12 de outubro de 2012

Sexta Envenenada: Nora Roberts #2






Olá, pessoal!

Estamos de volta, com mas uma Sexta, esta ainda mais especial... é feriado, povo!!!! 

FERIADÃO!

Dando continuidade a nossa homenagem a aniversariante do mês, Nora Roberts, que completou aninhos anteontem (dia 10), vamos falar hoje sobre os dois outros livros da Trilogia da Magia.





Eu, que não tenho nada de normal, comecei a ler a trilogia pelo livro 2. Foi assim, estava fazendo compras em um supermercado, durante um período de férias, e passando pelo corredor de livros, claro, comecei a minha busca por títulos que me atraíssem. Deparei com essa capa:





Ainda não tinha lido nada da Nora (não me julguem, pois até então eu curtia apenas autores nacionais e sim, não tenho vergonha de dizer que tinha preconceitos em relação a autoras estrangeiras...), assim, assim como já estava fisgada pelos textos de Linda Howard e já tinha lido a respeito dela comprei o exemplar, simplesmente pelo nome da autora, nem me liguei no fato de ser o LIVRO 2 de uma trilogia.

Comecei a ler ainda no caminho de casa, e entrei em um mundo fantástico que trazia a história da delegada de polícia Ripley Todd, cujos desejos são bem simples: “uma vida calma, tranquila e pacífica” (sinônimos??).

Como delegada, sua vida já tem agitação suficiente, principalmente em sua ilha, onde nasceu e cresceu e conhece todos os moradores. 

A Ilha das Três Irmãs é um local onde o máximo de agito que se pode ter é o cão de seu vizinho remexendo em sua lata de lixo. Assim, a delegada divide as tarefas com seu irmão, o xerife Zack Todd, recém-casado com Nell Channing, sua Irmã recentemente reencontrada.


“Ilha das Três Irmãs
Setembro de 1699
Ela invocou a tempestade. As ondas de vento, os dardos dos raios, a fúria do mar, que eram prisão e proteção. Invocou as forças que viviam dentro dela, e também todas as que moravam do lado de fora. A luz e a escuridão.
Magra e alta, com seu manto levantado para trás como asas, ficou ali, sozinha na praia vergastada pelo vendaval. Sozinha, mas com sua fúria e seu pesar. E o seu poder. Era o poder que a preenchia naquele momento, corria por dentro dela em selvagens e poderosos golpes, como um amante enlouquecido.
E, afinal, talvez fosse exatamente isso.
Ela abandonara marido e filhos para ir para aquele lugar, deixou-os sob o efeito de um encantamento de sono que os manteria salvos e sem saber o que acontecera. Porque, depois de ter feito o que viera fazer, jamais poderia retornar a eles. Nunca mais poderia segurar em suas mãos o rosto daqueles a quem amava.
Seu marido iria sentir muito pesar e luto por ela, e seus filhos iriam chorar. Mas ela não poderia voltar para eles. E não poderia, nem iria, voltar atrás no caminho que escolhera.
O pagamento tinha que ser feito. E a justiça, por mais dura que fosse, tinha que ser finalmente cumprida.
Ela ficou ali, com os braços estendidos abraçando a tempestade que ela mesma criara. Seus cabelos voavam soltos e frenéticos, feixes escuros que açoitavam a noite como se fossem chicotes.
— Você não deve fazer isso!
Uma mulher apareceu a seu lado, brilhando de modo tão ofuscante na noite tempestuosa como o fogo que levava em seu nome. Seu rosto era pálido, e seus olhos estavam escuros com o que poderia ser descrito como medo.
— Já começou.
— Então interrompa tudo. Pare agora, irmã, antes que seja tarde demais. Você não tem o direito de fazer isso.
— Não tenho o direito?! — E aquela que se chamava Terra girou o corpo em torvelinho, seus olhos brilhantes de coragem e ódio. — E quem teria mais direito do que eu? Quando eles assassinaram as inocentes em Salem, perseguiram-nas, caçaram-nas e enforcaram-nas, não fizemos nada para impedi-los.
— Quando você impede um temporal, provoca um dilúvio. Você sabe disso! Nós criamos este lugar. — E aquela que se chamava Fogo abriu os braços, como para abraçar toda a ilha que balançava no mar.
— E o criamos para nossa própria segurança e sobrevivência, para defender a nossa Arte da Magia.
— Segurança? Você ainda consegue falar de segurança e sobrevivência, agora que nossa irmã está morta?
— E eu sofro e sinto um imenso pesar por ela, tanto quanto você.
— Implorando, ela cruzou as mãos sobre o peito. — Meu coração chora tanto quanto o seu. As filhas dela estão em nossa companhia, agora. Você vai abandoná-la, e vai abandonar também as suas próprias filhas?
Havia uma loucura em Terra, estraçalhando seu coração como o vento rasgava seus cabelos. Ainda que reconhecesse tudo isso, não conseguia sobrepujar o ódio.
— Ele não vai ficar sem punição! — afirmou. — Não vai mais continuar vivendo, já que ela morreu.
— Se fizer algo de mal a alguém, quebrará seus votos sagrados. Terá corrompido seus poderes, e o que enviar para a noite voltará para você, multiplicado por três.
— Sim, eu sei. A justiça tem seu preço.
— Mas não esse preço. Jamais um preço tão alto. Seu marido vai perder a mulher, seus filhos vão perder a mãe. E eu vou perder outra irmã adorada. Pior, muito pior do que tudo isso, você vai quebrar a lealdade a tudo o que somos aqui. Ela não iria querer isso. Essa não teria sido a resposta dela.
— Sim, ela preferiu morrer a se proteger. E morreu por causa do que era, por causa do que somos. Nossa irmã renegou seu juramento pelo que chamava de ”amor”. E foi isso o que a matou.
— Foi escolha dela! — Uma escolha que ainda amargava a garganta de Fogo, mesmo depois de ter sido engolida. — Além do mais, ela não machucou ninguém. Faça isso agora; use seus dons desse modo escuro e você vai estar se arruinando. E essa maldição vai se estender a todas nós.
— Não posso mais viver aqui, escondida. — Havia lágrimas em seus olhos, agora, e, sob a luz dos relâmpagos, era possível ver que eles estavam vermelhos como sangue. — Não posso voltar atrás. Esta é a minha escolha. Meu destino. Vou tirar a vida dele por ela, e amaldiçoá-lo para todo o sempre.
E clamando por vingança, lançando-se para o ar como uma flecha brilhante e mortal lançada de um arco retesado, aquela que era conhecida como Terra sacrificou a própria alma.”


