8 de fevereiro de 2013

Sexta Envenenada: Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida


“Há uma guerra no céu...
Enquanto os querubins se enfrentam num embate de sangue e espadas, dois anjos são enviados ao mundo físico com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã dos exércitos rebeldes, desaparecida enquanto investigava uma suposta violação do tratado. A missão revelará as tramas de uma conspiração milenar, um plano que, se concluído, reverterá o equilíbrio de forças no céu e ameaçará toda vida humana na Terra.”
Filhos do Éden
Herdeiros de Atlântida – Eduardo Sphor

Olá Envenenados!

Estamos de volta com mais uma Sexta Envenenada, neste espaço original, que pode até fazer citações, usar trechos dos seus livros favoritos, mas que dá crédito aos seus verdadeiros autores. Aqui, queridos Envenenados, queridos amigos, não usamos textos de outros blogs, criamos os nossos e, se por ventura, necessitamos de mencionar qualquer trabalho, que não seja criados por nenhum de nós, tenham certeza que a fonte será citada.
Isso porque, como verdadeiros fãs de livros e pessoas instruídas que somos, sabemos que plágio (substantivo masculino. 1- imitação; 2- apresentação por alguém de imitação de obra alheia – de outra pessoa – como sendo de sua autoria = Míni Houaiss – Dicionário da Língua Portuguesa) está previsto no artigo 184 do Código Penal, assim como a violação do direito autoral.
O que fazemos aqui é escrever sobre nossas paixões (livros, filmes, teatro, moda), damos nossas impressões e, de certa forma, divulgamos estes trabalhos, mas ainda assim os textos são nossos. E pasmem, desconhecedores da Lei, mesmo os textos escritos em blogs, que para muitos são coisas de pessoas desocupadas (não fazem ideia do trabalho que dá manter um blog atualizado e original), são protegidos também. Assim, quando quiserem reproduzir algo, procurem se informar antes para que não estejam infringindo alguma Lei.
Mas, voltando ao trabalho, hoje quero falar de personagens de um livro que foi uma revelação em vários sentidos para mim. Aliás, seu autor foi uma grata surpresa.
Em dezembro de 2011, minha filha, conhecedora da paixão que tenho por livros e por História, viu este livro na prateleira de uma loja...
 Ao ver a capa e o título, decidiu que este seria o presente ideal para mim. Afinal, “minha mãe ama histórias sobre Atlântida”, pensou. Enfim, amei a escolha, mas não fazia ideia do que se tratava até ler a sinopse. Até aquele momento, eu estava sendo tragada pelo universo dos romances sobrenaturais como a Irmandade da Adaga Negra, Fallen Angels e Senhores do Mundo Subterrâneo. Um verdadeiro porre literário de caras durões e muita adrenalina que me conquistaram de vez.
Aproveitando o período de Carnaval, quando os bichos estão soltos, escolhi Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida, para dissertar, não só sobre as personagens, mas sobre a história e seu autor na Sexta Envenenada de hoje.
Pois bem, Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida do brasileiro (graças aos deuses) Eduardo Spohr, editado pela Verus em 2011, me levou de volta aos textos que tanto amo. E, uau! Que livro bem escrito.
Autor do monumental A Batalha do Apocalipse, Spohr que é jornalista, professor, escritor e, entre outras coisas, especialista em contar piadas sem graça, segundo ele mesmo, mostra em Filhos do Éden, que terá o segundo livro - Anjos da Morte - o que é escrever bem.
Arte: Andrés Ramos (@renderia)
Nesta obra conhecemos Denyel “um dos anjos exilados. Pertencia à casta dos querubins, e pelo tempo que estava na terra não havia como distingui-lo de um homem comum. Ocultava sua aura tão perfeitamente que passaria por gente, mesmo diante de outros alados. Era forte, como qualquer anjo guerreiro, mas tinha músculos alongados e rígidos, mais magros que os de Urakin. Era mais baixo também, comparável às pessoas normais, com cabelos negros e olhos ariscos. A barba era rala, mas por ser muito escura aparentava maior volume, subindo às orelhas para formar costeletas. Vestia-se de modo informal, com jeans surrado, cinto de couro, camiseta preta e velhos sapatos de trekking...”
Denyel, em busca de anistia, partirá com Kaira, Urakin e Levih, numa jornada fantástica, mas muito real por algumas cidades brasileiras, enfrentando anjos e demônios na tentativa de chegar ao reino há muito perdido, mas nunca esquecido, de Atlântida.
Hugh Jackman
Quando penso em Denyel, inevitavelmente me vem a imagem de Hugh Jackman ou de Liev Schreiber em Wolverine – Origens, fisicamente. Mas a arrogância e o humor ou a falta dele certamente pertencem ao Logan.
Neste romance, Spohr nos apresenta um universo mítico em que há uma guerra entre as forças do bem e as do mal, mas nos deixa a chance de questionar o que é o bem e o que é o mal. Em Filhos do Éden existe uma linha tênue entre essas duas forças, até porque ambas têm as mesmas origens.
Mas não ficamos presos a um mundo etéreo, pois as aventuras se passam no plano terresrte, assim Denyel, Kaira e companhia precisam do mundo material para se locomoverem, podem ser feridos, como qualquer mortal. Isso, com certeza, dá uma dose de adrenalina à leitura.
Arte: Andrés Ramos (@renderia)
Levih e Urakin são dois anjos que estão em missão de resgate aqui na Terra. Ambos são parceiros com objetivo de encontrar e trazer de volta Kaira, uma celestial que perdeu sua memória após anos vivendo entre humanos e, por esta razão, não faz ideia da tarefa grandiosa que deverá realizar. Levih é um anjo da casta dos ofanins (protetores e defensores dos mortais) e comanda a missão que terá o apoio de Urakin, seu oposto em tudo, conhecido como Punho de Deus, que é um anjo guerreiro, um querubim.
Arte: Andrés Ramos (@renderia)
Até encontrar Kaira, eles passam por situações que não me tiram as imagens de Legião (filme com Paul Bettany e Dannis Quaid) da cabeça; bares em estradas desertas, policiais possuídos por seres demoníacos.
Embora os personagens dessa obra pareçam jovens, todos participaram de situações muito remotas. Podemos acompanhar a narrativa de algumas dessas e outras situações no decorrer dos capítulos, uma vez que o autor nos traz elucidações frequentemente, mantendo-nos sempre antenados ao que aconteceu e está acontecendo.

