2 de agosto de 2013

Sexta Envenenada: O Desconhecido d@ Planeta


“A castidade com que abria as coxas
A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino”.
Carlos Drummond de Andrade



Olá, Envenenados!

Pouco antes da Mathilde embarcar para Nova Iorque, nos encontramos numa pizzaria aqui nas redondezas para uns dedinhos de prosa e matar a saudade. Entre uma fatia e outra, claro, o assunto era sempre direcionado para nossos amores em comum. A novidade naquela noite foi o livro O Desconhecido, da Portia da Costa, que a editora Planeta editou e a Mathilde estava empolgadíssima.
Naquele momento ela ainda estava nos primeiros capítulos, mas foi suficiente para me contaminar com a traça de livro interior. O protagonista já tinha até corpo, cara e alma.
Fiquei tão entusiasmada que comecei a lê-lo no mesmo dia. Claro, que nenhuma sinopse tem o mesmo poder de persuasão de uma amiga que tem gostos semelhantes, paixão por bons livros e uma mente tão aberta quanto a nossa. Ainda mais quando o mocinho tem as características que ela me passou. Foi mais ou menos assim: “Ele lembra aquele ator do qual você me falou, aquele de um musical que você assistiu...”
Igor Rickli
“Gentem”, o carinha em questão é o ator Igor Rickli, de quem falei pelos cotovelos para várias pessoas, e nem me lembrava de ter babado por ele para a Mathilde. Enfim, como falo demais mesmo, e me derreto por esse fofo, que hoje está na novela Flor do Caribe que, infelizmente não assisto, por me recusar a assistir as tramas atuais, brilhou nos palcos com o musical Hair, onde tive o PRAZER de vê-lo em carne – e que carne – osso e pelo e que pelo. Além de lindo e talentoso, ele esse paranaense é um amor. Encantos não faltam. 