Tudo em sua vida parece confortável, exceto pelos poderes especiais que possui e que a atemorizam e confundem e contra os quais luta constantemente. 

Num esforço para negar a força mística que possui encontra outro grande obstáculo, que para mim foi um dos maiores motivos para me apaixonar por Entre o Céu e a Terra: MacAllister Booke, um pesquisador que chega à ilha para investigar os rumores sobre feitiçaria que marcam a Ilha das Três Irmãs.




“Ele não parecia assim tão diferente dos outros passageiros da barca. O sobretudo preto e comprido drapejava ao vento. O cabelo, em um tom de louro-escuro bastante comum, voava em torno de seu rosto, e não tinha um corte especial.
Tinha se lembrado de fazer a barba, e conseguira a façanha de se cortar em apenas dois lugares, bem de leve, logo abaixo da curva do queixo. Seu rosto, que era muito bonito, estava semi-oculto por uma das suas muitas câmeras fotográficas, e ele batia fotos da ilha, sem parar, usando lentes de longo alcance.
Sua pele ainda conservava o bronzeado tropical que pegara em Bornéu. Em contraste com o tom ensolarado de sua pele, seus olhos tinham a cor dourada de mel recém-engarrafado. O nariz era reto e estreito, e o rosto um pouco comprido.
As bochechas encovadas, logo abaixo das maçãs do rosto, tinham a tendência de parecer ainda mais profundas, quando se envolvia tanto com o trabalho que se esquecia até mesmo de comer devidamente. Isso lhe dava um curioso ar de intelectual faminto.
Sua boca sorria com facilidade, de modo sensual.
Era meio alto e tinha formas meio esbeltas.
Era também meio desastrado.
Teve que se segurar de repente, e com força, no gradil da barca, que balançara ligeiramente e quase o atirara por cima da amurada. Estava debruçado demais, é claro. Sabia disso, mas a emoção da expectativa frequentemente o levava a se esquecer da realidade do momento presente.
Recuperando o equilíbrio, conseguiu se aprumar e enfiou a mão no bolso do casaco, em busca de uma bala ou chiclete.
Conseguiu pescar uma embalagem pré-histórica de dropes de limão, duas folhas amassadas de papel de bloco e o canhoto de uma entrada de cinema (o que o deixou desconcertado, pois ele nem se lembrava de quando tinha ido ao cinema pela última vez). Encontrou também uma tampa de lente que julgava perdida.
Contentou-se com o dropes de limão e ficou observando a ilha.
Já havia se consultado com um xamã no Arizona, visitara um homem que se dizia vampiro, nas montanhas da Hungria, tinha sido amaldiçoado por um ”bruxo” após um lamentável incidente no México. Morara também, por algum tempo, em companhia de vários fantasmas em uma casa mal-assombrada na Cornualha, e documentara os antigos rituais de um paranormal que se comunicava com os mortos, na Romênia.
Durante quase vinte anos, MacAllister Booke estudara, registrara e testemunhara o inacreditável e o impossível. Já entrevistara bruxas, fantasmas, lobisomens e pessoas abduzidas por alienígenas. Também estivera com médiuns famosos. Noventa e oito por cento de tudo o que vira em suas pesquisas era falso, ilusório ou fraudulento. Os outros dois por cento que restavam, no entanto... Bem, esses eram os casos que o faziam seguir em frente.
Não apenas acreditava no extraordinário. Havia feito disso o trabalho da sua vida.
A perspectiva de passar os próximos meses em um pedaço de terra que, segundo a lenda, havia sido arrancado do continente americano, em Massachusetts, por um trio de feiticeiras e levado pelo ar até pousar no mar como um santuário era fascinante para ele.
Pesquisara tudo sobre a Ilha das Três Irmãs, exaustivamente, e tinha escavado cada pedaço de informação que conseguira a respeito de Mia Devlin, a atual bruxa da ilha. Ela não prometera a ele uma entrevista, nem acesso a nada que fosse relacionado com o seu trabalho. Mesmo assim, o pesquisador alimentava a esperança de persuadi-la.
Um homem que já conseguira participar de uma cerimônia executada por neodruidas deveria ser capaz de convencer uma bruxa solitária a deixar que ele assistisse à realização de alguns feitiços.”


Mac traz para a delegada Todd, além de uma atração imediata, momentos em que ela terá de demonstrar todo controle sobre seus poderes, o que vem enfrentando há anos. E, para a trama, Mac traz suavidade de bom humor, já que todos os habitantes da Ilha das Três Irmãs estão prestes a enfrentar um horror inimaginável.

Gosto de histórias assim, bem elaboradas e com um enredo muito bem costurado. Nora Roberts tem essa habilidade fantástica de criar personagens e histórias que não nos deixam dúvidas, que não deixam possibilidades sem soluções, não há vácuos, tudo e todos têm sua função na história, nada é posto ali sem uma razão.

Quando Mac e Ripley se encontram há sempre faíscas, sejam elas sensuais ou mágicas. Seus diálogos são sempre intensos, divertidos e lógicos.


