27 de fevereiro de 2013

Papo Envenenado: Todo mundo tem um Gollum particular


“Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade;
um otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade.”
O otimista erra tanto quanto o pessimista,
mas não sofre por antecipação.”


 
A sabedoria do Condado nos diz...
“Sinta pena do Gollum, daquela criatura obcecada, pois ele é um desgraçado e infeliz; mas não permita que ele o conduza na estrada estreita e desolada da ruína.”

Quem nunca teve na vida uma pessoa que lhe causasse certo desconforto, mas que de uma forma ou de outra tinha que conviver com ela?
Sabe aquela pessoa que, às vezes, apenas com a simples presença consegue tornar sua vida um verdadeiro inferno? Que está sempre se queixando, que nunca nada está bom o suficiente e que parece que nasceu para atazanar a sua vida?
É difícil encontrar alguém que não tenha uma pessoa assim em sua vida: pode ser um parente, um filho, um professor, um chefe, um amigo, um vizinho.
Lamentavelmente a população Gollum não diminui com o passar do tempo.
Para quem não sabe, Gollum é a criatura sombria que foi corrompida por centenas de anos pelo Um Anel, o anel do poder, criado por J.R.R.Tolkien, autor de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, entre outros livros. Segundo Noble Smith, de A Sabedoria do Condado, Gollum seria uma versão da palavra golem em hebraico, “o golem que foi criado da poeira ou da lama e animado quando foi escrita uma palavra especial em sua testa, ou quando a palavra foi escrita em um pedaço de papel e colocada em sua boca.”
Enfim, Gollum é um ser arredio que é interpretado de diferentes maneiras pelos personagens que se encontram com ele, mas todos concordam que ele é alguém em quem não devemos confiar plenamente.
Eu, por exemplo, tenho experiência em Golluns que poderia me render um livro.
Desde a infância assisto a um desfile de pessoas com as características “gollínicas”. Lembro de uma guria, que tinha como amiga - eu simplesmente a adorava, queria estar sempre perto dela: gostava tanto que sequer percebia, como a maioria das crianças e adolescentes, o quanto ela me maltratava. Estudávamos na mesma turma, fazíamos trabalhos juntas e muitas vezes ela levava o crédito da maior parte do trabalho porque dizia ao professor que eu não ia, ou não ficava o tempo todo, às reuniões para a elaboração do trabalho, mesmo que eu tivesse criado e desenvolvido a maior parte. Acontece que minha mãe não permitia que eu ficasse por muito tempo na casa de colegas, isso quando deixava, mas eu sempre participava de tudo, comprava o material, desenhava, ampliava, diminuía, enfim cumpria minha parte. Mas sempre ficava com a nota menor. O mais engraçado é que isso doía, não pela nota, mas pela consideração, o sua falta, por parte dela.
Com o tempo, fui percebendo que ela tinha ciúmes até mesmo do meu relacionamento com as outras amigas do grupo, com sua família e até mesmo de algumas características físicas minhas – dito por ela mesma. Resumo da ópera: passei a ter a maior dificuldade em realizar trabalhos em grupo e, para quem fez o Normal e Pedagogia, isso é fundamental. Assim, na maioria das vezes, eu assumia o trabalho, fazia-o em sua totalidade e não conseguia permitir que ninguém liderasse o grupo, pra não ter que passar por isso novamente. Mas sempre tentava convencer o professor para que permitisse que eu fizesse sozinha.
Felizmente seguimos rumos diferentes, embora eu sinta saudades dela e de sua família; nunca deixei de ter carinho por eles.
Mas acho que foi o melhor que aconteceu, pois dificilmente nos livramos de um Gollum, até porque a maioria deles é bem próxima como um chefe, daqueles que nunca te elogiam, nunca incentivam, que estão sempre encontrando um defeito em tudo que você faz ou que te dá as tarefas mais mirabolantes possíveis. Como se livrar de um chefe assim? Ou você muda de emprego ou faz "ouvido de mercador".
Também tem aquele tipo de Gollum que reclama da vida o tempo todo, só vê o que há de pior em tudo e todos, é o mais desafortunado dos seres vivos. Por mais que você dê apoio, dê força, ele está lá... implacável com sua auto-piedade.
Tenho pessoas muito próximas de mim que são assim, infelizmente, pois são muito amadas. Assemelham-se às “hienas interiores”, segundo Chris Linnares em seu Divas no Divã, pois mesmo que algo de muito bom lhes aconteça, com certeza é porque algo muito ruim está por vir.
Existem também os Golluns que tentam ser agradáveis, porque no fundo precisam ser aceitos, mas que só dão bola fora.
Nobel Smith menciona que ao descrever as reações dos demais personagens à criatura Gollum, Tolkien acaba por descrever nossas próprias reações diante de pessoas assim, mesmo sem ter essa intenção. Algumas pessoas acreditam em sua recuperação e tentam ajudá-las ou, pelo menos, “aturá-las”, com é o caso de Frodo; outras as repudiam, ironizam e não suportam sequer sua presença, como faz Sam; alguns as evitam totalmente, afastando-as completamente de seu convívio, como Faramir.
Mas a lição aqui é não permitir que estas pessoas nos contaminem, mesmo que não possamos mudá-las, pois cada um de nós tem sua cota de complicações cotidianas, não devemos nos deixar levar por seu pessimismo, seu mau-humor e suas queixas.
Mas a pior raça de Gollum é aquela que está dentro de nós mesmos. Com esta é necessário redobrar os cuidados, pois é a que tem maior poder de nos prejudicar.  Na obra de Tolkien é um fator externo que vai corrompendo a alma de Smeágol e, ainda que haja uma centelha de algo bom dentro dele, seu lado destrutivo e sombrio é muito poderoso e dominante.
Mas quando é algo interno que nos corrói, o desastre é muito mais feio e de difícil correção. Porém difícil não é o mesmo que impossível. Só precisamos olhar mais atentamente para nós mesmos, cuidar para que não nos deixemos abater por uma decepção, seja ela amorosa, no trabalho ou em família.
Situações difíceis acontecem, e talvez não possamos evitá-las, mas quem sabe não sairemos mais fortalecidos, amadurecidos e preparados para o depois.
Se você não pode fugir ou se livrar de seu Gollum particular, tente pelo menos sobreviver a ele!
Beijo grande, Carpe Diem, e se quiser compartilhar conosco suas experiências, fique tranquilo, não contaremos para ninguém, e deixe seu comentário.
  