“Sudoeste Asiático, num passado remoto
O ALVORECER COLORIU AS MONTANHAS.
Na planície, a aldeia despertou para um novo dia, numa manhã quente e seca, desenhando miragens no horizonte deserto. Arbustos e tamareiras cercavam o aglomerado de tendas de couro, onde quase cinquenta famílias moravam juntas. Uma fonte de água potável fora protegida no centro da vila, para saciar camelos e mulas, provendo tudo que a comunidade necessitava para o próprio sustento. Eram caçadores, coletores e nômades, não conheciam a agricultura e aos poucos desenvolviam uma forma limitada de comunicação pictográfica. Trabalhavam em equipe, estocavam alimentos, costuravam roupas, pintavam suas aventuras nas paredes das cavernas, talhavam armas em pedra, osso e madeira.
Um besouro zumbiu sobre as barracas quando uma nuvem vermelha recobriu o céu matinal. Ventou forte, as crianças correram, os animais se agitaram. Um dos aldeões pôs a cabeça para fora da tenda, pedindo que os demais não se assustassem. Saiu com os pés descalços, tocando o chão arenoso. Andou sozinho por várias milhas para reverenciar a explosão. Não era moço, tampouco era velho. Ligeiramente calvo nas entradas sobre a testa, tinha o rosto maduro e barbudo, os dedos grossos e a face robusta. A única peça de roupa que vestia era uma tanga de pele de leão. Não carregava lança nem porrete.
Olhou para as montanhas e viu uma figura dourada aparecer na sua frente. O frágil tecido da realidade lançou vibrações no momento em que a aura se condensou, com os contornos se tornando visíveis, para enfim se manifestarem na imagem de uma criatura quase humana. Trajava uma armadura de ouro que o cobria inteiramente. O elmo era na verdade um capacete finíssimo, uma touca metálica que protegia a cabeça, deixando o rosto à mostra. Os cabelos cor de mel desciam soltos pelas costas, onde as duas asas de penas brancas se dobravam num vinco. A silhueta era delgada, com traços serenos. Da cintura, pendia uma bainha metálica, escondendo a lâmina da inigualável Flagelo de Fogo.
─ Gabriel, o Mestre do Fogo - saudou o aldeão, ainda prostrado. - Faz um longo tempo desde estivemos juntos pela última vez.
─ Levante-se, meu amigo - respondeu o arcanjo, com a mão direita erguida num gesto de cumprimento. - Não há razão para formalidades.
─ Sua visita nos enche de alegria - ele falava por toda a aldeia. - Contei sobre vocês aos meus filhos. Estão todos ansiosos para conhecê-los: jovens e velhos, homens e mulheres, caçadores e artesãos.
─ Talvez não seja a melhor hora - a expressão de Gabriel era fria.
─ Venho em nome do arcanjo Miguel, o príncipe supremo das legiões. Temos ordens especiais para você, sentinela, que precisam ser cumpridas à risca.
O aldeão sentiu um aperto no peito. Não podia ser coisa boa.
─ Como posso ampará-lo, gigante?
─ Sua missão neste plano está concluída. - O tom era áspero agora. - Conclamamos seu regresso aos Sete Céus. Convoque os outros sentinelas; só você saberia chamá-los. Todos que ainda vivem no Éden devem retornar à casa de Deus.
─ Mas por quê? Com que finalidade?
Gabriel observou o acampamento e fez uma longa pausa antes de divulgar a notícia.
─ Os arcanjos decidiram que os mortais não são dignos de continuar existindo. Vamos exterminá-los enquanto há tempo, e para isso precisamos da sua ajuda. Necessitamos do apoio de todos.
O aldeão fechou a cara e deu um passo para trás. Não acreditava no que tinha escutado.
─ O quê? - murmurou, quando finalmente conseguiu se expressar. - Quando? Como?
─ Em breve, muito breve. Vamos esfriar o planeta, expandir as regiões polares, congelar os mares, lagos e rios. Não sobrará um só terreno para manchar a criação. Será feito. Está decidido.
─ Não. - Era chocante demais. - Isso é heresia. Quem são vocês para interromper o curso de uma espécie inteira? Quem são os arcanjos para falar em nome de Deus?
─ Fomos legitimamente escolhidos por Deus - relembrou, com autoridade magistral. - O sétimo dia não é dele, é nosso. Nosso tempo, nosso reino, nossa era. Não há coisa alguma acima de nós.
─  E a palavra? Esquecem-se da palavra.
─ A palavra? - Não fosse tão sério, Gabriel teria gargalhado. – Dê uma olhada para si mesmo. Tudo que fizeram desde que chegaram aqui foi corromper as ordens divinas, misturando-se aos humanos, fornicando com as fêmeas, acasalando com esses animais das cavernas. Os mortais são fracos, inúteis e de natureza malévola. São assassinos desonrados, egoístas e perversos.
─ Não vou negar - o aldeão abaixou a cabeça. - Mas nem tudo que provém da natureza humana é necessariamente cruel. São seres de espírito indomável, livres como nunca fomos e nunca seremos. Talvez por sua capacidade de gerar vida, exercitam um tipo de amor sagrado, sublime, puramente divino. Se os conhecesse melhor, entenderia o que estou dizendo.
─ Esse tipo de coisa jamais acontecerá - foi direto ao ponto. – O que ofereço é simples. Retorne e será consagrado. Todos que insistirem em ficar morrerão em desonra.
─ Então morreremos. Escolhemos morrer. Temos uma missão e permaneceremos em nossa morada até o momento do Despertar.
Gabriel discordou com a cabeça. Tocou o punho da espada, mas não chegou a sacá-la.
─ O príncipe sabia que seria difícil convencê-lo, sentinela, por isso me enviou. O que você não entende é que também tenho uma missão. Que vou completar.
─ O que Rafael pensa disso? - Ele se referia ao arcanjo, chamado de Cura de Deus. - O que ele tem a dizer sobre esse cataclismo que planejaram?
─ Rafael não tem nenhum poder sobre nós. Ele fará o que lhe for ordenado, assim como você. - Ameaçou puxar a arma. - Vou dar o último aviso. Retorne comigo. É uma ordem.
O aldeão enrijeceu os músculos, pronto a lutar para defender sua causa. Estava claro que não cederia tão facilmente. Das costas, brotaram duas asas cor de areia.
─ Só existe um que pode me dar ordens, e seu nome é Yahweh.
O Mestre do Fogo relaxou a guarda.
─ Essa é sua resposta final?
─ Essa é a única resposta.
─ Espero que reconsidere - ponderou, reunindo forças para se desmaterializar.
─ Digo o mesmo, arcanjo. - E, à medida que Gabriel ia sumindo, ele repetiu: - Digo o mesmo.
O gigante desapareceu na mesma nuvem em que viera, e assim a tempestade se dissipou.
Mas ela voltaria.”

