5 de setembro de 2014

Sexta Envenenada: Outlander – A Viajante do Tempo - parte 2

“Se tiver que ser em alguma hora, é melhor que seja agora, pensei, e
deliberadamente deslizei as mãos pelas suas coxas, rígidas e esbeltas sob o kilt.
Embora a essa altura eu já soubesse muito bem o que a maioria dos escoceses
usava por baixo dos kilts - nada - ainda assim era um choque encontrar apenas Jamie.”

Olá, Envenenados!

Como prometido na semana passada, estou de volta com Outlander – A Viajante do Tempo.
Há tanto o que dizer sobre esta obra, que transborda o limite de apenas uma postagem.
Anteriormente (http://asenvenenadaspelamaca.blogspot.com.br/2014/08/sexta-envenenada-outlander-viajante-do.html), falei mais sobre a protagonista Claire Randall, que é levada por forças misteriosas e míticas a uma viagem no tempo, nas Terras Altas escocesas.
Eu literalmente estou vestindo a camisa de Outlander – A Viajante do Tempo, da Diana Gabaldon da Saída de Emergência.
Melhor dizendo, vestindo a camisa de Jamie Fraser, o absinto de hoje.
Se, na semana passada foque na Claire, até porque é ela quem narra a história, hoje falo sobre esse jovem bem diferente da maioria dos protagonistas masculinos na atualidade.
Jamie não é um playboy bilionário, cheio de traumas que usa para descontar no mundo. Não.
Tudo bem que ele realmente é lindo, mas quando isso foi problema? É jovem – ótimo, adoro células novas – e muito atraente – isso lá é defeito?
Mas faz parte de uma época e lugar em que gentileza era algo raro até mesmo para a maioria das mulheres.
Quando conhece Claire, ele está com o grupo de seu tio Dougal Mackenzie, bastante ferido e não pode ser deixado para trás, mas também não tem condições de montar a cavalo.
Quando percebe que estão prestes e destruir totalmente seu braço, que está assustadoramente deslocado, Claire assume os cuidados desse jovem desconhecido e é levada com o grupo para o Castelo de Leoch, onde Colum, o outro tio de Jamie, irmão de Dougal é senhor.
Como eu disse, Diana Gabaldon concedeu uma pureza impressionante a Jamie, ao mesmo tempo em que o apresenta como um homem de coragem e lealdade irretocáveis. Ele enfrenta seus fantasmas também, tem seus segredos também, mas busca a sinceridade acima de tudo.
Depois de ter sua propriedade invadida pelos ingleses, que buscavam “impostos”, ele os enfrenta bravamente, mas se vê totalmente indefeso quando o líder do grupo, Jonathan Wolverton Randall – que vem a ser o antepassado do marido de Claire – usa sua irmã como refém.
Desafiado e hum
ilhado, Jamie é açoitado diante da irmã que, ao vê-lo ameaçado de morte, sede aos caprichos de Black Jack Randall.  Depois de tudo Randall leva Jamie como prisioneiro.
Com o destino incerto, Jamie tenta fugir da prisão, é pego e açoitado novamente.
Ainda não satisfeito, Randall programa um novo castigo físico para daí alguns dias.
E é nesse estado que Claire vê as costas de Jamie, quando vai trocar suas ataduras, já no Castelo de Leoch.
“— Se estava tão ansioso para se livrar das ataduras, por que não deixou que eu as tirasse para você ontem à tarde? — Seu comportamento no campo me intrigara na ocasião e mais ainda agora que podia ver as áreas de pele avermelhada onde as pontas ásperas das ataduras de linho roçaram tanto sua pele que quase a deixaram em carne viva. Levantei o curativo cautelosamente, mas tudo estava bem.
Ele me olhou de viés, depois abaixou os olhos um pouco timidamente.
Bem, é que... ah, é que eu não queria tirar minha camisa diante de Alec.
É recatado, não? — perguntei secamente, fazendo com que erguesse o braço para testar a extensão da junta. Ele piscou rapidamente com o movimento, mas sorriu diante da minha observação.
— Se eu fosse, não estaria aqui sentado quase nu no seu quarto, não é? Não. São as marcas nas minhas costas. - Vendo minhas sobrancelhas erguidas, continuou com a explicação. — Alec sabe quem eu sou, quero dizer, ouviu dizer que fui chicoteado, mas ele não viu. E saber algo assim não é o mesmo que ver com seus próprios olhos. — Apalpou o ombro machucado, desviando os olhos. Franziu a testa, fitando o chão. — É que... talvez você não compreenda o que quero dizer. Mas quando você sabe que um homem sofreu algum mal, trata-se apenas de uma das coisas que sabe a respeito dele e não faz muita diferença na maneira com que você o vê. Alec sabe que fui açoitado, como sabe que tenho cabelos ruivos, e isso não faz diferença na maneira como ele me trata. — Ergueu os olhos, buscando algum sinal de compreensão em meu rosto.
— Mas quando você realmente vê, é como - hesitou, buscando as palavras —, é um pouco... pessoal, talvez, é o que quero dizer. Eu acho... se ele visse as cicatrizes, ele não conseguiria mais me ver sem pensar nas minhas costas. E eu veria que ele estava pensando nisso, o que me faria lembrar e... - interrompeu-se, encolhendo os ombros. Bem. É uma explicação bem ruim, não? Acho que sou muito suscetível a esse respeito, de qualquer modo. Afinal, eu mesmo não posso ver minhas costas; talvez não seja tão ruim quanto eu imagino.
Eu já vira homens feridos andando de muletas na rua e as pessoas desviarem o olhar ao passar por eles e achei que absolutamente não era uma explicação ruim.
Não se importa que eu veja suas costas?
Não, não me importo. - Pareceu ligeiramente surpreso e parou por um instante para pensar naquilo. Acho que... é que você tem um jeito de me dizer que sente muito, sem me fazer sentir pena de mim mesmo.
...
Claire e Jamie - cena de Outlander, que estreou em agosto.
Jamie também tinha razão. Vendo aquele dilaceramento gratuito, não podia evitar uma imagem mental do processo que o causara. Tentei não imaginar os braços musculosos erguidos, estirados e amarrados, as cordas cortando os pulsos, a cabeça pressionada com força contra o poste, em agonia, mas as marcas traziam essas imagens prontamente à imaginação. Teria ele gritado? Afastei apressadamente a ideia. Eu ouvira as histórias sobre a Alemanha do pós-guerra, é claro, soubera de atrocidades muito piores do que esta, mas ele tinha razão; saber não é o mesmo que ver.
[...]”
Jamie é um homem simples e franco, que tem um olhar também simples e objetivo sobre a vida e as pessoas. Por outro lado, nem a vida nem as pessoas foram simples e objetivas com ele. E pela primeira vez em sua vida, ele tem alguém que pode ser assim com ele, pelos menos até onde ele saiba.
Obviamente, Claire, ainda que não possa revelar sua verdadeira história, acaba se afeiçoando a este rapaz tão querido. Mas não se enganem, pois nem ela também se enganou: não se trata de um romance instantâneo. A história deles é ao mesmo tempo simples e complicada.
Para salvar a pele de Claire das garras de Randall, ela é obrigada a se casar com Jamie. E tudo acontece, como já disse de maneira tão movimentada que nem dá para acreditar.
No meio dessa confusão ela descobre que ele é virgem – que lindo! E isso renderá muitas risadas – de ambos e de nós – e muitos momentos quentes desse casal.
“Diga-me se eu estiver sendo muito rude ou diga-me para parar, se quiser. A qualquer momento, até estarmos unidos; não acho que consiga parar depois disso.
Em resposta, passei meus braços pelo seu pescoço e o puxei para cima de mim. Guiei-o para a fenda escorregadia entre minhas pernas.
Deus do Céu - disse James Fraser, que nunca usava o santo nome de Deus em vão.
Não pare agora - eu disse.”
Lembrando que eles foram obrigados a isso e que havia, fora do quarto do casal, um grupo de escoceses grosseirões e de kilt também, bebendo tudo o que podiam e não podiam, esperando ansiosamente pela consumação do casamento. Esse grupo, graças aos deuses, também rende excelentes momentos nessa obra “maravilinda” da Diana Gabaldon, que é uma impressionante contadora de histórias, haja vista a quantidade de páginas deste que é apenas o primeiro volume da série.
Caitriona Balfe e Sam Heughan
A história é tão fantástica que finalmente, após mais de 20 anos da primeira edição, vira uma série de TV com um elenco e produção também fantásticos. Todos os atores, todas as instalações parecem ter saído diretamente das páginas de Gabaldon.

