3 de maio de 2013

Sexta Envenenada: Joias Raras - Primeiras Impressões




“Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranquilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.”
Legião Urbana

Olá, Envenenados!


Volto mais uma vez para este espaço que me relaxa e me estimula ao mesmo tempo.
Como prometido, hoje vou falar do segundo romance de Joias Raras, da Nora Roberts, Primeiras Impressões - First Impressions (1984).
Como disse na semana passada, Joias Raras é uma publicação da Harlequin Books de 2009, que traz dois títulos dessa autora fantástica em apenas um livro.
Desta vez a história, se desenrola em uma cidadezinha no estado de Maryland, um lugar totalmente diferente de onde se passou a história de Dama da Lei (Novo México).
Assim como o lugar, os personagens também são bastante diferentes em determinados pontos.
Shane Abbott está longe da imagem da xerife Victória Ashton: é uma “mulher pequena, tanto em termos de altura quanto de estrutura; o corpo esbelto nunca desenvolvera as curvas  e contornos que ela desejara. O rosto era levemente triangular, a pele alva levemente rosada já fora por tantas vezes chamada de pêssego com creme que Shane fazia uma careta  de desgosto toda vez que ouvia a expressão. Covinhas apareciam quando sorria, em vez das elegantes maçãs dos rosto proeminentes que gostaria de ter. O nariz era pequeno, salpicado de sardas e arrebitado... olhos escuros e grandes, raramente frios, usualmente deixava curtos os cabelos cor de mel, que se enrolavam facilmente...”
Leandra Leal
Realmente, nossa protagonista de hoje não faz mesmo o gênero “mulherão”, mas em contrapartida é uma mulher extraordinária que, após a morte da avó, retorna ao local onde passou grande parte de sua vida. Havia deixado a região oeste de Maryland para trabalhar em uma escola de nível médio é Baltimore e retorna agora, cheia de planos para sua vida e seu lar.
Apesar da imensa falta que sente de sua amada avó, Shane volta para casa e decide abrir uma loja no local, o Museu e Antiguidades Antietam e viver tranquilamente, perto dos amigos de infância e do lugar de tanto ama.
Mas, para colocar uma dose de adrenalina na vida pacata que tanto almejava, ela fica sabendo a respeito do novo morador da cidade – na verdade, seu vizinho – Vance Banning.
Vance está fugindo do assédio de mulheres interesseiras, pois é um rico executivo de Washington.
Procurando um pouco de paz, obviamente é um homem de poucas palavras, o que deixa a cargo da imaginação da população local as mais variadas conclusões a seu respeito, pois ninguém sabe quem ele realmente é.
Para Shane o que foi informado é que ele é um desempregado, já que comprara uma casa de antigos moradores que fora quase totalmente destruída num incêndio e ele mesmo a estava reformando – sozinho.
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Eric Belanger
Pronto, foi acionada a veia solidária de Shane e, depois da aparição de Vance na loja de sua amiga Donna, ela simplesmente esquece absolutamente qualquer coisa que estivesse fazendo.
“Era alto, como Donna dissera. Nos poucos segundos, nos quais se entreolharam, Shane registrou cada detalhe da aparência física. Magro sim, mas com ombros largos, e os braços, expostos pelas mangas enroladas da camisa, eram musculosos. O rosto bronzeado possuía um maxilar fino, sem barba. Cheio e liso, o cabelo preto caia de maneira descuidada na testa alta.
A boca de lábios carnudos e bem desenhados era linda, mas soube instintivamente, que podia ser cruel. E os olhos, de um azul claro e profundo, eram frios. Tinha certeza de que podiam transforma-se em gelo. Não diria que era um rosto que denotasse experiência, mas sim distanciamento. Havia certo ar de arrogância. A indiferença parecia competir com uma carga interna de energia.