E não apenas uma vez ela voltaria.
Voltando ao dias atuais, Levih é “forçado” a procurar o auxílio de Denyel, partidário de Miguel e, portanto, seu inimigo, para proteger Kaira.
Longe de ser uma história de “achismos”, Filhos do Éden é um mix de mitologia, aventura, romance, ficção, ação e sobrenatural, em que Denyel, Kaira, Levih e Urakin – para encontrar a chave de Athea, a mais célebre das colônias atlantes (posto avançado que resistiu às águas do Dilúvio) – terão de passar por momentos difíceis numa trama que não tem nada de previsível e que nos apresenta um foco totalmente diferente dos que já foram narrados a respeito de conflitos entre anjos e demônios.
Embora Filhos do Éden seja rico em termos desconhecidos, palavras muito distintas das que utilizamos no dia a dia, o leitor não fica perdido, pois o livro possui um apêndice que explica personagens, cronologia, castas, faz uma linha do tempo e muito mais, além de um glossário.
“APÊNDICE
PERSONAGENS
ARCANJOS (em ordem hierárquica)
Miguel - O Príncipe dos Anjos. Maior de todos os arcanjos, venceuos exércitos de Lúcifer e os expulsou para o Sheol.
Lúcifer - A Estrela da Manhã, chamado também de Filho do Alvorecer,Portador da Luz ou Arcanjo Sombrio. Rebelou-se contra Miguel e hoje tem seu próprio domínio nas profundezas do inferno.
Rafael - A Cura de Deus ou o Quinto Arcanjo. O mais bondoso e indulgente dos primicérios. Desapareceu misteriosamente nos dias que se seguiram ao Dilúvio.
Gabriel - O Mestre do Fogo, Mensageiro, Anjo da Revelação ou Força de Deus. Costumava ser enviado à Haled para cumprir missões ordenadas pelos demais arcanjos. Revoltou- se contra o irmão, Miguel, dando início à guerra civil.
Uziel - O Marechal Dourado. Patrono dos querubins, é o caçula entre os arcanjos. [..]”