Também é claro que a história de Outlander vai muito além da cama do casal, mas os momentos dos dois são um refresco para a situação difícil que cada um precisa resolver. Não esqueçamos que Claire precisa voltar ao seu tempo real, que ela não deixou de amar Frank, que é um bom marido também. Mas quando lemos algumas passagens, podemos compreender porque ela se vê perdida não apenas no passado, mas entre escolhas difíceis de serem feitas.
“Muito mais tarde, quando estávamos quase adormecendo, senti o braço de Jamie em volta da minha cintura e seu hálito morno no meu pescoço.
Isso nunca pára? O desejo de ter você? - Sua mão acariciou meu seio. — Mesmo quando acabo de sair de você, eu a desejo tanto que sinto um aperto no peito e meus dedos doem querendo tocá-la outra vez.
Segurou meu rosto no escuro, com as duas mãos, os polegares acariciando os arcos das minhas sobrancelhas.
Quando a seguro com as duas mãos e a sinto tremer assim, esperando que eu a possua... Meu Deus, quero lhe dar prazer até você gritar sob mim e abrir-se para mim. E quando tiro de você meu próprio prazer, sinto como se tivesse lhe dado minha alma junto com meu corpo.
Rolou para cima de mim e abri minhas pernas, contraindo-me ligeiramente quando ele me penetrou. Ele riu baixinho.
Eu também estou um pouco dolorido. Quer que eu pare? — Envolvi seus quadris com minhas pernas em resposta e o puxei para mais junto de mim.
Você gostaria de parar? - perguntei.
Não. Não posso.
Rimos e nos balançamos juntos, devagar, os lábios e os dedos explorando no escuro.
Entendo por que a Igreja diz que é um sacramento - Jamie disse sonhadoramente.
Isto? — perguntei, espantada. - Por quê?
Ou ao menos sagrado - ele disse. — Sinto-me como o próprio quando estou com você.
Ri com tanta força que ele quase saiu de mim. Parou e segurou meus ombros, prendendo-me na cama.
O que é tão engraçado?
É difícil imaginar Deus fazendo isso. Jamie retomou seus movimentos.
Bem, se Deus fez o homem à Sua imagem, devo supor que Ele tenha um pênis. - Começou a rir também, perdendo o ritmo outra vez. –  Embora você não me lembre muito a Virgem Maria, Sassenach.
Sacolejamo-nos nos braços um do outro, rindo até nos soltarmos e rolarmos cada qual para um lado.
Recompondo-se, Jamie deu um tapinha no meu quadril.
Fique de joelhos, Sassenach.
Por quê?
Se não vai me deixar ser espiritual a respeito disso, vai ter que aturar meus instintos mais básicos. Vou ser um animal. — Mordeu meu pescoço. - Quer que eu seja um cavalo, um urso ou um cachorro?”
Se eu disser para vocês que ainda há muito mais para ser dito sobre Outlander, tenham certeza, não estarei mentindo. Mas me contento em dizer que é uma leitura extraordinária, que nos envolve e nos transporta no tempo também. Tanto no tempo em que Claire viveu, no século XX, quanto no tempo de Jamie, mas também a um bom tempo em que se faziam bons livros, em que as boas histórias era muito valorizadas e a criatividade e curiosidade alavancavam o trabalho do autor.

