30 de agosto de 2013

Sexta Envenenada: Mr. Perfect



“Homem perfeito
Não existe homem fiel. Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade.
Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel ou porque está apaixonado - algo que não dura muito tempo - no máximo alguns meses - nem se iluda - ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo - nisso vai se voltar contra você).
A única exceção é o crente extremamente convicto.
Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados,
mas aguente as outras consequências. Não desanime.
O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo.
A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia.
Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento.
O homem só precisa de uma bunda.
 A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.[...]

Arnaldo Jabor


Olá, Envenenados!

É tempo de mudanças!
Com três anos de idade e com tantas coisas para trazer, um blog precisa passar por mudanças. Vimos, no decorrer desses anos, várias alterações, acréscimos e exclusões.
Esta coluna é um exemplo dos acréscimos e também sofrerá alterações. Inicialmente idealizada para ser semanal, agora a Sexta Envenenada passará a ser mensal. Claro, que nada é definitivo, mas, por ora, chegamos a um consenso e optamos por trazer os nossos absintos apenas uma vez por mês. Eventualmente poderemos publicar mais de uma, mas, a princípio, saborearemos esses personagens com suas histórias fantásticas a cada primeira sexta-feira.
Em ano de Bienal aqui no Rio de Janeiro, todos os amantes de livros estão em polvorosa por conta das atrações aguardadas para o evento. Principalmente os lançamentos mais esperados. Então, queridos envenenados, contem com muito mais mudanças nesse recanto literário.
Mas, para encerrar o mês de agosto, com chave de ouro, trouxe para vocês dois dos meus personagens mais queridos, criados pela minha autora favorita. Infelizmente, nenhuma editora se dignou a publicar sua história por aqui, mas Mr. Perfect da Linda Howard é um romance que certamente todos vão querer conhecer mais.
Quem nunca teve problemas com vizinhos?
Ou pelo menos uma puta irritação, daquelas de dar gana de estrangular o infeliz?
Eu já, e ainda tenho. Mas, se meus problemas tivessem origem em um vizinho como Sam Donovan, certamente eu não os rotularia como problemas.
Mas para Jaine Bright, seu vizinho era o maior de todos os seus problemas.
Ela comprou sua casa há pouco tempo, numa rua tranquila, com moradores solícitos e, ao que parecia, se conheciam há anos. Mas ela tinha justamente que comprar sua tão sonhada casa ao lado do “espírito de porco” da vizinhança.
“Jaine Bright despertou de mau-humor.
Seu vizinho, a ‘praga’ do bairro, entrou em sua casa às três da manhã, fazendo um barulho insuportável.
Se seu automóvel possuía um silenciador, há tempos deixou de funcionar. Para piorar a situação, seu quarto ficava exatamente do mesmo lado da entrada de seu vizinho; mesmo cobrindo a cabeça com o travesseiro não conseguiu diminuir o som daquele Pontiac de oito cilindros.
Ele fechou a porta de repente, acendeu a luz da cozinha – que ficava cruelmente e estrategicamente localizada de modo que iluminasse diretamente os olhos de Jaine, se ela estivesse de frente para a janela, como era o caso – deixou que a porta batesse três vezes, saiu de novo alguns minutos depois, voltou a entrar novamente e, evidentemente se esqueceu de apagar a luz da entrada, já que logo em seguida apagou a da cozinha.
Se soubesse que teria alguém assim como vizinho antes de comprar a casa, jamais teria feito a compra. Nas duas semanas em que estava morando ali, aquele sujeito conseguiu destruir toda a felicidade que sentia ao adquirir sua casa.
Era um bêbado. Mas por que não podia ser um bêbado feliz? – perguntou-se amargamente. Não, tinha que ser um bêbado áspero e desagradável, dos que fazem com que as pessoas temam deixar o gato sair quando estava por perto.
Bubu não era grande coisa como gato – sequer era dela – mas sua mãe o adorava, assim, Jaine não queria que nada lhe acontecesse enquanto estivesse cuidando dele até que seus pais voltassem de viagem.
Mas seu vizinho já havia jurado o pobre gato, porque encontrou suas pegadas em seu para-brisa e capô e, a julga pela sua reação, todo mundo pensaria que ele tinha um Rolls Roice novo ao invés de um Pontiac de dez anos com o para-choque cujas manchas de sujeira transbordava por todos os lados.
