7 de dezembro de 2012

Sexta Envenenada: Amante Liberto

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro; nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo
o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas
e se prepara para a faculdade.

 Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança,
 não tem nenhuma responsabilidade,
se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe,
passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"  
(Charles Chaplin)

Olá Envenenados!
Retorno, nesta primeira sexta-feira de dezembro, com a expectativa do Natal, do fim de ano e quem sabe do mundo, com data prevista e tudo mais – 21-12-2012.
Enfim, temos que nos preparar para tantas coisas, amigos ocultos, rabanadas, perus, ceia farta, parentes malas, meter os pés pelas mãos e torrar o dinheiro todo... e já que, segundo os maias nosso prazo de validade está pra vencer, vai ter Zé Roela metendo mesmo o pé na jaca. Nada de se incomodar em começar o próximo ano com dívidas, ninguém vai estar lá pra cobrar ou receber, !?
Por via das dúvidas, vou trazendo os vampirões mais porretas deste e de outros mundos. Assim, dando continuidade a nossa dose homeopática de mordidas, couro, adagas, pancadaria e sexo de primeira, vamos delirar hoje com as presas, as habilidades e inteligência do vampiro “sangue-bom” Vishous Son of the Bloodletter.
Esse é o vampiro mais complicado, mais polêmico, segundo sua história e a própria autora de Amante Liberto (Lover  Unbound), J.R. Ward.
Tendo aparecido nos quatro livros anteriores, Vishous tem grande participação em Amante Revelado, que conta a história de Butch, o policial humano que entra para o mundo da Irmandade da Adaga Negra e onde ambos criam um vínculo que vai além da amizade e do amor. Como todos os machos dessa saga, ele come o pão que o Ômega pisoteou, mas este Irmão, que me fez desejar um homem assim pra mim – tenho loucura por pessoas inteligentes e habilidosas, só tem sorte mesmo em relação a suas habilidades, que vão sendo reveladas a cada capítulo desde que apareceu em Amante Sombrio e com os Irmãos que são sua verdadeira e única família.
Por ter me deixado com o pescoço sempre à mostra e ansiosa por esse macho de olhos diamantinos e com uma mão (que nunca sei se é a direita ou a esquerda) que é fogo, literalmente, Vishous, V. para os “íntimous” é o absinto de hoje.
David Gandy
Eu já vinha devorando os livros da Irmandade vorazmente, louca para saber como seria a história e o desfecho de cada um dos guerreiros. Mas quando li Amante Liberto, entendi porque sempre torcia o nariz para a Virgem Escriba – para mim se pusessem Vaca – V.A.C.A. – seria uma injustiça com o pobre animal, mas pelo lado pejorativo seria mais apropriado. Sei de pessoas que pensaram em desistir de acompanhar as aventuras de Wrath e seus Vampiros Sarados, dada a reviravolta que essa história dá.
De todas as histórias tristes e pesadas dos Irmãos anteriores, a de Vishous é a mais braba, mais indignante; por mais que a perda dos pais, a escravidão, a maldição e a culpa sejam situações extremamente revoltantes, ele consegue superar isso tudo em todos os quesitos. Isso porque, tudo pelo que passa e todas as mazelas consequentes são resultado das atitudes de ninguém menos que seus próprios pais.
Sério, jamais poderia imaginar que ele tivesse passado por tudo aquilo.

Curiosamente, a história de Amante Liberto não começa com V., pelo menos não diretamente, e Cia., mas com Jane e sua irmã que estavam com um tabuleiro ouija fazendo as perguntas costumeiras de todas as gurias que estão entrando na adolescência.
“[...]
─ Vou tentar com outra pergunta. Coloque as mãos para trás – Jane deu um profundo suspiro – Com quem vou me casar?
Um barulho foi ouvido, vindo do tabuleiro, quando o ponteiro começou a se mexer. Quando parou sobre a letra V, Jane estremeceu. Com o coração na boca, ela observou o ponteiro ir em direção da letra I.
─ É Victor! – Hannah disse. – Victor! Você vai se casar com o Victor!
Jane não se preocupou em pedir silêncio. Aquilo era bom demais para ser...
O ponteiro parou na letra S. S?
─ Isso está errado – Jane disse. – Só pode estar errado...
─ Não pare, vamos descobrir quem é.
Mas se não era Victor, ela não sabia. E que menino teria um nome que começasse com Vis...
Jane tentou redirecionar o ponteiro, que insistiu em continuar, encaminhando-se para a letra H. Depois O, U e, mais uma vez, o S.
VISHOUS.
Jane sentiu o medo comprimir-lhe o peito.
─ Eu bem que disse que isso estava quebrado – Hannah murmurou. – Quem se chama Vishous? [...]”

