5 de outubro de 2012





Oi, pessoas lindas e especiais!

Este mês é muito especial, primeiro porque tem feriado – quando, quando, quando?? – na SEXTA (12/10), é dia da Padroeira do Brasil, salve-salve, que bênçãos caiam sobre nós, tem o Dia das Crianças... já ia me esquecendo, tem eleições municipais e, muito importante sobretudo para nós, amantes literários, é o mês em que Nora Roberts completa primaveras, em plena primavera!


Nora Roberts, Eleonor Marie Robertson, nasceu em 10 de outubro de 1950 em Silver Spring no estado de Maryland nos EUA. 

Iniciou sua trajetória brilhante na década de 1970, quando ficou presa com seus filhos em uma nevasca (bendita nevasca). Ela disse que com o estoque de chocolate acabando e metros de neve, não tinha mais nada para fazer e começou a escrever seus manuscritos, que posteriormente levou a Harlequin, onde foram rejeitados inúmeras vezes…

Escreve sob pseudônimos como Sarah Hardesty, Jill March e J.D. Robb (que vêm das iniciais de seus filhos e seu sobrenome).

É uma autora de best-sellers românticos e foi a primeira mulher a figurar na Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos (Romance Writers of America Hall of Fame).

Com textos ricos em detalhes, tanto para seus personagens como para as tramas, já publicou mais de 160 romances, a maior parte no gênero suspense romântico, traduzidos para 25 idiomas e editados em mais de 35 países.

É recordista em vendas e algumas de suas obras já foram adaptadas para o cinema e outras para seriados de TV.

Assim, resolvemos prestar uma homenagem a essa grande escritora, que influenciou tantas outras e nos brinda com títulos maravilhosos.

Na verdade, Nora faz aniversário e nós é que recebemos os presentes a cada edição.



Por isso, o absinto de outubro, não apenas desta Sexta, não será um de seus personagens, mas sim Nora Roberts.

Dando início a esta homenagem, vamos falar de uma de suas trilogias e escolhemos a Trilogia da Magia, porque a maga na verdade é ela mesma, que nos enfeitiçou com suas criações.



O primeiro livro da série é Dançando no Ar.



“Aldeia de Salem, Massachusetts, Estados Unidos

22 de junho de 1692
Por entre as sombras verdes e escuras das profundezas da floresta, uma hora antes de a Lua nascer, elas se encontraram, em segredo. Em poucos minutos, o dia mais longo do ano iria se transformar na noite mais curta do solstício.
Não haveria celebrações, nem rituais de ação de graças pela luz e pelo calor reconfortante do Sabá de Litha. Esse alto verão era uma época de ignorância e morte.
As três mulheres que se encontraram ali estavam cobertas de medo.
— Trouxemos tudo de que precisamos? — A que era conhecida ali no grupo pelo nome de Ar apertou um pouco mais o capuz, para que nem uma pequena mecha de seu cabelo louro pudesse ser vista na luz difusa do dia que morria.
— O que temos aqui vai servir. — A que tinha o nome de Terra colocou no chão o embrulho que trouxera consigo. A parte dela que queria chorar e se enfurecer pelo que havia sido feito, e pelo que ainda estava por vir, encontrava-se enterrada bem no fundo de sua alma. Com a cabeça curvada, deixou seu grosso cabelo castanho cair para a frente, solto.
— Não há outra saída para nós? — Ar colocou a mão sobre o ombro de Terra, e ambas olharam para a terceira mulher.
Ela estava de pé, magra e ereta. Havia sofrimento em seus olhos, mas por trás deles morava uma firme determinação. Ela, que se chamava Fogo, jogou seu capuz para trás, em uma atitude de desafio. Ondas de cachos vermelhos se derramaram sobre os ombros.
— É por sermos assim que não há outra saída para nós — respondeu. — Eles vão nos caçar como ladras e bandoleiras, vão nos assassinar, como já fizeram com uma pobre inocente.
— Bridget Bishop não era uma bruxa! — disse Terra com um tom amargo, enquanto se colocava de pé.
— Não, e ela afirmou isso diante do tribunal que a julgou e condenou. Jurou diante de cada um deles. Mesmo assim, eles a enforcaram. Foi morta por causa das mentiras de algumas meninas e dos delírios daqueles fanáticos que sentem o cheiro de enxofre em cada partícula do ar que respiram.
— Mas já houve apelações!... — Ar uniu os dedos como uma mulher que se prepara para rezar. Ou implorar. — Nem todos apóiam o tribunal, ou essa terrível perseguição.
— Muito poucos — murmurou Terra. — E já é tarde demais!
— E não vai acabar apenas com uma morte. Eu já vi o futuro. — Fogo fechou os olhos e tornou a visualizar os horrores que as aguardavam, — Nossa proteção não vai durar até o final da caçada. Eles nos encontrarão... E nos destruirão.
— Mas nós não fizemos nada! —Ar deixou as mãos caírem para os lados do corpo. — Não fizemos mal a ninguém!
— E que mal Bridget Bishop fez a alguém? — argumentou Fogo. — Que mal fizeram todas as outras acusadas que estão à espera do julgamento? Que mal fizeram ao povo da Aldeia de Salem? Sarah Osborne morreu em uma prisão de Boston. Por qual crime? — Seu gênio forte transparecia pelo jeito de falar, quente e aguçado, e era rejeitado na mesma hora. Até mesmo naquele momento, ela se recusava a deixar seu Poder ser manchado pela raiva e pelo ódio. — O sangue delas está nas mãos desses Puritanos. Estes... Pioneiros. Fanáticos, é isso que são, e vão trazer uma onda gigantesca de morte antes que a sanidade e a razão consigam retornar.
— Se ao menos pudéssemos ajudar...
— Não podemos impedir isso, irmã.
— Não, não podemos! — concordou Fogo, assentindo com a cabeça para Terra. — Tudo que podemos fazer é tentar sobreviver. Sendo assim, temos que abandonar este lugar, o lar que construímos aqui, as vidas que poderíamos ter levado aqui. Largar tudo e começar de novo.
com carinho, encaixou o rosto de Ar em suas mãos abertas e completou o que dizia.
— Não lamente nem sinta pesar pelo que jamais poderá acontecer... Em vez disso, celebre aquilo que virá. Nós somos as ”Três Irmãs” e jamais seremos derrotadas neste lugar.
— Mas estaremos sozinhas.
— Estaremos juntas!
E, sob aqueles últimos raios do dia, formaram um círculo. Um... Dois... Três. Labaredas surgiram da terra e formaram um anel de proteção em volta delas. O vento fez aumentar as chamas e as levou até bem alto.
Dentro do círculo mágico de fogo, elas formaram outro, unindo firmemente as mãos.
‘Aceitando agora o que estava por vir, Ar levantou o rosto para o céu e recitou:
Como a noite toma o dia, esta luz oferecemos
A Verdade aqui e agora será feita, e nisto cremos
Tão fiéis e assim seguindo no caminho do que é certo
Neste círculo de três, sou o ”um” no céu aberto.’
 
