14 de setembro de 2012

Sexta Envenenada: Revelações

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Estava aqui pensando sobre qual dos meus personagens preferidos eu escreveria para a coluna de hoje e, obviamente deparei-me com mais um impasse. Tenho uma fantasia, que me acompanha há algum tempo, mesmo antes de “cair de quatro” pelos meus amantes literários. Adoraria ter um harém, habitado pelos homens dos meus sonhos. Certamente seria uma vida muito agitada a minha, mas esse tipo de movimento não me faria mal algum, muito pelo contrário.
Um dos habitantes do meu “gigantenorme” lar é Marc Chastain. Por isso, o escolhi para compartilhar meu prazer com vocês hoje.
Absinto de hoje: Marc Chastain
Marc Chastain (Alex O´Loughlin)

Marc é detetive do Departamento de Polícia de Nova Orleans que está incumbido de investigar o assassinato de um “morador de rua” que não fazia sentido algum, principalmente depois de checar algumas pistas e chegar à conclusão de que a vítima não era um viciado, ou outro tipo de marginal, e sim um ex-militar.
Ele é um desses caras que exalam competência em seu trabalho. Mesmo seu parceiro, o detetive Antonio Shannon, se surpreende com sua perspicácia e facilidade em conseguir o que quer com as testemunhas.

“Apesar de Shannon trabalhar como detetive há pouco tempo, já havia escutado muita coisa. Chastain era um tanto retraído, mas todos gostavam dele na delegacia. Diziam que ele era o melhor em interrogar testemunhas e suspeitos, pois, quando queria, conseguia ser simpático e gentil, conseguindo acalmar as testemunhas mais histéricas, mas era também bastante durão com os criminosos. Um dos detetives já dissera: ‘Chastain é o tipo de cara que leva uma lâmina consigo.’ Shannon deduziu que, com aquela afirmação, o detetive não se referia ao canivete de bolso que quase todos os homens tinham, mas a uma faca cujo único propósito era servir de arma. Sim, aquela frase descrevia Chastain. Um homem que sabia usar uma faca era ágil e controlado, rápido e mortal. Sahnnon também admirava Chastain. Bastava olhar para ele: obviamente acabara de acordar, estava com a barba por fazer e os olhos inchados, mas vestia uma calça de linho com pregas, uma camisa drapeada e uma jaqueta creme. Até mesmo seus sapatos, sem meia, pareciam ter sido escolhidos com cuidado. Isso sim era ter estilo.”

Pois é, este detetive estiloso e competente e um dos personagens de mais um dos grandes textos da minha dileta Linda Howard, Revelações (Kill and Tell), editado aqui pela Bertrand Brasil. Sim, já mencionei este romance aqui, quando falei sobre John Medina, mas não descrevi Marc, apenas citei um dos romances no qual JM figurava. Desta vez, o assunto é Marc, que protagoniza esse romance policial ao lado de Karen Whitlaw.

Essa história envolvente, emocionante e surpreendente ambienta-se em algumas cidades bastante conhecidas dos EUA, mas é em Nova Orleans que Karen e Marc se conhecem, quando ele a informa sobre morte de seu pai e solicita que ela vá até a cidade para reconhecer o corpo.
A princípio detetive recebe a enfermeira com reservas, pois, segundo ele mesmo é inadmissível que a família permita que um de seus membros viva e acabe de maneira tão abandonada.
Karen, por sua vez, havia anos não tinha contato com seu pai, e é com bastante surpresa que recebe a notícia de sua morte através daquela voz, que mexeu tanto com ela numa simples mensagem telefônica.
Assim, Karen embarca no primeiro voo para encontrar com o detetive em NO.

“Ela abriu a porta e seu estômago revirou-se novamente, dessa vez por nervosismo puro, ao ver o homem ali levantado. O detetive Chastain não era como ela esperava. Não era um homem de meia-idade, nem barrigudo tampouco calvo. Devia ter trinta e poucos anos. Dava a impressão de ser alguém que já havia visto um pouco de tudo na vida e que não mais se surpreendia. Seus cabelos grossos e pretos eram bem curtos e as sobrancelhas grossas arqueavam-se sobre os olhos brilhantes. Sua pele era morena e a barba por fazer, escura. Um pouco mais de um metro e oitenta, ombros largos, braços musculosos; parecia do tipo durão, talvez até malvado. Algo nele a assustava, e ela quis fugir. Apenas os anos de disciplina adquirida a impedira de tomar tal atitude. Marc ficou em pé observando Karen Whitlaw entrar em sua sala cheia de coisas. Ele tinha o talento natural de policial de medir as pessoas de cima a baixo, e o usava naquele momento, estudando-a com os olhos que nada revelavam, ao mesmo tempo em que assimilava todos os detalhes a respeito dela. Se ela estava triste pela morte do pai, não demonstrava. Sua expressão deixava claro que ela não gostava de nada daquilo, mas que precisava lidar com a situação e seguir sua vida.”

