3 de janeiro de 2014

Sexta Envenenada: Desperte Comigo

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de noitecer gente sã
Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Renato Russo


Olá, Envenenados!

Como foi a passagem de ano?
Espero que tenha sido maravilhosa para todos, assim como espero que este seja um ano esplêndido para todos nós. Sabe aquelas palavras que todo mundo diz, deseja e tals? Pois é, não saíram de moda, pois se forem sinceras sempre valerão, então: PAZ, SAÚDE, AMOR, PROSPERIDADE, e tantas outras que desejamos a todas as pessoas queridas, é o que desejo a todos.
Primeira sexta-feira do ano, primeira Sexta Envenenada. Na verdade, é a nossa primeira postagem de 2014.
Hoje estava conferindo as minhas postagens antigas e percebi que tenho escrito sobre alguns livros mais recentes ultimamente. Notei também que há algumas leituras que fiz e que adoraria ter compartilhado com vocês, até pensei que já tivesse publicado, mas, para minha surpresa, deixei de fora alguns títulos.
Estou, como disse anteriormente, pondo minha leitura em dia, e espero que até o final das minhas férias eu consiga dar uma boa adiantada. Mas hoje, vou me retratar com um dos livros mais gostosos que já li. E, para começar o ano com o pé direito (ops!) – digo esquerdo, já que sou canhota, ninguém melhor que meu pezinho de coelho preferido. Estou falando da Linda Howard, que há tempos não tem seus textos publicados aqui – injustiça pura. A última vez que tive notícia de livros dela publicados em português foi em 2012, sendo um deles a Montanha dos Mackenzie da Coleção Romances da Saraiva, e nem é um livro novo e Desperte Comigo da coleção Rainhas do Romance da Harlequin, e também não é um texto recente.
Mas já tive oportunidade de falar de A Montanha dos Mackenzie, e como, no meu balanço de postagens percebi que não falei sobre Dione Kelley e Blake Remington, protagonistas de Desperte Comigo – Come Lie With Me, os apresentarei a vocês como absintos de hoje.
Dione Kelley é uma fisioterapeuta que, por levar muito a sério seu trabalho, não via a hora de aproveitar alguns dias de férias.
Durante seus dias de descanso ela não queria nem saber de horas, de mais nada. Mas, depois de duas semanas empregando esforço apenas em suas caminhadas pela praia, ela recebe a visita de Richard Dylan, que há algumas semanas a procurou para contratar seus serviços para cuidar de seu cunhado, Blake Remington.
Com tantos fisioterapeutas de renome nos EUA, por que esse homem alto e grisalho, vestido com um impecável terno de três peças e calçando um luxuoso couro italiano, viajara tantos quilômetros de Phoenix até a Flórida para pedir que reconsiderasse sua recusa?
Não faço milagres interrompeu com gentile­za. E tenho outros casos marcados. Por que deveria por o sr. Remington à frente de outros que precisam tanto dos meus serviços quanto ele?
Estão morrendo? A pergunta foi abrupta.
O sr. Remington está? Pelas informações que me deu em carta, a última operação foi um sucesso. Há outros fisioterapeutas tão qualificados quanto eu, se há algum motivo para ele precisar de fisioterapia de ime­diato.
Richard Dylan olhou as águas cor de turquesa do golfo, as cristas das ondas douradas pelo sol poente.
Blake Remington não viverá mais um ano uma expressão de imensa tristeza cobriu as feições fortes e austeras. Não como está agora. Compreenda, srta. Kelley, ele não acredita que voltará a andar e desistiu. Está deliberadamente se deixando morrer. Não come, raramente dorme e se recusa a sair de casa.
Dione suspirou. A depressão algumas vezes era o pior aspecto das condições de seus pacientes e minava a energia e determinação. Vira tantas vezes aquilo aconte­cer e sabia que veria de novo.
Mesmo assim, sr. Dylan, deve procurar outro fisioterapeuta...
Acho que não. Já contratei dois fisioterapeutas e nenhum deles durou uma semana. Blake se recusa total­mente a cooperar e diz que é uma perda de tempo, algu­ma coisa para mantê-lo ocupado. Os médicos lhe dizem que a cirurgia foi um sucesso, mas ainda não consegue sentir as pernas nem movê-las, assim não acredita. O doutor Norwood a sugeriu, disse que obteve sucessos extraordinários com outros pacientes que não queriam cooperar e que seus métodos são extraordinários.
Sorriu, cautelosa.
— É claro que diria isso, Tobias Norwood me ensinou. Richard Dylan deu um leve sorriso como resposta.
Cosima Coppola
Compreendo. Mesmo assim, estou convencido de que é a última chance de Blake. Se ainda acha que suas outras obrigações são mais urgentes, então vá comigo a Phoenix e o conheça. Acho que, quando o vir, compre­enderá por que estou tão preocupado.”