Terra, com ar desafiador, levantou a voz:
 
‘Esta hora é nossa última a pisar sobre este solo
Com a Força e sem lamentos, nos lançamos em teu colo
Passado, Futuro, e, agora, não serei mais encontrada
Neste círculo de três, sou o ”dois” nesta jornada.’
 
Fogo levantou as mãos unidas bem no alto e gritou:
 
Entregamos nossa Arte e a ninguém fazemos mal Longe da morte e do medo nessa viagem astral A caçada começou, e vamos embora de vez O Poder viverá livre, no círculo em que sou o ”três”.
 
O vento se contraiu e expandiu. A terra tremeu, e as chamas do fogo mágico se elevaram para o céu através da noite. As três vozes se elevaram em uníssono:
 
‘Longe do ódio infame, que esta terra se desprenda
E se levante no ar, levando-nos desta contenda
Entalhe a rocha, as árvores, a terra e o rio
E afaste o medo, a morte, o escárnio, o desvario
Nos carregue pelo ar em um raio de luar
Por sobre os rochedos e, mais adiante, sobre o mar
Separadas do continente nesta noite de verão
Carregadas pelas nuvens e criando um novo chão
No meio do mar cresça o grão, longe da peleja
Que uma ilha ali se forme... E que tudo assim seja!’
 
E ouviu-se um ribombar na floresta, uma torrente em redemoinho de vento, um selvagem corcovear de fogo. Enquanto aqueles que perseguiam o que jamais conseguiram compreender dormiam calmamente em suas camas, uma ilha imensa se recortou do solo e se ergueu em direção ao céu, girando loucamente em direção ao mar.
Acomodou-se longe da costa, serena, sobre ondas calmas. E teve ali seu primeiro sopro de vida naquela noite mais curta do ano.”

 


Assim, tem início o livro que conta a história de Nell Channing, que chega à Ilha das Três Irmãs, acreditando finalmente ter encontrado um lugar onde poder refazer sua vida.

Nell está numa jornada durante oito meses, fugindo da violência enlouquecida de  seu marido.
Nesta busca pela segurança e paz ela consegue emprego na lanchonete da livraria local e inicia um flerte com o xerife da ilha, Zack Todd.

