31 de outubro de 2012

Doce veneno #7: Mais quente que no inferno


Olá, envenenados!
Mais uma quarta-feira chegando trazendo para vocês mais um post na coluna. Gostaram do tema da última semana?! Nessa semana, eu tinha um assunto em mente, só que o calor foi tão grande e tão sufocante que derreteu meu cérebro. Assim, achei que nada seria mais justo do que nos focarmos então no assunto do momento: CALOR!
Doce Veneno: Mais quente que no inferno!

Não sei como vocês estão passando por esses dias quentes, e menos ainda se na cidade de vocês está esse forno do inferno que está no Rio de Janeiro, mas acho que em qualquer lugar do Brasil o verão antecipou uns meses e chegou no nível HARD. É impossível viver bem com essas condições.
Que fique claro, também não desejo que Sandy venha nos visitar. Esse início de semana foi tenso, fiquei torcendo para que tudo ficasse bem lá. Tenho uma amiga que mora lá e outra muito especial que havia chegado em NY justamente no final de semana. Fico feliz que ambas estejam bem e inteiras.
Na Cidade Maravilhosa, tudo são gotas de suor. Seja no ônibus, no metro, na rua... O que muda são os níveis de calor. Pode ser menos, se você estiver num local com ar-condicionado, ou maior, se você estiver andando na rua pelo centro da cidade. Mas uma coisa é certeza: NINGUÉM passa imune ao calor, nem o Eike Batista e sua conta bilionária.
Uma coisa que acho um mistério da natureza é o tal do frescão – ônibus com ar-condiconado. No inverno o ar-condicionado está tão forte que você treme de frio. Mas quando chega nesses dias de muito calor, ele está ajustado nos 30 graus. Oi? É de sacanagem mesmo, certo?!
Além de tudo, tem uma coisa que me irrita muito mais do que o calor, o transporte público e tudo mais: o contato físico com pessoas suadas. ECA!!! Como é absurdamente nojento aquele monte de gente desconhecida te encostando todo suado, te deixando melecada com o seu suor e o dela. Tem coisa mais intimamente nojenta do que essa troca de fluidos com gente estranha? Ai que nojo!!! Eu sempre digo que contato físico e troca de fluido corporal eu escolho com quem faço, e o calor praticamente me tira esse direito de escolha.
Gente... É incrível como tudo fica pior: as pessoas ficam mais mulambentas, você sente sede o tempo todo, a comida tem um sabor diferente, o cabelo gruda na nuca, seu corpo fica mole... E por aí vai! Talvez eu só me sinta tão incomodada porque nasci e cresci em Petrópolis, onde 30º é o maior calor do mundo... E olha que lá tem aquele ventinho geladinho que ameniza a sensação térmica. Ah sim, esse é outro problema: o vento aqui é um bafo quente, que só te esquenta ainda mais.
Mas quero que vocês entendam que eu amo o Rio e se tem um lugar no Brasil para eu morar, é aqui. Sou carioca de coração, apesar do verão. Portanto, nesses dias de muito calor, a melhor opção de diversão é o cinema: além de você apreciar a 7ª arte, ainda fica num lugar bem fresquinho se entupindo de pipoca. Se tiver em boa companhia, então... Aliás, recomendo inclusive que aproveitem os filmes que estreiam na sexta-feira: Magic Mike e Possessão. ;)
É isso pessoal! Essa coluna foi principalmente para não deixar passar em branco esse calor agradável, simpático e querido que tem feito nossa felicidade nos últimos dias. E em pleno Dia das Bruxas – eu penso agora que deveria ter feito também uma coluna para a data, rs – nem precisa de muito esforço para fazermos fogueira, hein?! Basta pegar uma quantidade de folhas secas, jogar em Bangu e deixar o sol fazer a parte dele ;)
FELIZ DIA DAS BRUXAS para todos vocês e não esqueçam de deixar o comentário aqui em baixo!
Beijocas.

30 de outubro de 2012

Resenha: O Segredo das Sombras - Universo dos Livros

Boa tarde envenenados,

Hoje trago para vocês mais uma resenha cheia de mistério e emoção!

O livro é o segundo de uma série que conheci no ano passado e adorei demais.

A série se chama: 13 to Life! Foi criada pela autora Shannon Delany e está sendo publicada aqui no Brasil pela Universo dos livros.

