heroína de hoje se sente em relação à sua família. E não será no dia em que oficializa seu noivado para sua família, que as coisas mudarão.
Ela continua a ter seu momento de glória usurpado. Desta vez, pela cunhada, que anuncia que está grávida. Assim, Kenzi vê os holofotes totalmente voltados para Ren.
Vida que segue, ela se foca em seu desejo de constituir família com Bradley e em seu trabalho na agência de publicidade em que ambos trabalham.
A nova campanha, promete! Mas ela descobre que a empresa passa por dificuldades financeiras e haverá cortes... incluindo seu cargo, que será salvo apenas se ela conseguir este novo cliente.
Mais um ponto negativo no jogo de sua vida. Como ela poderá realizar o casamento de seus sonhos, sem seu emprego???
Para completar o cenário, ao entrar no Facebook ela percebe duas solicitações de amizade, sendo que uma era completamente improvável: seu ex-namorado Shane Bennett a procura após 7 anos de rompimento.
“Suspirando, pego o celular e clico no aplicativo do Facebook. Estou sempre espiando o telefone para ver o que as pessoas postam. Depois, comparo tudo o que vejo com as coisas que estou fazendo, ou não, e isso me faz pensar no que eu deveria estar fazendo. A questão é que... acabo não fazendo nada diferente. Só perco horas da minha vida fazendo isso.
Como só havíamos informado nossas famílias sobre o noivado por telefone, esperei até hoje para anunciar a novidade oficialmente no Facebook. E a espera está me matando. Duas novas solicitações de amizade. Clico no ícone e aceito a primeira, uma garota que conheço da academia. Congelo ao ver a segunda solicitação. Não creio. Aproximo o telefone dos olhos, encarando a foto pequenina. Meu peito fica apertado. Não pode ser. Ai, meu Deus. É.
É Shane.
Shane Bennett.
O mesmo Shane Bennett que partiu meu coração depois de quatro anos juntos. E agora ele quer ser meu amigo?
Sério?
A emoção desabrocha em meu peito. Nada de lágrimas, porém. Derramei lágrimas por ele às centenas, talvez aos milhares. O que sinto agora é só um eco da dor que surge cada vez que tropeço em alguma lembrança dele. Sombras daquela que senti um dia.
Ele se mudou da Inglaterra para o Meio-Oeste dos Estados Unidos, veio morar com os avós e cursar o ensino médio, e ficou para fazer faculdade. Foi lá que nos conhecemos. Não lembro por quê, mas começamos a conversar e nunca mais paramos. Estávamos sempre juntos. Ele era todo atitude e cabelo bagunçado. Eu adorava o cabelo dele. Foi meu primeiro amor de verdade.
Meu primeiro sofrimento de verdade. Meu primeiro tudo de verdade.
O que dele quer?
Apesar de, a princípio, seu noivo Bradley ser apresentado como o cara perfeito, o príncipe encantado que muitas mulheres almejam, e Shane como o cretino irresistível, destruidor de corações, Victoria vai contando a história desses três de uma maneira tão única, que não há como não nos apaixonarmos por Shane.
Ela acaba aceitando a solicitação de amizade, só para mostrar para ele como está bem. Batem papo por alguns minutos e ela se despede dizendo que tem uma reunião.
Acontece que a reunião para que sua equipe conheça o dono do restaurante para o qual farão a publicidade torna-se palco de mais emoções bizarras.
Agora sua vida vai virar de ponta-cabeça, mas não entrarei em mais detalhes. Só saibam que, realmente, Shane é uma mistura de todos os personagens masculinos dos filmes que estão na lista de filmes que ele lhe propõe que revivam.
E, como todos esses personagens, ele arrasa quarteirões inteiros cheios de mulheres românticas e sonhadoras. Sério. Ele conseguiu isso de mim, a ogra de plantão.
Por que ser hipócrita e não confessar que idealizei ser a Vivian de uma Linda Mulher, durante quase toda a minha adolescência?
Assisti a Dirty Dancing: ritmo quente incontáveis vezes, mesmo hoje, quarentona e sabendo que o lindo do Patrick Swayze já não está fisicamente entre nós, ainda me excito com os quadris do Johnny requebrando, e sua respiração irregular quando está com a Baby!
Só para terem uma ideia do poder de Shane, vou divulgar a lista de filmes, que ele escolheu por serem filmes que eles assistiram juntos e, como prova de quão forte era sua relação, ambos sabem todas as falas de todos os personagens. Isso pode ser real, minha gente? Se for, preciso reavaliar a minha maneira de pensar sobre o amor e o romantismo. A lista é a seguinte:
1. Sintonia de amor
2. Uma linda mulher
3. O diário de Bridget Jones
4. Vestida para casar
5. Dirty Dancing: ritmo quente
6. Gatinhas e Gatões
7. Simplesmente amor
8. Digam o que quiserem
9. Mensagem para você
10. O casamento do meu melhor amigo
Por essas e outras razões, ao lado de Kenzi, Shane é o absinto do dia.
Um Amor de Cinema é uma leitura gostosa, que emociona, envolve e traz um pouco de pureza ao dia a dia, apesar das situações nada tranquilas pelas quais a protagonista passa.
Algo que despertou a minha atenção, além da delícia do protagonista, foi o olhar da autora sobre as personagens do filme e de seu livro: todas são sonhadoras, ingênuas e, de certa forma, puras, mas todas são capazes de dar a volta por cima, mesmo que o galã não desse um empurrãozinho. Gosto disso, de personagens fortes.
Confiram também esse amor de livro, depois venham nos contar o que acharam.
Fico por aqui, desejando a todos uma sexta maravilhosa.
Fiquem bem e Carpe Diem!

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