Zack Todd (Taylor Kinney)

“Foi essa a primeira impressão que Zack teve dela. Uma linda loura que usava um avental branco, um sorriso com um quilômetro de largura e covinhas. A imagem lhe proporcionou um arrepio rápido e agradável, e seu próprio sorriso cintilou em resposta.
— Já tinha ouvido falar dos bolinhos, mas ninguém havia me falado do sorriso.
— É que o sorriso é grátis. Pelos bolinhos, você vai ter que pagar.
— Vou levar um. De amora. E um café bem forte para viagem. Meu nome é Zack. Zack Todd.
— Eu me chamo Nell. — E despejou o café em um dos copos para viagem. Ela não precisava olhar para ele com o rabo do olho. A experiência lhe ensinara olhar para um rosto uma única vez, mesmo de relance, e se lembrar de todos os detalhes. O rosto dele ainda estava gravado em sua mente enquanto enchia o copo.
Bronzeado, com linhas suaves que saíam, divergentes, das pontas de argutos olhos verdes. Uma mandíbula firme com uma intrigante cicatriz em diagonal. Cabelos castanhos, um pouco compridos, ligeiramente encaracolados e já ligeiramente queimados nas pontas pelo sol de verão. Um rosto estreito com um nariz longo e reto, uma boca que sorria com facilidade e exibia um incisivo ligeiramente torto.
Pareceu-lhe um rosto honesto. Sereno, amigável. Ela colocou o café sobre o balcão, lançando outro rápido olhar enquanto puxava um dos bolinhos de cima da pilha na bandeja.
Ele tinha ombros largos e braços fortes. A camisa estava com as mangas arregaçadas e também ligeiramente desbotada, talvez pelo sol ou pela água. A mão que segurou o café era grande e larga. Nell tinha a tendência de confiar em homens de mãos grandes. As mãos delgadas, macias, bem tratadas por manicures, essas eram capazes de golpear de forma letal.



— Vai levar um bolinho só? — perguntou, enquanto colocava o pedido em um saco.
— Um só vai me satisfazer, por agora. Ouvi dizer que você acabou de chegar à ilha, ontem de manhã.[...]”


Nell estava para descobrir muito mais coisas, além de que sua capacidade de se interessar por outro homem não fora abalada. E, nesse percurso manter uma parte sua que jamais poderá ser revelada, pois para se manter segura alguns segredos devem ficar no passado e este mantido à distância.


“Acabando de beber a água, Nell saiu da cozinha e entrou na loja exatamente no momento em que Mia se virava para trás. O relógio na praça começou a bater as doze badaladas do meio-dia, com tons lentos, pesados e poderosos.
O chão sob os pés de Nell começou a tremer, e as luzes da loja ficaram de repente mais fortes e brilhantes. A música encheu completamente a sua cabeça, como se as cordas de mil harpas estivessem tocando em uníssono. Sentiu então o vento. Podia jurar que sentira um vento quente soprar sobre o seu rosto e levantar-lhe os cabelos. Sentiu por fim um forte cheiro de cera de vela e de terra fresca e molhada.
O mundo estremeceu e girou, para logo em seguida posicionar-se no lugar certo de volta, como se jamais tivesse se movido. Balançando a cabeça para clarear as idéias, Nell se viu fitando os olhos cinza-escuros de Mia, frente a frente.
— O que foi isso, Mia? Um terremoto? — No mesmo instante em que dizia isso, Nell reparou que ninguém mais na loja parecia preocupado. As pessoas estavam andando de um lado para o outro normalmente, sentavam-se, conversavam, tomavam chá. — Eu pensei... Eu senti...
— Sim, eu sei. — Embora a voz de Mia fosse calma, havia um caráter incisivo que Nell até então não conhecera. — Bem, isso explica tudo.
— Explica o quê? — Abalada, Nell agarrou o pulso de Mia e sentiu uma força poderosa que lhe subia pelo braço.
— Vamos conversar sobre isso, mais tarde. É que a barca de meio-dia acabou de atracar. — Ripley estava de volta, pensou consigo mesma. Elas, as três, estavam todas juntas na ilha, agora. — Vamos ter muito trabalho pela frente. Vá servir a sopa, Nell — completou gentilmente, e saiu.
Mia não se deixava pegar de surpresa com facilidade, e não se preocupava o tempo todo com essas coisas. A força do que sentira e experimentara com Nell, porém, tinha sido mais intensa e mais profunda do que esperara, e isso a deixou um pouco perturbada. Ela deveria estar preparada. Ela, mais do que qualquer outra pessoa, sabia, acreditava e compreendia a reviravolta que o destino tinha dado, há tantos anos... E a nova reviravolta que poderia dar agora.”

Quando tudo parece estar funcionando, uma nova tormenta se aproxima e ela vai precisar mais que nunca de suas “novas” e amadas amigas Mia e Ripley, pois também descobre que a tão pacata e adorada ilha que escolheu para ser seu lar está sob uma terrível maldição, que só poderá ser quebrada pelas descendentes das Três Irmãs.

Muita beleza, magia, encontros e reencontros é o que está nesse caldeirão encantado que nossa Maga mestra Nora Roberts preparou para esta trilogia que é um encanto.

Fico por aqui, desejando a todos uma Sexta Encantadoramente Envenenada, e que Nora Roberts continue nos presenteando com seu talento por muitos e muitos anos.

Beijos e Carpe Diem!

Tania Lima

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