O primeiro livro é A Maldição do Lobisomem e se você ainda não leu a nossa resenha é só clicar aqui!

Originalmente a série já conta com os 6 livros lançados lá nos Estados Unidos! 

Vamos a resenha...






O Segredo das Sombras


Autora: Shannon Delany
Editora: Universo dos Livros
Série: 13 To Life
Livro: 2
Páginas: 429
Lançamento: 2012






Sinopse:

Jéssica não é mais a mesma garotinha desde que se apaixonou por Pietr, um lobisomem russo. 
Além de serem perseguidos pela máfia, Jéssica e seus amigos precisam correr contra o tempo para resgatar Tatiana, a mãe da família lobisomem, refém da CIA. 
Mas há muitas coisas que ela não entende. 
Por que mesmo tendo revelado sua paixão, Pietr insiste em se afastar e permanecer com uma garota que não ama? Por que todos parecem ocultar fatos importantes? 
A agente da CIA Wanda está, afinal, do lado de quem?
E por que Derek, o esnobe galã da escola, repentinamente se interessou por uma garota problemática como ela?




Eu estava louca aguardando o lançamento deste segundo volume já que havia me apaixonado pela trama criada por Shannon Delany.

Sempre gostei de romances sobrenaturais, mas um com a temática lobisomem bem escrito estava em falta há muito tempo. Só encontrávamos por aí livros onde os lobos são coadjuvantes das histórias dominadas por vampiros, certo? Mas graças a titia Shannon, na série 13 to Life os lobos dominam as páginas e nossa libido garotas!! rs

Este segundo livro começa exatamente onde o primeiro termina e vemos Jéssica envolvida até o pescoço com a família russa de lobisomens que está em guerra com os mafiosos.

Super apaixonada por Pietr (Peter), nosso lobo delícia que está de volta mais lindo e charmoso do que nunca, ela não sabe ao certo qual é o seu papel efetivo no mistério que ronda a família, mas sabe que eles estão contando com sua ajuda para resgatar a mãe sequestrada e isso a coloca em cheio no meio de sérios problemas!!

Mas os problemas não se baseiam só na perigosa Máfia Russa que ronda a casa de seus amigos ou no governo americano que resolveu 'estudar' os lobisomens ou na escola e seus professores que não teem ideia do que está acontecendo na cidade... o problema maior se chama Sarah...

Pois é... para preservar os sentimentos de uma amiga traumatizada com fatos passados... Jéssica altruistamente libera Pietr para ser o namorado da garota, mas agora não suporta mais esta estúpida ideia e quer ele todinho para ela.

Pietr se diz apaixonado, mas por alguma razão que Jéssica não entende se afasta dela e ao invés de terminar o namoro, fica preso a Sarah mesmo demonstrando a todos que não está feliz com ela.

Sua cabeça deu um nó? A minha também... Deu vontade de entrar no livro e bater na cabeça dos dois adolescentes e gritar com eles que a vida é curta demais para estas besteiras!! Mas eu ainda não sabia quais os motivos reais que estavam levando Pietr e se afastar e quando descobri... senti mais raiva ainda!! #prontofalei

  Para a minha sorte... o livro não fica nessa lenga lenga sentimentalóide o tempo todo. Muito pelo contrário!! Em meio a estupidez dos protagonistas que se amam, mas não podem ficar juntos... temos muita cena de ação, luta, testosterona liberada e suspense... muito suspense!!

Adoro ler os planos loucos criados pelos irmãos Pietr, Max, Alexi e Cat Rusakova.

Ah! E ainda temos que lidar com um tal de Derek. Lindo, forte, charmoso e impossível de ser ignorado. Paixão antiga de Jéssica, o rapaz percebe sua fragilidade e sua dor de cotovelo ao ver Pietr e Sarah sempre juntos e aproveita a situação para se mostrar solidário e interessado!!

Mas o que Jéssica não podia suspeitar era que o tal sarado gostosão não era o que aparentava ser!! Uia...

Bem, no início do livro a leitura flui sem muitos altos e baixos, mas nos capítulos finais a trama fica tão envolvente que é impossível largar o livro e o final é bom demais gente!!

Deu vontade até de ler de novo!! hi hi hi hi

Isso já aconteceu com você?

