21 de junho de 2013

Sexta Envenenada: Amor de Verão - Segunda Natureza

“Algumas coisas não podem ser explicadas,
mesmo quando compreendidas.”
Hunter Brown


Olá, Envenenados!

Voltei, bem rápido desta vez.
Rápido e com uma fé renovada, já que o momento que estamos vivendo parece um prelúdio de mudanças. A grande mudança de comportamento da sociedade brasileira diante das idiotices políticas e de outras figuras públicas, já é motivo para começarmos a olhar com mais esperança de que nosso país, enfim, vai crescer.
Pode demorar, mas é cíclico o fato da população se mostrar consciente. Lembro da época em que era adolescente, quando presenciei o movimento pelas eleições diretas, pelo impeachment do então presidente Collor, quando participei das passeatas pelo passe livre nos transportes coletivos para nós, estudantes secundaristas. Fiz parte da Geração Coca-Cola, a mesma que “depois de vinte anos na escola”, não tinha dificuldade em compreender todas as manhas do jogo sujo dos poderosos, como tinha de ser. Fomos filhos da revolução e hoje vejo, parafraseando minha filha adolescente, os “Netos da Revolução”, tentando derrubar leis e “jogar Mentos na nossa Coca-Cola”.
Confesso que não esperava mais presenciar os atuais acontecimentos, pensei que haveria, pelo menos, mais umas duas décadas para que o povo se manifestasse novamente. Vejo, pelas minhas crianças, que esta geração de herdeiros da Geração Coca-Cola não vai deixar barato, acho que fizemos o nosso dever de casa afinal.
Sou entusiasta desses movimentos estudantis, sociais. Temos que orientar nossos jovens para que entendam sua história, que contestem de maneira a não perder sua razão. Pensamos que a população está com os olhos embaçados pelo futebol, pelas esmolas políticas, mas há um número considerável de pessoas que não se iludem. Hoje, por exemplo, fui ao centro da cidade para começar a providenciar os enfeites da festa julina da escola em que trabalho e, em uma das lojas tive a grata surpresa de ver duas vendedoras comentando essas manifestações, pelos seus comentários elas tinham consciência de que “não é por vinte centavos” como andam falando por aí.
http://www.redesuldenoticias.com.br/noticia.aspx?id=53680
É isso mesmo, é por muito mais que isso, pela corrupção que essa canalha comete como quem bebe água, é pelo descaso com as necessidades mais básicas e que são direitos constitucionais, é por nos fazerem passar por palhaços por tanto tempo. Temos que provar que não somos o país do futebol, do Carnaval, do sexo fácil. Está mesmo na hora de mostrarmos, não a nossa cara e a nossa bunda, pois estas estão estampadas no mundo todo, mas sim nossa dignidade e inteligência política, que crescemos como cidadãos e lutamos pelo que é justo. Vamos varrer esses seres contaminados do Congresso e aprender a fazer leis que atendam de fato às nossas necessidades e, principalmente, entender que pagamos impostos para que tenhamos os serviços garantidos. E lembrar que o dinheiro empregado para reformar os estádios onde de fato se joga futebol sai do nosso bolso.
Desculpem o desabafo, mas este está atravessado há muito tempo.
Mas, finalmente, chegando onde devemos nesta sexta-feira revolucionária, vamos relaxar um pouco com mais um absinto.
Para equilibrar o clima, hoje resolvi trazer Hunter Brown, que é personagem de um dos romances de mais um livro duplo da minha querida Nora Roberts. Segunda Natureza é o primeiro texto de Amor de Verão, publicado aqui pela Herlequin Books em 2006. Mas, originalmente, foi editado em 1985, coincidentemente (eu juro), na mesma época dos movimentos que mencionei acima.
Hunter é um escritor famoso pelos seus livros de terror, que preza seu trabalho e privacidade, que “não se considerava um recluso; não se considerava um anti-social. Simplesmente levava uma vida da maneira que escolhera. [...]
 É o tipo de escritor que praticamente não faz aparições públicas constantemente, está sempre se recusando a dar entrevistas; nem mesmo seus livros possuem sua imagem. Ou seja, pouco ou nada, se sabe a seu respeito, além do fato de que seus livros viram Best Sellers.
Lenore Radcliffe é uma repórter que decidiu entrevistar o misterioso autor será o trabalho que a levar ao topo. Mas, além dessa ambição profissional, há também o desejo de conhecer e compreender a mente criadora de histórias tão envolventes.