Eu fico por aqui, suspirando por um dia a dia, pelo menos, um pouco parecido com o de Claire, desejando que as pessoas tenham a terça parte do caráter de alguns personagens dessa obra e que os jovens se inspirem  com a história. Estou enamorada por Jamie e companhia! Aguardando-o sonhadoramente.

Fiquem bem e Carpe Diem.

5 comentários:

  1. Oi, querida!! Que saudades! Não resisti, depois de ver as fotos da tua postagem no face, e vim verificar de perto. Não conhecia essa história e fiquei muito curiosa para ver o filme. Em que canal está passando? Estive meio afastada por um tempo, mas agora pretendo voltar aos poucos. Foi uma delícia ver que continuas postando essas dicas maravilhosas. Muitos beijos!!

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    1. Rosane, minha querida amiga!
      Que felicidade poder ver você por aqui. Espero que estejas melhor, embora saiba que só o tempo para amenizar nossas reações nas adversidades.
      Outlander está sendo transmitida em formato de série, mas infelizmente ainda não chegou por aqui. Mas o livro é um arraso e é a nossa cara.
      Obrigada pelo presente da sua presença, minha amada!
      Beijo

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  2. Queridíssima... há tempos sumida, mas sempre que posso dou uma passadinha por aqui! Hoje resolvi me manifestar uma vez que está falando desta maravilhosa obra... um espetáculo! Li apenas o primeiro livro e estou no segundo... e estou acompanhando a série ! suas palavras aqui foram perfeitas, como sempre!
    Beijo grande com carinho <3

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    1. Oi, Cassinha, querida!
      Saudades de você por aqui. Mas sei que o corre-corre não nos permite curtir nossos mais amados passatempos.
      Também acompanho a série, esses atores escalados são incrivelmente semelhantes às descrições que a autora faz nos livros.
      Obrigada por comentar e espero que curta o segundo tanto quanto eu!

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  3. ESTOU VENDO OUTLANDER, ESTOU NO 8* EPISÓDIO.estou amando. Esta estória atiçou minha curiosidade . estive em Invernees, nas Highlands, norte da Esócia , gostei de tudo que vi.

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