“Na segunda viagem até o carro, parou ao notar que o carro patrulha do xerife estava estacionado em frente à sua porta, e Ripley já começava a se preparar para saltar
— Delegada Todd!
— Dr. Booke! — Ela estava se sentindo ligeiramente culpada por ter implicado com ele logo no primeiro encontro. Tinha certeza de que não estaria se sentindo assim, se Nell não tivesse chamado a sua atenção a respeito do fato. — Você tem um bocado de coisas!
— Que nada! Isso tudo é apenas uma parte do material. Tem mais chegando amanhã, que eu mandei trazer do continente.
— Ainda tem mais? — quis saber ela, abelhuda por natureza, enquanto olhava para a traseira do Land Rover.
— Sim, muito mais. Toneladas de equipamentos muito porretas.
— ”Porretas”? — Ela virou a cabeça, rindo intimamente pelo uso daquela palavra.
— Sim, e muito. Sensores, scanners, medidores, câmeras e computadores. Brinquedinhos muito legais.
Ele parecia tão empolgado com a idéia, que ela não teve coragem de franzir as sobrancelhas para ridicularizá-lo.
— Vou dar uma mãozinha a você, para ajudar a carregar tudo lá para dentro.
— Não se incomode. Tem coisas aí que são muito pesadas.
— Pois eu aposto que consigo aguentar! — Dessa vez ela franziu realmente as sobrancelhas, e pegou uma caixa imensa no porta-malas.
Tenho certeza que sim! — pensou ele, enquanto seguia em frente, guiando-a para dentro de casa.
— Obrigado, delegada. Você malha em alguma academia ou faz levantamento de peso? Quanto consegue levantar?
— Em geral faço sete séries de doze levantamentos, com pesos de quarenta quilos. — Ela levantou a sobrancelha, analisando-o. Não dava para ter uma idéia da definição dos músculos do corpo dele, por causa do casaco comprido e do suéter grosso que usava por baixo. — E você, consegue levantar quanto?
— Anh... mais ou menos a mesma coisa... Quer dizer, considerando a relação entre o peso do meu corpo e o seu. — Ele saiu da casa novamente, deixando que ela o seguisse. Ripley tentou ter uma noção da largura dos seus ombros... e do formato do seu traseiro.
— E o que é que você faz com todos esses equipamentos... ”porretas”? — pergunta ela.
— Estudo, faço medições, observo, gravo, documento fatos. Tudo que se relacione com o oculto, o paranormal, o misterioso. Você sabe, tudo o que seja diferente do normal.
— Sei... Uma exibição de aberrações.
— Bem, tem gente que acha isso. — Simplesmente ele sorriu. Não apenas com a boca, ela notou, mas com os olhos também.
Juntos, continuaram a carregar o resto das caixas e sacolas para dentro.
— Vai levar uma semana para desempacotar tudo — comentou ela.
— Na verdade, eu não tinha planejado trazer tanta coisa. — Ele coçou a cabeça olhando para os volumes à sua volta. — O problema é que você nunca sabe do que vai precisar, de repente. Uma vez, eu estava no meio da selva, em Bornéu, e me deu vontade de chutar a própria bunda por ter esquecido de levar o detector de energia residual... É como um sensor de movimento, só que um pouco diferente. Enfim, não dá para encontrar um aparelho desses nos sertões de Bornéu.
— Imagino que não.
— Venha,vou lhe mostrar. — Tirou o casaco com movimentos ágeis e o atirou descuidadamente em um canto qualquer e se inclinou para frente, para remexer em uma das caixas.
Surpresa, surpresa!..., pensou Ripley. O Doutor Esquisito possuía um excelente traseiro.
— Veja só, é este aqui — e mostrou um dos aparelhos a ela. — Dá para carregar em uma só mão. É totalmente portátil. Eu mesmo o projetei.
Ela olhou, e o que viu lhe pareceu um pequeno contador Geiger, embora ela jamais tivesse visto um contador Geiger de perto.
— Esta maquininha detecta e mede as forças energéticas positivas e negativas — explicou ele. — Para esclarecer melhor, ela reage a partículas carregadas que estão no ar, ou em um objeto sólido, ou até mesmo na água. Só que este aqui não é à prova d’água. Estou preparando um que vai ser submergível. Por enquanto, este serve. Posso conectá-lo no computador para gerar uma representação gráfica do tamanho e da densidade da força a ser analisada, e outros dados pertinentes.