O mais curioso nisso é como Nora conseguiu retratar exatamente o que nós, leitores, sentimos em relação aos autores que acompanhamos. Essa necessidade de questionar, de entender, esse fascínio que exercem sobre nós.
E é este fascínio e essa necessidade de entendimento que levam Lee a fazer de tudo para conseguir uma entrevista exclusiva do Hunter.
Para começar, ela se inscreve em um congresso de escritores, para o qual recebeu de fonte segura a informação de que Hunter foi convidado e – inusitadamente – aceitou palestrar sobre livros de terror.
Assim, Lee parte de Los Angeles até Phoenix para assistir ao pequeno congresso e conhecer seu autor preferido. Só que, ao chegar ao pequeno aeroporto, ela precisa solicitar que o hotel onde será realizado o evento lhe envie um motorista.
E aqui sua aventura começa, pois assim que sai do toalete percebe um homem alto ao lado de sua bagagem.
“– Sou Lee Radcliffe.
Quando ele se virou, ela enrijeceu, o sorriso impessoal, congelou-lhe o rosto. No instante inicial, não pode definir qual motivo. Ele era atraente – talvez atraente demais. O rosto era estreito mais não tinha um ar acadêmico, tinha as feições duras, mas não rudes. Era, em excesso, uma combinação dos dois, muito mais do que uma característica ou outra. Tinha o nariz reto e aristocrático, ao passo que a boca era esculpida como a de um poeta. Seus cabelos eram escuros, cheios e rebeldes, como se tivesse dirigido em alta velocidade por horas a fio contra o vento. Mas não foi nada disso que a fez perder a voz. Foram seus olhos.
Ela jamais vira olhos tão escuros quanto aqueles, tão incisivos, tão... perturbadores. [...]
Acontece que, como Lee também jamais vira o rosto de Hunter, obviamente não o identificou como o alvo de sua entrevista, mas sim como o motorista enviado pelo hotel. E, Hunter, por sua vez, havia ido ao aeroporto para buscar sua editora, mas ao ser abordado pela desconhecida e linda mulher e ainda confundido como um motorista, decidiu que era hora de se divertir um pouco, depois de tanto tempo afinal.
Assim, ambos começam um bate-papo, desses para passar o tempo enquanto viajamos ao lado de um total desconhecido. Mas o teor da conversa vai fazendo com que Hunter se interesse ainda mais por uma mulher tão diferente e, até, descobre que ela está indo para o congresso por ser uma candidata a escritora.
Mas fora seu nervosismo que mais o intrigara.
A história vai se desenrolando, ela revela seu desejo de encontrar Hunter Brown e ele, inesperadamente divertido, começa a se interessar ainda mais.
“– Quem?
– Hunter Brown – repetiu Lee. – O romancista.
Um impulso apoderou-se dele.
– Ele é bom?
Surpresa, Lee passou a analisar o perfil do homem. Era infinitamente mais fácil olhar para ele quando aqueles olhos não estavam focalizados nela.
– Nunca leu nenhum livro dele?
– E deveria?
– Acho que isso depende de você gostar ou não de ler com todas as luzes acesas e as portas trancadas. Ele escreve romances de terror.
Se tivesse olhado mais de perto, não lhe teria escapado o discreto sorriso nos olhos dele.
– Assombrações e monstros?
– Não exatamente – disse ela, depois de um momento – nada assim tão banal. Se existir alguma coisa que o assusta, ele vai expressar isso em palavras e vai fazer você desejar mandá-lo para o inferno. [...]
Ele estava mesmo se divertindo, e se encantando ao mesmo tempo.  A essa altura, Lee o inspira para seu próximo romance, e para outras coisas.
Quando as coisas são esclarecidas e Lee descobre quem ele realmente é, não consegue disfarçar sua ira, assim como Hunter, quando descobre que ela é uma repórter que está tentando uma exclusiva com ele. Porém, sua revolta é ainda maior quando percebe o potencial de seu manuscrito, que ela acaba esquecendo na suíte dele depois de um jantar.
Apesar de sua reação, e talvez por causa dela, Hunter resolve que vai dar o que ela quer, desde que ele também consiga e em seus termos. Assim, propõe ceder a entrevista, desde que ela consiga passar duas semanas acampando com ele em Oak Creek Cânion.
O profissionalismo fala mais alto do que o orgulho e o desejo de estrangulá-lo, por se sentir enganada, assim ela aceita e parte com ele para as duas semanas em um local ao qual estava tão pouco acostumada, que em sua bagagem havia um baby doll e estojo de maquiagem. Fazer o quê?
A história de Hunter e Lee é uma divertida e sedutora caça de cão e gato que eu tanto adoro. Duas pessoas inteligentes, envolventes e, um tanto cabeça dura, que se desafiam e se conquistam o tempo todo.

