12 de setembro de 2014

Sexta Envenenada: Os Segredos de Colin Bridgerton da @EditoraArqueiro

“Eu procuro um amor que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver
E as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema,
Numa esquina
Ou numa mesa de bar. 
Procuro um amor que seja bom pra mim

Vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem
Pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos
Eu procuro um amor, uma razão para viver
E as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar
Mas eu disfarço e não saio sem ela de lá.”
Segredos - Frejat


Olá, Envenenados!

Estamos de volta!
Ufa! Estas semanas foram muito produtivas para mim.
Fui agraciada e incumbida de ler o último lançamento dos Romances de Época da Editora Arqueiro: Os Segredos e Colin Bridgerton, quarto livro da série Os Bridgertons da Julia Quinn, para poder compartilhar minhas impressões sobre a obra com vocês.
Um dois mais esperados dos Bridgertons, Colin é o terceiro irmão de uma ninhada de oito e, como os três primeiros que já tiveram suas histórias contadas, Daphne, Anthony e Benedict, ele é muito especial. Mas em seu caso, especial de diversas maneiras. 
Ele teve presença marcante nos três primeiros livros, pois a autora fez questão de mostrar sua personalidade irreverente e carinhosa, fazendo com que seu livro gerasse grande expectativa entre os leitores, ainda mais com um título tão instigante.
Em sua primeira aparição durante um dos bailes de temporada (à caça de pretendentes), já em O Duque e Eu, que conta a história de sua irmã Daphne, ele mostra ser um popstar entre os irmãos e a sociedade londrina, além de seu humor fresco.
“Daphne já podia ver cabeças se virando na direção deles. Mães ambiciosas cutucavam as filhas e apontavam para os dois irmãos Bridgertons, sozinhos e sem companhia além da irmã.
– Eu sabia que deveria ter ido ao toalete – sussurrou Daphne.
– O que é esse pedaço de papel na sua mão, Daff? – perguntou Benedict.
Sem pensar direito, ela lhe entregou a lista das aspirantes a noives de Anthony.
Depois dos risos altos de Benedict, Anthony cruzou os braços e falou:
– Tente não se divertir muito às minhas custas. Imagino que você receberá uma na semana que vem.
– Sem dúvida – concordou Benedict. – É de espantar que Colin... – Arregalou os olhos. – Colin!
Mais um irmão Bridgerton se juntou ao grupo.
– Ah, Colin! – exclamou Daphne, jogando os braços ao redor do irmão. – Quem bom ver você!
– Perceba que nós não recebemos uma saudação tão entusiasmada – disse Anthony a Benedict.
– Vocês eu vejo o tempo todo – retrucou Daphne. – Colin esteve fora por um ano. – Depois de dar um último apertão, ela recuou e ralhou com ele. – Não estávamos esperando você até a semana que vem.
Colin encolheu apenas um dos ombros, o que combinou perfeitamente com seu sorriso enviesado.
– Paris estava chata.
– Ah – lamentou Daphne com um olhar sagas. – Então você ficou sem dinheiro.
Colin riu e ergueu os braços em sinal de rendição.
– Adivinhou.”
Julia Quinn injeta uma grande parcela de bom humor e ironia aos irmãos Bridgertons, bem como os elaborou de maneira a torná-los intensos, complexos, sedutores e honrados. Fala sério, todos, homens e mulheres, são adoráveis, apaixonantes, pois possuem qualidades desejáveis em parceiros ideais, mesmo que eles não se deem conta disso.
Finalmente, seu próprio livro, podemos ver um pouco mais das facetas de Colin.
Sobre o título, sem querer revelar demais, Os Segredos de Colin Bridgerton, na verdade não me pareceu muito adequado, mas pode ter sido uma escolha estratégica, eu acho.