Quando enfim, chegamos ao nosso herói, ele está no Buraco com Butch O’Neal, observando o tira experimentar indignado uma calça de couro.
Como eu já mencionei, ambos se tornaram inseparáveis, e a ligação dos dois remete a algo mais que amizade, pelo menos da parte de V.
Apesar disso, ambos são extremamente competentes e letais, principalmente depois da habilidade adquirida pelo tira, que se complementa com os poderes de V.
Também protagonizam algumas das cenas mais hilárias e outras tão dramáticas, pelo menos para mim, o que só aumenta o meu desejo de que fossem reais.
Uma das que mais amo é quando Butch está tomando banho e descobre que está perdendo os pelos de todo o corpo. Justo quando V. se retira do quarto para buscar algo (sobretudo chocolate) para que seu amigo se alimentasse, isso ainda em Amante Revelado.

“V. estava no corredor quando escutou um grito. Ele voltou, espiando pela fresta. – O que foi?
─ Estou ficando careca!
V. afastou a cortina do box e franziu a testa. – Do que está falando? Ainda tem muito cabelo...
─ Não na minha cabeça! No meu corpo, idiota! Estou perdendo os pelos!
Vishous olhou para baixo. O peito e as pernas de Butch estavam derramando um mar de pelos castanho-escuros ao redor do ralo.
V. começou a rir.
─ Analise as coisas assim: pelo menos não precisa se preocupar em raspar as costas quando ficar velho, certo? Não vai mais precisar se depilar.
Não se surpreendeu, quando um sabonete foi lançado em sua direção.”
Essa relação será vista ainda com mais intensidade em Amante Liberto.
Neste volume, V. faz algumas descobertas que vão deixar sua cabeça em parafuso. Uma das revelações que o faz pirar é a identidade de sua mãe. Aqui também ele fica sabendo que deverá ser o Primale de sua raça – o que implica em se tornar, literalmente, no garanhão reprodutor da espécie. Desta forma, ele terá que passar a viver no Outro Lado, lar das Escolhidas, uma espécie de convento às avessas, ou um bordel religioso, já que elas vivem totalmente separadas do resto da sociedade, cumprindo obrigações para a madrasta, digo mãe da raça, enquanto aguardam o Primale, que deverá se relacionar com todas e, assim, procriar.
Tudo isso, porque ele é um integrante da Irmandade e, como tal, é o único macho que está habilitado e liberado para essa função. Dessa união entre um Irmão e uma Escolhida (neste caso umas 40 “passarinhas”) nascerão os próximos guerreiros ou Escolhidas.
E no seu caso a situação é ainda pior, dada sua filiação. A revelação da identidade de sua mãe consegue desnortear o guerreiro mais perspicaz, mais meticuloso e poderoso da Irmandade.
Amante Liberto faz uma viagem entre passado; mostrando os tormentos do herói da vez durante o período em que esteve no acampamento de seu pai, onde sofre mais que sovaco de aleijado – lá ele não tinha privilégios por ser o filho do responsável por treinar os futuros guerreiros e o cara mais cruel, mais até que um redutor chefe – e presente, em que vive as agonias de ter que fazer uma escolha entre o amor recém descoberto, sua liberdade e a sobrevivência da espécie.
Certamente, todos nós conhecemos pessoas que têm problemas familiares, com um dos pais, ou com os dois, mas dificilmente veremos uma história tão revoltante quando a de V.
“Ele se virou para ela (sua mãe) e disse:
─ Tudo bem, mas com uma condição.
─ Qual?
─ Fico aqui, com meus Irmãos. Luto com meus Irmãos. Vou para o Outro Lado e... – Droga. Oh, Deus – me deito com quem for. Mas minha casa é aqui.
─ O Primale vive...
─ Esse aqui não vai viver, por isso, é pegar ou largar – ele olhou para ela. Afinal, você não pode me obrigar a transar com fêmeas pelo resto da minha vida, não a menos que queira fazer o trabalho manualmente – ele sorriu de modo frio. – E isso, serve pra biologia?
