10 de junho de 2011

A autora infantil Ana Maria Machado estreia em nova editora com romance adulto

Bom dia Envenenadas,

Eu, como professora, ADORO muuuuuuuuuuuito a autora Ana Maria Machado!

Ela faz parte do meu universo literário e todo ano a apresento para os meus aluninhos que ficam loucos nos seus livros!

Bem… hoje recebi por e-mail uma matéria maravilhosa do OGlobo e acho que vocês também vão gostar…

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É a última frase dita por Ana Maria Machado na entrevista que inicia esta reportagem:

- Nos tempos de fama, é bom pensar na infâmia também.

Ela resume bem uma preocupação da escritora, que lança no dia 15 seu novo romance. "Infâmia" marca a estreia da acadêmica na editora Objetiva, depois de mais de 20 anos na Nova Fronteira. Um dos personagens é um funcionário público exemplar, chefe do almoxarifado de uma repartição, acusado injustamente de corrupção após denunciar a roubalheira no trabalho.

Em seguida ao lançamento, a editora vai reeditar, também pelo selo Alfaguara, todos os seus oito romances adultos: "A audácia dessa mulher" e "Para sempre" (agosto); "Alice e Ulisses" e "Tropical sol da liberdade" (abril de 2012); "Canteiros de Saturno" (outubro de 2012); "O mar nunca transborda" e "Palavra de honra" (abril de 2013); e "Aos quatro ventos" (outubro de 2013).

 

          - Os livros infanto-juvenis dela são reconhecidos em todo o mundo, mas sua obra adulta é composta de livros muito atuais, de imensa vitalidade narrativa e que, temos certeza, vão alcançar um público muito amplo - diz Roberto Feith, diretor editorial da Objetiva.

          Ana Maria partiu de casos reais para construir sua trama. Durante dez anos, recortou notícias como a do ex-ministro Alceni Guerra, acusado de fraudar uma licitação para a compra de bicicletas, a dos donos da Escola Base, citados como envolvidos no abuso sexual de uma aluna, e a do médico Joaquim Ribeiro Filho, apontado como tendo furado a fila de transplantes para beneficiar o irmão do cineasta Guel Arraes. Todos foram inocentados.

          - A ideia foi estar solidária com a dor e o sofrimento das vítimas das versões, das distorções, das acusações falsas. E hoje em dia, com a rapidez da internet, isso se espalha de tal maneira que não tem volta - diz ela, ressalvando que há casos em que a denúncia se justifica e que não se pode limitar a liberdade de informação e a investigação.

 

Vem aí volume de ensaios

          O livro não poupa a imprensa. Um personagem fala de "documentos espúrios a falsificações criminosas difundidas por meio da imprensa". Em outro trecho, o advogado diz que um dia o funcionário vai ser inocentado, mas "que isso nunca vai ser noticiado da mesma forma que a denúncia foi divulgada".

          - A quantidade de escândalos reais é tão grande que ninguém mais se espanta com nada e está propenso a acreditar em qualquer coisa.

          Ana Maria não se restringiu à esfera pública da infâmia.

          - Quis pegar também o plano mais íntimo, do marido que faz a mulher se passar por louca. Nos dois casos, a vítima fica indefesa. A disparidade entre a força da artilharia e a capacidade de defesa é muito grande.

          Essa base real é totalmente retrabalhada pela imaginação farta e pela escrita apurada de Ana Maria. No livro, as duas formas de opressão aparecem. A pública, pela história do funcionário da repartição que é acusado injustamente - tudo começa com uma notinha no jornal interno do trabalho, até chegar ao horário nobre da TV. E a opressão privada, pelo caso da filha de um embaixador, que morre misteriosamente. Ela é casada com um diplomata, que tem o poder político e familiar. A narrativa inclui um personagem que faz um documentário sobre fraudes na História do Brasil e dossiês falsos, que costumam aparecer em ano de eleição.

         "Mesmo jornalistas honestos embarcavam nesse tipo de denúncia fácil e mentirosa. E ao mesmo tempo em que corroíam a honra alheia, desmoralizavam a própria imprensa, fazendo o leitor atento, aos poucos, perder a confiança nos jornais", diz no livro o embaixador.