Bem... se você ainda não caiu de cabeça nesta série... caia e se divirta!! É muito boa!

Beijocas,

29 de outubro de 2012

Pipoca Envenenada: 'Ruby Sparks'



Filme de hoje...





Título original: Ruby Sparks
Título no Brasil: Ruby Sparks – a namorada perfeita
Elenco: Paul Dano, Cris Messina, Zoe Kazan, Elliot Gould, Annette Benning, Antonio Banderas
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Escrito por: Zoe Kazan
Duração: 104 minutos
Maçãs: 

  
Quando eu vi o trailer eu não tinha curtido tanto quanto curti o filme. Fui esperando um filme médio e saí da sala de exibição impressionada como uma história relativamente simples pode render um bom filme.

Calvin Weir Fields (Paul Dano)  é um  cara bem solitário, que é famoso por ter escrito um best seller quando ainda estava na faculdade e apenas por essa publicação é chamado de “gênio”. As cenas deles levando seu único amigo – o fofo cão Scott – para passear são uma das melhores.

O dia a dia dele parece bem chatinho, fora Scott sua outra companhia é seu irmão  Harry  (Cris Messina) bem mais bonito que ele, forte, que curte malhar, casado e pai de um bebê. Ele faz de tudo para que seu famoso irmão saia de casa e viva uma vida relativamente normal. Mas Calvin prefere um bom livro e sua sala de casa.

Com somente um sucesso na bagagem, seus fãs e editores começam a lhe cobrar um novo sucesso, desesperado com a falta de criatividade ele se abre com seu terapeuta Dr. Rosenthal (ninguém menos que Elliot Gould!), cena hilária dele com Bobby – um ursinho de pelúcia – que lhe ajuda a se sentir melhor nas sessões.

Depois da consulta ele sonha com uma menina ruiva e acorda achando que tem que fazer o livro sobre ela. Calvin começa sua história sobre uma menina ruiva e  linda  de nome Ruby Sparks  (Zoe Kazan) que aos 26 anos já viveu a vida intensamente.

Animado com o livro, ele vai colocando mais elementos e acreditando que aquele livro será um sucesso, algumas coisas chamam atenção em Calvin, como por exemplo ele digitar seus textos em máquina de escrever mesmo estando em pleno 2012.

Um belo dia Calvin acorda e se depara com a personagem dentro de sua casa, vestindo somente uma camisa dele! Ele se assusta e acha que está tendo alucinações mas depois descobre que é verdade quando percebe que todos em sua volta também podem vê-la.

Daí para frente o filme ganha cenas de muita agilidade e diálogos muito bons. A princípio ele diz ao irmão que jamais escreveria o que ela tem que fazer mas depois vendo que tem esse poder ele começa a usar sem limites.

Achei o relacionamento dele extremamente real, quantos de nós temos namoros que no início são flores e as pessoas são grudadas em nós e depois vão se desapegando até você ter certeza de que é questão de dias para a pessoa terminar com você.

Você agiria igual a ele? Em um momento de desespero ele escreve que ela a ama e não pode viver sem ele e então dessa forma, podendo escolher o que seu companheiro faz e quer ele pensa que é feliz.

O amor deles é lindo, mas quando ela começa a mudar, ou ele mostra que não é tão fácil de lidar como pensamos o filme ganha outra visão. 

Os atores principais são ótimos e ainda tem como elenco de apoio a super atris Annete Benning (como mãe de Calvin) e o galã espanhol Antonio Banderas (como padastro dele).

Para quem curte ler e já se imaginou namorando um personagem é um prato cheio, para quem escreve mais ainda. 

Um filme bom e inteligente sobre o amor, a solidão e muitos outros sentimentos.

Só completando, o roteiro do filme foi escrito pela Ruby! A atriz Zoe Kazan ;)  

Corram para o cinema mais próximo pessoal!

28 de outubro de 2012

Resenha: 'Cidade dos Anjos Caídos' da Galera Record

Bom dia envenenados,

Hoje trago para vocês a resenha de um livro muuuuuuuitoooooo esperado!!

Eu estava super ansiosa por ele... e quem é fã da série também devia estar!!

Estou falando da série Instrumentos Mortais da autora querida, fofa, linda e diva Cassandra Clare.


