5 de julho de 2013

Sexta Envenenada: Retratos de um Verão


“Caminhando e cantando/E seguindo a canção
Somos todos iguais/Braços dados ou não

Nas escolas, nas ruas/Campos, construções

Caminhando e cantando/E seguindo a canção

Vem, vamos embora/Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer

Pelos campos há fome/Em grandes plantações
Pelas ruas marchando/Indecisos cordões

Ainda fazem da flor/Seu mais forte refrão

E acreditam nas flores/Vencendo o canhão

Vem, vamos embora/Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer

Há soldados armados/Amados ou não
Quase todos perdidos/De armas na mão

Nos quartéis lhes ensinam/Uma antiga lição:

De morrer pela pátria/E viver sem razão

Vem, vamos embora/Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas/Campos, construções
Somos todos soldados/Armados ou não

Caminhando e cantando/E seguindo a canção

Somos todos iguais/Braços dados ou não

Os amores na mente/As flores no chão
A certeza na frente/A história na mão

Caminhando e cantando/E seguindo a canção

Aprendendo e ensinando/Uma nova lição

Vem, vamos embora/Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer”

Para não dizer que não falei das flores

Geraldo Vandré 


 
Olá, Envenenados!

Em tempos de torneios esportivos, principalmente futebol, sobretudo quando se trata de jogos em que é a seleção brasileira que está disputando, uma parcela considerável da população entra em polvorosas. Por outro lado, ainda que a exaltação seja grande, estamos vivendo momentos ainda mais importantes para o país.
Não desmerecendo a atuação do grupo de jogadores – até porque eles são muito bem pagos para fazerem o que fazem – o que se viu no último domingo foi uma demonstração clara de que, mesmo amando o esporte, muitos brasileiros não mais o colocam em primeiro lugar em suas prioridades.
Foi-se o tempo em que vivíamos um dos piores cenários políticos e sociais e nossos olhos eram sistematicamente direcionados para a Copa do Mundo, por exemplo. Naquela época, a censura e o domínio militar se encarregavam de alienar uma boa fração da sociedade, que estava carente de vitórias.
Hoje, ainda há muito a ser feito, nós precisamos conhecer nossos direitos e deveres, é preciso educarmo-nos politicamente, mas estamos um pouco mais livres e conscientes: a população assiste às partidas ao mesmo tempo em que acompanha as manifestações que têm ocorrido.
Claro que ainda há quem critique os torcedores, assim como que meta o malho nos manifestantes. Eu mesma não gosto e não assisto futebol, tenho minhas preferências e opiniões, mas respeito quem curte, até porque faço parte de uma família de flamenguistas doentes. Só não gosto de imposições e críticas de quem nem sequer sabe do que está falando. No mesmo domingo uma amiga minha postou, logo após o final do jogo: “Somos excelência no futebol...”. Por favor, seríamos excelência em qualquer âmbito se houvesse patrocínio, investimento. “Os manifestantes não se machucariam se ficassem em casa.” Putz! Não seriam manifestantes se em casa ficassem, assim como muitos torcedores vão aos estádios e também correm riscos.
Jon Passavant
É disso que estou falando, até para criticar é preciso conhecimento.
Enfim, vamos ao que interessa, pelo menos a esta coluna.
O absinto que quero apresentar a vocês é Shade Colby, do segundo romance de Amor de Verão: Retratos de um Verão – da Nora Roberts.
Shade é um fotógrafo que busca registrar o mundo como ele é, com a crueza da realidade. Acostumado a captar os conflitos, as dores, o lado feio da humanidade, ele se tornou conhecido e premiado pela força de suas fotos.
Shade se considera alguém se compaixão, sem romantismo. É bastante realista e impaciente, lembrando-me de alguém.
Agora, ele se vê com um novo desafio: seu novo trabalho será registrar o verão de um ponto a outro dos EUA – partindo da costa oeste, visitando toda a extensão do país, até a costa leste.
Seria descomplicado, já que está familiarizado com longas temporadas na estrada, não fosse o fato de ter que dividir esta tarefa com Bryan Mitchell.
Bryan é uma fotógrafa de celebridades que, diferentemente da maioria de seus colegas, não é uma paparazzi. Seu trabalho foca a pessoa e não o artista, busca o melhor, o mais belo em cada um; faz ensaios fotográficos e não fotografias para expor situações desagradáveis desses artistas.
Como Shade, de quem é admiradora, Bryan está preocupada por ter que passar um verão inteiro dividindo uma van, laboratórios e opiniões com alguém tão diferente.
Com estilos e visões profissionais tão distintos, Shade e Bryan percebem que também têm maneiras diferentes de encarar a vida. Ambos firmam um acordo para que possam realizar seu trabalho, sem a interferência do outro.