Então, quando ele foi associado ao livro, sem contar com as primeiras cenas instigantes do texto, não tive dúvidas: eu tinha que conferir!
Assim, meus queridos, contarei para vocês minhas impressões sobre esse Desconhecido, que realmente me cativou.
Para dar uma ideia, acho legal colocar aqui a sinopse da história...
Autora: Portia da Costa
Editora: Planeta
Páginas: 304
ISBN9788542201130
Ano: 2013
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 “A decisão de Cláudia em não amar de novo está prestes a ser posta à prova quando seu destino cruza por acaso com o do belo desconhecido...
Uma primeira visão no rio, como antecipação de um mundo de sensações e descobrimentos. Do meio da tempestade surge aquele homem, a quem Cláudia decide chamar de Paul, e que mudará sua vida, abrindo novas portas para a sensibilidade, as relações, o sexo e as surpresas que a vida esconde até que a verdade se mostre. Buscar sua verdadeira identidade é ao mesmo tempo algo que se impõe e que a deixa insegura. Ela teme que, descoberto o segredo daquele jovem, a aventura prazerosa se desmanche no ar, como uma bolha de sabão numa tarde de verão.
Entre novas aventuras e possibilidades, esse romance mudará a sua visão sobre o amor e o sexo. O desconhecido chegou para romper todos os tabus.
Na verdade Paul chegou rompendo um monte de coisas, não apenas tabus.
Numa tarde de verão, uma mulher passeava por sua propriedade quando ouve sons vindos da lagoa, ampla e convidativa, próximo de onde estava. Parecia que alguém se banhava na lagoa. Como o local estava nos limites da sua propriedade, ela resolve verificar.
Claudia é viúva há oito meses e está decidida a não se envolver emocionalmente com mais ninguém. Ela sabe que, cedo ou tarde, poderá manter encontros, mas nada como o que teve com seu amado marido.
Eu até entendo essa postura. Depois de um relacionamento duradouro, algumas pessoas não estão dispostas a ter outra ao seu lado, não importa o motivo do primeiro relacionamento ter sido interrompido. Eu mesma não faço questão de manter nada muito sério e duradouro.
Enfim, quando se aproxima o suficiente para poder ter uma visão da lagoa ao mesmo tempo não se revelando, ela começa a pensar diferente, quase que instantaneamente...
“Sentado em uma pedra, onde muitas vezes ela mesma se sentara para balançar os pés na lagoa, estava um homem nu, balançando os pés (também pensei em outras coisas, crianças). Alto e parecendo jovem, tinha cabelo castanho comprido e encaracolado, e estava olhando atentamente para baixo, para a área da tranquila da água em torno de seus tornozelos. O que quer que estivesse vendo, aquilo o fazia franzir as sobrancelhas.”
Eu franzi as sobrancelhas também, mas de empolgação, ao imaginar a cena.
Lindo homem... tão digno dos mais eróticos poemas do mestre!
Quem seria aquele desconhecido que, mesmo de longe, parecia estar bastante machucado? Teria sofrido algum acidente, ou teria se metido é uma briga e se deu mal? Obviamente, muitos questionamentos vieram à mente surpresa de Claudia. Mas, assim como surgiram também desapareceram: o jovem desconhecido resolve levantar-se e, ao ficar de pé, proporcionou à sua espectadora uma generosa visão de seu corpo.
Acho muito engraçada a maneira como alguns escritores se referem aos órgãos sexuais. Aqui, Portia define o “membro” do nosso desconhecido como “oscilante, considerável e claramente atrevido”. Tive que rir. Nunca pensei num pênis como sendo atrevido; já pensei em grande, pequeno, bonito, macio... e por aí a dentro, mas atrevido foi novidade. Assim como, vagina gritante. Cara! Graças aos deuses que a minha é muda!
Enfim, o nosso absinto da vez, garante muitas alegrias, não apenas para Claudia, mas para quem curte uma boa safadeza. O guri é lindo, jovem, deliciosamente sensual e excitantemente vulnerável. Logo nas primeiras páginas, ele faz algo que, particularmente eu adoro, deixa Claudia a uma unha do abismo. Enquanto se banhava na lagoa, o guri deu especial atenção às suas nádegas e ao considerável e atrevido pênis que, em resposta, mostrou-se pronto para uma bela e milenar manipulação.
De entrada, temos um prato cheio de promessas extremamente eróticas. Imaginem o prato principal e suas variações.
Para meu bem cardíaco, embora eu não sofra de males do coração, existem muitas situações que nosso pobre homem deverá enfrentar. Uma das mais graves, e a que o leva até onde chegou, é o fato de ele não se lembrar de absolutamente nada de sua vida – sequer sabe seu nome.
Durante uma tempestade, depois do anoitecer daquele mesmo dia, Claudia está em casa, desfrutando de um bom vinho, música agradável e se preparando para fazer o mesmo que seu doce desconhecido fez, já que sua excitação não diminuiu em nada desde que presenciou tudo o que ele fez, quando batem à sua porta.
Assustada, mas curiosa, Claudia atende e não é ninguém menos que o homem da lagoa.
A partir daí, tudo na vida de ambos toma um rumo totalmente diferente, pois ela não só o recebe, como o hospeda e tenta ajudá-lo a descobrir sua identidade. Mas, obviamente nossa benfeitora será imensamente recompensada.
Não vou entrar em detalhes, claro, pois meu objetivo era falar um pouco desse personagem masculino. Mas posso garantir que o livro exala erotismo, é tarja preta mesmo, proibido para menores e cardíacos. Quem tem uma visão cor-de-rosa de livros para adultos, deve estar com a mente (também) bem aberta para entrar no mundo que Paul apresenta a Claudia. Ele despertará nela desejos que jamais imaginou. Então, preparem-se, porque o bicho pega mesmo.
No site da Planeta há a seguinte frase definindo o livro: “Fantasia feminina sem amarras!”
Eu iria além: Fantasia feminina sem amarras, mas elas também são bem-vindas! Então, não esperem romance meloso... sofrido... preparem sua roupa heavy metal, espartilhos e afins. Eu que não tenho muitos pudores, confesso que corei! Rs
Fico por aqui, nesta Sexta de cinta-liga e salto, para lá de quente, sem pílula azul!

Fiquem bem, usem tudo o que têm direito, até amarras, mas não esqueçam a camisinha, e Carpe Diem!




14 comentários:

  1. Minha amiga no serviço não gostou muito da leitura e justificou o porque, pelo que ela explicou também não iria gostar muito.... mas agora estou repensando, você apresentou de um jeito totalmente diferente e me deixou curiosa.

    Acho que vou dar uma chance para poder ter uma opinião mais concreta!!!


    Beijos

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    1. Vamos lá!
      Nathy, meu amor, obrigada pelo comentário. Demoro, mas respondo.
      Sua amiga tem lá seus motivos para não morrer de amores pelo livro: como eu disse, ele não é para pessoas que não curtem o gênero, pois pega muito pesado em determinadas situações. Particularmente, fiquei decepcionada pelo Paul, acho que ele merecia mais, até porque é personagem título, pelo menos mais história dele.
      Enfim...