[...]
Ainda assim, ela tentou ser simpática no dia em que ele descobriu os rastros do gato, até lhe sorriu, mesmo depois da bronca que ele lhe dera porque sua festa de inauguração o acordara – às duas da tarde! – assim, sorrir-lhe era um esforço enorme. Mas o cara não deu a menor importância ao seu sorridente pedido de paz, pelo contrário, saiu furioso do carro, quase no mesmo instante em que entrara.
− Que tal se cuidasse do seu gato para que ele não suba no meu carro, senhora?
Jaine ficou com o sorriso congelado no rosto. Detestava desperdiçar um sorriso, sobretudo com um indivíduo com a barba por fazer, mal-humorado e que tinha os olhos injetados de sangue. Vários comentários furiosos vieram-lhe, mas os reprimiu. Afinal, era nova no bairro e já tinha começado com o pé esquerdo o aquele cara. A última coisa que queria era uma declaração de guerra. Então, decidiu tentar a diplomacia uma vez mais, mesmo que essa atitude não funcionara na festa de abertura de sua casa.
− Sinto muito – disse, mantendo a voz tranquila – tentarei vigiá-lo. Estou cuidando dele até que meus pais regressem, então não ficará por aqui muito tempo. Só mais cinco semanas.
O vizinho respondeu com um grunhido impossível de decifrar, entrou no carro novamente e se afastou fazendo rugir o potente motor, com um som demoníaco. Jaine inclinou a cabeça, ouvindo. A carroceria do Pontiac tinha um aspecto deplorável, mas o motor soava como seda. Havia muitos cavalos sob aquele capô.
Claro que a diplomacia não funcionava com ele.
Mas ali estava, despertando toda a vizinhança às três da manhã com aquele maldito automóvel. Que injustiça! Ele a exortou porque o despertou às duas da tarde! Isso lhe deu vontades de ir até a casa dele e tocar a campainha até que estivesse tão acordado quanto os outros.”
Não, este não é um texto como os outros em que os protagonistas se bicam no início e, logo depois estão sem enroscando. Não.
Todas as sextas (tinha que ser, né?) ela e três amigas do Hammerstead Technology, onde trabalhavam, reuniam-se depois do trabalho em um bar da localidade, para tomas uma taça de vinho, jantar e jogar conversa fora. Era uma necessidade, porque tralhavam em uma área dominada pelos homens, então precisavam por os papos “mulherzinha” em dia.
Entre os assuntos, claro, predominava o sexo oposto.
— Que dia! — disse no instante em que se jogava na quarta cadeira, que estava vazia. Enquanto dava graças a Deus, por ser sexta-feira. Tinha sido um asco de dia, mas era o último, pelo menos até asegunda-feira seguinte.
— Nem me fale! — murmurou Marci, enquanto apagava um cigarro e se apressava em acender outro. — Ultimamente Brick está insuportável. É possível que os homens sofram de síndrome pré-menstrual?
— Eles não precisam — disse Jaine, pensando no tipo que tinha por vizinho... um tipo policial. — Nascem envenenados pela testosterona.
— OH, é isso o que lhes ocorre? —Marci pôs os olhos em branco. — Eu acreditava que era pela lua cheia ou algo assim. Nunca se sabe. Hoje Kellman tocou minha bunda.
— Kellman? —repetiram as outras três ao uníssono, atônitas, atraindo a atenção de todos os que as rodeavam. Romperam a rir, pois de todos os possíveis perseguidores, aquele era o menos provável.”
Isso é comum, não importa a cidade, o continente, acho que até mesmo o planeta, uma hora todas falamos dos homens ou mal deles.
Essas amigas até criaram uma lista das qualidades que um homem precisa para ser considerado perfeito... sonhem... rs
“— Esta manhã, tive outro incidente com meu vizinho — disse Jaine suspirando enquanto apoiava os cotovelos sobre a mesa e o queixo entre os dedos entrelaçados.
— O que foi desta vez?
— Estava com pressa, e ao dar marcha ré bati no cesto de lixo. Já sabem o que ocorre quando as pessoas estão apressadas. Esta manhã tudo deu errado. Primeiro, meu cesto do lixo se chocou contra o do vizinho, e a tampa saltou e rolou rua abaixo. Já podem imaginar o barulho que armou. Ele saiu pela porta principal como se fosse um urso, chiando que eu era a pessoa mais ruidosa que tinha conhecido em sua vida.
— Você deveria ter derrubado o cesto de lixo — disse Marci.
— Ele teria me detido por perturbar a ordem pública — replicou Jaine em tom doído. — É policial.