Gostoso observar como Hunter vai se revelando e se desmistificando para Lee, que o imaginava como alguém realmente fechado, taciturno e sombrio.
Serão duas semanas de perguntas respondidas, mesmo as que não foram feitas, pois ambos vão, aos poucos se mostrando, se revelando. Segunda Natureza é uma leitura suave, fácil, mas apimentada, inteligente e muito sensual!
Eu, fico por aqui, entrando no universo de Retratos de um Verão, o segundo romance de Amor de Verão, que conta a história de Bryan, a melhor amiga de Lee. Aguardem notícias!
Fiquem bem, manifestem seus ideais pacificamente e Carpe Diem.

11 comentários:

  1. Pacificamente ... acho que essa é a palavra chave para que os movimentos não percam o valor e a razão. Bem, ainda não li nada da Nora Roberts, mas esse parece ser um daqueles livros bons para começar. Deu até uma aquecidinha no coração essa resenha, mesmo com o frio do início do inverno aqui no Sul.

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  2. Palmas para seu texto sobre as manifestações. Uma coisa que nunca gostei de quem criticava a Geração Coca-Cola e a Geração do Facebook e Twitter era chamá-los de alienados. Não gente, os jovens sabem muito bem o que está acontecendo, sempre souberam. Ninguém não se importava, ninguém era burro. No meu caso, era apenas desesperança. Vi a geração dos meus pais lutarem pelo fim da ditadura e os revolucionários daquela época hoje são os corruptos, fazendo o que criticavam, que vontade de mudar tudo isso eu tinha? Se antes fizeram isso e agora todos eram hipócritas? Além do mais, não acredito no ser humano, na integridade, honestidade dele embora tenha n exemplos disso na minha vida. Por isso que quando pensava em tudo que tinha que ser feito pra mudar essa sujeira toda, eu desanimava. Já fizeram isso antes - tá tudo nos livros de História - fazemos sempre e acabamos voltando pro mesmo lugar, andando em círculos.
    Toda essa revolução atual - que é boa, era necessária sair da boca pra fora e ir para as ações - me lembra o filme 'A intérprete" (2005?) do Sydney Pollack. Uma cena em que o agente da CIA pra pro personagem do Sean Penn sobre o ditador da África "Ele livrou o povo de um dos governos mais corruptos. Era um heroi, agora é outra coisa" Ou seja, ele tirou um tirano do poder pra ser um tirano no poder.
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    Quanto à Nora Roberts: EBA! Indicarei todos esses livros pra mamãe. Ela ama essa autora e seus livros - eu não rs

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  3. Tania, tudo bem? Eu gosto muito de como a Nora escreve,s eu jeito unico de tocar o coração!infelizmente não consigo acompanhar o ritmo das publicações e esse livro ainda não li, mas espero ter logo a oportunidade

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  4. Só sinto falta dos objetivos concretos. Não adianta gritar sem objetivos. O que nós realmente queremos? Vamos pensar nisso.

    E você, mais uma vez, me deixando com vontade de ler Nora Roberts. Ai ai ai... em que mundo eu estou que ainda não li?

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  5. Ai que fofo esse livro *-*
    Adorei, nem conhecia e só de sinopse já dá vontade de ler. Parece ser um livro bem gostoso, calmo e fofo. Adoro essas combinações, simplicidade e uma boa história. Parece ser bem bom mesmo.