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  2. Olha Tânia, vou te confessar que não fiquei tentada a ler esse livro não. Li o primeiro livro da Portia publicado no Brasil, e apesar de não ser nem de longe aquela loucura de 50 tons (que eu confesso não ter curtido), não conseguiu me cativar. Mas como a sua opinião sempre coincide com o que eu gosto, vou ter que colocar O Desconhecido na minha lista de leitura de novo!

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    1. Oi, linda!
      Acho que toda leitura vale a pena, mesmo que seja para definir se curtimos ou não determinado gênero ou autor... se você já tem uma opinião formada, não sei se este poderia mudá-la.

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  3. Uauuuu... me falaram mal desse livro e nem comprei,mas vi que embarquei na pilha errada.. vou atrás dele agora mesmoooooooooo....

    adorei o post Tânia!! PERFEITO!!!

    bjsss

    Bianca

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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    1. Oi, Biazinha!
      Olha, sempre digo que leitura é como perfume, o gosto é muito pessoa. Eu já li alguns que detestei, mas há quem os ame. Acho que vale a pela dar uma chance e comprovar se você foi ou não na pilha. Adorei ver você por aqui novamente!
      Saudades!

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  4. Esta série já pensei em ler mas não sei... Ainda acho que não rola... Apesar de todas as criticas positivas... Mas gostei da resenha e dos pontos apresentados...

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  5. Oi Tania, ótima resenha como sempre. Eu não conhecia o livro, e apesar de você ter gostado e ter despertado a minha curiosidade, não sei se embarco nesta leitura. Não sou nada puritana, e isso você sabe bem... kkkkkkkkkkk
    Mas, confesso que ando meio saturada de eróticos, e estou tentando não começar novas séries, antes de terminar as que tenho.
    Mas, como toda leitora, pode ser que daqui a algum tempo eu resolva ler e conferir se esse desconhecido é bom mesmo. Bjus linda.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  6. Não é o meu tipo de leitura, mas só por lembrar o Igor Rickli eu leria (sério), HAHAHA. Beijos.
    http://literallypitseleh.blogspot.com.br/

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    1. Olá Schrotz!
      O Igor é tudo de bom mesmo!
      Quanto ao livro, se for ler, me dê sua opinião!
      Beijos

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  7. Bom querida, se você corou é porque o negócio deve ser bããão mesmo! De quem é o livro, seu ou da Math? Vou anotar da listinha dos livros "para pegar emprestado!" hahahaha

    Ai Igor, esse homem é sensacional al al al (com eco!)... Qualquer personagem de livro que seja comparável à ele já ganhou meu coraçãozinho. E essa Cláudia hein, que sortuda! Um homem desse no quintal de casa, peladão e sem memória? Acertou na sena e não sabe hahaha

    “Oscilante, considerável e claramente atrevido” HAHAHAH gente, essa autora conseguiu novos adjetivos para algo que já tem tantos nomes e apelidos! Palmas para ela, brilhou muito!

    Adorei a resenha, como sempre!
    Beijos!

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    1. Oi, Penélope1
      O livro é da Mathy e já estou devolvendo!
      Oscilante e considerável, e ainda atrevido, fique com vontade de ver.
      Te confesso que esperei mais história do Paul... fique na vontade!
      Beijos

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  8. Eu ri com os adjetivos dados ao membro do rapaz. Rsrsrs
    Fico imaginando que as cenas devem ser bem hots mesmo, hein?!?! Pois chega ao ponto de deixar uma pessoa que já está acostumada a ler algo do tipo corada. Fiquei bem curioso pra ler.

    @_Dom_Dom

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    1. Olá, Nardonio!
      Eu também ri, e muito, com os adjetivos. Claro que isso desperta nossa mais íntima fera curiosa.
      As cenas são hots, quase impossíveis de se imaginar em um livro.
      Confesso que curto histórias quentes, mas nada que queime meus neurônios. A trama tem que me oferecer muito mais que sexo a rodo, gosto de ter a sensação de não poder largar o livro enquanto não se resolvam as situações, de histórias que nos deixam tensos, com a incerteza como tempero.
      Agora, adorei ver você por aqui. Obrigada e volte sempre!
      Beijo

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