1 de março de 2013

Sexta Envenenada: A Montanha dos Mackenzie




“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.”
Bob Marley
“A razão pela qual intolerância, sexismo, racismo,homofobia existem é o medo. As pessoas têm medo de seus próprios sentimentos, medo do desconhecido.
“A verdadeira obscenidade existe e está diante de nossos olhos. É o racismo, a discriminação sexual, o ódio, a ignorância, a miséria.
Tem coisa mais obscena que a guerra?
E ainda ficam dando importância ao sexo.
Quem diz que acha sexo feio é nada mais que hipócrita.
Madonna
Olá, Envenenados!

Quando mais nova, eu adorava bancas de jornal, mas era por causa de álbuns de figurinhas ou revistas em quadrinhos.
Às vezes, eu ficava um tempão escolhendo as revistinhas, procurando as que eu ainda não tinha.
Desde sempre também via ali aqueles livros de romance, sabe, do tipo Sabrina, Julia, Bianca... nunca tive a menor curiosidade para saber do que se tratavam. Na época estava mais voltada para a leitura exigida pela escola, como os livros da série Vagalume, Para Gostar de Ler... enfim, nada que tivesse relação com o conteúdo daqueles livrinhos com nomes de mulheres cujas páginas eram amareladas.
Com o tempo, comecei a ler livros mais maduros, alguns em conseqüência dos estudos no ensino Normal, como O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, O Pequeno Príncipe, Dom Casmurro e muitos outros que acabaram entrando em minha vida por escolha e por formação como Blecaute e Feliz Ano Velho do Marcelo Rubens Paiva, entre tantos outros.
Mas nada havia me despertado o interesse pelos tais livrinhos de banca, que surgiram aqui a cerca de 70 anos, embora o estilo reporte aos anos 1920, quando a Companhia Editora Nacional (hoje também conhecida como IBEP) publicou a Biblioteca das Moças – uma coleção de livros voltada para o público feminino cujo conteúdo era basicamente o mesmo, com jovens indefesas e pobres que viam suas vidas mudarem totalmente ao se apaixonarem por homens perfeitos e poderosos, e o final era sempre feliz, depois de tanto sofrimento, com a união feliz entre os pares como a solução, como a salvação.
Ainda não tenho muita paciência para esse tipo de livro, mas acabei chegando a alguns deles, tudo por culpa de Linda Howard e Nora Roberts.
Depois de conferir suas edições de livraria que, infelizmente, são poucas, comecei a buscar mais títulos da Howard e gelei quando vi que a maioria publicada aqui era de literatura de banca. Tudo bem, eu encaro – pensei, corajosamente, afinal era Linda Howard. Foi então que iniciei meu tour pela vida da família Mackenzie.
Tudo começou com A Montanha dos Mackenzie que conta a história de Wolf Mackenzie, herdeiro de comanches e celtas, “figurão” que me rendeu de vez com seu visual indígena suavizado pela herança escocesa do pai. Depois dele ficou difícil não querer conferir os demais livros dessa série que contam as histórias dos seus descendentes.
Paul Marron
Então, fazendo o meu mea culpa, em parte graças a Linda e a Nora, em parte porque devemos respeitar as escolhas dos outros, Wolf Mackenzie é o absinto do dia.
“Ele precisava de uma mulher. Muito.
Wolf Mackenzie teve uma noite irrequieta, a lua cheia lançando sua luz sobre o travesseiro vazio a seu lado. O corpo doía de tanto desejo, com a necessidade física de um homem saudável, e o passar das horas apenas aumentava sua frustração. Finalmente, levantou-se da cama e andou nu até a janela, o corpo forte e grande movendo-se com charme e flexibilidade. O piso de madeira estava gelado contra seus pés descalços, mas ele deu boas-vindas ao desconforto, uma vez que isso ajudava a esfriar o intenso desejo que lhe esquentava o sangue.
O brilho do luar entalhava os ângulos de seu rosto, testemunha viva de sua hereditariedade. Mais do que os espessos cabelos pretos, usados na altura dos ombros, ou ainda os olhos negros com pálpebras pesadas, suas feições definitivamente o proclamavam indígena. Eram as salientes maçãs (envenenadas) do rosto e a testa larga, os lábios finos e o nariz elevado. Menos óbvia, mas não menos forte, era a sua herança celta, herdada de seu pai, apenas uma geração atrás, proveniente da região montanhosa da Escócia. Aquilo havia refinado seus traços indígenas herdados da mãe, dando-lhe feições limpas e de corte afiado. Em suas veias corria o sangue das duas civilizações mais guerreiras na história do mundo, comanche, uma tribo indígena norte-americana e celta. Nasceu guerreiro e, ao alistar-se, isso foi nítido para o exército.”
O misterioso e maravilhoso Wolf vivia no alto de sua montanha com seu filho Joe. Ambos eram excluídos da comunidade de Ruth, povoado localizado ao pé de sua montanha, por serem descendentes de índios, mas Wolf ainda carregava o estigma de uma condenação por estupro.
Tinha as necessidades normais de um homem saudável, claro, incluindo o sexo, mas evitava relacionamentos sérios. Seu histórico o havia transformado em um animal arisco, resmungão e distante das pessoas. Até porque a rejeição que lhe dirigiam era tão intensa e antiga que ele já se acostumara a não ser aceito por ninguém. Até que a professora Mary Elizabeth Potter surge em sua vida.
A professora que se mudara havia pouco tempo da Georgia, ainda tentava se acostumar ao frio de Wyoming. Na busca de uma nova vida, Mary assume a escola de Ruth e quando percebe a ausência de um de seus mais promissores alunos, parte para a Montanha dos Mackenzie para tentar convencer o jovem Joe a retomar seus estudos.
O que não esperava era ter que enfrentar tanto o frio como a neve no caminho, e seu carro acaba enguiçando. Quanto está para perder as esperanças, surge outro carro e dele sai um homem enorme que vem em seu auxílio.
A partir daí, nada mais será igual para nenhum dos dois.
Wolf simplesmente não acredita que aquela pequena mulher, de olhos azuis e que sequer sabe se vestir, conseguirá convencer seu filho de dezesseis anos a voltar a frequentar um ambiente hostil e deixar de realizar o trabalho em seu rancho. Claro que a escolha de abandonar a escola foi de Joe, pois ele jamais interferiria nas decisões do filho.
Por outro lado, também não imaginava que aquela mesma professorinha cafona tivesse um poder tão grande em despertar seu desejo.
Sei que, às vezes, critico esses romances “mulherzinha”, onde o sexo fala mais alto que a história em si. Mas a história de Wolf e Mary é muito linda, pois trata de descobertas, e nenhum dos dois é ingênuo, ambos são maduros, são lindos e pensam que nada mais irá acontecer de novo e excitante em suas vidas. Existe uma história aqui e, apesar de seu primeiro encontro ser um misto de desconfianças, medos e muito tesão envolvido, o livro que é pequeno e modesto é simplesmente maravilhoso. E, gente, as cenas de sexo são algo indescritível! Valei-me, minha santa Howard!
Eu lamento que a Harlequin Books não disponibilize mais desta história. Pois é, A Montanha dos Mackenzie é uma peça rara, não a encontramos mais nas bancas e raramente a vemos do site da editora.
Mas não custa nada dar uma cutucada no pessoal. Quem sabe eles nos dão de presente mais exemplares de mais essa prova de que Linda Howard é maravilhosa, até mesmo nas bancas?
Fico por aqui, desejando a todos uma Sexta fantástica e um excelente final de semana. Ah! Ia me esquecendo: FELIZ ANIVERSÁRIO, RIO DE JANEIRO! Apesar da greve dos rodoviários e de tantos outros problemas, você ainda é maravilhosa!
Fiquem bem e Carpe Diem!