Essa é mais uma das grandes facetas de Linda Howard: criar personagens oponentes, desafiadores, fortes e em equilíbrio, por mais fragilizados que possam estar.
Quando leio um livro pelo qual me apaixono, dificilmente consigo lê-lo apenas uma vez. Sou meio maníaca com os meus livros, sinto saudades dos personagens, de suas histórias, seus defeitos e de suas virtudes. Não consigo escolher um para dizer que é o meu preferido, nem um trecho que mais goste. O que posso fazer é destacar alguns momentos que são muito vívidos, tristes ou hilários.
Um exemplo de situação que repasso várias vezes em Revelações é o momento em que Marc assiste à autópsia do pai de Karen.

“Marc assistiu à autópsia sem se abalar. Tinha estômago forte e nunca vomitava, como alguns detetives. Como os médicos-legistas, ele conseguia ignorar os odores e se concentrar no que o corpo mostrava. Era uma boa qualidade para alguém da área de homicídios, como ele. [...] ─ Você está me irritando, Chastain – o legista disse, desligando o microfone para que suas palavras não fossem gravadas. Ele era um homem ocupado, impaciente e irritado, e raramente falava com os detetives que assistiam às autópsias. Marc ergueu uma sobrancelha, esperando que ele explicasse. ─ Esse seu jeito. – O legista apontou o bisturi sujo em sua direção. ─ Você só fica aí, parado feito uma pedra e, ao mesmo tempo, ativo. Não me interrompe para fazer perguntas, não fica verde, nem vomita, só observa. Que coisa! Você mal pisca! O que você faz? Entra em transe? ─ Se tiver perguntas, eu as farei quando você terminar – ele disse de um modo educado. O bisturi entrou em ação de novo. ─ Você ainda está fazendo isso. Não mudou a expressão do seu rosto. Faça-me o favor: comporte-se como um ser humano, antes que eu pense que você é um robô. – Atrás dele, sua assistente disfarçou uma risada. ─ Se estiver em dúvida, quando você terminar, pode me ver mijando. – A resposta foi dada no ato, e dessa vez a assistente não conseguiu segurar o riso. ─ Obrigado, mas recusarei essa maravilhosa oportunidade. ─ Não faço esse convite a qualquer pessoa. Você foi o único homem que o ouviu, por isso talvez queira pensar melhor. Mas não confunda minha orientação sexual. Por trás de sua máscara, os olhos da assistente brilhavam (os meus também). O legista lançou-lhe um olhar desconfiado. ─ Nem pense em ser voluntária para a tarefa. ─ Tarde demais – admitiu ela, rindo. Marc piscou para ela. ─ Esqueça o que eu disse – o legista disse e voltou a ligar o microfone, colocando um fim à conversa. Que pena! Marc tinha gostado de alfinetá-lo, e evidentemente a assistente se divertira também. Foi a primeira vez que Marc viu o médico carrancudo interromper uma autópsia para fazer um comentário pessoal. Só para irritar, ele colocou as mãos nos bolsos e começou a chacoalhar algumas moedas. Dois minutos depois, o microfone foi desligado mais uma vez. ─ Esqueça o que eu disse – o legista voltou a dizer. – E pare de chacoalhar essas moedas. Que droga! Até parece que você é o Papai Noel. Marc deu de ombros e tirou as mãos dos bolsos, mas seus olhos mostravam que ele estava se divertindo.”