— O que? —Todas pareciam incrédulas, pois a descrição que Jaine fez do homem: olhos avermelhados, barba desalinhada e roupa suja, não soava muito como a de um policial.
— Suponho que os policiais podem ser tão bêbados como outro qualquer — disse T. J., ainda sem acreditar.
— Mais que qualquer um, diria eu. Jaine franziu o cenho recordando o encontro daquela manhã.
— Pensando melhor agora, não cheirava a nada. Tinha o aspecto de estar há três dias bêbado, mas não cheirava a álcool. Merda, não quero pensar que possa ter esse mau-humor quando nem sequer está com ressaca.
— Pague —disse Marci.
— Filha da puta! —exclamou Jaine exasperada consigo mesma. Fizera um trato com elas de que pagaria a cada uma um quarto de dólar a cada vez que soltasse um palavrão, com o propósito de que isso a incentivasse a deixar de pronunciá-los.
— Pague outra vez — riu T.J.,  estendendo a mão.
Grunhindo, mas tomando cuidado de não amaldiçoar, Jaine tirou vinte e cinco centavos para cada uma de suas amigas. Ultimamente se assegurava de levar bastante moedas na bolsa.
— Pelo menos não é mais que um vizinho — disse Luna em tom consolador. — Pode evitá-lo.
...
— Eu sei que ele não é perfeito, mas...
— Mas você quer que seja — terminou T. J.
Jaine sacudiu a cabeça em um gesto negativo.
— Isso não vai acontecer — anunciou. — O homem perfeito é pura ficção científica. Claro que nós, tampouco, somos perfeitas —acrescentou — mas a maioria das mulheres, pelo menos, tenta. Para mim as relações simplesmente não funcionaram. — ficou em silêncio durante uns instantes e logo disse em tom desconsolado: — Embora não me importaria de ter um escravo sexual.
As outras três estouraram em risadas, inclusive Luna.
— Tampouco eu me importaria —disse Marci. — Onde poderia conseguir um?
— Tente em Escravos Sexuais, S.A — sugeriu T. J., e todas voltaram a rir.
— Estou certa que existe uma página na Web — disse Luna.
— Mas é claro que existe. —Jaine com um semblante totalmente inexpressivo. —Tenho em minha lista de favoritos: www.escravossexuais.com.
— Basta indicar seus requisitos e poderá alugar homem perfeito por horas ou por dias. —T. J. agitou seu copo de cerveja deixando-se levar pelo entusiasmo.
— Um dia? Sejamos realistas. —Jaine assobiou. — Uma hora é pedir um milagre.
— Além disso, o homem perfeito não existe, não lembram? —disse Marci.
— Um de verdade, não; mas um escravo sexual teria que fingir ser exatamente o que alguém deseja, não é?
Marci não ia a nenhuma parte sem sua maleta de couro. Abriu-a e extraiu dela um caderno e uma caneta que deixou sobre a mesa.
— Com toda segurança, sim. Vejamos, como seria o homem perfeito?
— Teria que lavar os pratos sem que ninguém lhe pedisse — disse T. J. pondo uma mão em cima da mesa e atraindo olhares de curiosidade.
Quando todas conseguiram deixar de rir o tempo suficiente para falar com coerência, Marci escreveu no caderno.
— Muito bem, número um: lavar os pratos.
— Não! Ouça, lavar os pratos não pode ser a primeira condição — protestou Jaine. — Antes disso temos outras coisas mais importantes.
— Tá! — disse Luna. — Falando sério, como acreditam que deveria ser um homem perfeito? Eu nunca pensei sobre isso. Talvez fosse mais fácil se tivesse claro o que eu gosto em um homem.
Todas fizeram uma pausa.
— O homem perfeito? Sério? —Jaine enrugou o nariz.
— Sério.
— Isto vai requerer pensar um pouco — declarou Marci.
— Para mim, não — disse T. J. ao mesmo tempo que a risada desapareceu de seu rosto. — O mais importante é que queira na vida o mesmo que você quer.
Todas ficaram em silêncio. A atenção que tinham tomado dos clientes das outras mesas foi direcionada para outros lados.
— Que queira na vida o mesmo que você — repetiu Marci ao mesmo tempo em que o escrevia. — Esta é a primeira condição? Estamos todas de acordo?
— Essa condição é importante — disse Jaine. — Mas não estou certa de que seja a primeira.
— Então, qual é primeira para ti?
— A fidelidade. — Pensou em seu segundo noivo. — A vida é muito curta para esbanjá-la com uma pessoa da que não se pode confiar. Alguém deveria poder confiar que o homem que ama não vai mentir, nem enganá-la. Se tiver isso como base, pode-se trabalhar no resto.
— Para mim, isso é o primeiro — disse Luna em voz baixa.
T. J. refletiu um momento.
— De acordo — disse por fim. — Se Galan não fosse fiel, eu não quereria ter um filho com ele.
— Eu assino embaixo — disse Marci. — Não suporto um tipo que joga com dois baralhos. Número um: que seja fiel. Que não minta nem engane.