8 comentários:

  1. Nossa eu adorei, realmente e infelizmente existem muitas pessoas assim, as vezes demoramos para notalas, mas elas estão por ai! kkkkkkkk

    http://estandybooks.blogspot.com.br/

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    1. Bom dia Andy!
      É fato comprovado por muitos, mas graças aos deuses também existe o antônimo do Gollum, personificando em entes queridos e adoráveis, amigos com que o destino nos presenteou. É preciso manter o equilíbrio e conservar sanidade emocional e mental! kkkkk
      Beijos
      Tania

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  2. Infelizmente também conheço esse tipo de "ser" que tenta viver a minha vida e me colocar pra baixo o tempo todo,nunca li Senhor dos Anéis nem vi os filmes,pode me dizer se há salvação?

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    1. Olá, Liliana!
      Estou rindo a rodo!!! rsrs
      Olha, é complicado mesmo, ainda mais quando não conseguimos ser diretos e, por isso, indelicados. Eu tento, juro, não dar muita importância, tento ignorar e quando esse ser me tira do sério dou um prazo para a minha ira. Pois é, minha raiva, dor de cotovelo ou baixo astral têm prazo de validade. Só não permito que me derrubem.
      O mais curioso é que vou aguentando, aguentando, aí, um belo dia, basta um gesto insignificante e para mim acabou de vez, desisto do ser e não há mais volta. Isso, incluindo família, amigos, amantes, não importa - tiro-os completamente da minha vida.
      Se não houver salvação para eles, para mim com certeza.
      Adorei sua visita e seu comentário e espero que tenha sorte aí com seus Golluns!
      Beijão!
      Tania

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  3. Eu acabei de conhecer o blog, primeiro e único texto que li até então e ganhou minha atenção <3
    Muito bem escrito, muito real ... todos conhecemos golluns , mas as vezes também somos um.
    Acho que o fato de citar Gollum (e eu amo Tolkien) ajudou a prender minha atenção \o

    Beijos

    www.moniitorando.blogspot.com

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    1. Olá, Mônica!
      Que bom encontrar uma fã de Tolkien por aqui!
      Muitíssimo obrigada por sua visita e por sua opinião, pois é a partir dela que vamos construindo nossa casinha, para que fique com a nossa cara - blogueiras e leitores.
      Concordo plenamente com você, somos mesmo Golluns, às vezes, e nem percebemos, já que é mais fácil olhar o outro do que a nós mesmos.
      Volte sempre, pois encontrar muito mais novidades e opiniões bastante irreverentes!
      Obrigada mesmo!
      Beijos
      Tania Lima

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  4. Olá Tania!!!!
    É cada um tem um Gollum particular, só temos que tomar cuidado para não nos tornarmos o GOllun de alguém, rsrsrs.
    O remédio é o bom humor, o pensamento e a atitude positiva, com esses ingredientes não tem Gollun que resista, em geral eles fogem da luz!!!
    Estou cheia de saudades de todas vocês!!!
    Muitos beijos.
    Clarice.

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    1. Olá minha querida Clarice!
      Que saudades também!
      Concordo com você, nossos golluns sempre fogem da luz!
      Precisamos nos ver!
      Beijos amor!

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