Foi a vez de ela caminhar pela sala. Enquanto a observava e esperava, detestou perceber que eles pareciam pensar da mesma maneira: em movimento.
...
─ Pensei que talvez você quisesse uma vida tranquila. Uma vida na qual fosse protegido e não tivesse de lutar.
─ E perder todo treinamento cuidadoso que meu pai aplicou com pulso firme? Puxa, seria um grande, desperdício. Quanto à proteção, ela teria servido trezentos anos atrás. Não agora. [...]”
Mas será que Vishous está preparado para essa tarefa?
Como tortura pouca é bobagem, ele é ferido mortalmente em pleno território humano e acaba sendo internado no hospital em que a Dr. Jane Whitcomb precisa operá-lo.
A partir desse momento, sua situação só se agrava, pois ele acaba se envolvendo com a médica humana e a leva para conhecer seu mundo.
Mesmo quem já leu todos os livros da IAN e conhece as histórias de cada um dos guerreiros, sobretudo quem leu o Guia Oficial da Série, é difícil compreender porque justo este guerreiro teve que passar por tantas situações. Acho que é difícil até para a autora, que desenvolveu uma relação especial com cada um deles, explicar o desenrolar e o desfecho que deu para Vishous.
Eu amo todos os guerreiros, mas foi por Vishous que me apaixonei primeiro, adoraria tê-lo para mim, mas não se engane Renata (rs), não o considero meu, sei que ele é um personagem – infelizmente.
Um dos legados da vida que seus genitores lhe proporcionaram foi o gosto por práticas sexuais um tanto bizarras que, sinceramente, ainda que eu não tenha lido 50 Tons de Cinza (vou ler, eu prometo), não consigo ver muitas semelhanças entre V. e o Christian Grey, como já vi em alguns comentários. Enfim, vou ler a obra só pra poder comentá-lo aqui. Mas é isso, nosso homem tem algumas preferências sexuais macabras e, não, não foi isso o que me fez cair nas graças de Vishous – nada contra quem curte uma sessão de bolachas e sopapos, beliscões, algemas e cera de velas acesas, mas eu não sou chegada à dor –  nenhuma!
Como eu disse antes, é sua inteligência e suas habilidades que me conquistaram primeiramente, depois sua história me levou de vez para a torcida organizada de V.
A história desse guerreiro é tão complexa que não basta um ou dois volumes para fazer um trabalho arqueológico e psicológico. Em Amante Libertada há uma continuação desse drama “Vishouano”.
Agora, quando o assunto é sedução, preliminares e delírio sexual, os Irmãos mandam muito bem, mas V... basta dar uma lida no trecho em que Jane se oferece para dar-lhe um banho com toalha úmida... perdi a conta de quantas vezes li essa situação... Oxe!
Vishous é muito carregado de histórias e, mesmo a sua sendo narrada em três  livros praticamente (Amantes Revelado, Liberto e Libertada), acho que ainda falta muito a ser contado e resolvido. Eu adoraria poder escrever mais e mais sobre V e sua trajetória, mas não há condições de fazer isso em apenas um post, e o objetivo da coluna não é contar o livro todo e sim dar uma pequena ideia do personagem em questão. Quem sabe, eu consiga trazer mais um pouquinho desse macho extraordinário, quando falar sobre os próximos volumes.
Assim, vou ficando por aqui, já na contagem regressiva, não só para os eventos citados acima, mas principalmente pelo recesso escolar e as minhas tão necessárias férias.
Fiquem bem e Carpe Diem!
Tania Lima

13 comentários:

  1. Minha linda, também estou apaixonada por V, já tinha uma pequena queda por ele, principalmente pela inteligência. Carinha enigmático. Comecei a leitura de Amante Liberto ontem e, como nunca tive o hábito de ler o fim de livro, a expectativa só aumenta a cada capítulo.
    Nem preciso dizer que amei sua coluna.
    Eu te amo.
    Beijos