Quando li este texto pela primeira vez, sabia que teria de lidar com a angústia da espera pelo próximo volume, que felizmente será lançado ainda este ano.
Fico muito feliz pela escolha do presente e muito orgulhosa de saber que a nova geração de escritores brasileiros é de muita qualidade, é de primeira linha, tanto quanto em sua narrativa como na escrita inteligente e correta.
Parabéns, Eduardo Sphor, por sua criação, por seu respeito aos leitores e por seu brilhantismo.
Aguardando ansiosamente por Anjos da Morte para devorá-lo e compartilhar minhas impressões sobre mais esta obra, fico por aqui, desejando a todos uma excelente Sexta, um ótimo Carnaval.
Fiquem bem, bebam moderadamente, usem camisinha e Carpe Diem.

6 comentários:

  1. Eu gostei BASTANTE da história, mas tive problemas com a escrita do Spohr. Ele usa muito aqueles clichêzinhos de linguagem de filme americano, sabe?

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    Respostas
    1. Também percebi isso, Isabel!
      Acho que é coisa de apaixonado por esse tipo de filme, mas não me incomodou.
      Obrigada por sua presença e comentário.
      Beijos
      Tania Lima

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    2. Oi, Isabel. Que bom q gostou da história :)

      Quantos aos clichês, no caso de "Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida" eles são propositais, especialmente no caso de Denyel. Ele foi ordenado a viver na terra como ser humano e por isso acabou se tornando um produto do século XX, literalmente copiando essas referências da cultura pop, a partir dos filmes que via, dos livros que lia, etc...

      O próximo livro, "Filhos do Éden: Anjos da Morte" contará justamente a história dele e explicará como ele chegou a isso. Espero q vc curta.

      Bjos,
      Eduardo

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  2. Olá, Tania.

    Primeiramente, muitíssimo obrigado pela resenha. Estou sempre ligado nas críticas que os blogueiros fazem dos meus livros na internet, e fico muito feliz com todas elas. Certamente essas opiniões nos ajudam a melhorar :-)

    O próximo volume sai agora em abril. Se quiser saber mais, coloquei informações lá no meu blog >>

    http://filosofianerd.blogspot.com.br/2012/10/confira-uma-previa-da-capa-e-as-ultimas.html

    Qualquer coisa vc me encontra aqui pela web.

    Mais uma vez, valeuzão pela força. São vcs, leitores, que fazem o nosso trabalho fazer sentido.

    Bjos,
    Eduardo

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    Respostas
    1. Oi Eduardo!

      Estou muito feliz e honrada por saber que você reservou um tempinho para nos dar atenção. Se já te admirava, agora então!
      Estou animadíssima para ler Anjos da Morte, e saber que sai agora em abril me deixa mais tranquila.
      Vou tentar me manter mais informada quanto ao lançamento, pois adoraria que meu exemplar fosse autografado! Eita, tietagem! rs
      Essa coluna é reservada para os livros que amo!
      Já sigo seu blog há tempos e adoro!
      Parabéns, mais uma vez, e continue nos brindando com seu talento!
      Um beijão
      Tania

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  3. Filhos do eden é o melhor livro q eu já li. Já li e reli três vezes esse livro!

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