Todas assentiram.
— Que mais? —Permaneceu com a caneta apoiada no caderno.
— Tem que ser agradável — sugeriu T. J.
— Agradável? —disse Marci incrédula.
— Sim, agradável. Quem deseja passar toda a vida com um tipo antipático?
— Ou ser vizinha dele? [...]
Luna afirmou com a cabeça.
— Muito bem — disse Marci. — Até que me convenceu. Eu acredito que não conheci nunca um tipo agradável. Número dois: agradável. —anotou — Número três? Tenho uma sugestão: quero um homem que seja confiável. Se disser que vai fazer algo, que o faça. Se tiver que encontrar-se comigo às sete em um determinado lugar, tem que estar ali às sete, não chegar tranquilamente às nove e meia ou nem ir. Estamos todas de acordo nisto?
As quatro levantaram a mão em um voto afirmativo, e a condição «de confiana» passou a ocupar a casinha número três.
— Número quatro?
— O evidente — disse Jaine. — Um trabalho estável.
Marci fez uma careta de desgosto.
— Ai. Essa tocou num ponto sensível. — Naquele momento Brick estava sentado sem fazer nada.
— Um trabalho estável está incluído no item de confiança — assinalou T. J. — E estou de acordo, é importante. Manter um emprego estável é sinal de maturidade e de sentido de responsabilidade.
— Um trabalho estável — disse Marci, ao mesmo tempo em que escrevia.
— Deve ter senso de humor — disse Luna.
— Algo mais que rir com o Cantinflas? — perguntou Jaine.
Todas estouraram em risadas.
— O que têm que ver os homens com isso? —perguntou T. J. — E brincadeiras a respeito de funções corporais?! Ponha isso em primeiro lugar, Marci, nada de brincadeiras no banheiro!
— Número cinco: senso de humor — riu Marci, escrevendo. — Para ser sincera, não acredito que possamos dizer que tipo de humor deve ter.
— Claro que podemos — corrigiu Jaine. — Vai ser nosso escravo sexual, não te lembra?
— Número seis. — Marci chamou a atenção dando uns golpinhos com a caneta contra a borda de seu copo. — Voltemos para o trabalho, senhoras. Qual é a condição número seis?
Todas se olharam entre si e se elevaram de ombros.
— O dinheiro não seria mal — sugeriu por fim T. J. — Não é uma condição imprescindível na vida real, mas isto é uma fantasia, não é assim? O homem perfeito deve ter dinheiro.
— Tem que ser asquerosamente rico ou simplesmente gozar de folga econômica?
Aquilo as fez pensar um pouco mais.
— A mim, particularmente, eu gostaria que fosse asquerosamente rico —disse Marci.
— Mas se fosse tão rico, ele iria querer mandar tudo. Estaria acostumado a isso.
— Isso não vai acontecer de maneira nenhuma. De acordo, que tenha dinheiro está bem, mas não muito dinheiro. Folgado. O homem perfeito deve ter folga econômica.
Quatro mãos se elevaram no ar, e a palavra «dinheiro» ficou escrita na casinha número seis.
— Como isto é uma fantasia —disse Jaine, — deve ser bonito. Não um Adonis de cair morta, porque isso poderia ser um problema. Luna é a única de nós que é bastante bonita para manter o tipo ao lado de um homem atrativo.
— Não está me servindo tão bem, acredito eu —repôs Luna com um pingo de amargura. — Mas sim, para que o homem perfeito seja perfeito de verdade, tem que dar gosto de olhá-lo.
— Muito bem, pois a condição número sete é: que dê gosto olhá-lo. — Quando terminou de escrever, Marci levantou a vista sorridente. — Serei eu a que dirá no que todas estamos pensando. Tem que ser estupendo na cama. Não basta que seja bom; tem que ser estupendo. Tem que ser capaz de me arrepiar e deixar louca. Deve ter a resistência de um puro-sangue de corridas e o entusiasmo de um moço de dezesseis anos.
Todas riam muito quando o garçom deixou os pratos sobre a mesa.
— O que é o que tem tanta graça? —quis saber.
— Você não entenderia — conseguiu dizer T. J.
— Já sei — disse com um gesto significativo. — Estão falando de homens.
— Pois não, estamos falando de ficção científica — replicou Jaine, com o qual provocou novas gargalhadas. As pessoas das demais mesas voltaram a olhá-las com curiosidade, tentando entender o que podia ser tão engraçado.
O garçom se foi. Marci se inclinou sobre a mesa.
— E antes de que me esqueça, quero que meu homem perfeito tenha umas medidas de vinte e cinco centímetros!
— Deus Santo! —T. J. fingiu desmaiar e se abanou com a mão. — O que eu não faria com vinte e cinco centímetros! Ou melhor, o que poderia fazer eu com vinte e cinco centímetros!