A série é composta por 6 livros, sendo que 5 já foram lançados nos Estados Unidos e 4 aqui no Brasil!

O sexto livro será lançado no ano que vem!

Se você ainda não leu os livros, acho melhor pular esta resenha e ler na ordem certa dos livros, então clique nos nomes abaixo!





Agora vamos lá...




Cidade dos Anjos Caídos
Livro #4

Autora: Cassandra Clare
Série: Instrumentos Mortais
Editora: Galera Record
Páginas: 364
Lançamento: 2012






Sinopse

A guerra acabou e Caçadores de Sombras e integrantes do submundo parecem estar em paz. 
Clary está de volta a Nova York, treinando para usar seus poderes. Tudo parece bem, mas alguém está assassinando Caçadores e reacendendo as tensões entre os dois grupos, o que pode gerar uma segunda guerra sangrenta. Quando Jace começa a se afastar sem nenhuma explicação, Clary começa a desvendar um mistério que se tornará seu pior pesadelo. 


Eu estava com muita expectativa para ler este livro!! Nossa a ansiedade estava a mil por hora!!

Quando ele chegou, abracei... babei na capa linda e me recolhi no mundo literário e dei adeus ao 'mundo real'!!

Para minha surpresa, titia Cassandra começa o livro falando de... Simon!

Como assim? 
Eu queria Jace e Clary juntos finalmente para desfrutar do amor que eles mereciam... pois quem leu os livros anteriores sabe que Cassandra é má ao quadrado e fez cada reviravolta nesta história que até Manuel Carlos e João Emanuel Carneiro (Autores malvadinhos da Globo!) ficariam com inveja de sua criatividade!!

Pois bem, no primeiro capítulo já dava para perceber que quem levaria o livro todo nas costas seria o Simon... ok! Eu gosto do Simon, não me levem a mal... mas eu queria romance... paixão... felizes para sempre...

Mas a cada página lida... meu interesse foi aumentando e eu ia me divertindo com os desastres na vida de Simon! Coitado... um vampiro cheio de habilidades, que pode andar na luz do sol, que tem uma marca fantástica que o protege de todo mal... mas não o protege das escolhas burras com as garotas!! Burras sim, porque tentar namorar duas garotas ao mesmo tempo e uma delas ser a Isabelle... só burro!

A Isabelle está fantástica como sempre e nada ingênua... Vocês já podem imaginar o que o coitado do Simon vai passar, mas não é só com sua vida amorosa que ele vai penar... sua mãe, a vampira mais malvada de todas, uns capangas sem noção, seu criador, sua outra namorada e por fim... Jace... vão judiar do rapaz!!

Mas nem tudo está perdido para ele!

Sempre há alguém que vem para ajudar! E desta vez, Luke que está às voltas com o seu casamento com a mãe de Clary estrá lá para dar uma mãozinha, Kyle (Um novo personagem bem interessante!) e até Jace, que se faz de advogado do diabo, dá uma forcinha para o vampiro diurno!

E nessa loucura toda, Clary e Jace que deveriam estar na maior pegação (Finalmente!!) acabam se afastando aos poucos sem nem entenderem o que está acontecendo... os dois teem certeza que se amam, mas porque não estão juntos?

Fantasmas do passado recente assombram Jace e ele por medo de fazer Clary sofrer se afasta cada vez mais... e nem percebe que isso acaba colocando a garota que ama mais que tudo na vida, em perigo!

Acontecimentos estranhos chamam a atenção de todos quando Caçadores de Sombras aparecem mortos nas ruas da cidade e eventos suspeitos fazem com que Clary, Isabelle, Jace, Simon e Luke comecem a investigar. Mas cada um está por conta própria e isso trará péssimas consequências para todos!!

Aliás 'consequência' é a palavra de ordem, já que Simon e Jace estão passando por situações terríveis graças ao que Clary fez a eles no livros anterior! Claro que nenhum deles tinha ideia de que ao salvá-los Clary estaria colocando os dois nesta situação!

Já deu pra ver que o livro só traz eventos estarrecedores que deixam a gente numa adrenalina mil, pois a autora caprichou nas inúmeras cenas de ação e o mistério que vai nos guiando até o final do livro quase faz o coração sair pela boca!!