Enfim, Colin aparece na Sexta Envenenada de hoje como o absinto da vez. Mas mérito, preciso ser muito honesta com vocês, não foi apenas dele. Na verdade, o grande triunfo dessa obra é a invisível Penelope Featherington, melhor amiga de uma de suas irmãs.
Na verdade, haverá muito mais o que descobrir a respeito dessa moça do que sobre o próprio Colin. Não que ele não se revele um homem surpreendente, muito além do charme e graça que demonstra nos primeiros livros.
Como é característico dessa série, seremos levados à Londres do século XIX, em um período em que as famílias na alta sociedade inglesa investiam pesado no futuro (matrimonial) de seus filhos e filhas, mas o foco maior está na relação retomada de Colin e Penelope.
Digo retomada, porque Colin está sempre viajando para fora do país, guiado por sua curiosidade e inquietude. Por outro lado, Penelope deixa de ser alvo de casamento de sua mãe e assume o cargo de dama de companhia da irmã caçula, Felicity. Mas isso não impede a “solteirona” Penelope de ainda amar o Bridgerton mais encantador de todos.
No dia 6 de abril de 1812 – dois dias antes de seu aniversário de 16 anos –, Penelope Featherington se apaixonou.
Foi, em uma palavra, emocionante. O mundo estremeceu. Seu coração deu saltos. Ela ficou sem fôlego e foi capaz de dizer a si mesma, com alguma satisfação, que o homem em questão – um tal de Colin Bridgerton – se sentiu da mesma forma.
Ah, não com relação à parte amorosa. Com certeza ele não se apaixonou por ela em 1812 (nem em 1813, 1814, 1815, nem – ora, ora! – nos anos entre 1816 e 1822, e também não em 1823, quando, de qualquer forma, passou o ano todo fora do país). Mas o mundo dele estremeceu, seu coração deu saltos e Penelope soube, sem a menor sombra de dúvida, que ele perdeu o fôlego, assim como ela. Por uns bons dez segundos.
É o que geralmente acontece quando um homem cai do cavalo.
Rui Rodrigues
...
Ele riu.
Ele riu.
Penelope não tinha muita experiência com a risada masculina e nas poucas ocasiões em que a presenciara, ela não fora gentil. Mas os olhos daquele homem – de um tom muito intenso de verde – pareciam estar achando graça enquanto ele limpava uma mancha de lama localizada de forma bastante embaraçosa em seu rosto, para depois dizer:
– Bem, aquilo não foi muito habilidoso da minha parte, não é mesmo?
E, naquele momento, Penelope se apaixonou.
Quando encontrou a voz (o que, era-lhe doloroso admitir, ocorreu uns bons três segundos depois que qualquer pessoa com algum grau de inteligência teria respondido), ela falou:
– Ah, não, eu é que deveria me desculpar! Meu chapéu voou da minha cabeça e...
Parou de falar ao se dar conta de que ele não lhe pedira desculpas, de maneira que não fazia muito sentido contradizê-lo.
– Não foi incômodo algum – retrucou ele, dando um sorriso um tanto divertido. – Eu... Ah, bom dia, Daphne! Não sabia que estava aqui.
Penelope deu meia-volta e se viu frente a frente com Daphne Bridgerton, de pé ao lado da Sra. Featherington, que no mesmo instante sibilou:
– O que você aprontou, Penelope Featherington?”
Penelope é, ao contrário de Colin, de toda a família Bridgerton e de grande parte da alta sociedade londrina, uma sombra, praticamente invisível aos olhos de todos, inclusive de sua mãe.
Ela também tem algumas aparições nos primeiros livros, mas como o patinho feio dos bailes de temporada, tem até algumas menções da colunista misteriosa, Lady Whistledown, nenhuma delas no sentido de alavancar a autoestima da moça. Pelo contrário.
A primeira delas foi:
“O infeliz vestido da Srta. Penelope Featherington deixou a pobre menina parecida com nada menos que uma fruta cítrica madura demais.”
Aos 17 anos ela começou uma grande amizade com Eloise, uma das irmãs mais novas de Colin. Passou a frequentar regularmente a casa dos Bridgertons a convite de Violet, a matriarca e, consequentemente, pode conhecê-lo melhor.
 Se Penelope achava que tinha se apaixonado por ele antes, isso não era nada comparado ao que passou a sentir depois de realmente conhecê-lo. Colin era espirituoso, bem-humorado, tinha um jeito brincalhão e despreocupado que fazia as mulheres suspirarem, mas, acima de tudo...
Colin Bridgerton era simpático.
Simpático. Uma palavrinha tão boba... Deveria ser algo banal, mas de alguma forma combinava com ele à perfeição. Colin sempre tinha algo agradável para dizer a Penelope, e quando ela enfim reunia coragem suficiente para responder (além dos cumprimentos e despedidas mais básicos), ele a escutava. O que acabava por tornar as coisas mais fáceis para a vez seguinte.
Ao final da temporada, Penelope achava que Colin fora o único homem com o qual conseguira ter uma conversa inteira.
Aquilo era amor. Ah, era amor, amor, amor, amor, amor, amor. Uma tola repetição de palavras, talvez, mas foi exatamente o que Penelope rabiscou numa folha de papel de carta caríssimo, junto com os nomes “Sra. Colin Bridgerton”, “Penelope Bridgerton” e “Colin Colin Colin”. (O papel seguiu para o fogo no instante em que a menina ouviu passos no corredor.)
Que maravilha era amar – mesmo que o sentimento não fosse correspondido – uma pessoa simpática. Fazia com que ela se sentisse tão sensata...
Rui Rodrigues
É claro que não atrapalhava em nada o fato de Colin possuir, assim como todos os homens da família, a mais fabulosa aparência física. Ele tinha aquela famosa cabeleira castanha, a boca grande e sorridente, os ombros largos, 1,80 metro de altura e, no caso de Colin, os mais devastadores olhos verdes que já adornaram um rosto humano.
Eram olhos que dominavam os sonhos de uma moça.
E Penelope sonhava, sonhava e sonhava.”
Normal, né? Afinal, será que existe alguma adolescente que não tenha se apaixonado pelo carinha mais velho – irmão da melhor amiga, amigo do seu irmão? Se não todas, mas muitas, com certeza.