A atração física espontânea a surpreendeu (a mim não). Shane já se sentira atraída por homens calmos, de temperamento fácil. Aquele homem não era uma coisa nem outra, ela sabia, mas a atração era visível. Por um momento, sentiu-se totalmente entregue, consciente de uma certeza tão fundamental quanto a química e tão irreal quanto os sonhos. Cinco segundos, não mais que isso. Não precisava de mais tempo.
Shane sorriu. Ele acenou a cabeça no mais indiferente dos cumprimentos e caminhou para os fundos da loja. [...]”
Sério, alguém aqui nunca se sentiu assim tão avassaladoramente atraída justamente por aquele fulano que nem percebe a sua existência? Por favor, me digam, que logo aquele cabra que jamais olhou em sua direção, fosse na escola, na sua rua ou no trabalho, era o que despertou aqueles cinco segundos que se tornaram uma eternidade.
Vixi! Lembro que eu adorava ir à casa dos meus avós maternos, sempre fui apaixonada por eles, embora meus tios fossem “um pé”; temos idades muito próximas. Mas um dia, percebi um colega de um dos meus tios, sabe daqueles que, depois que passa você se pergunta: o que deu em mim? Sabe aquele carinha nada a ver, mas que no despertar da paixão de adolescente, é o pai dos filhos que você nunca quis ter??? Pois é, mas o guri nunca olhou na minha direção... hoje dou graças aos deuses!
Enfim, foi mais ou menos este tipo de reação que Shane teve. Mas Vance era como uma escultura magnífica de mármore: lindo, raro, porém, frio e duro!
Claro que ela poderá provar ainda mais da frieza e da rudeza desse homem. Afinal, é uma mulher curiosa e prestativa e, em uma caminhada até a casa de seu vizinho caladão, através do bosque que separa suas casas, acaba chegando até a propriedade de Vance. Surpreende-se tanto pelo trabalho que ele vem realizando na reforma quanto pela pele morena que brilhava devido ao suor, enquanto prendia os suportes para os parapeitos.
Mais uma vez, Nora Roberts surpreende não apenas seus personagens tão sedutores, mas também a nós, pela riqueza de detalhes.
É claro que Vance não é um homem taciturno gratuitamente. Só queria um momento e um lugar em que pudesse ficar sozinho, pois “Não comprara um pedaço de terra isolado fora da cidade, um pontinho perdido no mapa, para fazer amigos. Podia passar sem companhia, principalmente de uma loura de grandes olhos castanhos e covinhas com pinta de líder de torcida. – Que mulherzinha boba!”
“Não gostara nem um pouco a atração que sentira ao vê-la no armazém. Mulheres, pensou, fechando a cara, tinham o estranho hábito de tirarem vantagem de tais fraquezas. Ele não pretendia deixa acontecer de novo. Trazia cicatrizes suficientes para lembrar-se do que olhos grandes e ingênuos escondiam.”
O que mais me atrai em Primeiras Impressões, além das personalidades tão opostas, mas muito especiais, dos protagonistas, é que, apesar de haver poucos personagens (eu prefiro histórias com mais), não cai na monotonia, na chatice de termos que ler o tempo todo sobre apenas os dois, numa infinidade de parágrafos que falam, falam e não dizem nada.
Não é o que acontece aqui. Vance é forte, poderoso, como todos esses personagens lindos que saem desse cabeção criativo da Roberts, mas Shane tem algo muito mais forte que ele. Ela, com sua alma límpida, consegue mexer com ele. Literalmente, abala suas estruturas. Mas não esperem um romance água-com-açúcar: ambos terão boas passagens e alguns arranca-rabos (adoro), e muitas surpresas os aguardam.
Acho que por isso esse livro leva o nome de Joias Raras: suas histórias, seus personagens são exatamente isso.
Uma oportunidade de ouro – um único livro com duas histórias gostosas de ler, que não nos agridem com sexo gratuito, mas que nos excitam com cenas quentes e bem escritas, além de nos envolver com a carga emocional, nada piegas, de personagens bonitos, decididos, e bem construídos.
Mais uma vez, vou ficando por aqui, lamentando não ter um dia com 48 horas, para fazer tudo o que faço e ainda poder ler e reler o tempo todo os meus queridos livros.
Fiquem bem e Carpe Diem!

