8 de novembro de 2013

Sexta Envenenada: Lições do Desejo

 “Muitas vezes perdemos a  possibilidade de felicidade
de tanto nos prepararmos para recebê-la.
Por que então não agarrá-la de toda uma vez?”
“A vaidade e o orgulho são coisas diferentes,
embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos.
Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa.
O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos,
e a  vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensem de nós.”
Jane Austen

Olá, Envenenados!

Tudo bem com vocês?
Após estas semanas de ausência, consegui por em dia, um “tantim” assim, minha leitura, apesar do corre-corre do dia a dia. Tive a oportunidade de conhecer autoras diferentes, mas também me mantive fiel à minha mais nova obsessão: os Romances de Época da Editora Arqueiro, que estão ganhando um espaço cada vez mais interessante no meio literário, felizmente.
Isso porque, apesar de serem ambientadas numa época em que as mulheres não tinham voz nem nada, em que a sociedade exigia, além de bens materiais, um histórico familiar impecável, boas origens, postura e influência, essas obras tratam as mulheres com respeito – tanto aquelas que viveram tempos assim, como nós – que também temos nossos dissabores.
E fiz uma descoberta fantástica. Tudo bem que, para muitas leitoras, isso não é nem um pouco novidade, mas para mim, certamente é.
Só há pouco tempo ingressei no muito dos Romances de Época, portanto, Jane Austen para mim era apenas mais um nome de autor que eu poria na minha lista, a não ser por exigência acadêmica. Muito ogro da minha parte, eu sei, sempre digo isso. Mas, de uns tempos para cá uma necessidade de conhecer a obra dessa autora passou a me rondar.
Podem me condenar, mas me recusava sequer a assistir Orgulho e Preconceito, por pura implicância com a atriz principal, a quem, na verdade, admiro de montão.
Mas, eis que fiquei de molho no último sábado, minha filha estava com o pai e não tinha forças nem para erguer um livro, que dirá de sustentá-lo para ler. Assim, resolvi dar uma chance ao tão citado Mr. Darcy e à geniosa Elizabeth Bennet...
Minhas impressões sobre a história? Não vou dá-las agora, pois o que sinto merece uma postagem própria. Meu intuito em tocar neste assunto é dizer que esta obra, que completou este ano seu bicentenário, assim como outras da autora, vem sendo, até hoje, inspiração para tantos romances de época.
Como Austen, as três autoras que a Arqueiro nos trouxe têm essa habilidade de criar personagens fortes e maduros, tanto masculinos como femininos. E Madeline Hunter me conquistou de vez com sua escrita bem elaborada, inteligente e envolvente.
Por isso, quero apresentar a vocês Elliot Rothwell e Phaedra Blair como os absintos de hoje.
Protagonistas de Lições do Desejo, Elliot e Phaedra vivem uma história conturbada, cheia de ansiedades, incertezas e muitas aventuras.
Elliot é o irmão caçula de Hayden, que já apresentei aqui em Regras da Sedução e que foi o protagonista da minha iniciação em Romances Históricos, e de Christian Rothwell, quarto marquês de Easterbrook.
Segundo as próprias descrições do capítulo 1, além de alto, belo e inteligente, Elliot é também considerado o mais amistoso e normal dos Rothwell.
Mas o renomado e nobre historiador será incumbido de uma tarefa pouco ortodoxa.
Após receber a visita de um editor com a notícia de que tem em mãos um original com as memórias de um membro do parlamento inglês que, embora fosse um extremista, era também um intelectual respeitado e, por isso mesmo confiável, Christian convoca Elliot para que encontre esse livro antes que seja publicado. Isso porque vários nomes importantes da sociedade inglesa figuram nas memórias de Richard Drury, entre eles os de seus pais e, com receio de que sua história obscura de desamor, traição e punição e um possível assassinato venham à tona, os irmãos Rothwell tentarão de tudo para que isso não aconteça.
Alejandro Corzo
Assim, Elliot entra em ação para encontrar os originais. Acontece que o tal editor morre e tudo, editor e o manuscrito, é herdado pela filha de seu sócio, Phaedra Blair. E... Ah! Esqueci-me de dizer, seu pai era Richard Drury, a quem ela promete em seu leito de morte que publicará suas memórias na íntegra.
Phaedra é uma mulher que foge completamente dos padrões da época: está muito à frente do seu tempo e, por isso mesmo, não é vista com bons olhos pela conservadora sociedade londrina.
Sua mãe, Artemis Blair, era famosa por seu estilo de vida e por acreditar no amor livre e na independência feminina. Tanto que se recusou a casar-se com o amor de sua vida e pai de sua filha, a quem ensinou a pensar e agir da mesma maneira.
Assim, desde muito jovem Phaedra passou a morar sozinha e não depender de ninguém, a não dela mesma. Sempre manteve seus amigos exatamente como amigos, não permitindo que homem algum dominasse seu corpo e sua mente.
Infelizmente será este mesmo estilo de vida que a porá em apuros diversas vezes.
Ao partir em busca de esclarecimentos sobre alguns dos relatos de seu pai a respeito de Artemis, acaba sendo detida em Nápoles por provocar um duelo entre dois homens que estariam interessados nela. E, sendo um deles parente do rei, a situação só piorou.
Sabendo que a encontraria ali, Elliot a segue e surge como seu salvador, ainda que ela odeie tal situação. Fica acordado que ela terá sua liberdade, desde que ele se responsabilize totalmente por ela. Assim, onde ele for, ela também irá, nos seus termos e à sua custa.
Desnecessário dizer que muitas discussões serão protagonizadas por esses dois personagens tão distintos. Por outro lado, sentimentos não são coisas que possamos controlar e, ainda que fictícios, Elliot e Phaedra são bastante críveis e nos permitem sentir exatamente o que sentem.
Quando conheci Elliot, tive a impressão de ser um homem simples, sem complicações, fácil de lidar, no melhor estilo viva e deixe viver. Mas em Lições do Desejo ele mostra sua verdadeira personalidade, suas angústias, suas dúvidas e sua força também. Ele é surpreendentemente dominador, mas de uma maneira tão sutil e doce que quase não percebemos e mesmo Phaedra, com sua aversão aos relacionamentos convencionais, acaba sendo cativada por ele.
“Phaedra estava de joelhos na esteira de palha, apoiada nos calcanhares. Elliot parou ao vê-la, boquiaberto com sua beleza e ousadia. Estava nua. Suas madeixas ondeavam pela pele desnuda. Pareciam fitas de seda que se dividiam para deixar ver partes de ombros alvos como leite, de braços macios, seios arredondados e quadril curvilíneo.
Ela deixou que ele observasse um bom tempo, sabendo que uma torrente se armava dentro dele, admitindo com olhar que sentia o mesmo desejo. Juntou os cabelos e os jogou para trás, expondo o corpo todo. Seus seios estavam empinados e cheios, com os mamilos róseos rígidos.
– Podemos ter prazer juntos esta noite, se quiser – disse ela.
Ele arrancou o casaco e andou até onde ela estava.
– Se eu quiser? Eu quero possuí-la desde a primeira vez que a vi.
– Não será assim. Possuiremos um ao outro.
– Como queira. Não me importo nem um pouco com os termos dessa rendição.
– Não é uma rendição, Elliot. É uma trégua. Uma noite para gozarmos de nossa amizade.
Ela o ajudou a desabotoar a calça. Ele olhou para aquele corpo feminino nu, tão vulnerável e acolhedor. Se ela considerava isso amizade, não conhecia os homens muito bem.
– Com certeza, Phaedra. É claro.”
Ambos vão enfrentar situações muito tensas e também engraçadas, mas também descobrirão que podemos encontrar prazer e realização onde menos esperamos, nos lugares mais incertos. As palavras lealdade, honra e abnegação descrevem bem o que vamos sentindo no decorrer dessa leitura.
Elliot Rothwell recebe hoje a medalha de amante literário em minha vida.
Só me resta suspirar e aguardar ansiosamente o próximo volume, Jogos do Prazer, que já me arrepia só pelo prelúdio no final de Lições do Desejo.
Fico por aqui, preparando a próxima coluna, que também promete!
Fiquem bem e Carpe Diem!