 Quem nunca ficou com o coração acelerado quando ele aparecia sem que se esperasse, mas não era para te ver? Quem nunca sonhou acordada ou procurou estar por perto, pelo caminho, para, pelo menos, poder vê-lo?
Realmente, Penelope, como é bom amar, mas como dói também, quando ele só é gentil, o que aumenta a ansiedade, mas nem percebe que é o amor da sua vida.
Ela sabe que, apesar do amor dolorido que sente por Colin, ele jamais a notaria, como ninguém a notara, assim está destinada a ser uma solteirona e, como vem profetizando sua mãe, será a filha que cuidará dela na velhice.
Os anos se passaram e, de alguma forma, sem perceber, Penelope deixou de ser uma debutante e ocupava agora o grupo das damas de companhia e observava a irmã mais nova, Felicity – a única das irmãs Featheringtons abençoada com graça e beleza natural –, desfrutar da própria temporada londrina.
Colin desenvolveu uma inclinação especial pelas viagens e passava cada vez mais tempo fora de Londres. Parecia que a cada mês seguia para um destino diferente. Quando estava na cidade, sempre guardava uma dança e um sorriso para Penelope, e ela, de algum jeito, conseguia fingir que nada havia acontecido, que ele jamais tinha declarado sua aversão a ela numa via pública e que seus sonhos nunca tinham sido despedaçados.
E sempre que ele estava na cidade, o que não ocorria com frequência, os dois pareciam desfrutar de uma amizade fácil, mesmo que não muito profunda. O que era tudo o que uma solteirona de 28 anos poderia esperar, certo?
Um amor não correspondido não era nada fácil de administrar, mas ao menos Penelope Featherington já estava acostumada a isso.”
De fato, ambos acabam compartilhando uma amizade amena. Colin, assim como Anthony e Benedict, sempre resgataram Penelope de muitos momentos constrangedores nos bailes, sempre a tiravam para dançar, caso contrário ela teria ficado eternamente esquecida nos cantos dos salões. E, mesmo depois do dia mais constrangedor de suas vidas, eles conseguiram ser cordiais e criar laços quase fraternos (pelo menos da parte dele).
Foi em um momento em que ele e os dois irmãos mais velhos discutiam sobre os planos de sua mãe para casar os filhos, se não me engano, foi no livro 3, em que Colin repudiava a ideia de se casar tão cedo.
Penelope podia vê-los através do vidro da porta da frente, mas não pôde ouvir o que diziam até chegar ao vão. E como prova do péssimo timing que a assolara a vida toda, a primeira voz que escutou foi a de Colin, e as palavras que ouviu não foram nada generosas:
– ... eu não vou me casar tão cedo, e muito menos com Penelope Featherington!
– Ah!
A palavra simplesmente saiu de seus lábios em um lamento desafinado antes mesmo que ela pudesse pensar.
Os três Bridgertons voltaram-se para encará-la, horrorizados, e Penelope soube que acabara de dar início aos piores instantes de sua vida. Ficou em silêncio pelo que pareceu ser uma eternidade e então, por fim, com uma dignidade que jamais sonhara possuir, olhou direto para Colin e retrucou:
– Eu nunca pedi que se casasse comigo.
O rosto dele, já rosado, tornou-se rubro. Ele abriu a boca, mas não emitiu nenhum som. Talvez, pensou Penelope com estranha satisfação, aquela tivesse sido a única vez na vida que ele ficou sem palavras.
– E eu nunca... – acrescentou Penelope, engolindo em seco sem parar. – Eu nunca falei a ninguém que queria que você me pedisse em casamento.
– Penelope – conseguiu, enfim, falar Colin –, eu sinto muito.