Revelações está recheado de momentos inesquecíveis, sobretudo depois que ele passa a conhecer melhor Karen, a quem passou a ajudar antes, durante e depois do funeral de seu pai. Apesar de vários momentos de tensão e muito suspense. Marc garante os momentos de descontração e, claro, elevação da temperatura abaixo do umbigo.
Um desses momentos é quando ele a convida para sua casa, para descansar após o funeral e Karen percebe outro lado seu.
Ele havia trocado de roupa, livrando-se da gravata e trocando a calça social por uma jeans surrada. Estava descalço e apesar de ainda vestir a camisa branca, havia deixado as pontas para fora, amassadas onde antes estavam dentro da calça preta. Também abriu alguns botões, de modo que ela estava abotoada apenas no meio de seu peito. Um peito largo e peludo, ela percebeu, ainda sonolenta. Ótimo.
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Ele colocou os pés descalços na grade da varanda, suspirando ao relaxar. ─ Tire os sapatos – ele sugeriu. [...] Seus pés estavam lado a lado na grande, e ela os observava com interesse, surpresa com tantas diferenças. Os dela eram bem menores e finos, delicadamente formados, definitivamente femininos. Os dele eram grandes, ossudos, com um pouco de pêlos na parte de cima. Masculinos. Interessantes. ─ Você sabe por que os pés dos homens são tão diferentes dos das mulheres? – ela perguntou. Ele moveu o pé esquerdo, deixando-o ao lado do direito dela, observando-os. Virando um pouco a cabeça, disse: ─ Unhas pintadas. Se ele estivesse perto o bastante, ela lhe teria dado um cutucão. ─ Não. É porque os homens corriam descalços, à caça de antílopes e outros animais. Ele riu, uma risada de verdade, emitindo um som profundo e deliciosamente masculino. ─ Então os pés das mulheres permaneceram belos porque elas só tinham de caminhar e colher frutinhas. ─ E carregar os filhos. – Ela queria ouvi-lo rir mais uma vez. Quase se arrepiou de novo, dessa vez de prazer. Ele relaxou os ombros largos na cadeira. ─ Bem, seria difícil caçar animais e carregar filhos e arpões. ─ Desculpas e mais desculpas. Tudo para poder se esquivar de cuidar das crianças... Não disseram mais nada por alguns instantes... ─ Dance comigo - ele disse delicadamente, levantando-se esticando a mão para ela. [...] A mão forte de Chastain percorreu devagar suas costas e parou delicadamente sobre sua nuca, enquanto a outra escorregou para baixo. De algum modo o toque não exigia nada dela. Estava apenas acariciando-a. a sensação era muito boa. Marc levantou a cabeça dela, com a mão firme em seu pescoço. Ela viu a curva sensual dos lábios dele e logo foi beijada, um beijo calmo, fazendo-a fechar os olhos novamente. Os lábios dele eram macios, moldando os dela sem usar a língua.De repente, ela quis mais. Queria senti-lo melhor. Mas gostava do que estava recebendo, era o melhor beijo de sua vida, por isso permitiu-se se perder naqueles beijos suaves. E percebeu que havia se aproximado mais, com o quadril pressionado ao dele..."

Um homem divertido e forte, capaz de momentos íntimos tão intensos e malabarismos sexuais de nos deixar sem fôlego. Embora não se trate de um texto erótico essencialmente, Marc garante muita excitação e fertiliza nossa imaginação de maneira estonteante, motivo pelo qual esse livro, entre outros, deveria ser vendido com a solicitação da carteira de identidade ou com uma tarja indicativa para maiores de idade.
Este é mais um dos meus amantes mais quentes, meu “concubino” constante. Marc Chastain, um detetive que não abre mão de ver um caso solucionado e que será, definitivamente, onde Karen – forte, independente e real – encontrará ajuda para resolver um crime que, de uma forma trágica os uniu.
Viciante.
Fico por aqui, desejando que Marc venha me visitar esta noite e prometendo trazer mais um dos meus queridos amantes literários na próxima semana.
Fiquem bem e Carpe Diem!
Não se acanhe!
Tania Lima

12 comentários:

  1. Ah porra!!!!!! Assim vou ter que encarnar um Michel Teló e dizer ASSIM VOCÊ ME MATA.

    Que isso MEU DEUS, ele é o meu DANTE DE MIDNIGHT BREED.

    AFFF TÁ QUENTE HOJE!!!!

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  2. Respostas
    1. Obrigada, Verônica! Ótima mesmo é a leitura desse livro: hot hot hot, emoção pura!

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  3. Li a trilogia em uma pancada só e Marc ganhou longe do JM. Adorei rever um pouquinho dele aqui!
    Um livro com passagens quentes que dá de 50 a zero em alguns por ai...
    Bjkas!
    Monique Martins
    @moniquemar

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    1. Concordo plenamente, Monique! Amo esses homens de Linda!

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  4. O que uma resenha não faz, lá estou eu caçando o livro kkkkkkkkkkkkk

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  5. Tania! Cada vez que leio a tua coluna já fico desesperada para tentar achar o livro em que esses deuses descritos por ti se encontram. Lá vou eu de novo! Agora, o Alex...hhhuuuummmmmmmm
    Beijinhos!!

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    1. Ai, Ro! Os textos de Linda são fantásticos mesmo!
      Lamento muito que não publiquem mais deles por aqui!
      E o Alex é hhhuuuummmmmmmm mesmo!
      Beijos

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  6. Tania,
    to gostando demais do seu blog, e haja tempo pra ler,mas voce aguça a minha curiosidade e lávou eu caçar os livros que vc recomenda. valeu, amore. beijos saudosos

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  7. Pois é, Deninha, quando fui convidada pela Mathilde para escrever a uma coluna, fiquei ao mesmo tempo empolgada, lisonjeada e apavorada, e é a mesma sensação cada vez que preciso escolher e escrever sobre algum livro. Na verdade, a coluna não tem por objetivo promover livros, nem autores, ela foi mais um presente da Mathilde (é assim que vejo), pois me deixou livre para escolher e falar sobre os personagens desses livros, e não de suas histórias especificamente. Aqui mostro minhas impressões sobre eles, e você sabe o quanto gosto de ler e, claro de falar. Assim, fico muito feliz que esteja gostando, e não se acanhe, vale à pena mesmo ter esses textos em casa, são excelentes companheiros!
    Também sinto saudades!
    Beijos!

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