Jaine estava rindo tão forte que tinha que apertar a barriga. Custou-lhe muito manter baixo o tom de voz, e disse entre risadas:
— Vamos! Qualquer coisa que esteja acima dos vinte centímetros é puramente de exibição. Existe, mas não se pode usar. É possível que seja bom para vê-lo em um vestiário, mas encaremos os fatos: esses cinco centímetros a mais são sobras.
— Sobras! —exclamou Luna apertando o estômago e partindo-se de risada. — Diz que são sobras!
— OH, meu Deus! —Marci secou os olhos enquanto escrevia rapidamente. — Isto vai longe. Que mais deve ter nosso homem perfeito?
T. J. agitou a mão fracamente.
— A mim — sugeriu entre risadas. — Pode ter a mim.
— Se não der uma rasteira em nós para que não o alcancemos — disse Jaine, e levantou seu copo. As outras três levantaram o seu, e brindaram os cristais com um alegre som. — Pelo homem perfeito, em qualquer lugar que se encontre!
Enfim, devaneios a parte, Jaine tem o trabalho que ama, as amigas que adora e com quem se diverte. Apesar de seu infortúnio com o vizinho, não tem mais do que reclamar, até que uma série de assassinatos se inicia, infelizmente por conta dessa lista “inocente”, e estando cada vez mais próximo de sua vida, seu caminho, impreterivelmente terá que cruzar com Sam, muito mais do que ela desejava.
Sobre Sam, obviamente eles continuam a trocar muitas farpas, mas quando ela encontra-se acordada, quando deveria estar dormindo tranquilamente, resolve caminhar pela casa e tem uma surpresa.
“Tomou um café e contemplou como o céu ia clareando. Era evidente que Bubu a tinha perdoado por despertá-lo de novo, porque se sentou a seu lado lambendo as patas e ronronando, cada vez que ela o arranhava detrás das orelhas com gesto distraído.
O que aconteceu a seguir não foi culpa dela. Jaine estava de pé junto à pia, lavando a xícara que tinha usado, quando a luz da cozinha da casa de em frente foi acesa e Sam entrou em seu campo visual.
Jaine parou de respirar. Os pulmões se encolheram...
— Santo céu bendito — murmurou, e então conseguiu inalar ar.
Estava vendo uma porção maior de Sam do que alguma vez esperou ver; na realidade, estava vendo tudo. Sam estava de pé na frente da geladeira, completamente nu. Assim teve tempo de admirar sua nádegas antes de que ele tirasse uma garrafa de suco de laranja, desenroscasse a tampa e o levasse a boca ao mesmo tempo que dava meia volta.
Jaine esqueceu as nádegas. Era mais impressionante vindo que indo, e isso já era dizer algo, porque tinha um bumbum mais que bonito. Aquele homem era soberbamente bem dotado.
— Meu Deus, Bubu! — disse com uma exclamação afogada.
O certo era que Sam estava muito bom por toda parte. Era alto, de cintura magra e musculatura forte. Jaine cravou o olhar um pouco mais acima e viu que possuía um peito atrativo e peludo. Já sabia que era bonito de rosto, embora fosse um tanto machucado. Olhos escuros e sexy, dentes brancos e uma risada agradável. E soberbamente bem dotado.
Levou-se uma mão ao peito. O coração estava fazendo algo mais que pulsar com força; estava tentando abrir passagem com golpes através do esterno. Àquela excitação se uniram também outras partes de seu corpo. Em um instante de loucura, pensou em correr para sua casa e lhe servir de colchão.
...
Jaine se agarrou a pia para não desmoronar-se e terminar no chão. Ainda bem que tinha renunciado aos homens, porque do contrário talvez tivesse saído correndo e ido direto à porta de seu vizinho. Mas com homens ou sem eles, ainda apreciava a arte, e seu vizinho era uma obra de arte, uma mescla entre a clássica estátua grega e uma estrela do pornô.”
Sam e Jaine ainda vão passar por muitas situações, boas e ruins, muito ruins. Mas sua história está longe se ser um romance adocicado, na verdade vivemos com eles um mistério extremamente perigoso, a adrenalina aqui corre solta.
Mr. Perfect é bem o estilo de livro que amo ler, tem de tudo: humor, calorosas discussões, mistério, policial, homens maravilhosos e críveis, mulheres fortes e possíveis. Claro, este é um livro da minha autora que encabeça a lista das minhas favoritas.
Eu fico por aqui, encerrando um ciclo de Sexta Envenenada semanal, mas com a promessa de que muitas emoções ainda estão por vir.
Obrigada a todos pela paciência e pelo carinho que têm demonstrado durante este primeiro ano.
Fiquem bem e carpe diem.
 