– Não tem do que se desculpar.
– Não – insistiu ele. – Tenho, sim. Eu a magoei, e...
– Você não sabia que eu estava aqui.
– Mesmo assim...
– Você não vai se casar comigo – declarou ela, a voz soando estranha e falsa aos seus ouvidos.– Não há nada de errado com isso. Eu não vou me casar com o seu irmão Benedict.
Até então, Benedict estava olhando para o outro lado, tentando não encará-la, mas a partir desse momento passou a prestar atenção.
Penelope fechou as mãos ao lado do corpo.
– Ele não fica magoado quando eu digo que não vou me casar com ele. – Virou-se para Benedict e forçou-se a fitá-lo diretamente nos olhos. – Fica, Sr. Bridgerton?
– Claro que não – respondeu ele, com rapidez.
– Então está resolvido – disse ela decididamente, impressionada por, ao menos uma vez na vida, estar conseguindo pronunciar as palavras exatas que queria. – Ninguém ficou magoado. Agora, se me derem licença, cavalheiros, preciso ir para casa.”
Essa foi uma situação tão vexatória, que até eu fiquei com vergonha. Tadinha dela!
Mas, mesmo depois disse, eles continuaram amigos.
Agora, adultos, ele com 33 anos e ela com 28, sem ter muito que provar um para o outro, ambos passam mais tempo juntos e começam a se conhecer melhor.
Ela começa a perceber que ainda há muito que aprender sobre o único homem a quem amou e ele descobre que, de fato, nunca conheceu Penelope realmente. E isso o intriga, desperta sua curiosidade e outras sensações que o assustam e nos excitam.
Além das descobertas que vão fazendo sobre o outro, existem outras revelações em Os Segredos de Colin Bridgerton que vão abalar toda a história dessa série, bem como a nós leitores. Haverá um segredo que deixou toda sociedade londrina agitada que finalmente será revelado. Mas não vou dizer qual.
Sobre a sensualidade da história: existe, embora não tão constante e evidente quanto
nos demais, mas sedução é tão intensa e arrebatadora quanto. Por conta da expectativa que se criou em torno de Colin, eu achei que seria mais explorada, mas não me desapontou em nada.
“E ele estava aprendendo que tudo o que acreditava saber sobre o ato de beijar era bobagem.
...
Aquilo, sim, era um beijo.
...
Ele a puxou para mais perto, depois ainda mais, até seus corpos estarem colados. Podia sentir toda a extensão do corpo dela, e sentiu o seu próprio incendiar. Percebeu seu membro enrijecer. Deus, como a desejava.
...”
Ai! Ai!
Mais um exemplo de um livro bem escrito, detalhista e generoso. Uma história cativante sobre dois personagens tão queridos e cheios de méritos.
Se o herói salva a mocinha?
Claro!
Se a mocinha resgata o herói e o ajuda a encontrar seu próprio caminho?
É óbvio!
É isso que procuramos neste tipo de livro, não é? Entretenimento, diversão, e, de certa forma, uma fuga do nosso dia a dia estressante.
Quem termina essa história, e não deseja levar Colin Bridgerton para casa (no caso das moças) ou possuir Penelope (no casos dos moços) ou simplesmente poder tê-los como amigos, deve voltar ao início e reler o livro, pois deixou passar alguma coisa.
Julia Quinn, mais uma vez prova que sabe contar uma história, conquistando de vez o posto de autora predileta dessa colunista, que não tem nada de Lady Whistledown, mas que tem o maior prazer de falar da vida desses personagens fabulosos!
Vou ficando por aqui, desejando a todos uma sexta incrível e um final de semana no melhor estilo Bridgerton!
Fiquem bem e Carpe Diem!

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