12 comentários:

  1. Gostei muito da resenha, já tinha me interessado pelo post da semana passada sobre ''Dama da Lei'', e gostei muito de ''Primeiras Impressões'', principalmente do fato que você deixa claro que é uma leitura sem muitos personagens mas, que não é monótona (ai, já me cativou mais).

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  2. Mais um dela e eu aqui só boiando. A resenha é bem boa, o livro é bem interessante e é mais um dela que não sei se vou conferir! Ela tem tantos! Queria ler alguns...

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  3. te contar essa coluna é uma tentação! Romance da Nora ja é bome ainda mais com fotos dos personagens pra gente imaginar!

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  4. Eu amei o outro livro A Dama da Lei que você falou na sexta passada e esse me encantou igualmente. Vou procurar online porque estou muito curiosa com ambas as histórias. Este é bem diferente do outro mesmo pelo que notei e ainda assim dá para ver que a Nora não economiza nos detalhes e com certeza em situações nada normais.

    Abraços,
    Raquel.

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  5. Aii gente, como eu amoo Legião!!

    E cara... o que eu estou esperando pra ler Nora Roberts?
    Meu Deus, deve ser sensacional! Tô louca pra ler!

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  6. Mais uma vez adorei a história e aos poucos o meu “preconceito” com o estilo está indo embora. Eu gostei da história, do romance improvável, mas o que mais me chamou a atenção foi a personalidade da personagem e os motivos para o mocinho ser e agir como age. Acho bacana este detalhamento, este aprofundamento na personalidade dos personagens me encanta. Gostaria de ler a obra.
    bjs

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  7. Eu ainda não li nenhum livro da Nora Roberts. Tenho até vergonha de mim por causa disso! Poxa, gosto tanto de livros nesse estilo. Tenho que tomar vergonha na cara e arrumar um livro da Nora o quanto antes, para ler durante a noitinha fria. Ah, com certeza, é uma ótima ideia isso! Ok, já estou viajando, parei! haha :)
    Aliás, gostei da coluna, e mais ainda da resenha! Foi uma resenha longa, mas verdadeiramente detalhada sem dá sinal nenhum de spoiler!
    Beijos :*

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  8. Nossa!Sua resenha me deixou sem folêgo,e a culpa nem é desses gifs desse gato haha Gostei tanto que vou procurar por essa 'joia rara'.Gosto quando os personagens são totalmente opostos um ao outro,sempre garante 'brigas' e é essencial aquela dúvida 'será que eles vão ficar juntos?',fiquei curiosa pra saber mais sobre esses personagens intensos.Nossa pela descrição Leandra Leal é a Shane haha Adoro quando o 'mocinho' é aquele cara durão,mas que só se esconde na verdade.Nunca li Nora Roberts,mas esse clássico me deixou bem empolgada e sua resenha detalhando,sem dar spoilers,me animou ainda mais :D Beijos

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  9. Nos dias de hj, depois de ler dois livros da Nora que foram para lista de faves eu não quero nem mais saber do que se trata os livros dela, eu quero lê-lo e pronto. Se tds forem escritos com a gostosura do que eu li já é ótimo!!
    Vai p/ lista e pronto hahaha

    Miquilis: Bruna Costenaro

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  10. Que resenha heim??? Fiquei doida aqui pelo livro... será que ainda encontro a venda no site da Harlequin? Correndo lá agora para procurar... kkkkkk
    Amei sua resenha amiga. Ficou perfeita e com gostinho de quero mais. A gente percebe na sua maneira de escrever o quanto você ficou cativada por esta história, e eu vou ficando por aqui desesperada para conferir este livro. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Lia querida!
      Que bom te ver por aqui!
      Estava mesmo com saudades.
      Olha, vale mesmo a pena ter essas histórias em casa. Já perdi a conta de quantas vezes reli Joias Raras.
      Beijos, sumidinha!

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  11. São tantos os livros da Nora mas acho que ainda não li esse e vai pra minha lista. Como disseram, a cada piscada tem um livro dela que eu descubro que tenho que ler.

    Érica Martins
    Espiral dos Sonhos

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