Num determinado momento da leitura eu comecei a gritar: -Não!! -Não, Cassandra!!! Não faça isso comigo... Oh, meu Deus! Sua M$#%&K!!!

Pois é, ela fez... ela conseguiu me deixar mais nervosa e ansiosa ainda pelo próximo livro... eu estava louca para saber quem seria esse anjo caído e quando eu descobri... quase morri!!

Será que é por isso que amo tanto esta série?? rs

Talvez eu goste de sofrer... mas cada página lida foi deliciosa e é claro que eu recomendo!!

As tiradas do Jace estão ótimas como sempre... adoro seu jeito sarcástico de lidar com os outros e com a vida.

Não houveram tantas cenas como eu gostaria de Jace e Clary se pegando, mas houveram algumas, ok?! 
E a autora caprichou... (Olha o calor!!)


Se você ainda não leu o livro... leia rapidamente!
E se você leu... deixe seu comentário, mas evite spoilers!! rs

Beijocas,

Papo Envenenado: Você troca?



Trocadilho de Palavras... Você troca?

Um beijo estalado
por um abraço apertado?

Um turbilhão de emoção
por um amor coração?



A palavra esperança
por uma doce lembrança?

Uma eterna saudade
pela pura realidade?

Uma planejada viagem
por um ato de coragem?

Um momento de dor
por um ramalhete de flor?



Uma velha amizade
pelo novo que invade? 

Um belo sorriso
pelo almejado paraíso?

Um bombom de licor
por um céu multi cor?

Um arco-íris colorido
por um sonho sofrido?

O amor avassalador
por um romance revelador?

Um bom livro
pela foto de um amigo?
  
Uma gargalhada que alegra
pelo choro que desespera?  

Um suspiro profundo
pelo fim do mundo?!



Enfim...

O que trocamos na certeza, o que trocamos na incerteza,
o que desejamos trocar, o que devemos trocar...

São coisas da vida para pensar...

Certo, errado, bom, ruim,
dúvida, decisão, razão, emoção...

Coisas do CORAÇÃO!!!


                                                                      Cristiane Cunha Braga – Outubro 2012

26 de outubro de 2012

Sexta Envenenada: Pecados Sagrados!



“Não podes encontrar algum remédio para um cérebro doente, da  memória tirar uma tristeza enraizada, da mente extirpar as dores ali escritas, e com algum antídoto de doce e agradável esquecimento aliviar o peito oprimido a gemer sob o peso da matéria perigosa que comprime o coração?”
Macbeth
Washington
Parque público de Rock Creek
“[...]
Pequenos grupos de estudantes reuniam-se, alguns sentados nas pedras acima do riacho, para discutir o destino do mundo, outros se refestelavam no gramado, mais interessados no destino dos bronzeados. Os que tinham tempo e gasolina de sobra haviam fugido para a praia ou as montanhas. Alguns universitários encontravam energia para lançar discos de plástico, os homens ficavam só de calção para exibir o torso com um bronzeado uniforme.
Uma jovem artista plástica estava sentada sob uma árvore e fazia esboços na maior indolência. Após várias tentativas de atrair a atenção dela para os seus bíceps, que vinha trabalhando durante seis meses, um dos jogadores tomou um caminho mais óbvio. O disco pousou no bloco da moça com um estalo. Quando ela ergueu os olhos, aborrecida, ele aproximou-se correndo. Exibia um sorriso de desculpas, e calculado, pois esperara fasciná-la.
– Desculpe. Escapuliu.
Após empurrar uma cascata de cabelos escuros sobre o ombro, a pintora devolveu-lhe o disco.
– Não foi nada.
Retornou ao esboço sem sequer dar-lhe uma olhada.
Juventude é sinônimo de tenacidade. Agachando-se ao lado dela, ele examinou o desenho. O que sabia sobre arte não enchia uma xicrinha, mas não custava nada dar uma inocente opinião.
– Escute, isso é bom mesmo. Onde você estuda?
Reconhecendo o estratagema, ela ia ignorá-lo, mas ergueu o rosto apenas para retribuir o sorriso. Talvez ele fosse óbvio, mas era bonitinho.
– Georgetown.
– Está brincando? Eu também. Bacharelado de direito.
Impaciente, o companheiro do rapaz gritou do outro lado do gramado:
– Rod! Vamos tomar uma loura ou não?
– Você vem com frequência aqui? – perguntou Tod, ignorando o amigo.
A pintora tinha os maiores olhos castanhos que ele já vira.
– De vez em quando.
– Como a gente...
– Rod, anda. Vamos tomar aquela cerveja.
Ele olhou para o amigo suado, meio acima do peso, e depois de volta aos frios olhos castanho da artista. Não havia comparação.
– Eu alcanço você depois, Pete – gritou, e lançou o disco num arco alto e negligente.
– Terminou de jogar? – perguntou a jovem, vendo o voo do disco.
Rod riu e tocou as pontas dos cabelos dela.
– Depende.
Praguejando, Pete partiu em perseguição ao disco. Acabara de pagar seis dólares por ele. Após quase tropeçar num cachorro, deslizou por um barranco abaixo, torcendo para que o disco não caísse no riacho.
Sentiu o coração parar, e depois o sangue disparar e martelar na cabeça. Antes que pudesse inspirar para gritar, vomitou com violência o lanche de batata frita e dois cachorros-quentes.
O disco pousara a cinquenta centímetros da margem da enseada. Novo, vermelho e alegre numa mão branca que parecia atirá-lo de volta.
Era Carla Johnson, aluna de teatro de vinte e três anos e garçonete em meio período. De doze a quinze horas antes, fora estrangulada com um amicto de padre. Branco, debruado com fio de ouro. [...]”
Olá envenenados!