Terão como objetivo comum fotografar a rotina dos americanos a cada cidade que vão visitando, se revezando na direção, trocando farpas, vez por outra. Mas o que não podem negar é a admiração mútua e o desejo crescente. Não negam para si mesmos, tampouco para o outro.
“─ Shade, você curte essa imagem fria e distante que elaborou para si próprio?
Ele não olhou para ela, mas quase deu um sorriso.
─ É confortável.
─ Exceto para as pessoas que precisam fica a meio metro de você. – Não perderia a oportunidade de provocá-lo. – Talvez leve muito a sério o que a imprensa diz de você – sugeriu ela. – Shade Colby, tão misterioso, e intrigante quanto seu nome, tão perigoso e tão arrebatador quanto suas fotos.
Desta vez ele sorriu, surpreendo-a. De uma hora para a outra, ele se transformou em uma pessoa com a qual ela talvez quisesse apertar as mãos e dar gargalhadas.
─ Onde diabos leu isso?
─ Celebrity – resmungou ela. – Mês de abril, cinco anos atrás. Fizeram um artigo sobre o mercado de fotos em Nova York. Um de seus trabalhos foi vendido por 7.500 dólares na Sotheby’s.
─ Foi mesmo? – O olhar dele percorreu seu perfil. – Sua memória é melhor do que a minha.
Ela parou e virou o rosto para ele.
­─ Droga, eu comprei a foto. É uma melancólica, deprimente e fascinante cena de rua que eu não compraria por dez centavos se tivesse conhecido você antes. E seu eu não tivesse ficado tão apaixonada por ela, pintaria ela de preto assim que chegasse em casa. Mas parece que vou ter mesmo é de virá-la para a parede por seis meses até esquecer que o artista que a produziu é um idiota.
Shade a observou, sóbrio depois, assentiu com a cabeça.
─ Você faz um discurso e tanto quando está inspirada.
...
─ Já que vamos literalmente viver juntos pelos próximos três meses, talvez você queira resolver o resto agora mesmo.
─ Que resto?
─ Das reclamações que possa querer fazer.
...
─ Não gosto de você. Eu diria isso com a maior tranquilidade, mas não existe mais ninguém de quem eu não goste.
─ Ninguém?
─ Ninguém.”
Parece um começo nada promissor, mas acontece que o que irrita Bryan é a rudeza e o cinismo de Shade e, de certa forma, a atração que ele exerce nela.
Por outro lado, Shade começa a achar interessante aquela mulher franca e generosa que não consegue passar muito tempo que comer e que, incrivelmente, não engorda nenhum grama (inveja).
O gostoso nessa história é que eles deixam claro inclusive o desejo que sentem um pelo outro, até testam seus limites, arriscando um beijo como forma de analisar se isso seria ou não uma complicação.
Outro aspecto da história de cada um que com a qual me identifiquei é o fato de ambos já terem sido casados. Obviamente, seus casamentos não funcionaram, mas cada um tem uma interpretação para suas separações.
Nenhum rompimento é fácil, mesmo quando não há filhos na história, como é o caso dos dois, ficam marcas. A gente vai se questionando durante um bom tempo: onde eu errei, o que poderia ter feito para fazer funcionar, do que não abri mão... e, claro, também culpamos o outro.
Conheço pessoas que casam com a mesma facilidade com a que trocam de roupa, outras querem distância de relacionamentos mais sérios depois de uma separação... não concordo nem discordo, só sei que a insegurança fica ali, seja por qual motivo for, sempre fica uma incerteza, um pé atrás... e este é o caso de Bryan, quem após sua separação, não mantém relacionamentos duradouros.
Mas, durante aquele verão, fotografando inúmeras pessoas em diversas situações, ela vai percebendo tantas coisas, das quais sempre sentiu falta e não percebia. Ela sempre focou o melhor das pessoas que fotografava, capturando um pouco para si, mas a cada cidade que visita com Shade ela vai percebendo o que realmente precisa.
Para Shade, esse trabalho também trará muitas mudanças, principalmente a ótica pela qual enxerga o mundo e a si mesmo, mas não serão as cidades que lhe proporcionarão isso, mas Bryan, com seu olhar terno, suave e simples. Ele estava acostumado a ter como modelo a história, os acontecimentos e não as pessoas; Bryan não, sempre foca as pessoas, sua felicidade, sua tristeza, seu amor, sua vida.
Bryan vai trazendo luz para sua vida de uma maneira irrevogável e, sem perceber ele se descobre apaixonado.
Mais uma vez Nora Roberts surpreende com sua criação, pois traz uma história gostosa de ler, com personagens possíveis, com complicações plausíveis, mas leves e fazem com que torçamos por eles, para que sejam felizes.
A sensualidade de Shade e Bryan é posta à prova o tempo todo, ambos se provocam continuamente, sempre se desafiando e levando ou outro ao limite. Mas há uma beleza aqui, dessas que vemos em ensaios fotográficos muito bem realizados.
“Ele era especialista em capturar os momentos, as emoções, a mensagem. Liberou os próprios sentimentos e foi atrás da câmera.
─ O que está fazendo?
Quando ela fez menção de se levantar, Shade virou-se para ela.
─ Fique aí um minuto.
Intrigada e cautelosa, ela observou-o montar a câmera.
─ Eu não...
─ Fique deitada no jeito que estava – interrompeu ele. – Relaxada e bem satisfeita consigo mesma.
A intenção dele era mais do que óbvia agora. Bryan franziu a testa. Uma obsessão, pensou ela, divertindo-se. A câmera era uma obsessão para ambos.
─ Shade, eu sou fotógrafa, não modelo.
─ Faça isso por mim.
Com delicadeza, ele a empurrou de volta para a cama.
─ Estou com muito champanhe na cabeça para poder discutir com você. – Ela sorriu para ele no momento em quem ele apontou a câmera para seu rosto. – Pode brincar, se estiver a fim, ou tirar fotos sérias, se é o seu dever. Contanto que eu não tenha de fazer nada.
Ela não fez nada, além de sorrir, e ele começou a latejar. Quantas vezes não usara a câmera como uma barreira entre o objeto e si próprio, outras vezes como a condutora  de sua emoção, emoção que se recusava a liberar de outra forma. Agora, não era uma coisa nem outra. A emoção já estava nele, e as barreiras não eram mais possíveis.
....
─ É aquele sexo sem pressa – murmurou ele, deslizando o vestido para baixo. – Aquelas incríveis ondas de sensualidade que surgem sem esforço algum, simplesmente existem. É o que vejo nos seus olhos. – Mas quando os olhos dele grudaram nos dela, Bryan esquece a piada que estava a ponto de contar. – É  o que vejo quando a toco... assim. – Lentamente, ele passou a mão pelo ombro nu de Bryan. – É o que vejo depois de te beijar... assim. – Ele a beijou, demorando-se enquanto a mente dela esvaziava os pensamentos e seu corpo se enchia de sensações. – Assim – sussurrou ele, mais determinado do que nunca a capturar aquele momento, torná-lo tangível até poder segurá-lo com as mãos e vê-lo com seus olhos. – Assim – repetiu, dando um passo para trás, depois dois. – É o que vejo antes de fazermos amor. E como a vejo depois.”
Sem muito esforço Bryan seduz e derruba as barreiras de Shade, mas as suas serão mais difíceis de superar. Eles terão até o final da estação, que é quando deverão entregar o projeto, para revelar os negativos e ampliar as imagens de si mesmos.
Descomplicada é a leitura de Retratos de Verão, com paisagens que ficam no nosso imaginário, com diálogos inteligentes e um relacionamento muito envolvente.
Eu... vou ficando por aqui, pois a Sexta promete e eu também vou atrás dos meus Retratos de Verão – tudo bem que verão mesmo só lá na "gringa" – não custa nada imaginar!