Dione acaba tentada a aceitar a proposta, mais como um desafio profissional que por necessidade financeira. Ela é dessas pessoas que não desistem diante de dificuldades, e que é bastante segura no que faz e sente uma satisfação enorme com os resultados que obtém, por mais complicados que tenham sido seus pacientes. Por isso, desde que começou como terapeuta particular, já esteve em vários lugares do país, tornando-se uma profissional respeitável e requisitada.
Seu interesse é despertado e ela fica sabendo que trata-se de um homem extremamente ativo, poderoso e inteligente, mas que entregou-se à depressão após seu acidente.
“— É um homem extraordinário disse o sr. Dylan suavemente. Criou diversos sistemas aeronáuticos que são amplamente usados hoje em dia. Faz os desenhos dos próprios aviões, já voou como piloto de teste em alguns aviões para programas secretos do governo, escala montanhas, participa de corridas de iate, faz mergu­lhos de profundidade no mar. É um homem que se sente à vontade na terra, no mar ou no ar e agora está preso a uma cadeira de rodas, o que o está matando.
Em qual de suas atividades estava engajado quan­do sofreu o acidente?
Escalava montanhas. A corda acima se prendeu numa ponta aguda da pedra e seus movimentos dividi­ram-na em duas. Caiu quinze metros, bateu numa pe­quena plataforma de rocha, quicou, então caiu por mais sessenta metros, quase a extensão de um campo de fu­tebol. A neve funcionou como uma almofada e salvou a vida dele. Disse mais de uma vez que, se tivesse caído daquela montanha no verão, não precisaria passar o res­to da vida como um aleijado.”
Por ser um dos seus livros de banca, Linda Howard aposta mais no romance do que em suspense ou policial como nos de livraria. A história fica mais focada nos dois protagonistas e em seus dramas pessoais. Mas nem por isso Desperte Comigo deixa de impressionar e prender nossa atenção.
Quem conhece pessoas que sofrem de depressão, seja lá qual for a causa, sabe como é difícil lidar com elas. Nada do que falamos ou façamos parece dar resultado.
“Depressão é a tristeza quando não acaba mais. É uma doença que ataca tão subrepticiamente, que a maioria dos que sofrem dela nem percebem que estão doentes. De cada dez pessoas que procuram o médico, pelo menos uma preenche os requisitos para o diagnóstico de depressão.
Do início insidioso, a depressão evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração. Nos casos mais simples, a pessoa pode curar-se por conta própria em duas a quatro semanas. Passado esse período sem haver melhora, os especialistas recomendam atenção e tratamento, porque a depressão prolongada pode levar a suicídio e mortes por causas naturais.”
Dione examina o caso de Blake Remington e quando está guardando toda a papelada percebe que há uma foto sua dentro o envelope.
“Reunindo tudo de novo, começou a colocar o con­teúdo no envelope quando percebeu que havia algo mais dentro, um pedaço rijo de papelão que não vira antes. Puxou-o e virou. Não era apenas um pedaço de papelão, era uma foto. Atônita, viu-se observando um par de sorridentes olhos azuis, que brilhavam, e dança­vam com a pura alegria de viver.
Giulio Berruti
Richard Dylan também era esperto e sabia muito bem que poucas mulheres seriam capazes de resistir ao ho­mem dinâmico na foto. Soube de imediato que era Blake Remington antes do acidente. Seus cabelos castanhos es­tavam desarrumados, o rosto profundamente bronzeado quase dividido por um sorriso malicioso que produzia uma cativante covinha na face esquerda. Vestia apenas um calção de brim, o corpo forte e musculoso, as pernas longas e poderosas de um atleta. Segurava um peixe merlin de bom tamanho e, no fundo, podia ver o azul profundo do oceano; então ele pescava em águas profundas também. Não havia nada que o homem não pudesse fa­zer? Sim, agora havia, lembrou. Agora não podia andar.
Queria recusar o caso apenas para demonstrar a Richard Dylan que não podia ser manipulada, mas quando olhou o rosto na foto soube que faria exata­mente o que ele queria e ficou perturbada. Havia tan­to tempo que não se interessava por um homem que se assustou com sua reação à fotografia.
Traçou o contorno do rosto dele com a ponta do dedo e imaginou desejosa como sua vida seria se fosse capaz de ser uma mulher normal, amar um homem e ser amada de volta, uma coisa que o breve e desastroso casamento mostrara ser impossível. Aprendera a lição da maneira mais difícil, mas jamais a esquecera.
Homens não eram para ela. Nem um marido amoro­so e filhos. O vazio deixado em sua vida pela total au­sência de amor teria de ser preenchido pela sensação de contentamento que sua profissão lhe proporcionava, pela alegria que sentia ao ajudar alguém. Poderia olhar a foto de Blake Remington com admiração, mas os de­vaneios que qualquer outra teria ao olhar aquela beleza masculina não lhe cabiam. Devaneios eram uma perda de tempo porque sabia ser incapaz de atrair um homem como ele. Seu ex-marido, Scott Hayes, ensinara-lhe com dor e humilhação que era tolice atrair um homem quando não era capaz de satisfazê-lo.