10 comentários:

  1. Já li muito sabrina,bianca e etc.
    Tenho até hoje,mais é tanto livro para ler...
    Que pena que está "sumidinho" esse :(

    Beijinhos,
    Lia ¨
    www.limaoealecrim.blogspot.com

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    1. Olá, Lia!
      Concordo com você, adoraria que este título estivesse disponível, é o único que não tenho!
      Beijos, querida e obrigada pela visita!
      Tania

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  2. Oi Tania, eu adoro romances de banca! Já os leio desde os 12 anos e de lá para cá meu gosto literário mudou bastante, diversifiquei, e claro que expandi meus horizontes... Mas, os romances de banca tem lugar cativo no meu coração e os leio até hoje! Eu sou doida por esta série, mas como você bem falou não consegui comprar ainda. É difícil de achar. Parabéns pela sua resenha e fique ligada amiga, que tem maravilhosas autoras e histórias publicadas em nossas Bancas... kkkk
    Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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    1. Oi, Lia!
      Pois é, ainda tremo quando penso em romances de banca, gosto de histórias mais complexas do que os simples romances, mas a Linda vai além da docilidade da relação dos seus personagens. Vou tentar aos poucos, mas bemmmmmmmm devagar. Obrigada pela dica, querida!
      Beijão!
      Tania

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    2. Oi Taninha, leia alguns da Linda Lael Miller, foge um pouco do mocinho ogro, mocinha virgem se encontram e são felizes no final. se quiser te mando alguns assim. Mas é tudo de cowboy viu? eu amo.

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    3. Oi, Deninha!
      Amo cowboy, a Howard tem alguns também, pode mandar, que eu leio. Não aguento esses romances fáceis que aparecem, desses que o povo sente tesão e caem em cima um do outro logo nas primeiras páginas, gosto das coisas complicadas que vão se resolvendo beeemmm devagar!
      Valeu a dica amiga!
      Estou aguardando!
      Beijo

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  3. Esse eu não li, mas sabe uma autora de "romance de banca" que eu adoro? Diana Palmer! kkkkkkkkkkkkkkk A série "Os Mercenários" é uma que gosto muito. Acho que o negócio para mim é não ser mela mela... Fora isso, tô dentro! rsrs

    Amei a coluna, Tânia!

    Beijocas

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    1. Essa história é maravilhosa, Renata, eu adoro.
      Ainda não li a Palmer, até tenho curiosidade, mas tenho medo de ser daqueles que você sabe que não curto!
      Mas vou tentar encarar o bicho!
      Beijão

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  4. Com certeza uma história maravilhosa.
    Bjs, Rose.

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    1. Fantástica, Rose!
      Que bom te ver por aqui!
      Beijos
      Tania

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