— Anh-anh... — Ela levantou a cabeça e deu uma olhada rápida para o rosto dele. Ele parecia completamente absorvido, compenetrado, levando tudo aquilo tão a sério, pensou, e ao mesmo tempo completamente empolgado com a sua pequena engenhoca. — Você é totalmente viciado nesses aparelhinhos eletrônicos, não é?
— Sou mesmo, bastante viciado. — Ele virou a pequena unidade de cabeça para baixo, ainda segurando-a na mão, para verificar o estado das pilhas. — Sempre tive um grande interesse por coisas paranormais e pequenos aparelhos eletrônicos. Consegui encontrar um meio de me realizar pelos dois lados.
— Bem, se isso o deixa tão excitado... — Ela observava as caixas e mais caixas de equipamentos ainda embalados. Era como se uma loja de informática estivesse explodido ali dentro. — E todo esse ferro-velho ”high-tech”, eu aposto que custou muita grana, não?
— Mmm... — ele não estava dando atenção a nada do que ela estava dizendo. As agulhas do sensor que ele ligara para testar estavam começando a dar sinais de vida, fazendo uma leitura ainda fraca, mas bem definida.
— Você consegue algum tipo de subsídio de institutos nessa área, ou bolsas para as pesquisas?
— Humm... é, talvez consiga, mas na verdade nunca procurei, porque jamais precisei. Sabe, sou um viciado em engenhocas, mas também sou muito rico.
— Sério?... Não deixe Mia saber desse detalhe, senão ela vai aumentar o valor do aluguel na mesma hora. — Curiosa, ela continuava a circular em torno das caixas. Ripley sempre gostara muito do pequeno chalé, e ainda estava um pouco aborrecida por não ser ela quem estava de mudança para lá, naquele momento. Além do mais, toda aquela parafernália e o próprio MacAllister Booke não estavam fazendo muito sentido para ela.
De repente, sem conseguir resistir, ela falou:
— Escute, normalmente sei muito bem cuidar da minha própria vida, e não tenho o mínimo interesse no trabalho que você realiza, mas não posso deixar de dizer que tudo isso não parece se encaixar. Veja só, você é um professor de assuntos esquisitos; é um sujeito muito rico, mas viciado em estranhos brinquedos eletrônicos; vem para uma ilha e fica em um minúsculo chalé amarelo. O que está buscando, realmente?
— Respostas. — Dessa vez ele não sorriu. Seu rosto assumiu uma expressão calma, mas era como se tivesse intenções misteriosas.
— Que respostas?
— Todas as que eu conseguir encontrar. E você tem olhos lindos.
— O quê?
— Estava reparando. São totalmente verdes. Nem um pouco acinzentados, nem ligeiramente azuis. Apenas intensamente verdes. E muito bonitos.
— Isto é uma cantada, Doutor Esquisito? — perguntou ela, inclinando a cabeça um pouco para o lado.
— Não! — Ele quase corou. — É que eu simplesmente reparei, só isso. Muitas vezes, eu nem noto que estou falando em voz alta tudo o que passa pela minha cabeça. Acho que isso acontece porque passo muito tempo sozinho e acabo pensando em voz alta.
— Certo. Tudo bem, então. É melhor eu ir andando.
— Agradeço muito pela sua ajuda. — Ele enfiou o aparelhinho no bolso, esquecendo-se de desligá-lo. — Não fique ofendida comigo, está bem?
— Está bem. — Ela ofereceu a mão para se despedirem.
No instante em que seus dedos se tocaram, o sensor dentro do bolso dele disparou, e começou a emitir um bip ensurdecedor.
— Uau! Espere, espere, segure minha mão com firmeza!
Ela tentou puxar a mão, livrando-a do cumprimento, mas ele a agarrou com dedos surpreendentemente poderosos. com a outra mão livre, pegou o sensor no fundo do bolso.
— Olhe só para isto! — A empolgação sobressaía involuntariamente em sua voz, tornando-a mais grave. — Jamais vi uma medição assim tão forte. A agulha está quase pulando para fora da escala!