Fiquem bem e Carpe Diem!




4 comentários:

  1. Eu não curto futebol, então em momento algum eu desliguei do que estava rolando no mundo. Devo admitir que estou mto feliz pelo que tem acontecido, a aguá bateu para os políticos, e já vencemos mais uma guerra com o arquivamento da cura gay, espero que todo resto caminhe igual =}
    Qt a Nora aiai, é Nora =D

    miquilis: Bruna Costenaro

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  2. Hummm, esse tem um toque especial ao quadrado pra mim! Adorei!
    Mas caramba, são tantos livros dela que fico doida sem saber o que ler. Gosto de todos, quero ler todos e acaba não tendo como ler nenhum :S
    Diacho, gostei desse =/

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  3. Essa música me dá um arrepio na espinha, rs. Provavelmente por retratar um momento muito delicado do passado do nosso país.
    Eu também não sou fã de futebol, não assisto, não quero nem saber e, pra ser sincera, acho desnecessária a forma como a maioria dos brasileiros reverenciam. É claro, muitos abriram os olhos para o que realmente importa.

    aaahhh, já amei o Shade, fotógrafo e com visão sensível e ampliada?! Adoro isso! kkkkk Adorei também a intenção da Bryan (nossa, nunca vi esse nome em uma mulher! Achei esquisito...rs), legal ela procurar pelo comum e normal em uma celebridade.
    Mesmo ambos tendo a mesma profissão, só que com visões e pontos de vista diferentes, acredito mesmo que venha muito briga por aí. Mas, está na cara que formam um casal perfeito. Já torço por eles.
    Nora Roberts é muito criativa. É ótimo que ela nos traz histórias lindas e, de certa forma, comuns, como você mesma citou, ''personagens possíveis''.

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  4. Apesar de adorar futebol, não sou do tipo que esquece do mundo por causa dos torneios e estou muito feliz com o tetra! Bem, ainda não i nada da Nora Roberts ... sempre aparece algo na frente e eu acabo não lendo. Mas gostei muito da indicação.

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