          Ana Maria é um exemplo raro entre grandes autores. Ela não tem agente literária e negocia diretamente com as editoras.

          - Tive agentes bons, que não me conseguiram nada. Todos os contatos era eu que fazia. O segmento infanto-juvenil é muito diferente do adulto. Nenhum agente consegue trabalhar com os dois ao mesmo tempo - diz ela, que saiu da Nova Fronteira após a venda para a Ediouro. - A relação ficou toda muito impessoal.

          "De certo modo, é mais difícil escrever para crianças. Nos dois, você tem que procurar a expressão exata, a estrutura coerente, o esqueleto que sustente. Mas no infantil existem certas limitações. Você tem que resolver os mesmos problemas com recursos limitados. Toda literatura se faz com alusões culturais. Mas a criança tem o repertório mais específico e reduzido "


Após "Infâmia" e as reedições, será a vez de um livro de contos inéditos. Ela tem vários esparsos.

           - Tenho que juntar e completar. Já está praticamente pronto.

          Um dia depois de "Infâmia", será lançada outra obra, sobre livros e leituras, pela Companhia das Letras, que ficou com os ensaios da autora após sua saída da Nova Fronteira.

          - Chama-se "Silenciosa algazarra". Como aqui - diz ela, apontando para as estantes da biblioteca do Petit Trianon, na Academia Brasileira de Letras. - A quantidade de vozes que a gente não está ouvindo porque não abre o livro...

          Ela está sentada em frente à coleção particular de Manuel Bandeira. De cada lado da escritora estão duas estantes giratórias que pertenciam ao poeta. Atual secretária-geral da ABL, Ana Maria esteve na Academia pela primeira vez justamente a convite de Bandeira. Estava na faculdade e disse à sua professora Cleonice Berardinelli - também acadêmica - que adorava os poemas do escritor. Ela a levou à casa de Bandeira, que perguntou se não queria tomar um chá na Academia. Tinha 19 anos.

          Cinquenta anos depois, Ana Maria desdobra-se na concretização de muitas atividades. A ABL tem ações como um programa semanal de conferências; um seminário mensal chamado Brasil Brasis, que trata de temas que vão do grafite ao futebol; e visitas guiadas para estudantes.

          - Internamente há quase uma piada, de que a gente vai do top ao pop.

          A obra de Ana Maria já foi traduzida para 20 países, da Turquia à Coreia, da Croácia ao Japão. Ela escreveu mais de cem livros, que venderam acima de 18 milhões de exemplares.

          - Meus livros raramente foram best-sellers. São long-sellers, livro que não sai de catálogo, vende sempre.

          Ela está no meio de um infanto-juvenil, uma novela de época, passada no século XVII, com um português e um africano que se encontram no Brasil. Ana Maria fala da diferença entre escrever livros para adultos e infanto-juvenis.

          - De certo modo, é mais difícil escrever para crianças. Nos dois, você tem que procurar a expressão exata, a estrutura coerente, o esqueleto que sustente. Mas no infantil existem certas limitações. Você tem que resolver os mesmos problemas com recursos limitados. Toda literatura se faz com alusões culturais. Mas a criança tem o repertório mais específico e reduzido.

 

É isso aí envenenadas, o melhor de tudo é que ela estará na Bienal e poderemos encontrá-la!! Yupe!!

 

Beijos, Math Tonionni

 

 

          Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/06/08/a-consagrada-autora-infantil-ana-maria-machado-estreia-em-nova-editora-com-romance-adulto-924642341.asp#ixzz1Op2wyVig

2 comentários:

  1. Nossa achei muito interessante a história desse livro, também achei muito legal o fato dela ter partido de casos reais para escrever o livro! Acho que isso deve ajudar a deixar a história mais real pra quem lê!
    Adoro autores camaleões, ela consegue escrever para adultos e crianças, acho isso muito legal!Com certeza na Bienal vou querer encontrá-la!
    Beijos, Débbie
    http://loucospor-livros.blogspot.com/

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  2. eu AMO essa escritora...tirei foto com ela na Bienal de 2007 e ela goi mega fofa!

    Estaremos juntas lá esse ano meninas

    bjos

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