Ele começou a murmurar números repetidamente, como se estivesse tentando memorizá-los, enquanto a rebocava por toda a sala, ainda segurando a sua mão.
— Espere aí, meu chapa! O que é que você pensa que está...
— Preciso anotar esses números. Quanto tempo já tem? Duzentos e vinte e três pontos em apenas dezesseis segundos! — Fascinado, ele passava o aparelhinho por sobre as duas mãos ainda unidas. — Jesus Cristo! Olhe só o pulo que a agulha deu! Isso não é fantástico?
— Largue a minha mão agora mesmo, ou euvou derrubar você no chão!
— Ahn? — Ele olhou de volta para ela, e piscou forte uma vez, como que para se orientar. Os olhos que ele admirara ainda há pouco pareciam agora duros como pedra. — Puxa, desculpe!
Ele soltou a mão dela imediatamente. O bip do sensor começou a diminuir o ritmo e abaixar o volume lentamente. — Desculpe! — repetiu. — Fico completamente transtornado, especialmente quando me vejo diante de um fenômeno novo. Por favor, espere apenas um minuto enquanto eu gravo isto para depois conectar o sensor no computador.
— Olhe, não tenho tempo para perder enquanto você fica se divertindo com seus brinquedinhos. — Ela lançou um olhar furioso para o sensor. — Acho que o que você precisa é fazer uma revisão nesse equipamento.
— Acho que não. — Ele estendeu o braço que usara para cumprimentá-la. — Veja só, a minha mão ainda está vibrando. Como está a sua?
— Não sei do que você está falando.
— Dez minutos — pediu ele. — Por favor, me dê apenas dez minutos do seu tempo para eu ligar alguns equipamentos básicos, e vamos tentar mais uma vez. Quero testar os seus sinais vitais. A temperatura do seu corpo, a temperatura ambiente...
— Nem pensar! Não deixo estranhos testarem meus sinais vitais antes que eles pelo menos me paguem um jantar. — Ela fez um gesto para o lado com o polegar. — Você está no meu caminho.
— Eu pago um jantar para você! — Ele saiu para o lado.
— Não, obrigada. — Ripley seguiu em direção à porta sem olhar para trás. — Você não faz o meu tipo.
Em vez de perder tempo se sentindo chateado quando ela bateu a porta ao sair, Mac saiu procurando freneticamente pelo seu gravador e começou a falar em voz alta para relatar a experiência e os dados obtidos.
— O nome dela é Ripley Todd — começou. — Delegada Ripley Todd. Está próxima dos trinta anos, pela aparência. É uma mulher áspera, desconfiada e quase rude, mas de uma forma casual. O incidente aconteceu durante um contato físico. Um aperto de mão. Minhas reações físicas foram um formigamento e uma sensação de aquecimento da pele, a partir do ponto de contato, subindo pelo braço direito até atingir a região do ombro. Senti também uma aceleração na pulsação e o coração disparou. Tudo isso foi acompanhado por uma sensação temporária de grande euforia. As reações físicas da Delegada Todd não puderam ser verificadas. Minha impressão, entretanto, é a de que ela experimentou as mesmas reações, ou algo similar, o que resultou em um acesso de raiva e uma atitude de negação.
Sentando-se no sofá, fez mais algumas considerações mentais, antes de continuar.
— A partir das hipóteses formuladas, que tiveram como base as pesquisas anteriores, a observação do fenômeno recém-vivenciado e mais os dados que foram gravados, tudo me leva à idéia de que Ripley Todd é uma das descendentes diretas das três irmãs originais.
Desligando o gravador e apertando os lábios, Mac completou falando consigo mesmo:
— Acrescentaria que essa possibilidade a deixa definitivamente furiosa.
Mac levou todo o resto da tarde e depois a noite inteira para conseguir desencaixotar todo o equipamento, instalar e conectar todos os aparelhos. No momento em que se colocou de pé novamente e olhou em volta, a sala parecia um laboratório de ciências tecnológicas avançadas, e estava cheia de monitores, teclados, câmeras e sensores espalhados, tudo instalado de forma organizada e precisa, conforme as suas preferências.”