O texto acima, não faz parte de nenhum filme policial, embora pareça muito com a abertura de um. 

Hoje é a última sexta-feira de outubro, e encerrando o mês que foi dedicado a Nora Roberts, trago um dos seus suspenses mais explosivos.



Estou falando de Pecados Sagrados, Sacred Sins (1987), que foi publicado aqui pela Bertrand em 2009 e que traz em suas 350 páginas uma história de suspense, drama psicológico e, claro, um tórrido romance. Certamente, merecia um roteiro para as telonas.

Adão e Eva por Tamara de Lempicka

“Nos indolentes dias de verão, uma impiedosa onda de calor é o principal assunto na capital norte-americana. Mas a condição climática logo deixa de ser matéria das primeiras páginas quando uma jovem é encontrada morta por estrangulamento. Um bilhete foi deixado: Seus pecados lhe serão perdoados.”


O caso ganha atenção maior da polícia quando outras vítimas começam a aparecer e, consequentemente, a imprensa também começa a dar destaque em seu noticiário aos crimes do “Padre”.

Percebendo que se trata de uma mente doentia, de um serial killer, a polícia recorre ao auxílio da Dra. Tess Court, renomada psiquiatra, que lhes apresenta o “retrato de uma alma perturbada”.
O que mais me atrai nos textos de Nora é essa forma cinematográfica como começam. Ao ler as primeiras páginas, tenho a impressão de estar assistindo ao início de um filme. 

Outro ponto que também me prende, assim como os textos da Linda Howard e da J.R. Ward, é que seus livros têm personagens foco, claro, mas elas conseguem diversificar, tratar de outros personagens e suas histórias, não me deixando entediada e louca para que termine logo a leitura.

Nora Roberts

Essa habilidade de criar outras vidas, outros mundos, é magnífica, mas o autor não pode perder o objetivo e buscar manter a química entre sua história e seus leitores.

É o que acontece com as personagens de Pecados Sagrados

Aqui temos o detetive de polícia Ben Paris, que vê o caso do “Padre” como uma questão pessoal. Moreno, alto, rosto fino, ossos fortes, musculoso e com olhos verde-claros aos quais nada escapava.

Ben Paris

Com seu parceiro, Ed Jackson – um metro e noventa e cinco de altura e em torno de cento e quinze quilos, usando uma barba cheia tão ruiva quanto seus cabelos encaracolados, poderia intimidar qualquer um, não fossem seus olhos azuis tão afetuosos – garantem uma leveza, graças a sua boa relação e ao seu humor. Ambos terão de “engolir” a imposição do prefeito de que um psiquiatra faça parte da força-tarefa criada para solucionar esses crimes.