10 comentários:

  1. Uau, amei. Agora quero logo ler este bendito livro. SOCORRO, vou falir. Você elogiou tanto que tem como não ler? kkkkkkkkkkk...

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  2. Não conhecia, mais você me deixou muito curiosa com essa história. Mais que vizinho ela tem! Se fosse eu já estaria arrancando os cabelos de raiva. Adorei seus comentários sobre o livro e vou ver se consigo ler. Beijos.

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  3. O livro realmente me chamou a atenção, pois tem muita coisa que eu gosto bastante. E alguma dúvida de que essas picuinhas e "ódio eterno" não tem nada por trás?!?! Rsrsrs

    @_Dom_Dom

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  4. Uma das coisas bacanas dessa coluna foi que eu conheci autores que talvez não chegasse a conhecer, como é o caso de Linda Howard. Agora, mesmo que mensal, sei que continuarei a ser apresentada a grandes autores do gênero que fazem da sexta um dia mais envenenado. Bem, é mais um livro que entra para aquela famosa listinha interminável.

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  5. As vezes de cara assim, vamos ficar um pouco chateados por essa coluna ser apenas 1 vez por mes, mas quem sabe isso vai nos deixar mais ansiosos pra que chegue logo o dia pra vermos o que voce nos reserva de bom no mes né,rsrs! Com certeza o sucesso continuará e talvez até aumente!
    O livro de hoje me deixou curiosa demais pra saber um pouco mais desse vizinho "espirito de porco",hehehe! Gosto de tramas que envolvem vários gêneros literários, achei um livro perfeito, e é claro que se alguma Editora fizer o grande favor de publica-lo aqui, vou ler! :)

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  6. Esse livro parece ser muito bom, eu ainda não conhecia, mas fiquei muito curiosa pra conhecer mais do "espirito de porco". E eu também adoro livros assim com humor, mistério, homens maravilhosos...
    Eu gosto tanto dessa coluna, só é uma pena que agora seja só uma vez por mês :/
    Bjs

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  7. eu não conhecia nem a autora e nem o livro, mas a autora parece ser muito boa (porque você elogiou bastante ela) e o livro parece ser muito divertido e gostoso de ler. Pena que nenhuma editora quis trazer o livro pra cá :/

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  8. Que pena que a coluna vai ser mensal, gosto muito dela. Armaria quero demais esse livro!!

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  9. Querendo ler coisas dela, parece tããããããão bom! Pena que a coluna passou a ser mensal, mas assim é até bom pra quem escreve né, tem tempo de fazer uma bem mais especial não é? Semanal é legal porque a cada semana é uma dica nova, mas tudo bem, pelo menos ainda está de pé.

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  10. Eu estou gostando muito da coluna por que estou conhecendo muitos autores novos, e me deixando louca com tanto livro que quero, pena que vai ser mensal, vamos ficar sentindo falta. Que vizinho heim !!!

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