Nunca mais de novo. Jurara então, depois de deixar Scott, e prometeu de novo agora. Nunca mais daria a um homem a oportunidade de machucá-la.”
Dione resolve aceitar o caso. E ao aceitar o desafio o que ela encontra ao chegar à casa de Blake Remington é algo que está muito longe da sombra do homem que vira na foto. Mais que um desafio profissional, Blake será também uma provação pessoal para Dione. E não apenas terá que lidar com a rabugice dele, mas também com o controle de sua irmã.
Ela terá que suportar a possessão da irmã mais nova de Blake, esposa de Dylon, assim como seu ciúme carregado de tristeza pela situação do irmão e com a grosseria, apatia, rebeldia e ironia de Blake.
O legal de tudo, para mim, é a característica marcante nas histórias de Linda: a valorização do texto, da construção dos personagens e do respeito à nossa inteligência. O que encontramos é um texto rico, sem parágrafos que vão se repetindo de tempos em tempos. Aqui tempos personagens fortes, sem frescuras, durões – tanto os masculinos, quanto os femininos – com suas próprias histórias.
Como diz Julia Quinn, num romance é preciso se apaixonar pelos personagens masculinos, apesar de seus defeitos, e as mocinhas são tão legais que bem poderiam ser nossas amigas. Assim são os personagens de Howard: são fictícios, claro, mas não são perfeitos, atraentes em suas peculiaridades e não por serem os mais lindos, os mais rijos, os mais ricos...
Blake é teimoso, não vê esperança, mas aquela mulher impossível e mandona é tão teimosa ou mais que ele, que quase enlouquece. Aqui vamos ver até mesmo bandejas e pratos voando, tal é o nível de seus arranca-rabos!
Literalmente ambos decidem tudo em quedas-de-braço, do início ao fim. Mas quando se dão conta do quanto um meche com o outro, a coisa muda de figura.
“— Bom dia a voz era cheia de alegria.
Ainda estava deitado de lado; abriu um olho azul com uma expressão de horror, então deixou escapar um palavrão tão explícito que, se fosse criança, teria a boca lavada com sabão. Dione sorriu.
Pronto para começar? Tinha, uma expressão inocente.
Inferno, não! Quase latia. Senhora, é o meio da noite!
Nem tanto, o dia já vai nascer.
Já? Quanto falta?
Apenas alguns minutos tentou acalmá-lo e en­tão estragou tudo ao cair na risada enquanto lhe arran­cava as cobertas. Não quer ver o nascer do sol?
Não!
Ah, não seja desmancha-prazeres puxou-lhe as pernas para a beirada da cama venha ver o sol nascer comigo.
Não quero ver o sol nascer, com você e com nin­guém rosnou quero dormir!
Passou horas dormindo e não vai querer perder este nascer do sol; vai ser muito especial.
O que torna este tão especial? Marca o começo do dia em que vai me torturar até a morte?
Só se não assistir comigo prometeu alegremen­te, segurando-lhe a mão e puxando. Ajudou-o a se sentar na cadeira de rodas e cobriu com um cobertor. Sabia que sentiria frio. — Qual é o melhor lugar para observá-lo?
Junto à piscina resmungou, esfregando o rosto com as duas mãos e falando através dos dedos. Você é louca, senhora, certamente já diagnosticada como uma lunática.
Arrumou os cabelos despenteados dele com os de­dos, sorrindo ternamente.
Oh, não sei não murmurou. Não dormiu bem esta noite?
— É claro que dormi! Deixou-me tão cansado que mal conseguia manter os olhos abertos! Assim que ter­minou de dizer as palavras, uma expressão constrangida cobriu-lhe o rosto. Está bem, então foi a melhor noite que tive em dois anos — admitiu, de má vontade, era ver­dade, mas pelo menos admitira.”
Assim vamos assistindo a esse jogo, não de gato e rato, pois aqui os dois são gatos, nos irritando com a intransigência dele e nos surpreendendo com a persistência dela. Mas Dione faz com que Blake e nós nos encantemos com ela, que se mostra uma verdadeira fênix, que reconstruiu sua vida e a dedica a ajudar os outros a se recuperarem fisicamente pelos menos, ainda que ela mesma tenha seus traumas emocionais, que talvez sejam a única barreira para que ela possa viver plenamente seu amor por Blake.
Vocês me desculpem por me alongar tanto, mas quando o assunto é Linda Howard e seus personagens eu perco a noção de tempo e espaço. Quem já leu qualquer um de seus livros há de me dar razão. Além do mais, a história é muito boa mesmo.
Infelizmente este não é um livro fácil de encontrar, mas basta dar uma busca pela internet e, talvez, esteja disponível. Eu sugiro, com certeza.
Fico por aqui, desejando mais uma vez que 2014 seja maravilhoso para todos!
Fiquem bem e Carpe Diem!