Ed Jakcson (Stephen Amell)
Ben é o tipo de policial que desperta às duas da manhã, levanta-se inteiramente nu à procura dos cigarros – que vem tentando abandonar, sob o “controle” de Ed – vai até a cozinha para fazer café, intrigado com o caso em que está trabalhando. Tem tórridas e hilárias discussões com o parceiro (típico) e se encanta com a visão da loira que está entrando no distrito policial, até saber que não é ninguém mais que a psiquiatra (até então ele acreditava tratar-se de um doutor não uma doutora).

Como a maioria dos policiais, Ben não aceita muito bem ter que receber “palpites” de psiquiatras, mas ele tem motivos pessoais muito fortes para ficar muito incomodado com a presença de um psiquiatra, sobretudo a Dra. Teresa Court.

Pecados Sagrados tem como foco a procura de um assassino metódico, que usa um padrão para escolher e matar suas vítimas. Mas o livro conta com outras histórias que funcionam como rios afluentes, dando uma riqueza maravilhosa a esse texto muito bem escrito.

A própria Dra. Tess Court vive algumas dessas histórias, como o seu envolvimento com um de seus pacientes; Joey Higgins que aos quatorze anos já precisa ser tratado contra a dependência química.

Ambos, Tess e Ben, têm muita bagagem e, embora sejam extremamente diferentes e tentam lidar com a restrição mútua, não conseguem negar a forte atração que sentem um pelo outro.

Com tantas informações para administrarem, com um caso extremamente complicado para solucionar, ambos se apaixonam, se envolvem e precisam manter-se muito focados, afinal Tess tem o perfil das moças que precisam de “salvação”.

Realmente, um dos suspenses mais eletrizantes que já li. Na verdade, eu nem me lembrava desse romance, mas como estava procurando algo bem diferente para concluir essa homenagem a nossa maga-mor, redescobri Pecados Sagrados, cuja escrita nos prende do início ao fim, não nos passa a sensação de final óbvio, enfim, A-D-R-E-N-A-L-I-N-A P-U-R-A.

Imperdível, mas não fiquem tristes, pois não faltarão títulos dessa grande autora para enriquecer essa coluna. Quem quiser mais informações sobre Nora Roberts e sua extensa obra acesse http://noraroberts.com.br/.


Desejando um feliz Halloween, fico por aqui. 

Com certeza retomarei a leitura desse livro viciante; vou deixar Stephen King me esperando só mais um pouquinho. 

Mas volto na próxima Sexta com mais emoções envenenadas para vocês!

Fiquem bem e Carpe Diem!

Tania Lima

24 de outubro de 2012

Doce Veneno #6 : Cada um com sua mania!



Olá, envenenados!

Tudo bem com vocês? 

Peço desculpas por ter faltado com a coluna na última semana. 

Eu tenho memória de peixe, e realmente esqueci que tinha que preparar a coluna antes de viajar na última semana. 
Prometo me esforçar ao máximo para isso não acontecer novamente!! E, por isso, porque li bastante enquanto viajava, a coluna de hoje fala um pouco sobre nossos hábitos ;)


Doce Veneno: Cada um com a sua mania


   Todo viciado em livros que se preze tem suas manias. Podem ser das mais simples até as mais estranhas. Tem também aqueles que acumulam manias, elencam em ordem crescente e até aqueles que fundem duas em uma. Fato é que desse post de hoje, ninguém sai ileso, rs.

   Esses dias tava me dando conta de que sou cheia das manias com meus livros. Por exemplo, eu detesto a ideia de me ‘desfazer’ deles, seja vendendo ou dando. Pode chamar de bobeira, egoísmo, do que quiser; mas o fato é que tenho crises cada vez que me vejo entre a cruz e a espada. Por aqui rolam uma feirinha de livros, onde o pessoal coloca sua lista de livros disponíveis a venda e a gente faz todas as negociações pela internet e marca um dia para a ação de trocas/vendas/compras. Eu sempre tenho crises de dependência aguda quando penso em fazer a minha lista. Geralmente quero comprar vários livros das listas alheias, mas não quero disponibilizar nenhum meu.