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    1. Professora, sou louca por ele; é cheio de defeitos, mas as qualidades superam tudo. A inteligência e tudo e a cabeça dura também, ele, como os outros é totalmente territorial! Amo, pois também sou, mas como ele, não sou irracional!
      Dizer que te amo também é sempre gostoso, nunca uma redundância! TE AMO TE AMO TE AMO!
      Obrigada pela presença ilustre, adorável professora!
      Beijos

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  2. Meu Deus que blog perfeito! Em todos os sentidos, tanto no design quanto ao conteúdo! Parabéns pelo blog, seguindo. Bj :*

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    1. Bem-vinda, Nathália! Você vai amar este espaço a cada postagem: eu sei, pois é o que acontece comigo!
      Beijos

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  3. Ahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

    Finalmente este dia chegou!!!!

    Não via a hora em que você fosse escrever sobre o MEU Vishous... eu estava super ansiosa e só ficava imaginando como o post seria!!!

    Finalmente aqui está ele e mais lindo do que nunca... Adorei sua escrita e as imagens de David são maravilhosas!!

    Obrigada amiga por mais este absinto!!! 'Delishous' total!!!

    Beijão!!

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    1. Você, Math querida, sabe bem que há muito que se falar desse guerreiro, coisas deliciosas, coisas fortes, mas como eu disse, um post só não basta, ele voltará com certeza!
      Te amo, amiga!
      Beijo!

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  4. Quando terminei esse livro a única coisa que eu conseguia pensar era "porque a Ward fez isso"... queria gritar tanto com ela e com a Virgem Escriba tipo: "Vc é a autora e vc a mãe dá raça façam algo melhor que isso" hauahuau sim sou fã e um pouco doida rs!!!

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    1. Acho que todas fazemos os mesmos questionamentos, Nathy! Adoro o V., queria muito que ele tivesse um outro rumo. Além de sensual e muito hot é extremamente inteligente, qualidades raras isoladamente, imagino um homem real com essas características, simplesmente irresistível!
      Fique tranquila, pois a loucura é compartilhada, linda!
      Beijos

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  5. Eu ainda não li nada da série, consegui emprestado pra ler nas férias O amante sombrio e o eterno e pela resenha desse acho que não vou me arrepender.
    Parabéns, vc escreve muito bem!

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    1. Ai, Fernanda, que fofa! Obrigada, mas acho que fica muito fácil falar das coisas que curtimos, pois isso a escrita flui melhor.
      Acredite, tenho certeza de que vai gostar. Depois passe por aqui novamente e diga o que achou!
      Beijos

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  6. essa postagem me incentivou mais a ler esse livro da série pq as coisas que eu escuto sobre ele são muito negativas brigadão!
    xeru

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    1. K-rol, a maioria das pessoas quer livros com histórias perfeitas, do tipo com finais felizes programados. A história de Vishous não é previsível, e o final é surpreendente. Eu costumo olhar a história pelos olhos de um personagem. Desde criança, sempre lia um livro e fazia parte dele, eu dialogava com os personagens, até brigava com eles.
      Quem prefere histórias previsíveis e esquece que este é um romance sobrenatural - SOBRENATURAL - não aceita que tudo é possível.
      Leia sim, e tire suas próprias conclusões, mas depois me conta tá?
      Beijos

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  7. Esse livro é um dos meus favoritos, mas sou suspeita em falar, pois Vishous é meu amor.. (se tivesse como "dar" a vida a um personagem sem sombra de dúvidas seria ele pra mim). Na minha humilde opinião a autora ama ou odeio esse guerreiro, porque não entendo como ela faz ele sofrer tanto, pobre do meu amor. Sem falar no que ela fez com a sua amada Jane. Agora com relação a Vishous e Butch, não acho que eles sejam apenas amigos, há algo bem mais forte entre aqueles dois, que infelizmente a autora não explorou, ela só fez com que ficássemos com várias pulgas atrás da orelha em algumas partes que envolvem os dois. Bom, é isso, amo demais essa série e tenho certeza que os outros livros também são maravilhosos, pois Ward arrasa sempre, e com minhas estruturas emocionais especificamente.

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