6 de agosto de 2014

Papo Envenenado: Resolução do Conanda


“O homem é tão bem manipulado e ideologizado que
até mesmo o seu lazer se torna uma extensão do trabalho.”
“Liberdade não é poder escolher entre preto e branco,
mas sim abominar este tipo de proposta de escolha.”
Theodor Adorno

Olá, Envenenados!

Dia desses tomei conhecimento da resolução nº 163/14 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República publicada no Diário Oficial da União, que considera abusiva a publicidade voltada a crianças e adolescentes.
Ora, não vejo porque a publicidade voltada para o público infanto-juvenil não deva ser controlada, orientada por especialistas como pedagogos, psicólogos, entre outros, acho até necessário. Mas, daí a proibir totalmente... com o objetivo de proteger as crianças exatamente do que? Gostaria que me esclarecessem.
Não seriam os pais e responsáveis pela educação desses indivíduos os responsáveis por determinar o que vão assistir ou consumir?
Alguns blogs têm até chegado à conclusão – a mesma que eu – de que o alcance dessa resolução é ainda mais abrangente e, quiçá, devastador.
Isso porque, sem publicidade, muitos programas de tv e até mesmo minhas queridas histórias em quadrinhos estão fadados a entrarem em extinção.
Exagero?
Essa resolução foi publicada no início de 2014 e, dando um passeio pelos canais abertos, comprovei que muitas emissoras retiraram seus programas voltados para o público infantil. Na verdade, só vi um único programa no SBT para a garotada.
Já ouvi tantas pessoas dizerem que a culpa da educação ou falta dela é da TV.
Concordo que a televisão tem um poder muito grande para influenciar positivamente ou não uma sociedade. Mas estaremos mesmo exercendo a tal democracia, da qual tanto nos orgulhamos pela conquista, quando nosso direito de selecionar o que nossos filhos verão é tolhido?
O argumento é o de que toda publicidade comercial direcionada para as crianças e adolescentes é abusiva. Alguns textos iniciam assim: Mãe de três filhos, a assessora parlamentar Andréa de Oliveira tem que abusar do poder de dizer não. Criar os filhos em tempos de consumismo, como define, não é fácil. ‘Eles veem coisa nova e querem. Pode ser um brinquedo, um smartphone, um computador’, diz. Os meios de comunicação não ajudam. As propagandas coloridas, com uso de desenho animado, atraem a atenção e despertam o desejo.
A cada dia vão aparecendo normas e mais normas de como devemos educar nossos filhos, e a cada dia vamos vendo nas escolas, shoppings, festas, nas ruas e até em bares, os resultados da educação contemporânea. Cabe hoje à escola muitas das ações que era incumbência da família, a escola não é mais o espaço para aprender as suas disciplinas e conhecer novos amigos. Hoje também é quase tão obrigatório, quanto o português e a matemática, o ensino de valores como respeito, honestidade, solidariedade etc. Claro que faz parte, sempre fez, mas hoje as crianças frequentam as escolas sem a menor noção de civilidade. Também, como lhes cobrar isso, se muitas famílias também desconhecem esses valores? Ironicamente, e só para equilibrar, a desvalorização da escola e de seus profissionais dá um gás a mais para que esse trabalho seja desempenhado com muita dedicação. (I-r-o-n-i-a)
Quem é realmente preparado para esta tarefa?
Agora o trabalho dos pais está mais fácil? É a mídia responsável, vilã da falta de capacidade de conduzirmos a educação de nossos filhos? Se própria lei garante que as crianças podem fazer o que quiserem, como pessoas que se esquecem em seus próprios “whatsapp”, facebooks e outros meios virtuais poderão controlar seus filhos, se agora não poderão contar com a babá TV em tempo integral? E agora, o que será desses pais tão ocupados, que não têm tempo de fazer uma lição de casa, de perguntar como foi seu dia, ou sequer sair do carro para acompanhar o filho até a porta da escola? Que outros meios eles terão para se eximir dessa tarefa tão árdua que é criar seus filhos, de maneira consciente e efetiva?
O que será dos meios de comunicação sem a graça da programação infantil? O que será das revistinhas de HQ, que necessitam da propaganda para se manterem?
Não estou fazendo tempestade em copo d’água, nem enaltecendo a publicidade, claro que não. Mas toda ação tem uma reação... e temo por essa reação, pois me acostumei, nessa sociedade em que vivo, a não esperar o melhor desses “criadores de lei”.
Fico por aqui, na expectativa dessa reação, torcendo para que, no final, essa situação se reverta da melhor maneira possível, para o bem, principalmente dessas juventude que já está tão carente de tantas coisas imateriais.
Fiquem bem e Carpe Diem.

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