Dentre as manias mais interessantes, gosto da mania de cheirar livro. Cheiro de livro é algo que não tem descrição. E esse é um dos motivos que me faz ter certeza de que livros impressos não perderam tanto espaço para os digitais. Sim, eu sei que as versões digitais podem ter suas várias vantagens, como por exemplo: não ocupar espaço, armazenar uma biblioteca inteira em um aparelho de 20 cm x15 cm, ler em qualquer local e quase qualquer posição. Eu sei, tem mesmo várias vantagens, mas infelizmente não tem o cheiro de papel recém impresso ou de folha antiga. E, mesmo para mim – que sou extremamente alérgica a cheiros fortes –, esses cheiros são insubstituíveis. E eu nem falei do simples ato de folhear as páginas!

Há outro hábito interessante que se refere ao modo como guardamos ou carregamos nossos livros. Eu conheço pessoas que guardam todos os seus livros em sacos plásticos o máximo hermeticamente vedados. Eu acho engraçado, rs. Tem pessoas que não empilham livros de forma alguma, o que tem até sua razão. Mais fácil dormir sentado numa cadeira plástica no canto do quarto e com as pernas para cima do que empilhar os livros. Eu, infelizmente, não posso me dar a esse luxo. Se não empilhar, vou dormir em cima deles... Ops! Quanto sacrilégio!

Há outras manias também que conhecemos. Quer exemplos? 

Não emprestar livros, para pessoa alguma. Não importa se é sua amiga ou não, mas tem gente que não empresta nem com pedido do Papa!

Guardar livros por editora ou por ordem alfabética de autor. Eu confesso que tenho um pouco das duas. Mas até, cheguei no nível de catalogar meus livros, como se faz numa biblioteca, rsrs. 

E quase todos nós temos essa última mania: colecionar marcadores ou bottons dos livros. Vale catar na livraria, pedir para a editora, participar de sorteio, trocar com as amigas... vale tudo para ter aquele que tá faltando!!

Em todos esses anos, percebo habitus de leituras bem interessantes. Mas nada  teve um impacto tão grande quanto uma imagem que vi no avião, de uma mulher e seu livro. Lembro que ela muito cuidadosamente retirou uma sacola plástica da bolsa, e de dentro dela, retirou um embrulho de pano. Após guardar a sacola plástica na bolsa, ela desembrulhou o pano e de lá tirou seu tesouro, um livro. Fiquei um tanto curiosa para saber qual era o livro tão encantado que merecia esse cuidado todo e não sosseguei enquanto não descobri qual era. Não me recordo mais o nome ou ator do livro, mas jamais vou esquecer que se tratava de auto-ajuda. E sim, podem me criticar sim. Eu julguei! Pensei que de fato, só poderia ver isso de alguém que estivesse lendo auto-ajuda.  Péssimo, né?! Pois é, eu sei.

Mas o fato me chamou atenção para algo maior. Como temos visões diferentes sobre a mesma coisa. Nessa viagem, estava com uma professora mega-fodástica, com mestrado e doutorado na França, autoridade máxima no assunto que ela estuda e que tem um habitus de leitura completamente diferente. Ela não apenas abre bem o seu livro (do tipo que passa a mão entre as duas páginas para vincá-las) como também marca o livro à lápis ou caneta, o que tiver na mão. Ela faz anotações livremente, sem peso algum na consciência. E ao guardá-lo, ela simplesmente joga na bolsa e pronto. Percebeu como é um comportamento diametralmente oposto ao anterior?! E relaxem, eu também tenho arrepios quando vejo isso! Hahahaha...

No meu caso, não sou nem tão Estados Unidos, mas também nem tão União Soviética. Eu confesso que com meus livros acadêmicos sou menos rigorosa. Se for muito importante, marco um asterisco a lápis no parágrafo, anoto uma coisa ou outra, mas jamais à caneta. E NUNCA faço vincos no meu livro. Tenho uma dor no coração quando vejo um amassadinho neles. Mas confesso que não sou tão xiita a ponto de guardar meus livros na bolsa ou mochila colocando-os dentro de alguma outra proteção. Ficaria irritada em fazer toda essa operação.

Enfim, pessoal. A coluna de hoje foi para lembrar como nós também temos nosso lado venenoso, mesmo quando nem percebemos. E principalmente, é uma constatação de como podemos ser estranhos e bem esquisitos quando se trata dos nossos livros. 
Você tem manias? Então me conte aqui ;)


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As envenenadas pela maçã Ѽ by TwilightGirls RJ Ѽ - Copyright © 2012 - Todos os Direitos Reservados