Fiquei tão envolvida pelo livro que ao perceber que se tratava de uma trilogia, tratei de procurar os outros dois, e para minha angústia só encontrei o livro 3 nas livrarias. 

Estava já entrando em desespero na busca pelo primeiro livro, quando lembrei-me dos sebos; me cadastrei na Estante Virtual e fiquei sabendo que no Rio de Janeiro só havia um sebo com um exemplar desse livro. Imaginem meu furor uterino!!! 

Não tenho nada contra ler livros na internet, só que eu preciso tê-los em minha estante, para levá-los na bolsa, onde quer que eu vá. Assim, liguei para o sebo, que fica no Centro da cidade e implorei que guardasse o exemplar para mim. Por sorte o guri foi muito legal e acabei trazendo pra casa outros livros que tanto amo.

Esse é o poder da Trilogia da Magia de Nora Roberts, que nos leva a cometer atos que, para quem não dá a mínima para a leitura é algo como a reação das adolescentes pelas boy-bands: histeria total.

Eu ia falar sobre os dois últimos livros, né? 

Mas este post ficou gigantenorme demais. Assim, trarei o desfecho com a história de Mia Devlin em Enfrentando o Fogo, na próxima Sexta.

Beijos e Carpe Diem!

Tania Lima

4 comentários:

  1. Tania, eu sei o que vc sentiu, flor... eu li essa trilogia porque minha chefe me emprestou, eu já tinha lido alguns livros da Nora Roberts, mas essa foi uma das trilogias dela que eu mais amei,... de todos eu amo mais é o da Mia e do Sam, que é o ultimo.

    Nossa eu me apaixonei completamente.

    Quase fiquei com os livros para mim... mas chefe é chefe né??

    bjuuss

    Fran

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    1. Eu também Fran, embora meu preferido seja o segundo, pois tenho loucura por homens desastrados, então Mac me conquistou de vez!
      Bjs
      Tania

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  2. Normalmente o preconceito é ao contrário, nossos autores que o digam, mas fico feliz em saber que você deu uma chance à Nora. Esta trilogia é ótima, li por causa da minha prima que comprou o volume 1 e me emprestou, depois corri atrás dos outros volumes.
    Bjs, Rose.

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    Respostas
    1. É verdade, Rose. A leitura dos textos da Nora é muito gostosa. Claro que há textos de certos autores que realmente me congelaram e me fizeram arrepender-me de tê-los comprado, mas não podemos julgar nada antes de conhecê-los, não é!???
      Beijinhos e obrigada pela presença!
      Tania

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