4 comentários:

  1. Cada vez que leio uma resenha dos romances de época feita por você Tania, ficou encantada... pela sensibilidade a qual você extraiu do livro, principalmente sendo da Madeline Hunter, que muitas vezes não é uma unanimidade. E realmente após essa resenha percebo que você não só entende a escrita da autora como também consegue passar todos os pequenos detalhes que fazem do livro Lições de Desejo ser maravilhoso. Parabéns.

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    1. Que lindo, Patrícia!
      Que palavras adoráveis, muito obrigada mesmo!
      Um coisa muito gratificante nestes romances é que eles nos permitem sonhar e acreditar que amores assim são possíveis. São pessoas críveis, personagens com os quais os identificamos e suas autoras valorizam a história, a trama, os encontros e desencontros. Não ficam pulando de uma cama para outra, apenas se preocupando com a descrição do ato sexual!
      Como você já percebeu: estou obcecada por esses livros!
      Beijos querida!

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  2. Ai meu Deus!!!
    Adorei a descrição do livro Tania, gosto muito da Madeline Hunter, o primeiro livro que li dela foi "O Sedutor" e achei perfeito.
    Adoro romances de época, adoro os clássicos ingleses, Jane Austen, Charlote e Emily Bronte, então não poderia deixar de admirar as novas escritoras que recriaram aquela época.
    Cada vez que leio uma nova obra me derreto em suspiros, como você disse, lealdade, honra e abnegação são uma constante, a força dos personagens, principalmente das mulheres numa época em que mulher não tinha voz, é tão comovente, vejo isso nos livros tanto da Madeline quanto nos da Julia Quinn.
    Amei o post amiga, mais um livro na minha lista, só gostaria que o dinheiro surgisse na mesma velocidade em que cresce minha lista de leitura, rsrsrs.
    Beijosss!!!!!

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    1. Oi, Nadja, querida!
      Não tem como não nos derretermos com histórias tão bem escritas como estas.
      Fico sempre muito emocionada quando vejo você por aqui, dando essa força tão bem-vinda!
      Você é demais minha amiga!
      Beijão

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