2 comentários:

  1. Tania querida!! Um Novo Ano maravilhoso pra ti, com muita paz, luz e bênçãos!!!
    Adorei - mais uma vez - o post, aliás, adoro Linda Howard e graças a você, afinal li A Montanha dos Mackenzie e todos os outros do clã por que fui apresentada e eles por você, simplesmente me apaixonei por essa escritora naquele dia!
    Também acho Desperte Comigo maravilhoso, fico impressionada com o poder que o livro tem de nos encantar e fazer com que fiquemos apaixonadas pelo casal, como você bem falou, eles são o retrato da teimosia e da persistência, e o amor que ambos se descobrem sentindo é um sonho, a forma com que ele a "engana" ao não se mostrar apaixonado é tão tocante, isso sem falar nas cenas engraçadas, adoro, adoro esse livro! Acho que vou ler novamente!!!!
    Que homem perfeito para representar a imagem de Blake, ai, ai....
    Beijos amiga e parabéns por esse texto lindo!!!

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    Respostas
    1. Ahhhhhh!
      Como é bom contagiar as pessoas que amamos com as coisas que amamos também!
      Que bom, Nadja, que você gostou. Esses dois são muito gostosos!
      Querida, que 2014 seja um ano de muitas realizações para todas nós, que consigamos torná-lo em um ano divino!
      Te amo amiga!
      Beijinhos

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