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  6. Ia falar sobre o seu comentário a respeito dos manifestos, mas conclui que não há muito a se dizer, você já disse tudo! E é bom ver que o povo está motivado esperando uma mudança.
    Agora sobre o livro, NOSSA, eu fiquei encantada, assim como fiquei ao conhecer Joias Raras que adicionei na minha estante de desejados. Fiquei super instigada a ler esse livro, a história é muito interessante e é impossível não ficar curiosa com o desenvolvimento desses dois.

    Abraços, Raquel.

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  7. Oie, acho que vc disse tudo... não esperava ver uma manifestação dessas... até pq q nossa geração pareceu sempre estar acomodada demais... Mas é muito bom sair e lutar pelo justo e o direito.

    Sobre o livro ... Adoro ele... Segunda Natureza não é meu preferido prefiro Retratos de um verão... ai esse é muito amor...

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  8. Sou a favor das manifestações para tudo e qualquer tema que seja relevante a alguém, mas desde que ela não fira o livre arbítrio de ninguém, nem a integridade ou patrimônio. Infelizmente não consegui ir a nenhuma ainda, mas espero que de alguma forma eu possa contribuir com essa sementinha plantada nos corações brasileiros =D

    Qt aos livros, bom é Nora, e eu amo a narrativa dela, acho que se ela escrever sobre insetos eu vou ler mesmo assim hahahaha!

    Bom Fim de Semana Meninas!

    Miquilis: Bruna Costenaro

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  9. Acho super válido nos manifestarmos e exigir melhorias nas condições básicas de vida. Mas também sei que muita gente tá indo nas ruas pq agora é cool, vai poder postar fotos na rede com as milhões de hashtags dizendo que fez a diferença. Será? Acredito que a mudança tem que ser geral, de todos os brasileiros, políticos, empresários, diretores de escolas, de hospitais, bancários....

    Tava com a mente a mil com minha opinião sobre as manifestações, e aí aparece a Nora e o Hunter rs. Gosto dessas edições de livro duplo, só que sempre fico com vontade de quero mais... Tava atrás desse livro nas livrarias, mas é meio complicado achar Harlequin e Nora nas físicas né? Pelo menos na minha cidade é raridade!!!
    bjs

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  10. Acho ótimo que você abra sua coluna falando de algo que aconteceu com você e já imaginava qual seria o início desse post. Pois é, espero que realmente, o Brasil tenha acordado pois já vemos que há grupos que já não irão mais se manifestar por enquanto. Não creio que já esteja tudo resolvido, na verdade acho que (pelo menos aqui em SP) tirar os R$0,20 não é nada perto do que deveriam fazer. Não sei você assistiu ontem à noite o pronunciamento da presidenta mas, vi e resumo: 10 minutos de pura enrolação''. Enfim, vamos deixar esse assunto de lado e vamos à algo melhor aqui.

    Fiquei curiosa com esse autor misterioso, minha reação foi bem igual a da repórter, de saber o que acontece de verdade por trás dessa mente. Nora é craque de nos fazer pirar com a leitura e seus personagens. Ela sabe direitinho no que nos instigar.
    Parece estar ótima essa parte onde as personagens se encontram, sem saber quem escritor é ele.

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  11. Adorei seus argumentos sobre as manifestações que tem acontecido em todo o Brasil. Pensei que isso fosse demorar muito para acontecer ainda. Gostaria de ter ido para a rua, mas doente que só nem dava :\ Mesmo assim, acompanhei. Aqui na minha cidade foi lindo, foi um movimento lindo e pacifista. Finalmente, o Brasil todo está agindo e buscando os seus direitos, porque realmente não é só apenas 20 centavos que nos tem incomodado, mas sim, a falta de respeito que os políticos tem com a gente. Queremos é educação de qualidade, saúde pública de qualidade, segurança de qualidade, transporte de qualidade, tudo de qualidade, porque sim, temos esses direitos por conta de tantos impostos que diariamente pagamos!

    Por fim, sobre o livro da Nora Roberts (que infelizmente, eu ainda não li nada dela), achei a narrativa interessada. Fiquei cativada pelo Hunter e Lee, parece aquele tipo de casal que dá no que falar na caçada, no tão famoso cão e gato. Pretendo ler o livro logo quando eu o tiver em mãos, parece bastante divertido!
    Beijo.
    E ótimo fim de semana :)

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